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O MUNDO - O QUE É D’US?

O Mundo - 15 de Fevereiro de 2022 30:02 min

TRANSCRIÇÃO:

Norma: Olá e obrigada por estarem novamente conosco no programa “O Mundo”. Hoje conversaremos com o Dr. Michael Laitman acerca de um tópico muito interessante: Quem é D’us. Dr. Laitman, bem vindo!

Rav: Olá, feliz por estar aqui com vocês, especialmente considerando este tópico. Escolher este tópico que é algo que tanto uma criança, como uma pessoa muito elevada possa a vir perguntar não é algo muito comum. Em frente.

Norma: A definição mais comum para D’us é que é um Ser Supremo, Onipotente, Onipresente e Onisciente. Criador, Juiz, Protetor, e em certas religiões, Providente e Salvador do universo e da humanidade. De acordo com a sabedoria da Cabalá, Existe D’us?

Rav: Hum, essa é uma pergunta! O que significa que existe? Quando se diz que D’us existe? O que quer dizer com isto? Suponhamos, aqui temos uma pequena laranja chinesa. Portanto, existe, certo? Esta pequena laranja, você consegue vê-la, certo? Pode recebê-la, pode prová-la. Ou seja, existe! Pode ser que alguém nos conte. Pode ser que apenas ouçamos falar. Portanto, o que significa que existe? Será que o conseguimos ver? Não. Será que o sentimos? Não. Inclusive, alguém pode falar com Ele? Não, não podemos nos comunicar com Ele em nossos vasos comuns, não vemos o Elohim (D’us). Não sentimos que Ele está presente. Então, portanto, Ele não existe. Os materialistas estão certos. Eles dizem de acordo com os nossos sentidos, que milhões de pessoas no mundo podem dizer que não sentem D'us e assim não existe. O mesmo que dizemos sobre qualquer outra coisa que existe. Mesmo em um dos nossos cinco sentidos, por exemplo com o olfato, visão, audição, toque, paladar, ou algo que sentem? O que quer dizer que existe Deus? Não há. E é por isso que creio que não há, e então tenho razão. Então, se queres provar que Ele existe, então diga-me o que significa para você que D’us existe? Não sei o que dizer, mas olhemos para tudo à nossa volta: Cadeira, mesa, paredes, casa, o que quer dizer que existe D'us? Que dizer nós não o sentimos: De nenhuma forma, em nenhum lugar. Para que falar? E podemos dizer que existe muita gente que pensa que Ele existe. E por quê? Porque na natureza há muitas forças ocultas dos nossos cinco sentidos, da nossa percepção, portanto, não podemos realmente falar acerca dEle. Porque, por um lado, dizemos que o Criador é tudo, que é a Força Superior que controla tudo, preenche tudo, e é tudo, dá nascimento a tudo. Tudo o que existe advém desta Força de Elohim. Significa que D’us é algum tipo de força que existe em todo o lado e em tudo. Por outro lado, podemos dizer que por ser algo que não podemos provar, também não posso dizer que existe ou que não existe. E que mais? Se é assim, que Ele está em tudo, por todo o lado, e pode tudo, junto com isso, não o conseguimos senti-Lo, não estar revelado, então quem é Ele? O que É? Como podemos dizer se Ele existe ou não existe? Dizemos que Ele deu origem a toda a Criação. Sustenta o mundo inteiro, eu compreendo que “sustentar” significa a força da gravidade ou algo semelhante. Ou seja, não importa o quanto nos dedicamos a estas coisas, nem sequer sabemos como investigar quem é D’us? E assim que ficamos e a humanidade, durante centenas e centenas de anos quer revelá-Lo e não consegue, e conta-nos sobre isto, conta-nos um mil e uma histórias acerca de Deus, e sobre isso temos uma biblioteca mais do que sobre qualquer outra coisa. E continuamos com a grande questão acerca de quem é Ele? O que é Ele? Por quê? Para quê?

Norma: Portanto essa é a próxima questão. O que é D’us de acordo com a sabedoria da Cabalá?

Rav: É uma Força Única,Oculta, Plena, que preenche toda a natureza e preenche todo o mundo, e em tudo opera. E nós, apenas conseguimos revelar os resultados da Sua Presença. Mas, a Sua Presença em si, não está revelada. Os resultados, sim. Os resultados dessa Presença são tudo, inclusive todos nós.

Norma: Então onde Ele se Encontra?

