The world

O MUNDO - DE ACORDO COM A SABEDORIA DA CABALÁ, O QUE É O MUNDO?

O Mundo - 11 de Janeiro de 2021 30:29 min

TRANSCRIÇÃO:

Norma: Olá, bem vindos a todos ao seu Programa O Mundo, teremos, como de costume, o Dr. Michael Laitman, com quem conversaremos sobre um novo tema, um interessante tema para todos vocês! Dr. Laitman, bem vindo!

Rav: Muito obrigado, estou feliz por estar aqui! 

Norma: Hoje queremos conversar sobre o nome do nosso Programa, O Mundo. A definição, de acordo com o dicionário, é: "Um conjunto de tudo o que existe”. A palavra latina “Mundus”, é uma cópia do grego “Cosmos”, que significa “Ordenado”, quer dizer que inicialmente, “Mundo”, significava “Limpo e Ordenado, mas depois mudou seu significado para “Universo”, segundo a idéia do filósofo e matemático Pitágoras, que lhe chamava de “Cosmos”, da mesma raiz que “Cosmético”, pois acreditava que era ordenado e belo. O termo greco-latino expressa uma noção de “Criação” como um ato de estabelecer ordem no caos. Então esta é a definição greco-latina, mas de acordo com a Sabedoria da Cabalá, o que é o Mundo?

Rav: Mundo é o que a pessoa descreve a si mesmo. Não sabemos o que é o Mundo em si, somente que sentimos que vivemos dentro de um sistema que se mostra como algo mais ou menos ordenado de acordo com nossos sentidos, qualidades e entendimentos e isso chamamos de mundo, quer dizer, posso dizer que o mundo é lindo, bom, ordenado e universal, mas também posso dizer que o mundo não é bom, que não está ordenado, não é belo, e que não lhe compreendo, não me sinto bem com ele pois não o vejo corretamente, quer dizer, tudo depende da interpretação pessoal da pessoa, e como o mundo realmente é, pode ser como um sistema universal completo, pleno para nós como o sentimos.

Norma: Será que Pitágoras tinha razão, que o mundo está ordenado e organizado, e simplesmente somos nós que temos uma visão distorcida da realidade?

Rav: Pode ser, porque não sabemos, pois segundo o que sentimos, pelo visto, está ordenado e é bonito, num sistema belo e ideal, mas para nós se apresenta aos nossos sentidos como não tão ideal, correto e ordenado não é realmente um universo porque assim somos feitos, assim compreendemos este tema, a falta de ordem de acordo com nossos vasos, carências.

Norma: Queremos nos aprofundar precisamente sobre isso. Uma pessoa sente que é uma entidade própria e mais além disso está o mundo. Eu tenho meu próprio micro mundo e o resto é o mundo. Onde na realidade termina o meu ser e onde começa o mundo?

Rav: Segundo a Sabedoria da Cabalá, não há além do eu, é sempre de acordo com meus vasos, segundo minhas qualidades e é assim que vemos o mundo. Não é possível vê-lo de uma forma diferente, sempre é uma percepção subjetiva em relação a pessoa que a alcança.

Norma: Mas por enquanto, cada pessoa sente uma desconexão de si mesma em relação ao mundo, porque?

Rav: Está correto pois temos um corpo, temos algo dentro deste, partes do corpo, pensamentos, desejos, o que acontece conosco dentro dos processos fisiológicos, tudo isso é o que há dentro de nós, fora disto, há algo que sentimos como o mundo que nos rodeia, inanimado, vegetativo, animado e pessoas que nos cercam, que vivemos junto delas, e a tudo isso nós chamamos de mundo, e fora disto também, quando pensamos no mundo pensamos em grandes forças, estrelas, planetas, tudo o que preenche este grande espaço, que não foi descoberto, então o mundo é tudo o que há, e nós também fazemos parte do mundo, só que, em relação a isso temos uma percepção pessoal, nossa.

Norma: De acordo com o Livro do Zohar, o Livro mais importante da Cabalá, o homem é um mundo pequeno. Como interpretar esta citação do Zohar?

