When a certain period comes to an end and a new period is about to begin, expectations and hopes always arise about what the future holds. In this episode of The World, Kabbalist Dr. Michael Laitman and Norma Livne discuss this tendency of expectations from the perspective of the wisdom of Kabbalah.

When a certain period comes to an end and a new period is about to begin, expectations and hopes always arise about what the future holds. In this episode of The World, Kabbalist Dr. Michael Laitman and Norma Livne discuss this tendency of expectations from the perspective of the wisdom of Kabbalah.

Episódio 219|5 de jan de 2023

O MUNDO - EXPECTATIVAS 2023

O Mundo - 05 de Janeiro de 2023 29:34 min

TRANSCRIÇÃO:

Norma: Olá e sejam bem vindos ao nosso programa O Mundo. Temos conosco como sempre o Dr. Michael Laitman e hoje vamos falar de um tópico da vossa escolha. Olá Dr. Laitman.

Rav: Olá. Obrigado. Qual é o tópico?

Norma: O tópico para hoje são as expectativas. Quando um determinado período chega ao fim e outro começa, há sempre expectativas pelo período que está para vir. E neste episódio, isso é o que gostariamos de falar. Primeiro, qual a raiz das expectativas?

Rav: Porque sentimos o passado, o presente e o futuro. O passado, o presente, são tempos nos quais existimos, conhecidos para nós, mas o futuro é algo que está à nossa frente, e que está relacionado com todos os nossos planos, e portanto, as expectativas são o que esperamos da vida, o que pode ser. E isto é como vivemos. Portanto, as expectativas são uma grande parte, diria mesmo a maior parte da vida. Há expectativas a curto prazo à nossa frente, a longo prazo, mas ainda assim, sem expectativas não saberíamos como existir. Diria que isso é o que distingue o homem e o animal no mundo vivo, que temos uma sensação do futuro e que vivemos para ele.

Norma: Será essa a razão pela qual quando um ano termina, e um novo começa, as pessoas tendem a comprometer-se com muitas coisas com as quais não conseguem cumprir?

Rav: Sim. Vivemos de hoje para amanhã, para o futuro, do presente para o futuro. E muitas coisas que vivemos, que queremos dar vida, estão relacionadas com o nosso futuro. Pensamos no nosso futuro o tempo todo. O que vai acontecer, se vai acontecer, como vai acontecer, e portanto é importante para nós.

Norma: Temos que ter sempre expectativas para o futuro? Porque há aqueles que preferem não ter expectativas para mais tarde não se decepcionar.

Rav: Não podemos nos desligar do nosso futuro. De uma forma ou de outra simplesmente não podemos. Em tudo o que fazemos, pensamos no momento seguinte. Como vai ser nos próximos minutos, nos próximos dias, nos próximos anos, algo no futuro. Porque na realidade, toda a nossa emoção, toda a nossa vida, é pelo futuro, é por algo. Pode ser mesmo no próprio dia, mas é no futuro. No inanimado, então praticamente não existe, no vegetativo existe mais um pouco, e no animado ainda mais, mas no nível falante, em que temos intelecto e emoção, e sentimos tempo, então vivemos realmente apenas em virtude do próximo momento, pela próxima hora, dia, etc…

Norma: Muitas vezes acontece que as expectativas tomam o controle das nossas vidas, e mergulhamos em pensamentos apenas sobre o futuro. Isso causa a perda a perda do prazer da vida no presente. Por que temos a tendência para viver mais no futuro que no presente?

Rav: Sempre pensamos que as coisas vão ser melhores. Normalmente. E sempre nos agarramos ao futuro. Porque o presente é o presente. O que temos, temos. E por isso o futuro é tão importante para nós.

Norma: Diz-se que a expectativa é sustentada por fatos realísticos, crenças e valores baseados, ao passo que a esperança de que algo aconteça esteja mais relacionado com a fé. A Sabedoria da Cabalá vê alguma diferença entre expectativa e esperança?

Rav: Sim, há uma diferença entre expectativa e esperança, porque a expectativa é algo mais tangível, e a esperança é algo mais distante, mais relacionada com a fé.

Norma: Às vezes relacionamos os desejos, crenças, ou ilusões como a verdadeira realidade, como por exemplo: Este ano vou perder peso, ou vou ser capaz de pagar a minha dívida ao banco, e quando as expectativas não são concretizadas, ficamos aborrecidos. De que depende conseguirmos, ou não alcançar os nossos objetivos?

Rav: Depende das nossas decisões, na medida em que a nossa decisão é prática. Não posso dizer que, suponhamos que este ano quero alcançar algo, mas que não está ao meu alcance. Não tenho razão, justificação para isso, e portanto, o que precisamos decidir antes em que medida o que planejamos para nós no futuro, se temos a capacidade de o realizar.

Norma: Por que é que o ser humano está programado de tal forma que tende a estabelecer objetivos que são muitas vezes inatingíveis, que podem até trazer a pessoa à depressão?

