O MUNDO - O EXÍLIO DO EGITO
O Mundo - 12 de Abril de 2022 27:57 min
TRANSCRIÇÃO:
Norma: Olá e bem vindos ao programa O Mundo. Desta vez conversaremos com o Dr. Michael Laitman acerca do Exílio. Dr. Laitman, muito obrigada por estar conosco.
Rav: Estou convosco. Por favor!
Norma: A propósito da celebração de Pessach, hoje queremos conversar acerca do exílio do Egito pelo Povo de Israel. O que é o Exílio para a Sabedoria da Cabalá?
Rav: O exílio, de acordo com a Sabedoria da Cabalá é a sensação de que não vivemos uma verdadeira vida. Que estamos num mundo que não é verdadeiro, e que existe apenas nas nossas sensações. O mundo verdadeiro encontra-se numa dimensão totalmente diferente e precisamos, nas nossas sensações de nos elevarmos a esse nível. E portanto, todas as situações atuais são sentidas como exílio, e quando realmente quisermos sair, como se estivéssemos saindo da cadeia, então saímos deste estado e entramos num estado que se chama Redenção, em hebraico, ‘Geula’. A única diferença entre exílio e Redenção, em hebraico, ‘Galut’ e ‘Geula’ é que sentimos a Força Superior, que preenche toda a realidade, porque antes estava oculto, e agora está revelado. A diferença entre estes estados opostos é exatamente o que precisamos sentir, e a partir disso veremos o quanto a redenção, Geula, a saída da cadeia, é preciosa, bonita, em comparação com o que sentimos antes.
Norma: Vamos aprofundar mais à frente como passar de um estado para outro, mas entretanto gostaria de saber porque é que há vários exílios ao longo da história do povo de Israel. Por que é que teve de acontecer deste modo?
Rav: Porque avançamos e há quatro níveis na nossa elevação do nível físico, do estado totalmente físico ao estado espiritual completo. E por isso há quatro exílios e quatro redenções. Agora estamos na última redenção, a redenção completa que é aquela em que o Criador se revela com toda a plenitude, para todos. Não apenas a algumas pessoas e outras não, como foi no passado, mas agora sim, fica revelado a todos.
Norma: Quando o Senhor se refere à “última”, a que se refere isto: significa a última para um recomeço?
Rav: Não. É o fim. É o final.
Norma: Em que consiste?
Rav: Consiste na sensação de exílio, a mais forte, a maior escuridão, em que esse mesmo estado que se chama redenção, que deve estar diante de nós, começamos por sentir de uma forma oposta, como escuridão. E desta escuridão, em todos os níveis, é que vamos passar para essa grande luz, essa redenção completa.
Norma: Enquanto humanidade, o que nos levou a esta escuridão que o Sr. menciona?
Rav: O que nos levou a isto? Sentir que não podemos avançar enquanto nos encontrarmos neste exílio. Que queremos escapar disso, porque não podemos estar mais nesta mentira, neste desejo egoísta, que não podemos chegar a um estado em que mentimos uns aos outros, e não somos verdadeiros. Em que pensamos apenas sobre como roubar, mentir, como mudar a nossa vida apenas para ter mais do que os demais. Isso é o que eu anseio todo o tempo, que me comparo em relação aos demais sobre quanto tenho e os outros não. Então, quando não sou capaz de estar neste estado, quando perco todo o sabor neste estados, então isso quer dizer que já terminei o exílio e que estou preparado para a redenção.
Norma: A que se refere então a história do exílio do Egito?
Rav: O exílio do Egito é que não sou capaz de estar mais tempo neste estado presente, mesmo que a nível material não me falte nada, mas não posso estar mais nisto. Porque de tudo o que vivo, vivo comparando até que ponto eu tenho e os outros não, e isto é o que aproveito.
Norma: As pessoas estão familiarizadas com a história da Torá, do exílio do Egito, que é como um relato. Para além de ser um relato, tem um significado espiritual? Melhor dito, é uma analogia?
Rav: Mais além desta história há muito a acrescentar, porque a Torá nos conta na linguagem da fábula, numa linguagem do conto, como mensagens e não numa forma direta e verdadeira, porque é impossível desta forma levar este estado à humanidade. Porque é um estado que aconteceu há milhares de anos e que todos aceitam isso e querem escutar isto, ensinar às crianças e falar entre si disso, etc.. Por isso, tudo o que a Torá nos conta é para ser entendido por todas as pessoas, em todos os tempos, para os ricos, os pobres, os tontos, os sábios, inteligentes, para todos. A Torá conta-o como se não fizesse parte de nós, como se fosse acerca de pessoas que viveram no Egito, no passado. E o que eles sentiram, e como viveram, e como escaparam de lá é algo que não tem relação nenhuma comigo e conosco, e assim, na realidade, devemos receber esta história. Mas por detrás deste conto, desta história, digamos que, como a contamos às crianças, como se fosse um conto, devemos estudar a forma correcta da história. E aqui há um problema sobre como entender isto corretamente, como explicar isto a nós e aos outros e em cada geração, para que seja adequado ao desenvolvimento das gerações.
