Kabbalist Dr. Michael Laitman and Norma Livne discuss the topic of truth and falsehood in this episode of The World.

Kabbalist Dr. Michael Laitman and Norma Livne discuss the topic of truth and falsehood in this episode of The World.

Episódio 202|11 Ağu 2022

O MUNDO . VERDADE E FALSIDADE

O Mundo - 11 de Agosto de 2022 26:13min

TRANSCRIÇÃO:

Norma: Olá, bem vindos uma vez mais ao Programa O Mundo. Damos as mais cordiais boas vindas ao Dr. Michael Laitman com quem vamos falar sobre a Verdade e a Falsidade. Dr. Laitman, obrigada por nos acompanhar novamente.

Rav: Estou muito feliz por estar aqui com vocês. Por favor.

Norma: Vivemos num mundo em que é muito difícil, diria, praticamente impossível distinguir a Verdade da Falsidade. Neste programa, queremos saber mais sobre as ferramentas que podem nos ajudar a avaliar a realidade de maneira correta. Em grego, a expressão usada para definir “verdade” é a palavra “alítheia” cujo significado etimológico é “sem véus”, ou desvelado. Mas, na verdade, sabemos que apesar da realidade estar exposta não sabemos se é a Verdade ou não. O que é a Verdade de acordo com a Sabedoria da Cabalá?

Rav: A Verdade, é uma relação linda, nem amor, nem conexão, senão uma relação linda de um com o outro, uma Boa Relação e a isso chama-se de Verdade. E qualquer outro tipo de relação, ou tipos de relações aqui estão mais próximas da mentira e falsidade.

Norma: E o que é uma Boa Relação entre uns e outros?

Rav: Quando eu penso no bem da pessoa. É tudo o que existe. Não entramos em todo o tipo de declarações que isso é para seu benefício, ou não, e que exista uma pedagogia, um sistema judiciário e etc. Senão, que simplesmente eu tenho a intenção do bem ao outro, isso é chamado de bem, verdade.

Norma: A Verdade é procurada na religião, na filosofia, na matemática, na advocacia e na ciência. Estes campos usam diferentes métodos que tentam chegar à verdade para servir a diferentes objetivos. Qual é o método para chegar à Verdade de acordo com a Sabedoria da Cabalá?

Rav: Para isso é preciso construir um tipo de ambiente, um grupo, uma sociedade no qual a pessoa seja capaz de aprender com os demais, e mostrar aos outros até o quanto ela age segundo a Verdade. E a verdade é chamada de amor, conexão, uma boa e agradável intenção de outorgamento, influência de uma pessoa a outra.

Norma: A Cabalá é a verdade absoluta, ou há outras disciplinas que possuem a Verdade?

Rav: A Cabalá não renega nada no mundo, quer simplesmente mostrar ao homem o que é a Verdade e o que é Falso segundo nossas qualidades. E assim se a nossa intenção é para benefício do homem, qualquer que seja no mundo, independentemente do sexo, da cor, da raça, ou, ao que venha a pertence em termos religiosos etc, não importa. Se estamos a falar do homem, seja qualquer pessoa, e nossa intenção que temos para com ele é em prol do seu benefício, então chamamos-lhe isso de o bem verdadeiro.

Norma: Existe a Verdade absoluta, ou esta é relativa?

Rav: A Verdade Absoluta existe é algo muito elevado. Verdadeiramente exaltado e não a podemos descobri-Lo e não somos capazes de falar, ou de aproximarmo-nos a isto. Embora teoricamente sim, mas na realidade é quase impossível. A Verdade Absoluta é que a pessoa se direciona a si mesmo para o bem de todos, para com cada nível, seja inanimado, vegetativo, animado e, especialmente às pessoas, e deseja relacionar-se a elas favoravelmente, com bem, com amor. Esta é a Verdade.

Norma: Na América Latina há um ditado conhecido que diz que as crianças e as pessoas inebriadas dizem sempre a verdade. Por que quanto mais crescermos, mais perdemos a pureza da Verdade? Por que é que as pessoas se desenvolvem dessa maneira?

