Kabbalist Dr. Michael Laitman and Norma Livne discuss the topic of mutual responsibility.

Kabbalist Dr. Michael Laitman and Norma Livne discuss the topic of mutual responsibility.

Episódio 193|7 de jun de 2022

O MUNDO - A RESPONSABILIDADE MÚTUA

O Mundo - 07 de Junho de 2022 31:18 min

TRANSCRIÇÃO:

Norma: Olá e bem-vindos de novo ao programa O mundo. Desta vez conversamos com o Dr Michael Laitman sobre um tema muito interessante que é a Responsabilidade Mútua. O que é essa Responsabilidade Mútua de acordo com a Sabedoria da Cabalá? Assim, vamos começar. Mas primeiro que tudo vamos dar as boas-vindas ao Dr Laitman. Muito obrigada por estar conosco.

Rav: Muito obrigado por terem me convidado.

Norma: Dr. Laitman, o que é a Responsabilidade Mútua de acordo com a Sabedoria da Cabalá?

Rav: É um tema muito importante e abrangente, e diria que inclui tudo. A Responsabilidade Mútua, quer dizer que somos o resultado de algo único, da Força Superior, que inclui dentro de Si todas as almas, tanto homens como mulheres, tudo junto. E quando, desde o começo da criação, começamos a dividir-nos e afastar-nos segundo o caráter, natureza, segundo todo o tipo de características internas desde o interior até o exterior, e também mais externas. Ainda assim ficamos conectados em algo, como se nunca tivéssemos saído desse lugar onde todos estávamos como um. Ou seja, no início saiu um, digamos que foi como uma gota de sêmen e depois dividiu-se em dois, e cada um em mais dois, e mais e mais até que chegamos a um número grande. Ou seja, apesar de hoje em dia sermos milhares de gotas, ou de tipos, todos estamos conectados entre nós através de um sistema que nos une como esse mesmo primeiro homem que nasceu do Criador. Que o Criador disse: “vamos fazê-lo a nossa imagem e semelhança” então saímos dEle e começamos a dividir-nos a dividir-nos e hoje em dia estamos divididos e somos milhares de pessoas. E apesar de tudo há uma conexão entre nós e a conexão é tão grande e abrangente e tem tantas cores que acontece que todos ficamos como se estivéssemos conectados, juntos, apesar de sermos muitos em números e apesar de nos parecer que somos muitos, porque o nosso ego nos separa e afasta-nos, mas na verdade apenas aos nossos olhos, ao nosso intelecto, à nossa percepção, mas na verdade, na verdade não existe nenhuma renovação. Apenas sentimos que estamos divididos, separados uns dos outros, ou mesmo opostos, odiamos um ao outro, ou mesmo como se não quiséssemos reconhecer-nos uns aos outros. Todo este afastamento, toda essa distância, toda esta oposição que se revela chama-se ego, ou a inclinação ao mal, o egoísmo. E o que temos que fazer, é uma pequena correção. Como se tivéssemos todos juntos nesta mesma gota de sêmen da qual saímos. Como se nunca tivéssemos saído. E então, se o fizermos assim podemos alcançar a nossa união, e dentro desta união, a conexão com Boré, com o Criador que nos criou, do qual saímos. E através deste mesmo ponto onde estivemos como um, voltaremos a esta conexão com Boré, como quando estivemos dentro dEle, mesmo apesar de sermos milhares de pessoas, que aparentemente não estão conectadas umas com as outras, ou mesmo odiamos uns aos outros. Então se queremos sentir o Criador de uma forma completa e plena, devemos aproximar-nos uns dos outros, e na medida em que o façamos, assim vamos começar a senti-Lo mais e mais. Este é o estado que se chama Responsabilidade Mútua. Qual a razão? Porque devemos ajudar-nos uns aos outros a conectar-nos, para poder sentir o Criador.

Norma: Por que é que aconteceu esta multiplicação ou divisão da ideia original? Qual foi o objetivo?

