The Tree of Life

O MUNDO - A ÁRVORE DA VIDA

O Mundo - 26 de Abril de 2022 30:35 min

TRANSCRIÇÃO:

Norma: Olá e bem vindos ao programa O Mundo. Desta vez falaremos de outro interessante tema que é a Árvore da Vida. Para isso temos conosco o Dr. Michael Laitman a quem damos as mais cordiais boas vindas.

Rav: Obrigado, Obrigado pelo convite. Estou feliz por falar também acerca da Árvore da Vida.

Norma: Muito obrigada Dr. Laitman. Hoje queremos conversar sobre um conceito mencionado em muitas religiões, crenças, culturas, incluindo culturas nativas na América Latina. Estamos falando da Árvore da Vida. Portanto, para começar, queremos saber o que é a Árvore da Vida de acordo com a Sabedoria da Cabalá?

Rav: A Sabedoria da Cabalá divide a totalidade da realidade em quatro níveis: o inanimado, o vegetativo, o animado e o falante. Quatro níveis de desenvolvimento. E verifica-se que o vegetativo é muito especial, porque o inanimado é inanimado, ainda não tem movimento, não tem desenvolvimento em si mesmo, não está vivo, não tem vida própria. Mas o nível vegetativo advém do nível inanimado e isso é algo muito especial. Porque é o começo do desenvolvimento independente neste mundo. Como pode haver algo assim? Como é possível que temos somente, terra, e de repente, algo floresce, algo cresce? Não é claro. Através de que forças? Qual é a origem disso? Qual é o propósito do que acontece? E portanto o nível vegetativo é algo muito especial. É na realidade, a criação. Tal como está escrito acerca do homem, que o homem é a árvore do campo. Vegetativo. E portanto o conceito de vegetativo na Sabedoria da Cabalá é algo muito importante, porque fala acerca de algo que cresce. Algo que se desenvolve em si mesmo. Que há algo de diferente acerca dele do que a forma inicial quando nasceu e portanto, o vegetativo, a árvore, a vegetação, o poder da vegetação, simboliza a vida.

Norma: Qual é a importância? A importância da árvore da vida?

Rav: Que é o início da criação. Que dela toda a criação se desenvolve. E esta é toda a fundação de todo o grau de desenvolvimento até ao grau de Adam, aquele que é similar ao Criador, porque Adam “nasce e entre aspas sai da terra” e começa a ser vegetativo e depois transforma-se em animal e finalmente em falante. E o nível falante, que é semelhante ao Criador, Adam, da palavra Doméh (Similar) e então alcança o pico do seu desenvolvimento e isto é como nós vemos a nós mesmos. Que este é o processo para o qual fomos pretendidos.

Norma: Qual é a relação entre a estrutura das dez Sefirot e a árvore da vida?

Rav: As dez sefirot são a estrutura interna do Criador, que se querem tornar-se como a Força Superior, como o Criador, então precisam se ligar às outras partes da criação numa forma chamada de partzuf, ou dez sefirot. E através disso alcançam um nível em que são semelhantes ao Criador. E se devo desenvolver-me e tornar-me mais e mais semelhante ao Criador, preciso desenvolver por forma a transformar-me mais e mais como o Criador, então já tenho uma conexão especial com os que são semelhantes a mim, que eles também querem crescer, que eles também querem ascender para o nível do Criador, para a forma em que o Criador os criou. E isto é uma forma especial de desenvolvimento. Portanto, para isto o homem precisa de ser como a árvore do campo: Etz Assadéh. Ou seja, precisa se conectar ao nível inanimado, como uma árvore, e crescer a partir desse nível, tal como o nível vegetativo, e crescer mais e mais até o céu.

Norma: O que significa “até o céu”?

Rav: “Até o céu” é a forma semelhante ao Criador. Que serei, de acordo com as minhas qualidades, entendimento, alcance, como Ele. E por isso vou ser chamado de Adam, da palavra Domé (similar em hebraico), Domé ao Criador.

Norma: Na tradição dos nativos, os Maias, Astecas, Olmecas entre outros, existe o conceito de árvores do mundo, no qual a árvore, é representada de forma semelhante à da árvore da vida, e há a menção acerca da conexão entre os mundos Superior e o Inferior, ou seja, que há esta forma invertida na forma como vemos as raízes e a parte superior da árvore. Na sua opinião será que as culturas nativas tenham, talvez, um entendimento da estrutura do universo de uma forma mais natural do que a civilização moderna?