Rav: Porque a nossa mente desenvolve-se para cobrir os danos que podemos causar a nós mesmos, e portanto todo o tempo estamos a perseguir a correr atrás de um preenchimento egoísta, e de maneira igual precisamos ocultar essa tendência e nesse motivo, cada vez mais mentimos o tempo todo. E resulta que todos somos mentirosos e na realidade não queremos fazer nada e, nada bom. Mas no nosso exterior, fazemos, vamos dizer assim que pintamos um disfarce e é como se fizéssemos boas ações uns para com os outros.

Norma: Precisamos de ser como crianças no nosso interior, para sermos capazes de alcançar a Verdade?

Rav: Sim. Somos realmente como crianças, que todo o tempo queremos esconder uns dos outros, nossas intenções, uma vez que todas nossas intenções são somente para aproveitar do próximo e tirar benefício próprio.

Norma: Diz-se que existem tantas verdades como pessoas. Como influencia o entorno para estruturar a percepção da Realidade e da Verdade?

Rav: O entorno em verdade determina a medida na qual a pessoa vai estar próxima ou, longe da verdade. Apenas o ambiente pode determinar isso, o entorno influencia sobre a pessoa e pode mudá-la de um extremo ao outro. Pode fazer dele uma pessoa boa, uma linda em relação aos outros, e também ao contrário de tal forma que a pessoa pode ficar até irreconhecível.

Norma: É possível num ambiente construir uma verdade que seja única? A única Verdade?

Rav: Tudo depende do entorno. Vamos ver desta forma: suponhamos que construímos uma sociedade de pessoas em que gradualmente alcançamos um acordo de que queremos construir uma boa sociedade, em que as pessoas queiram tratar-se com cuidado e construir boas relações, e que isso é o ponto principal. Então, precisamos aprender muito e averiguar como construir esse entorno, como criamos nestes aspectos diferentes tipos de leis, e definimos regras. E será possível ensinar desde crianças até adultos por forma a que cada um se sinta dependente uns dos outros, e que devem comportar-se bem uns com os outros de forma favorável. Ser agradável para os demais. Porém, isso é algo muito especial, e precisamos de compreender até o ponto em que todos dependem de todos. Mas, se não estamos de acordo com isso, nada irá restringir nenhuma força a fluir entre nós e que nos leve comportar de forma má uns com os outros.

Norma: Queremos entender o que está escrito pelo seu Professor o Rabash, o Grande Baruch Shalom Halevi Ashlag, no artigo 15 de 1984 que diz: “Como pode algo negativo vir desde acima”: “deve haver um intermediário entre a Verdade e a mentira para que seja um trampolim desde a mentira a verdade. O intermediário entre Verdade e a Mentira é uma mentira na verdade.” O que significa essa citação?

Rav: Que precisamos questionar a verdade de tal forma, que nela encontremos todas as formas de mentiras as quais devemos analisar e encontrar até que fique apenas Uma Verdade.

Norma: É preciso eliminar o falso para que reine a verdade, ou desde ambos se constrói a verdade?

Rav: A verdade é construída por meio da Falsidade. É impossível alcançar a verdade senão por meio da mentira. Ou seja, quando trabalhamos com isso, quando aprendemos com o falso e atuamos com ele, pouco a pouco o tiramos de nossas vidas e ficamos com a verdade. E veremos que a verdade será praticamente o oposto dessa mentira que eliminamos de um para com o outro em nossa vida.

Norma: Qual o objetivo, ou função que cumpri a mentira, a falsidade?

Rav: Por forma a descobrir a verdade precisamos do falso. Caso contrário, como podemos descobrir onde está a mentira? Tudo começa por descobrir a qualidade na qual não sabemos exatamente o quê, que na Sabedoria da Cabalá se chama de desejo de receber, e nessa qualidade, que é totalmente mentira, falsa, descobrimos a verdade, um pouquinho de cada vez, um pouco de mentira, um pouco de verdade. Sendo assim uma questão de níveis onde a verdade e a mentira estão entrelaçadas até que alcancemos um estado em que não aguentamos nem um pouco de mentira, de falsidade, ao ponto em que é melhor morrer do que viver desta forma. A pessoa está disposta a morrer do que viver no falso, e desta forma uma pessoa alcança um estado em que do lado oposto da mentira, começa a perceber qual a verdade, e a verdade é, especialmente no ideal de se encontrar nos desejos da outra pessoa, acima dos meus próprios desejos.