Rav: Não há algo assim, se estamos a falar acerca de D’us, É uma Força, e tudo existe nEle. Não é que ele exista em algum lugar. Ele É Ilimitado. Não fisicamente. Não emocionalmente. Não em nenhuma forma. Ele É Ilimitado. Isso quer dizer que o Elohim é tudo. Sim, tudo e, nós também é claro somos parte de Elohim (D”us). E então, se é assim, o que é Elokim (D’us) então? A natureza. Natureza (Teva) em Hebraico. É Tudo o que existe, onde Tudo se encontra, Tudo funciona e Tudo gira. E, Tudo isto é a natureza, Tudo isto é Elokim (D’us). E nós estamos inseridos nela, neste sistema.

Norma: Rabash, no artigo 28 de 1988, de “A Sua providência é por ocultação e revelação”? Nos diz o seguinte: que precisamos acreditar que o Criador dirige o mundo como Elokim (D’us) e que se chama ‘Teva’, Natureza como está escrito: “Em Gematria “Natureza” é D’us”. Qual é então a relação da Natureza com D’us?

Rav: A verdade é que nós não temos palavras para falar acerca desta Força Superior porque fazemos parte dEla e podemos dizer que nEle se inclui Tudo, tudo que possamos imaginar é D”us, tudo, tudo. O que possas dizer que exista algo fora dEle no seu exterior, não existe algo assim, E portanto chamamos-lhe EloKim (D’us) porque existem cinco letras, alef-lamed-cuf-yud-mem, que estas letras, Elokim, explicam que há cinco partes nesta Força que constroem totalidade a realidade e mais tarde chamamos estas forças de Sefirot, Mundos, Partzufim, Neshamot, etc. Mas são todos resultados desta Força que as Cria.

Norma: Uma pergunta, se D’us é tudo, isso quer dizer inclui o bem e o mal, mas Ele é o Bom e Benevolente. Não é isso uma contradição?

Rav: Não. O Criador inclui tudo, tanto o bem quanto o mal. É a natureza que Ele criou que age bem ou mal. E todos os atos do Criador são sempre no bem. Mas a natureza sente as suas ações nem sempre como sendo benevolentes, porque tudo depende de como Ele se comporta com a natureza. É como os Pais que dão às crianças algum tipo de castigo para que eles se comportem melhor. E assim a criança pensa que os seus pais são maus, mas na realidade, tudo é feito para o benefício da criança. Portanto, do lado da verdade, Elohim é o Bem Absoluto. Ele é o Bom e Benevolente, e faz o Bem tanto para os bons quanto para os maus. Ele É sempre Misericordioso. Mas, para que possa trazer a Criação a um estado melhor, Ele se comporta com a Natureza em Julgamento e Misericórdia. Como se fosse em bem e mal, para que a possa educar e elevá-la a um melhor estado.

Norma: Então de que depende como avaliamos, ou como percebemos o Criador? Se tudo depende unicamente do observador subjetivo?

Rav: Muito bem, você tem perguntas muito boas e precisas. A percepção do Criador através do homem depende das qualidades do homem. E se uma pessoa é boa, então ele vê Elokim (D’us) como sendo Bom, Se ele é mau, então ele acusa Deus de ser uma Força que age como se lhe fizesse acontecer coisas más. Tudo depende das qualidades do homem. Portanto o Criador é uma cópia do estado em que uma pessoa se encontra.

Norma: Então, isso depende das qualidades da pessoa, quais são as qualidades do Criador?

Rav: As qualidades do homem são apenas qualidades para receber, para aproveitar, para se preencher a ele mesmo de tudo de melhor e no que ele pense que é bom. E as qualidades do Criador são para trazer o homem a um estado absoluto em que tudo é bom para a pessoa. Chama-se chegar a um estado eterno e pleno (Nitzhi Vshalem)

Norma: Precisamente por causa destas diferenças na perceção do homem com respeito a D’us, ou ao Criador, há aqueles que simplesmente não acreditam que D’us existe. Por que é que existem ateus no mundo?

Rav: É porque não sentimos o Criador. Não o vemos. Não o ouvimos. Eu quero ver uma pessoa que vá a correr pela rua e diga que acabou de falar com o Criador. Ela imediatamente será levada para o Manicômio. Como pode ser que todo o mundo acredite que o Criador existe e juntamente com isto que haja alguém que diga que não só existe, mas que fala com Ele? Essa pessoa não seria considerada normal. Como é que isto acontece na humanidade, que, por um lado, as pessoas pensam isto, e por outro, pensam isto e aquilo? Eu não sei. Você pertence à humanidade, portanto Você precisa responder a isto.