Rav: Porque há uma diferença entre o que queremos e o que conseguimos. O que eu quero mesmo é ir à lua, mas o que está nas minhas capacidades é que não sou capaz de o fazer. E portanto, uma pessoa precisa de ser muito prática, que planeja, sonha, fantasia acerca de algo que está nas suas mãos e portanto não ficará desapontada, não vai entrar em depressão, e vai viver uma vida normal e feliz. É muito importante para uma pessoa, no princípio da sua vida, ver-se ao longo da vida, de uma forma equilibrada. Isto é o que sou capaz, e isto não sou capaz. Caso contrário, em grande parte da vida a pessoa vai querer alcançar algo, e assim, cada vez mais fica desesperado e abandona tudo. É preciso ter objetivos mais realistas.

Norma: Por que há pessoas que vivem de ilusões e expectativas, que sabem à partida que são irrealistas?

Rav: Pode ser que gostem delas, e portanto estas expectativas para eles são a sua vida. Estão habituados a viverem em ilusão e isto para eles é o mundo. Há aqueles que falam que estão planejando uma viagem especial no futuro, uma reunião especial. Há aqueles que falam a todos, e os outros pensam que é mesmo assim, e contam aos outros. Parece que estão prestes a realizar o seu sonho. É o carácter do ser humano. Há outros que são o contrário. Não querem ver o seu futuro tão cor de rosa e bonito, mas para começar estão desapontados com a vida, e portanto, baixam o propósito da vida, o limite, para algo mais simples. Ou seja, não me preocupo com o que vai acontecer daqui por uns anos e assim, vivo o dia a dia, vou para o trabalho, venho do trabalho, compro algo, comida, tenho uma família, filhos e não quero nada mais além disso. Para começar, compreendo que minha vida não é nada de especial. É muito importante educar as crianças de uma forma que aceitem as coisas normais e necessárias na vida, isso por um lado, e pelo outro lado, que também tenham a força para estabelecer para si próprios um tipo de elevação na vida.

Norma: Não é preciso ensiná-los a ter expectativas grandes?

Rav: Não demasiado grandes. Eles precisam saber que, em tudo precisa de haver equilíbrio, que a vida começa e termina. Precisam saber que o principal na vida é que uma pessoa se sente bem com aqueles à sua volta, que a vida é de tal forma que a pessoa precisa a todo o tempo de estar em revelação de mais e mais coisas na vida e estar feliz com isso. O importante, veja “quem é o rico?” é quem está satisfeito com o que possui”.

Norma: Parece racional o que você diz, que por forma a alcançar uma vida feliz e equilibrada e não estar constantemente atrás de objetivos inatingíveis. Mas por outro lado também existiram os pioneiros, que se não tivessem estes sonhos e expectativas não teriam alcançado o que alcançaram. O que acontece nesse caso? Por exemplo, com as grandes invenções na vida, todas elas vieram desses sonhos, dessas expectativas de ultrapassar os limites.

Rav: Sim, a raça Humana é muito variada. Temos sempre uma porcentagem daqueles que se destacam do normal da existência Humana e que voam acima e para além de, e vemos tais pessoas, que na realidade fizeram coisas especiais. Lemos e ouvimos acerca delas, mas são pessoas especiais, diria também um destino especial. E nem todos são assim, ou precisam de ser assim. Não precisamos ensinar às pessoas que todos precisam voar para a Lua e descobrir a América e outras coisas. Em suma, o homem precisa de ser feliz, e isso é o principal, feliz com a sua vida quotidiana. A razão pela qual vive neste Mundo, nos anos da sua vida, pode revelar para si mesmo o mundo espiritual, onde vivemos na nossa alma, e não que para ele seja importante viver no seu corpo. A pessoa precisa se elevar, ela pode transcender. E isto é algo que todos precisam. Nem todos podem ser um cientista, ou descobrir novos continentes, mas todos podem abrir dentro de si dispositivos, um sentido através do qual descobre um novo Mundo. Não um Mundo físico, mas um Mundo espiritual. E todos tem em si, 310 mundos. “Shy Olamot” E isto é o que precisamos ouvir dos nossos professores, dos nossos familiares, de todos, e a Humanidade precisa entender que é possível revelar o Mundo, que se uma pessoa o quiser alcançar, tem à sua frente 310 Mundos. Ou seja, há muitas coisas que ele pode revelar para si mesmo, e aproveitar, descobrir.

Norma: Isso parece como uma expectativa enorme, como algo muito grande, mesmo até inatingível, falar dos Mundos Superiores é quase como falar em ir à Lua.

Rav: Sim, houve tempos, por exemplo, quando eu era criança costumava ler acerca destas pessoas que navegavam através dos Oceanos, para descobrir novos continentes, América. Quando cresci já havia uma geração que lia livros acerca de como seria possível ir até à lua, e hoje, não sei sobre o que leem, penso que não está nos planos deles agora. Mas cada geração tem sonhos muito próprios.