Norma: Dr Laitman, pode ser que alguém que assista nosso programa questione: “como é que o Criador pode permitir a mentira neste mundo”?. Essa função que o senhor está explicando é para que se tenha um parâmetro de comparação para chegar à verdade.

Rav: Sim, Certo. Precisamos da mentira para discernir o que é a verdade. Até que ponto a verdade e a mentira são opostas e assim abrir espaço para a verdade, caso contrário não há lugar para que vejamos a verdade.

Norma: Rav Yehuda Ashlag, Baal HaSulam, no artigo “Shamati” número 148, diz: “há o exame do amargo e do doce, do verdadeiro e do falso” , “A mente analisa entre verdade e mentira e para isso precisamos de trabalhar com fé, ou seja, ter fé plena nos Sábios. Isto acontece porque o trabalhador não pode determinar por si só o que é verdadeiro, ou falso.” Logo, a pergunta é, como seremos capazes de identificarmos a verdade neste caso?

Rav: Apenas seguindo o conselho dos Sábios, e trato de vê-lo na minha vida o que pertence à verdade. A verdade é que existe o falso e como isso desencadeia nos eventos da vida os quais se passam dessa forma. Então, aprendo na medida que existe em mim e ter a relação assim é a verdade, assim é o falso e até o quanto elevo um por sobre o outro.

Norma: É por meio das instruções, das diretivas que os Sábios nos deixaram como legado, que realizamos essas classificações. Mas, pergunto, podemos dizer que exista algo mais como que está além do adquirir? Por exemplo, como algo inato?

Rav: Há algo inato, claro. No início não sei o que é a Mentira e a Verdade. Automaticamente, de uma forma completamente falsa, sigo o que é bom, o que eu percebo como sendo bom para mim. E vou substituindo automaticamente a noção de verdade pelo o que é bom para mim, o que é doce. E a definição do que é mau relaciono como o que é falso, amargo. Portanto o que resulta para mim dessa relação, doce, amargo, verdadeiro, falso estão confundidos com o que seja o amargo sendo o falso, o doce digo que é verdade e assim é como a pessoa se confunde durante toda a vida, de uma ponta à outra. E quando começamos a analisar tudo de acordo com a Sabedoria da Cabalá, sobre o que estamos a trabalhar, o que é a verdade, o que é a mentira, o que acontece é que não temos nem verdade, e nem falsidade, mas somos como um barco no alto mar e, simplesmente flutuamos com as ondas. E a Sabedoria da Cabalá começa a permear tomar conta da pessoa, na medida em que a pessoa mergulha nela, e diz à pessoa o que ela precisa de fazer. Mas, na realidade a ação está em que eu devo conectar-me com pessoas que buscam a verdade e o falso, o doce e o amargo, e que o diferenciar entre isso é o pouco importante na forma, que aquilo que vai ser verdade e falso é o que importa, e até o ponto que corrijo a mim mesmo, verei que a verdade é doce e a mentira é amarga. A falsidade é amarga. Ou seja, aqui existem duas formas de análise: o que é verdade e mentira do amargo e do doce, e a pessoa precisa alcançar um estado que a verdade vai ser doce, e a mentira, a falsidade serão amargas. Esse é o estado que a pessoa precisa de alcançar.

Norma: Estou tentando entender… Então primeiro partimos do pressuposto que a verdade é algo subjetivo em relação a quem avalia o que é a verdade e o que é a falsidade, mas de maneira conjunta pode-se chegar ao discernimento correto do que é a verdade, verdadeiramente?

Rav: Sim, juntos. Se estivermos num grupo, numa sociedade que somente quer chegar à verdade, então, de acordo com as recomendações dos cabalistas, então podemos determinar tais relações que nos dê um escrutínio, uma clarificação a cada um sobre o que é a verdade verdadeira e o que é o falso verdadeiro, e assim não vamos cometer erros.

Norma: E o que é trabalhar de acordo com a fé, considerando a citação que mencionamos anteriormente? No que diz respeito à verdade e à falsidade, em identificar ambos os aspectos. O que é trabalhar de acordo com a fé na citação de Baal HaSulam?