Rav: Por certo que sim. Dizemos que as nossas raízes não estão em baixo, mas vêm de cima. E que vivemos neste mundo como resultado das raízes superiores. A nossa raíz é a Força Superior, e portanto, precisamos crescer de uma forma semelhante a Ele. Portanto, a estrutura que podemos imaginar para nós mesmos é a estrutura de uma árvore. A árvore cujas raízes estão acima, e a árvore cujas raízes estão em baixo, e de acordo com isso, temos a árvore superior e a árvore inferior, conforme está escrito na Sabedoria da Cabalá em muitas partes.

Norma: Por que é que então, na sociedade atual, na sociedade moderna se perdeu essa sensibilidade, essa sensação da realidade e do universo?

Rav: Porque não estamos à procura de nos tornarmos como a Força Superior, similar à Raiz Superior. Estamos à procura de como desenvolver negócios e obter algum tipo de ganho material com isso. E portanto, o que temos como resultado, é a nossa vida.

Norma: Sabemos que a Sabedoria da Cabalá explica o que aparece na Torá, por meio de alegorias. Então queremos entender o que diz no livro do gênesis em 3:22, onde menciona o seguinte “E D’us disse que é aqui que o Homem se tornou como um de nós, que conhece o bem e o mal. Agora então, cuidado. Não estique a sua mão e tire da Árvore da Vida, e comendo dela, viver para sempre.” Como devemos interpretar este aviso de não tirar da Árvore da Vida?

Rav: Não tirar da Árvore da vida? A interpretação deve ser muito direta a esse respeito. Que podemos entrar no mundo superior, e causar tal mal através do nosso ego que mais tarde não seremos capazes de existir de uma forma que alcançaremos a equivalência de forma com a Força Superior, ser semelhante a Ele. Somente vamos agarrar para nós mesmos algum tipo ocasional de prazer físico e assim será toda a nossa existência neste mundo e é uma pena que assim seja. Por isso está escrito que o Criador, que criou a realidade de conexão e o sistema de conexão entre nós e o mundo superior, o fez de uma forma que podemos conectar com a força superior de tal forma que nos desenvolvamos corretamente.

Norma: De acordo com a mesma citação, ou na mesma citação, diz que “e vive para sempre” O que quer dizer que vive para sempre, e por que é que é perigoso? Está mencionado na citação como algo perigoso.

Rav: Certo. Porque é possível que ele perca a correta deficiência pela revelação do Criador e alcançar equivalência de forma com Ele. E portanto vai permanecer como é, e não vai ser capaz de alcançar o Criador de uma maneira verdadeira, e ser semelhante a Ele.

Norma: A Árvore da Vida está mencionada no livro do Génesis, mas é majoritariamente considerada como a árvore do paraíso em oposição à árvore do bem e do mal. Qual é a diferença entre essas duas?

Rav: Porque há uma árvore que dá fruto e há árvores que não dão fruto. Tal como acontece com a maior parte das árvores que crescem na floresta, que não dão frutos. As árvores que dão fruto são chamadas de árvores do paraíso, em oposição às árvores da floresta. A diferença é que uma árvore que dá fruto é considerada que está apta a alimentar as pessoas ou um nível mais elevado do que as árvores, o nível animal. Enquanto que, se a árvore não está destinada a alimentar o nível animado, incluindo o homem, então não é considerada uma árvore do campo, ou uma verdadeira árvore do Campo.

Norma: No Livro do Deuteronômio fala do que o Dr. menciona. E a citação diz o seguinte: Só as árvores que sabemos que não dão fruto, podem ser usadas para construir e cortar, etc, etc. Então qual é a diferença entre uma árvore que dá fruto para comer e quando não dá, e por que é que existe esta interpretação, que apenas essas árvores que não dão fruto, que podemos destruir e cortar, as que não dão fruto, melhor dito.

Rav: Porque precisamos utilizá-las de forma diferente. Precisamos usar ambas. As árvores que dão fruto usamos para comida. As outras, também precisamos cuidá-las e protegê-las, e fazer crescer para outras formas porque nos dão a matéria da árvore, com a qual construímos casas, mobílias, etc, etc, ambas devem ser usadas de forma correta pelo homem.

Norma: Se é assim, qual é a sua significância a nível espiritual? Agora falamos disto ao nível externo. Internamente, espiritualmente falando, o que acontece em relação com esta alegoria?

Rav: Em relação a esta alegoria ao nível interno? Precisamos de usar tudo o que está num nível abaixo do nosso, os poderes do nível inanimado, vegetativo, e animado, por forma a elevarmo-nos. Por forma a acordarmos, a subir mais e mais alto, chegando cada vez mais próximo do Criador. Que tudo o que existe no mundo o homem precisa de usar apenas para chegar mais próximo do Criador, para se tornar semelhante a Ele. Vamos esperar que isto seja como vamos usar o mundo.