Rav: A pessoa é um pequeno mundo porque tudo o que se percebe é feito dentro do homem. Já não posso dizer que, se não existissem pessoas, que forma teria o mundo, eu não posso dizer, porque eu o percebo com minhas qualidades, se eu tivesse outras, então eu o perceberia de uma maneira diferente, digamos, sons, cores, ou talvez nada disso, o que passa aqui é que o mundo sempre está em uma revelação à uma pessoa específica, isso por uma parte, por outra, o mundo também é da palavra “Almah” que significa “Ocultação” em hebraico, que uma parte está revelada e outra parte está oculta, então é isso que acontece conosco, que nos ocorre, onde nos encontramos, uma parte está revelada, uma parte está oculta, e qual é o jogo aqui conosco não sabemos, existem forças que atuam no mundo de forma revelada que não percebemos e existem muitas forças que não identificamos de forma alguma, então, qual é a forma do mundo “Olam” verdadeiro, mundo em hebraico “Olam”, então se mudarmos dentro de nossa percepção, um parâmetro, um sentido, em algo, o mundo receberia uma forma completamente diferente, como os peixes vêem o mundo, ou digamos, algum inseto, uma barata, ou as abelhas, as abelhas têm olhos como mil de nossos olhos, isto é só um olho delas, então como é possível ver assim, estamos em um mundo que não conhecemos, não entendemos e sua forma verdadeira não está revelada, e eu acredito que, segundo a Sabedoria da Cabalá, que o mundo não tem nenhuma forma mas sim é uma Luz Superior simples, uma Força, e essa Força desenha, sobre nossos sentidos e desejos, a forma que chamamos de mundo, por isso mundo vem da palavra “Almah” em hebraico, “Olam”, “Almah” (Ocultação), porque, da revelação e ocultação, assim dentro destas partes, assim sentimos o mundo.

Norma: O que há então neste mundo oculto que nós não vemos, o que veríamos se pudéssemos revelá-lo?

Rav: Não há nada que eu possa dizer porque tudo se mostraria segundo meus desejos corrigidos e, portanto, não posso dizer como o mundo seria, primeiro de tudo eu não posso dizer à outra pessoa como o mundo se parece, como o mundo se mostra, digamos, eu tenho que me vestir em alguma outra criatura e então irei saber como ela se sente, então assim, se eu não me vestir em alguém, então não posso dizer que forma o mundo tem para ele, mas, antes que a Força Superior faça algum tipo de forma nas qualidades, nos sentidos de alguma criatura ou de alguma pessoa, é impossível que tenham a sensação do mundo.

Norma: Porém entendemos que os Cabalistas, através de seu alcance espiritual, conseguiram revelar mundos superiores ao nosso e nos deram as diretrizes ou um guia para alcançá-lo.

Rav: Sim, está correto, porém, de que forma isso acontece? Todos percebemos o mundo em nossas qualidades egoístas e, a isto, chamamos este mundo, e precisamos nos elevar acima de nossas qualidades egoístas e chegar às qualidades de outorgamento e então veremos um mundo diferente, o mundo depende sempre de quem o percebe, de quem o revela, de quem o sente, essa é a forma do mundo, por isso o mundo não tem uma forma concreta e, o que está escrito nos livros de Cabalá, mundos, níveis, partzufim, é claro que quem chega à estas correções, até certo nível espiritual, entende então o que está escrito, o que os Cabalistas escreveram, mas somente ele entende de seu alcance, então o fato dele ter feito correções, pelo fato dele ter feito correções, assim sente precisamente o mundo superior, assim ele o sente e então entende o que os Cabalistas lhe ensinaram.

Norma: O que significa então que, de acordo com a Sabedoria da Cabalá, o Livro do Zohar foi aberto para todos com o propósito de revelar o mundo superior para nós, já que nosso mundo inferior é apenas uma impressão do mundo superior. Para começar, o que é o mundo inferior?

Rav: Mundo inferior na Cabalá, é o que sentimos em nossos sentidos não corrigidos, da forma como nos foram dados pela natureza, e, o mundo superior, é o qual alcançamos, de forma gradual, quando nos corrigimos em relação às qualidades do mundo superior acima de nossa natureza egoísta em direção à qualidades mais e mais altruístas.