Rav: Trabalhar de acordo com a fé é que tratamos de alcançar um estado em que a Força Superior, a Luz Superior tal como dizemos influi sobre mim, e dá avanço a minha relação, minha direção de pensamentos e desejos de tal forma que a pessoa descobre o amor, a doação é o verdadeiro o oposto é a mentira. E de acordo com o meu novo sentir que eu construo por meio da Luz que Reforma, pela Força Superior, passo a viver de uma forma que o meu palato vai sentir, que eu não posso estar enganado, que o que é doce é a verdade e o que é o amargo é a mentira, e então chego a um estado em que não tenho nenhum problema em diferenciar em discernir o que é falso e o que é verdadeiro. Porque estou seguro do doce e do que é amargo.

Norma: Rabash no livro “Considerando a importância da Sociedade“ no artigo 12 de 1984 diz: “Sabe-se que o homem que sempre se coloca entre pessoas que não tem qualquer ligação com o trabalho do caminho da verdade, mas agem de maneira contrário sempre como oponentes aos que vão pelo caminho da verdade. E assim, como os pensamentos das pessoas se misturam entre si, resulta que as ideias daqueles que se opõem ao caminho da verdade penetram naqueles que têm um certo desejo de caminhar no caminho da verdade”. Portanto, hoje por exemplo vivemos num mundo da informação, onde há uma abundância de notícias falsas. Como podemos evitar que a mentira e a falsidade penetrem nossos pensamentos?

Rav: É possível somente se entre nós construirmos uma sociedade, e recebamos dessa sociedade as Leis da Natureza Superior, e desejamos implementar entre nós essas mesmas leis. E então, nessa sociedade, poderemos diferenciar entre o amargo e o doce, verdade e mentira, porque sem isso não conseguimos. Quer dizer se uma pessoa que não se encontra numa sociedade assim, que o guie vendo o que é o falso e o verdadeiro, e esteja seguro que é assim, então não pode estar seguro que sua direção esteja correta.

Norma: E no caso dos cabalistas, como é que se relacionam com a verdade? No caso do senhor, por exemplo, como distinguir entre a verdade e a mentira?

Rav: Eu não posso dizer-te, porque, digamos tudo o que tem relação com o Criador, com a Força Superior, com Sua Providência, eu relaciono isso com a verdade, com o que é verdadeiro. E tudo o que não está relacionado com o Criador, eu relaciono como falso. Então, não tenho problemas em estar errado, mas isso é particular e individual para mim.

Norma: E como é que se distingue o que está relacionado com o Criador e o que não está relacionado com Ele?

Rav: As qualidade de conexão, amor, doação, relaciono isso com o Criador. As outras qualidades, as relaciono à natureza humana, a pessoa.

Norma: Pergunto-lhe porque procuro ferramentas práticas para os nossos ouvintes serem capazes de implementar estes parâmetros. Logo, que conselhos o senhor pode dar aos nossos ouvintes para que distinguem entre a Verdade e a Mentira?

Rav: Isso é difícil. Mas gradualmente, uma pessoa pode sentir o que significa trabalhar acima do ego, então entenderá o que é a verdade, e qual é o trabalho que se faz em mente e coração. Porém, de forma a estabelecer-se no mundo, isso é chamado de falso. Mas apesar de tudo a pessoa precisa de estar num grupo, precisa de se encontrar sobre a supervisão de um professor, precisa de obter orientação de pelo menos trinta minutos ou mais por dia, de um professor e num grupo, e no grupo implementar essa orientação, e instrução, e então terá grandes possibilidades de ser bem sucedido, de ver o que é verdade e mentira na vida, de aderir à verdade e da verdade sentir a Força Superior.

Norma: Isso significa então que somente por meio da Sabedoria da Cabalá pode chegar-se à revelação da Verdade?

Rav: Sim.

Norma: Umas palavras para concluir o Programa. Qual deve ser a ideia central com a qual devemos permanecer em relação à Verdade e a Falsidade?

Rav: Quando uma pessoa se eleva sobre suas sensações individuais, e o principal é que deseja examinar é onde está o verdadeiro e o falso para sustentar-se à verdade ao longo de todo o percurso do seu caminho e nada mais do que isto lhe importa. Não importa o que aconteça. Podem gritar com ele, podem fazer-lhe coisas, podem assaltá-lo, não importa o quê. Mas, se ele sente e sustém a verdade, esse é o verdadeiro motivo. “Compre a verdade e não a venda”, esse é o principal, e então chega a verdade.

Norma: Muitíssimo obrigada ao senhor Dr. Laitman, por suas impressões! Até o próximo programa.

Rav: Todá!