Norma: No artigo 12 de Rav Baruch HaLevi Ashlag, Rabash, sobre a importância do Grupo, escreve: “que a Torá é chamada de árvore, tal como diz que a Árvore da Vida para aqueles que se agarrarem a ela.” Por que é que a Torá é considerada uma árvore?

Rav: Porque ela serve o mesmo propósito que o nível vegetativo neste mundo. Tudo advém do nível inanimado, como diz na Torá. Tudo advém do nível inanimado, mas usamos o nível que tem origem no inanimado, chamado de vegetativo. E através disso, crescemos. Dá-nos vida, vitalidade. É o trigo, são todos os nossos vegetais, frutos, é tudo o que o campo dá, todas as colheitas tudo o que obtemos, vem do nível vegetativo, e se não fosse o nível vegetativo, o nível animado não existiria. E por essa razão a Torá respeita muito o nível vegetativo.

Norma: Por que é que é considerada a árvore da vida apenas para aqueles que se agarram à Torá?

Rav: A Torá é a Força Superior, a Luz superior, que chega até nós da Fonte, do Criador. E assim sendo, se soubermos como usar corretamente esta Luz Superior, então, através disso podemos crescer até o nível do Criador. O que se segue é que a Torá é a Força Superior que vem até nós do alto. Se soubermos como a utilizar corretamente, então crescemos com ela, até acima, de volta à raíz.

Norma: O que precisamos fazer para nos agarrarmos à Árvore da Vida?

Rav: Tal como está mencionado na Torá, precisamos de nos conectar uns com os outros em dezenas, e sermos semelhantes à Força Superior nas nossas relações. Tal como está referido, que do amor do homem, para o amor do Criador e então, na medida em que nos direcionarmos para o amor ao Criador, então, através dessa inclinação, começamos a sentir a atitude do Criador para conosco, e então o resultado é chamado de “eu para o meu Amado, e o meu Amado para mim”, ou seja, eu para o Criador, e o Criador para mim, e desta forma alcançamos um estado onde estamos em mútua doação.

Norma: Então é a isto que se refere Rabash quando fala acerca do Grupo, relacionado com a Árvore da Vida?

Rav: Sim, exatamente. Porque o grupo é esse mesmo nível vegetativo, que cresce do nível inanimado em que cada um de nós está no nível inanimado, mas quando conectamos uns com os outros, é se realmente queremos estar ligados em doação mútua entre nós, então o que acontece é que geramos um estado de uma terra fértil do qual começa o nível vegetativo. E neste nível começa a florescer até o Criador até que começam a encontrar-se e começam a sentir-se mutuamente.

Norma: O símbolo da árvore repete-se por toda a Torá, não apenas em relação à vida, mas em relação aos valores que o homem precisa de ter. Por exemplo, o Rei Davi escreve nos salmos. 92:13 “que um “justo vai florescer e prosperar como uma palmeira, crescerão altos como um cedro no líbano”. Penso que o Dr. já mencionou o que a árvore simboliza de acordo com a Sabedoria da Cabalá, mas o que poderia nos dizer acerca dos valores que são atribuídos às árvores, ou ao símbolo da árvore?

Rav: Numa árvore há muitas qualidades, e de acordo com essas qualidades, crescemos, porque no princípio, somos como a semente no solo. Mas precisamos trabalhar muito nela. Precisa de água e calor e umidade para que uma árvore, ou algo vegetal começe a crescer. E portanto, é muito importante para nós, compreender essas leis ou condições de que precisamos usar por forma a causar que a semente que colocamos no solo dê origem a uma árvore, e mais ainda, uma árvore que dê fruto que não é uma árvore da floresta.

Norma: Qual é a importância, quando nós vemos a figura da árvore, ela é também representada com as raízes. O que significam as raízes do ponto de vista espiritual?

Rav: As raízes da árvore estão embaixo, no solo, e os ramos no ar, acima do solo e são semelhantes uns aos outros. Tal como a árvore se conecta através das suas raízes, no solo, com o resto das árvores e com o próprio solo, e também os ramos, que estão acima do solo, mesmo no ar, também se conectam entre eles através do ar, trazendo todos os resultados do crescimento das árvores e portanto podemos dizer que ainda não compreendemos, que não nos encontramos ainda nesta sensação, mas na realidade vamos crescer e vamos experimentar fenômenos muito interessantes, muito únicos. Que a conexão entre nós não é apenas de acordo com a forma como nos parece nas nossas raízes no solo, mas também a forma como é no ar, na conexão espiritual, e isto é o que estudamos cuidadosamente na sabedoria da Cabalá.