Norma: Como explicar então este relato do exílio do Egito de uma forma mais profunda?
Rav: Recebemos a Torá e esta história faz agora três mil anos. Quando saímos do Egito. E durante estes três mil anos, todo o tempo contamos esta história da saída do Egito, ou seja, o que aconteceu lá, e como saímos e o que é que esta história nos quer explicar. O que nos querem explicar com isto? E se vamos segundo a história, eu vejo que esta não muda, fala sempre das mesmas coisas. Que veio um grupo de pessoas para o Egito, e instalaram-se lá, e que no princípio havia um bom faraó, depois este rei mudou e cada vez pior, até que sentiram que não podiam ficar mais com ele, e que deviam escapar. E o principal da história é o assunto acerca da fuga do Egito, onde aconteceram as dez pragas e as pessoas que estavam no egito conectaram-se e fortaleceram-se até que se descobriu entre elas um líder, de nome Moisés, Moshe, que os tirou do Egito e os levou para fora deste lugar e esta é a história. Então, se estudarmos isto, segundo a verdade, na realidade trata-se de um grupo de pessoas que saem de um estado de escravidão e sobre isto já devemos entender que se trata da escravidão das pessoas que estão no seu ego. Que começam a descobrir até que ponto a sua vida na terra, e não importa exatamente em que lugar vivem, a isso chama-se Egito. Todo este mundo se chama Egito e nós sentimos que todos estamos sob o domínio do nosso ego. E precisamente este ego é chamado de faraó, em hebraico, paroh. E se quisermos viver bem, se quisermos ser livres do nosso ego, então devemos estudar como nos deixa densos, como nos domina e como podemos escapar dele. O que quer dizer que agora nos encontramos sob o seu domínio e o que quer dizer que podemos sair de seu domínio? Isto é um tema muito importante. Hoje em dia, a humanidade está mais desenvolvida, mais aberta, e pode entender do que se trata. E por isso hoje é possível dizer que é uma nova geração, que descobre em toda a humanidade, o que significa estar no Egito e em que consiste a saída do Egito e o que quer dizer estar fora do Egito, que é o que temos à nossa espera. E é o que falamos e estudamos na nossa organização com todos.
Norma: A crise que estamos passando a nível pessoal, familiar e obviamente a nível mundial, isto indica que estamos em que processo, em que parte deste processo do exílio do egito?
Rav: Estamos em… diria que estamos numa parte muito interessante, na parte da saída de egito, no início da saída de egito, quando começamos a alcançar, a sentir a descobrir que sim, somos trabalhadores do faraó, que funcionamos de acordo com a nossa natureza, que somos escravos e que devemos escapar desta escravidão. Que podemos viver de uma forma muito mais aberta, e assim, descobriremos que na verdade, há uma forma direta. Que, quando sairmos do domínio do nosso ego, do nosso desejo de receber, que nos elevarmos acima de nós mesmos, então vamos sentir que somos livres.
Norma: O Sr. crê que a humanidade está consciente que estamos dentro do Egito, ou seja, de acordo com a Sabedoria da Cabalá o Egito é o nosso ego, que nos domina. Que estamos sob o domínio do ego a nível mundial. O Sr. acredita que já existe esta consciência, ou entendimento de que este é o nosso estado, o estado de escravidão?
Rav: Creio que começamos, ao redor de todo o mundo, começamos a sentir que sofremos com a nossa natureza. E enquanto entrarmos dentro dos mesmos problemas e queremos afastar-nos da nossa natureza egoísta, que sempre nos leva a encontrar todo o tipo de problemas, e apesar de tudo somos incapazes de fazer algo. E isto realmente é como a história do Egito. Há todo o tipo de pragas, dez pragas que devemos passar antes de começarmos a alcançar a essência destas pragas, que é para que possamos entender e decidir que não temos opção e que devemos sair deste Egito, do domínio do nosso ego. Mas não podemos, porque estamos dentro disto porque é a nossa natureza e então, como podemos sair da nossa natureza? Neste ponto é necessário aprender e apelar ao Criador, para que Ele nos tire do nosso ego,realmente de dentro da nossa pele e então, sim, deixamos a nossa natureza egoísta,paramos de pensar em nós próprios e começamos a pensar no amor em geral, e a isso se chama “sentir o próximo mundo”. O Mundo eterno, o mundo pleno, sem nenhum problema, sem nenhuma carência. E então chegamos a isto.
Norma: Como fazemos então essa transição? Como chegamos a este estado sublime e bom a que o Sr. se refere?
Rav: Segundo o desejo. Se na verdade aprendemos até que ponto o mundo superior é oposto ao nosso, até quanto fora deste nosso estado chamado egito, que fora desta sensação existe uma vida plena, então vamos querer isto, e vamos gritar que queremos sair deste estado. Tal como lemos que os filhos pediram e clamaram ao Criador, e que o Criador os salva. Não é necessário mais nada senão até que ponto estamos mal nesta vida, e que é mau ocultar isto, e até quanto pode ser bom chegar ao estado do mundo superior, do próximo mundo, e assim sairemos. Sairemos para a redenção.