Norma: Então quando falamos que o Livro do Zohar permite a qualquer pessoa abrir, revelar o mundo superior, o que significa?

Rav: No Livro do Zohar, está escrito sobre os 125 níveis de alcance da realidade, a realidade é o Criador, a força de outorgamento que é oposta a nossa força de recepção e, portanto, na realidade chegamos a um estado em que somos capazes de alcançar a força superior segundo nossa identificação com sua qualidade de outorgamento que vem de nós, acima de nosso ego, etc.

Norma: Fala-se também dos mundos superiores. Significa que há vários mundos?

Rav: O alcance superior, que dizer, o alcance da força de outorgamento, que nos mostra, nos desenha todos os tipos de formas de outorgamento sobre nosso desejo de receber que está disposto a receber essas formas de outorgamento e sentí-las, captá-las, descrevê-las, este alcance divide-se em muitos níveis, situações e quando nós chegamos a estes níveis, começamos a revelá-los, um nível após o outro de acordo com nosso estado e até onde somos capazes de digeri los, captá los e ser parte deles.

Norma: Como perceber então, o mundo de forma correta?

Rav: Até o quanto a pessoa se anula a si mesmo em seu ego, até quanto deixa de ser um zero em relação a isso, e começa estar mais e mais próxima da Força Espiritual não há com essa Força Espiritual, no Mundo Espiritual qualquer tipo de distúrbio. Então, em relação a isso entra a sensação, o entendimento da Força Superior Outorgante, sem se meter nessas qualidades de receptor e assim a pessoa alcança a Força Superior.

Norma: Isto se refere ao plano espiritual imagino, pois se uma pessoa é um zero no mundo terrenal o comem vivo, pois é uma selva, um mundo muito agressivo!?

Rav:Sim. Falamos do Mundo Espiritual e a espiritualidade é até quanto a pessoa faz de si mesmo um zero, não incomoda a força superior que se revela nele e por isso, assim pode percebê-la, senti-la, recebê-la mais, assim ocorre.

Norma: O que é esse Mundo por vir? E, que é este Mundo a respeito do que chamamos de Mundo por vir?

Rav: De uma forma simples é possível dizer que agora sinto e entendo que a realidade que me rodeia é este mundo. E, isto que vou sentir no futuro, é o que se chamam a realidade próxima ao mundo por vir. Podemos dizer de um momento a outro”.Neste momento existe esse momento e no próximo momento o mundo por vir. Norma:Temos uma citação de Rabbi Yehudah Ashlag Baal HaSulam em seu Artigo A

Paz No Mundo que diz: “cada indivíduo compreende que seu benefício pessoal e o benefício do público são a mesma coisa, então o mundo alcançará a correção completa” O que significa essa frase?

Rav: Que o mundo que nós alcançamos o fazemos segundo nossas qualidades. E essas qualidades desde o início são opostas ao Mundo Superior, estamos atuando numa força egoísta e todo o Mundo Superior opera é ativado por uma Força Altruísta. Portanto, resulta que somos opostos ao Mundo Superior, não entendemos e nem percebemos nada. À medida que a pessoa trata de relacionar com toda a realidade, em especial com as pessoas de uma forma altruísta , em conexão e participação em amor, em relação a isto começa a sentir através deles o Mundo Superior também de uma forma espiritual que chamamos altruísta. Porém, na condição de encontrar, estar, num grupo correto e, assim, se relaciona com as pessoas tal como lhe ensina e assim se incluir, se dirigir a si mesmo a sensação do Mundo Superior em o qual começa a sentir que ele nesse mundo já se encontra.

Norma: Nessa citação se fala da correção completa do mundo. O que significa a correção do Mundo?

Rav: A correção do Mundo é a correção do homem, porque o mundo não tem forma como dizemos e a pessoa que corrige a si mesmo em relação às suas correções, assim sente o mundo. Ele dá ao mundo o alcance do mundo em níveis em relação de como ele vai subindo do desejo de receber ao desejo de outorgar em concordância com a Força superior. E, assim vai avançando. Portanto o mundo não tem forma, senão que todas as formas que a pessoa sente do Mundo dá-as de acordo com suas próprias forças.