Norma: Como é que a Sabedoria da Cabalá explica o que diz em Deuteronômio 20:19 que o homem é a árvore do campo? O Dr. mencionou esta citação antes. E segundo isto, qual é a conexão entre a árvore do campo e a árvore da vida?

Rav: A árvore do campo é qualquer pessoa. Todas as pessoas precisam compreender que eles são a árvore do campo. Que o homem está num campo que o Criador lhe dá a possibilidade de crescer. E é através da mútua doação que o homem pode crescer. Próximo de outras árvores como ele, mas juntamente com isto a pessoa precisa de entender como é dependente dos outros e quão os outros são dependentes dele. E na medida em que ele está dependente do nível inanimado, e na medida em que ele está dependente da conexão com todas as outras pessoas e o quanto ele, junto com os outros, consegue elevar uma oração à Raiz, e então quando crescem, e não tem a capacidade de se moverem ou se fazer muito por si mesmos, mas junto com os outros, elevando a carência então eles obrigam à Força Superior a distribuir muita abundância neles, e causar o seu crescimento.

Norma: No campo, parece que a raiz das árvores quando se expandem querem ligar-se a outras árvores. Esta é a impressão que recebemos. É isto que as pessoas precisam aprender com as árvores, a atitude na direção da conexão, que perdemos?

Rav: Sim, pode ser que podemos aprender com as árvores, até que ponto estão em doação recíproca, até quanto às suas raízes, neste terreno debaixo do solo, entre as árvores, vemos que existe uma forte conexão e que esta conexão se expande para vários lugares. Uma árvore que cresce num lugar e uma árvore que cresce noutro lugar, mesmo que não exista uma conexão direta entre elas, elas sentem ainda assim que existe algo, e então começam a desenvolver essa conexão entre raízes na mesma direção até que alcançam uma conexão entre elas e então começam a conectar umas com as outras como se “a explicar” uma à outra os estados em que existem e o que acontece a cada uma delas, é tal como nas pessoas, mas de uma forma mais limitada, mais apropriada às condições em que elas se encontram. É algo muito interessante que ultimamente começou a ser revelado aos cientistas.

Norma: Então elas encontram-se em comunicação umas com as outras, certo?

Rav: Sim, sim, correto.

Norma: E o que acontece se uma árvore morre?

Rav: Então todas elas o reconhecem e sabem e se morre devido à idade é uma coisa, mas se morre porque alguém a magoou e causou-lhe mal então o resto das árvores sabem e compreendem, e sentem-no e tem muita tristeza como resultado disso. Ultimamente até tem sido possível medir isso e ver até quanto sofrem.

Norma: É fantástico o que está dizendo. Parece que as árvores são mais sensíveis que as pessoas. Há mais empatia.

Rav: Claro. A situação é que não sentimos, não entendemos a sua linguagem. Não estamos mutuamente conectados a elas, mas ultimamente vemos que se uma pessoa causou dor a uma árvore e foi embora e depois voltou, a árvore começa a identificar que aquela foi a pessoa que lhe causou dor e podemos medir a resposta da árvore à pessoa. É sabido pelas pessoas que trabalham com árvores e as estudam.

Norma: Então por que é que está tudo oculto de nós, todas as percepções e conexões?

Rav: No fundo, não queremos estas coisas. Não queremos sentir estas coisas. Somos neutros nas sensações na direção das plantas, árvores, e também aos animais. Olhamos para estas coisas apenas como um meio de obter algo delas, de nos aproveitarmos delas. Mas relacionarmo-nos com cada ser criado em si mesmo, como merece ter o seu lugar e ser tratado e respeitado e que todos precisamos de ajudar todos os outros nos níveis inanimado, vegetativo, animado, e falante, que estes quatro níveis precisam saber como tomar conta uns dos outros, conectar uns com os outros e desta forma veremos que podemos vencer e chegar à nossa missão especial que é ser como Bnei Adam e complementamo-nos uns aos outros. Isso acontecerá.

Norma: Dr. Laitman, muito obrigada pelo seu tempo. O programa chegou ao fim muito rápido. Também gostaríamos de ter perguntado acerca do ARI e a Árvore da Vida, mas… a não ser que o Dr. queira fazer um comentário…

Rav: Noutra oportunidade, juntos cresceremos. Obrigado, obrigado. O melhor para todos vocês.