Norma: Eu estou certa que todas as pessoas no mundo querem esta vida boa, e também para os seus filhos e para as gerações futuras. Mas as pessoas não sabem por onde começar sequer. Qual deve ser o primeiro passo a dar?
Rav: Sim. Nós estamos à espera de todas as pessoas. Estamos dispostos a ensinar a todos, e no nosso ambiente, que você conhece, estamos, ou seja, há muitas pessoas, tanto na américa do sul, europa, ásia, todos, todos os que estudam na nossa organização, cada um deles pode ser instrutor para milhares de pessoas através da internet, onde podemos explicar como fazer isto. Tudo está na decisão da pessoa. Por favor.
Norma: Referente à história do êxodo, numa tentativa de entender o que se passa hoje em dia, e baseando-nos no que diz a Torá em Gênesis 15 está escrito, no pacto que Abraão faz com o Criador, este pergunta-Lhe: “Como estou seguro que a vou herdar?” E a resposta do Criador a esta pergunta foi, tal como está escrito e como disse a Abraão: “está garantido que os teus descendentes serão estrangeiros numa terra que não é a sua, onde serão escravizados e oprimidos por quatrocentos anos. E depois, vão sair com muitas coisas.” O que significa esta frase?
Rav: Que depois de nos encontrarmos num estado em que sentimos que somos escravos, que não podemos sair do nosso ego e que este nos aprisiona como numa cadeia, e que não temos nada na realidade. E que ansiamos apenas todo o tipo de pequenas loucuras, então, quando saímos disto e descobrimos o mundo infinito e podemos preencher-nos com tudo o que queiramos, com a plenitude da realidade superior, eterna, e assim chegarmos ao mundo superior. E isto está à disposição de cada um de nós. Quem quiser escapar-se a isto pode fazê-lo e está adaptado a cada um. Isto é de fato que temos de especial nesta altura, no século vinte e um, que já vamos alcançar isto e por isso, convido a todos para que venham e aprendam. É possível através da nossa página web, temos muito material sobre isto, tanto material escrito como lições. Está tudo aberto, gratuito. Somente precisamos do desejo. De ver o que é o Egito, o que é a nossa vida, como estamos ligados a isto, como saímos do mundo da escuridão para o mundo da luz. E que isso está ao alcance da mão de cada um. Eu convido a todos.
Norma: Sobre este relato em Gênesis, porque é que simplesmente não lhes deu a terra, sem ter que passar por este sofrimento? Em referência a esta citação em que o Criador falou com Abraão?
Rav: Sim. O assunto é que é impossível passar do nosso mundo, para o mundo espiritual de uma vez só. Tem que mudar. As pessoas devem estar preparadas para sentir o mundo espiritual. Imagina que pegamos alguém da selva, ou de uma aldeia e o levamos a Manhattan. Como pode aproveitar o que existe aí, se não conhece, nem sabe e não entende para que servem as coisas que está vendo? Portanto, primeiro devemos aprender o que temos em relação a esse mundo espiritual e até quanto devemos mudar, que é o que temos que exigir para chegar ao mundo espiritual. Para que em vez de nos encontrarmos nesta aldeia, possamos disfrutar de tudo o que o mundo superior nos pode dar. Por isso existe um método, e um caminho sobre como adequar-nos desde este mundo, até o mundo superior. E entre os dois mundos existe a nossa organização e estamos capacitados para ensinar isto. Gratuíto, e para todos.
Norma: Na carta número 66, Rav Baruch Ashlag, O Rabash, o seu mentor diz: “é impossível sair do exílio do Egito antes de entrar nele. Somente então podemos dizer que estamos saindo do exílio. Então, com esta citação surge a pergunta: porque é que devemos entrar no exílio, para poder sair dele. O que é entrar no exílio?
Rav: Entrar no exílio é… devemos fazê-lo para adquirir desejos para sair dele. Primeiro que tudo o exílio trás-nos carências sobre como sair do exílio. Quando chegamos a estados em que dizemos que “sim, queremos isso!”, então, saímos. O estado de exílio serve para isto.
Norma: Uma última mensagem então, para concluir o programa. Como poderia resumir, este tema do êxodo do Egito?
Rav: A última mensagem da saída do Egito é: vamos nos preparar para a saída. Vejamos o que nos espera ali, e na nossa organização todos estão preparados para o explicar a todos como o fazer, e sairemos juntos. Nós vamos acompanhar… o que quer dizer que vamos acompanhar? Vocês vão sentir adicionalmente à vida, como os céus se abrem.
Norma: Amém.
Rav: Amém.
Norma: Dr. Laitman, muito obrigada como sempre, por todas as suas impressões, tão importantes para que as possamos pôr em prática na nossa vida.
Rav: Obrigado a vocês. Obrigado.