Norma: Sim, a questão é se isto não contradiz a natureza em ser Ateu, porque, desde tempos imemoriais, o ser humano acredita num Ser Superior. Então se disser que há quem acredita na natureza e não em D’us, então ele eventualmente acredita em Deus, apenas lhe chama com um outro nome?

Rav: Ah! Você é muito inteligente! Muito bem, vou aceitar a sua resposta.

Norma: Por que é que então temos uma relação tão instável com D’us? O que determina que, às vezes, sentimos que Ele existe e, às vezes, sentimos que não?

Rav: Porque Ele impõe muitas condições, digamos para que O descubramos, possamos revelá-Lo e falar com Ele. É possível fazê-lo. Vê-Lo com os nossos olhos, ouvi-Lo com os nossos ouvidos. Mas, não é o nosso olho e ouvido que estão no nível físico, material, mas é possível desenvolver os sentidos nos quais ouvimos e vemos o Criador. Não é nos nossos sentidos corporais de visão e audição no nível comum, mas em algo num nível mais elevado do que isso e, portanto, é possível revelá-Lo. É possível ver e escutar. Sim.

Norma: Como?

Rav: Como? Como? Essa é uma pergunta. Como? Para isso existe a sabedoria da Cabalá. É por isso que é chamada de Sabedoria da Cabalá. A sabedoria de como receber, de como atrair a revelação do Criador na sua Criação. E isto se chama a sabedoria da Cabalá, que é a sabedoria da revelação do Criador aos seus seres criados, neste mundo. E isto é o que precisamos, portanto esta Sabedoria nos explica o que é que nós precisamos fazer para chegar a um estado onde os nossos sentidos, chamados olhos e ouvidos principalmente vão abrir-se, estes são os dois sentidos principais. Estes são os dois sentidos que vão abrir-se, estes sentidos existem em nós, mas estão fechados. Precisamos abrir os olhos espirituais e os ouvidos espirituais.

Norma: Mas é um processo, uma aprendizagem de como chegar a isso?

Rav: Verdade.

Norma: Um dos mais conhecidos ateus no mundo é o astrofísico Stephen Hawking que disse que, no passado, antes de entendermos a ciência, era racional acreditar que o Criador criou o universo, mas agora a ciência oferece uma explicação mais convincente, e, portanto, a ideia de que existe um Criador, não é mais necessária. Significa isto que o conceito de Criador não coincide ou não anda de mãos dadas com a ciência?

Rav: Não. Stephen Hawking, pobre tipo. Ele não recebeu a explicação correta. Estou certo que ele poderia ter compreendido o que a Sabedoria da Cabalá explica de como conseguir chegar a este método da Cabalá, de como receber Elokim nas qualidades da pessoa. Como incluir as qualidades do homem, os seus sentidos, para que possa revelar o Criador.

Norma: Quando falamos da relação do ser humano com D´us, ou com o Criador, às vezes, há uma relação com o que sentimos e, às vezes, não. Às vezes, o sentimos próximo e, às vezes, o sentimos mais afastado.Significa isso que a nossa relação com o Criador é como uma espécie de tango?

Rav: Sim e não. Primeiro que tudo, o Criador é alcançado dentro de um sentido do homem chamado de desejo de receber. O desejo de receber prazer. E o que há em comum neste sentido é que não é a pessoa que quer receber, mas sim, ser igual ao Criador e portanto, temos uma coisa e o seu oposto aqui. Por outro lado, temos um estado em que o homem é atraído para o Criador e, por outro lado, a pessoa precisa de rejeitar o Criador, ou seja, não queres receber nada Dele diretamente, mas apenas na condição que se aproxima ao Criador de acordo com a equivalência de forma, ou seja, na condição de que ele dá ao Criador tal e qual como o Criador lhe dá a ele. Este caminho está desenhado em muitos níveis, ou seja, gradual, na medida em o homem pode dar ao Criador uma grama, ele pode revelar o Criador na medida de uma grama. Pode dar duas gramas, e pode revelar duas gramas. Neste mundo, neste mundo, no mundo superior, não importa, mas na medida em que ele está à disposição de dar ao Criador, ele pode receber de volta. E, com isto, cuida-se a si mesmo para ser como o Criador. E através disto, ele cresce, entende e alcança e atinge níveis como o Criador. E isto é o que precisamos de fazer. Isto é o que, na realidade, a sabedoria da Cabalá nos ensina.

Norma: É possível influenciar o Criador?