Norma: Então, de que depende alcançar este sonho, este ideal de descobrir o Mundo Superior.

Rav: Essa é a Natureza do homem, é a Natureza do homem. Quando era um menino pensava que era capaz de ir até a um foguete espacial e voar até à Lua, ou até outro lugar, mesmo que não voltasse. O principal era a aventura. Mais tarde desapareceu, gradualmente. O que faço agora, na velhice, ainda assim voaria num foguetão especial, para as distâncias, para descobrir. Mas já é diferente. Mas que tenho tal inclinação, e que estou pronto para isso, isso faz-me feliz. Porque ainda assim, em mim há algo daquele menino, não sou tão velho. A nossa vida é muito muito complicada. E é uma pena que a geração mais nova não receba rejeição, atração suficiente, mais corretamente. A atração à vida, para ir para a frente, para ver, descobrir, para querer, algo. Algo está a faltar nesta geração. São muito práticos, muito imersos nos seus computadores. Para nós era um pouco diferente. Havia passeios. Agora também há passeios, viagens, compram um bilhete de avião e vão. Não é a mesma aventura, a mesma expectativa, os mesmos desejos como era no passado. Tenho pena que assim seja, mas estão na fase de transição entre o passado e o futuro. Talvez os alcance, ou não, pode ser que na próxima geração, com estas viagens a Marte ou algo mais!

Norma: É uma geração que possui quase tudo, talvez a aspiração, o desejo seja o que dê este sabor na vida?

Rav: Não penso que tenham um sabor mais forte na vida que a geração anterior. São todos orientados para os seus computadores, e isso tira-lhes a fantasia, as expectativas, de que há o que receber na vida.

Norma: Qual é a sua maior expectativa na vida, neste momento?

Rav: Neste momento não me resta muito na vida, ou seja, já estou próximo dos 80, portanto não tenho grandes expectativas que me restam, mas o que gostaria, sem levar em conta a idade e saúde e a fadiga, então gostaria de viajar, pelo menos até à Lua, e no geral, penso que, à nossa frente vamos ter muitas oportunidades.

Norma: E expectativas no que diz respeito aos seus estudantes?

Rav: Ohhh, aqui, já na minha fantasia e muito para além delas, espero que os meus estudantes sejam capazes de se elevar mais e mais alto, acima das estrelas, que tenham à sua frente um caminho muito especial, onde não só descubram as galáxias de material morto, mas que descubram o mudo espiritual e que o sintam, e vivam nele, e que entendam o que a Sabedoria da Cabalá está a preparar para eles e a servir-lhes.

Norma: Pensa que os seus estudantes estão a aproximar-se deste objetivo? Da implementação desta expectativa?

Rav: Sim, sem dúvida! Sem dúvida que os meus estudantes estão a chegar mais próximo do objetivo, serão capazes de se elevar acima deste Mundo e sentir o mundo espiritual, o sistema espiritual que controla toda a realidade. Serão capazes de se posicionar como estando inseridos na Natureza e acima da Natureza.

Norma: Quais são os sinais que lhe indicam que os seus estudantes estão a aproximar-se a revelação do Mundo espiritual, como uma expectativa que você tem de todos?

Rav: Os sinais? Estamos a conectar mais e mais entre nós, para ser como “um homem, em um só coração”. De um dia para o próximo começamos a entender melhor que esta é uma condição espiritual básica, da qual precisamos nos aproximar, homens e mulheres, e de um dia para o seguinte espero que para nós esta condição esteja a tornar mais aceitável, mais necessária.

Norma: Dr. Laitman, em conclusão, quais as expectativas que tem para o resto do Mundo?

Rav: Para o resto do Mundo, espero que o Mundo compreenda a medida na qual não tem futuro no processo pelo qual está a passar, e que o verdadeiro futuro é apenas na transição de todos acima da sua Natureza, e se o quiserem podem virar-se para a força da Natureza, para si mesmos, e ascender acima do seu ego, que está a destruir as suas vidas inteiras e a fechá-los neste Mundo pequeno, e então vão alcançar a verdade na Natureza.

Norma: Como poderia resumir esse tema de expectativas para todos os seus seguidores?

Rav: Desejo que toda a humanidade esteja em expectativa que juntos sejamos capazes de revelar o mundo infindável, “Ein sof”, ou seja, é ilimitado, sem limites, que não existe apenas entre esta e aquela muralha, entre hoje e amanhã, mas muito além disso. Que sejamos capazes de o sentir como infindável, sem limites, e que venha rápido. Espero que em alguma medida sejamos capazes de o sentir já na nossa existência atual.

Norma: Amém. Que cumpramos as expectativas. Obrigada pelas suas impressões, e por esclarecer o tópico.

Rav: Obrigado a ti!