Norma: Mas, todos nós vemos uma forma de mundo, saímos aqui vemos pessoas, edifícios…

Rav: Segundo nossas qualidades. Tudo é desenhado em nós, e fora a nós existe somente a Luz Superior que preenche toda a realidade e nós desta Luz Superior fazemos todo o tipo de formas em relação às nossas qualidades.

Norma: Quando se fala da correção quais são estes elementos, ou, estes instrumentos que devem usar uma pessoa para poder chegar a correção individual a qual vemos que é primordial para chegar a correção do Mundo?

Rav: O principal é a boa relação que devem existir entre as pessoas, este é o principal da correção. Quer dizer, devo chegar a um estado que amo a todos, me preocupo com todos, quero que todos chegam a correção, não há pessoas boas ou más, somente eu vejo assim dentro dos meus vasos corruptos, ou, defeituosos, e se assim começo a corrigir minha relação com o Mundo, então começo a ver em verdade que tudo é uma ocultação (Alamah) da palavra Olam (mundo) da Luz Superior, ou, de Amor, que preenche todo mundo com uma forma infinita sem limitações e tudo que vejo é algo sobre a Luz Superior e existe todo tipo de forma porque sou diferente de qualidade de outorgamento e amor e, é isso que me dá do mundo inerte, vegetativo, animado e das pessoas e que minha correção esta que quero chegar a situação de que verei em lugar de todas essas formas somente a Luz Superior que gera toda a realidade.

Norma: A isto que se refere, é o que os cabalistas afirmam quando dizem: Vemos um Mundo inverso?

Rav: Sim!

Norma: Porque nós não vemos assim como o senhor explica?

Rav: Sim, sim! correto, é isso que trataremos de descobrir, todos, toda a humanidade, cada alma.

Norma: Como?

Rav: Através de que todos nós aproximemos-nos uns dos outros de uma forma emotiva de outorgamento, todos com todos e, que queiramos que todos estejam bem, somente o desejo, não requer nenhuma ação, somentente um desejo assim que todos estejam bem isto corrigirá toda a realidade e, em verdade veremos que nos encontramos num mar de amor.

Norma: Por agora, a Humanidade está encarregada dê: em vez de ver esse mar de amor e ver como um todo integral. Existe uma divisão de mundo se fala de Primeiro Mundo referente aos países desenvolvidos e em Terceiro Mundo que são os países com menos desenvolvimento e recursos, como um cabalista vê essa divisão que já não existe na realidade?

Rav: Não, um cabalista vê como um homem comum também, porque estar em seu corpo como qualquer outra pessoa, isso por uma parte. E, por isso, pode entender a todos, falar com todos, estar em comunicação com todos. Mas, junto a isso se encontra numa percepção de mundo em um segundo grau no sentido de outorgamento e amor, até que ponto possa alcançar esse segundo nível. Então, o mundo em verdade é completamente amor, outorgamento, conexão e ver quanta diferença existe entre esse mundo e o Mundo Superior.

Norma: Um pensamento final para encerrar o Programa e o tema de hoje é o Mundo, o que é esse Mundo? Se puder por favor encerrar o Programa com um pensamento que devemos captar?

Rav: O mundo é o que nós desenhamos em nossas qualidades egoístas sobre o fundo da Luz Superior abstrata que gera toda a realidade tudo que vemos ao nosso redor podemos ver, identificar o inerte, vegetativo, animado, pessoas tudo vemos como forma do nosso egoísmo por sobre essa Luz Branca, Luz de Outorgamento Amor e Conexão, quer dizer esse mundo nos mostra até o quanto somos diferentes, diferentes da Força Superior do Criador. E, portanto, o Mundo que vem da palavra Almah em Hebraico, Olam (mundo), Olamah que realmente oculta de nós a Força do Bem. Então, esperaremos que possamos sobrepor a isto que vamos acima.

Norma: Teremos garantia que será possível viver nesse mundo, diferente do caos que vemos hoje em dia?

Rav: Estou certo que já nos encontramos num avanço muito bonito, são tempos que poderemos abrir nossos olhos e ver a verdadeira realidade, todos, todos os seres do mundo.

Norma: Amém! Muitíssimo Obrigada!

Rav: Muito êxito!!!