Rav: Sim. Ao dizer que estamos na disposição de receber Dele apenas na condição que lhe proporcionemos satisfação. O que significa receber do Criador? Receber do Criador significa receber prazer. Portanto, se estamos prontos para isso apenas na condição que também damos prazer ao Criador, e então, entre nós, desenvolvemos um sistema de dar e receber. E através deste sistema, compreendemos-nos mutuamente. O que Ele nos dá, nós entendemos, e o que eu lhe dou, Ele sente e entende, então alcançamos o mesmo nível de doação e conexão mutuamente compreendida.

Norma: Parece uma negociação constante com o Criador?

Rav: Sim, é o que é na verdade. É chamada a lei de equivalência de forma. Na medida em que dou ao Criador, também posso receber do Criador. E então não sou menos do que Ele, não sou prejudicado, e Ele também quer que assim seja porque o Seu desejo é o nosso crescimento até sermos como Ele, plenos, completos, entendendo e sentindo a realidade na totalidade.

Norma: Mas é dito que o Criador não muda. Então, como é que negociamos com esta força Superior se essa Força não muda?

Rav: O Criador não muda. Não na medida em que ele dá mais ou menos. Mas Ele não muda na Sua atitude em relação a nós, e no seu amor para conosco. Como uma mãe para com o seu filho. Até pode ser que ela grite com ele, fale de forma brusca com ele, mas é tudo por amor. Isso significa que o Criador não muda.

Norma: Então qual é a oração que D’us escuta?

Rav: Que realmente queremos compreendê-Lo, sentí-Lo, chegar mais perto Dele. Tão perto que não haja distância entre nós, nem em pensamento, nem em desejo, nem em nada. E que consigamos verdadeiramente sentir um ao outro e que sejamos como um. Este estado é chamado de Dvekut, adesão.

Norma: Mas pode ser um tipo de conexão um a um com o Criador?

Rav: Sim. Não temos ninguém que nos seja mais próximo em toda a realidade, em todos os mundos, e mais do que possamos imaginar, ninguém mais próximo do que o Criador. Ele é o que está mais próximo de nós. E realmente faz tudo pelo nosso bem. A cada um de nós.

Norma: É possível falar com o Criador?

Rav: Claro. Qualquer tipo de conversa que queiramos ter com Ele.

Norma: Mas como é que sentimos ou desenvolvemos este sentido que Ele ouve, que existe uma conexão direta?

Rav: Uma vez mais, vamos voltar ao início da nossa conversa, de que precisamos da Sabedoria da Cabalá para nos abrir os olhos e também os ouvidos e então, através destes dois instrumentos, vamo-nos desenvolver. É como neste mundo, que temos olhos e ouvidos e outros sentidos táteis, que sentimos. Então, através do que recebemos, através dos nossos sentidos, recebemos a doação, a influência, e queremos, através disto, queremos receber a fonte, a origem disso que é o Criador. Então, gradualmente, é construída em nós a mesma forma, a mesma imagem chamada de Boré, Criador. É assim que é chamado em Hebraico, que consiste de duas palavras: "Vem" e “Vê” e então Ele será revelado.E então descobrimos a verdade, que desde sempre Ele existe em nós, dentro de nós e esta é a forma como Ele quer que a Sua revelação seja feita. E Ele está à espera e uma vez que tenhamos o desejo de O revelar, então veremos o que Ele diz: “vem, vem, onde estiveste? Eu esperei tanto tempo, e finalmente aqui estás.”

Norma: Temos muito mais perguntas, por isso vamos deixá-las para o nosso próximo programa. Só tenho uma última questão que queria perguntar-lhe. Quando falamos de oração, acerca da ligação um a um, existe também a oração de muitos, porque pensei que o Criador ouvia apenas a oração em conjunto, da oração coletiva e não de um a um.

Rav: Certo. Para que alcancemos o Criador de forma rápida e segura, é preferível que estejamos conectados com um grupo. E é melhor que existam dez pessoas neste grupo. E então vamos em conjunto pedir ao Criador que nos aproxime dEle. E para isso, estamos na disposição de ser realmente como um corpo e um coração. Para realmente conectar todos juntos. Cada um de nós deve anular o nosso ego em favor do outro para que possamos conectarmos uns com os outros com Ele e integrar no Criador.

Norma: Dr Laitman, isto foi realmente excitante. Muito obrigada e até o nosso próximo programa.

Rav: Muito obrigada a vocês. Tudo do melhor. Obrigado.