Rav: Para que a vontade de nos conectarmos uns com os outros e de nos incluirmos no Criador surja em nós, para que Ele tenha satisfação conosco. Esta é a nossa doação ao Criador: queremos devolver-lhe tudo. Que esta inclinação ao mal, que este desejo de receber através do qual nos dividimos, vamos querer anulá-lo como se estivéssemos a voltar ao Criador, como um homem em um só coração. E o resultado é que esta capacidade de conexão que alcançamos uns com os outros é exatamente equivalente à doação do Criador. Ou seja, não temos nenhuma possibilidade de sentir o Criador, de O conhecer que não seja através da conexão entre nós desta mesma forma, com essa mesma capacidade tão elevada, como quando estivemos conectados nessa gota de semente original como um homem em um só coração.

Norma: Então, é suposto que esta unificação aconteça não de uma forma automática mas consciente?

Rav: Sim.

Norma: Por uma escolha própria? Não por que assim aconteceu naturalmente, mas por que o fazemos de uma forma consciente?

Rav: Sim, sim.

Norma: O Sr. mencionou que os seus programas favoritos são sobre a natureza. Quando o Dr. vê estes programas, quais são os exemplos que considera que os seres humanos deveriam seguir no que diz respeito à Responsabilidade Mútua, ou a Garantia Mútua que existe entre as diferentes espécies e dentro de cada espécie em si. Por exemplo, a relação entre as abelhas ou entre as abelhas e as flores?

Rav: O problema é que as relações entre todos os tipos de níveis, inanimado, vegetativo, animal, não tem ego, não tem a sensação de existência em si mesmo que é oposta aos outros. Não se odeiam entre si, não tem este afastamento natural entre eles. O que existe neles é que se preocupam consigo mesmos e nós não. Nós queremos magoar-nos uns aos outros e este é o nosso problema: o nosso egoísmo ou seja não recebo disto nenhum prazer pessoal, mas o outro tem algo que desperta em mim, que me altera e então eu quero o que o outro tem, não porque me faça falta, mas porque o outro o tem. E por isso o nosso egoísmo não tem limites. É precisamente aqui que temos a oportunidade de entender que se anularmos o nosso ego podemos também aproximar-nos um dos outros e nessa mesma gota inicial, original de onde viemos todos. E então nessa mesma gota vamos descobrir quem nos criou e essa mesma força vai convidar-nos a incluirmo-nos nEle e a revelá-Lo, a descobri-Lo.

Norma: Como funciona a Responsabilidade Mútua no sistema hierárquico como o que há na natureza? Por exemplo, entre espécies animais, em que umas são mais fortes que outras, ou entre países onde temos os mais fortes que outros. E também entre os seres humanos vemos que uns têm maiores capacidades e responsabilidades que outros. Como funciona nesse sentido a Responsabilidade Mútua?

Rav: Neste ponto devemos dizer que o que descobrimos relativamente à Responsabilidade Mútua é que trabalha de acordo com o livre arbítrio. Devemos chegar a uma ligação entre nós e este sistema de Responsabilidade Mútua com o livre arbítrio que é incluir-nos com amor absoluto e incondicional, em que cada um se encontra noutro de uma forma incansável, e assim, chegaremos a algo em que todos nos transformamos em semelhantes ao Criador. E o que se passa aqui é que esta mesma gota inicial que chega do Criador é o nosso ego, em que começamos a conectar-nos e a transformar o ego em conexão, então o resultado é que crescemos desta gota de semente até Adam, homem, que é a imagem do Criador, Adomé, aquele que é semelhante ao Criador, e isso é o que alcançamos por meio da Responsabilidade Mútua. Se construirmos uma conexão entre nós chamada de Responsabilidade Mútua, essa força deve ser ilimitada, sem limitações, sem limites, onde cada um se coloca à disposição de todos os que estão no seu exterior e todos juntos. A isto chamamos que nos conectamos como Adam, Adomé Laboré, semelhante ao Criador, e com isto alcançamos a nossa correção e missão ao nosso Criador.

Norma: Mas antes de alcançar isto existe este estado que o Dr. falou antes, o ego, que é característico do ser humano. Então, como vamos alcançar um estado em que revertamos o ego? Neste sistema de Responsabilidade Mútua, como evitar que o mais forte se aproveite do mais fraco?

Rav: Isso foi propositadamente criado pelo Criador. A isto se chama “Barati Yetzer Hará” Eu criei a inclinação ao mal. Qual o propósito disso? É o oposto, causa tanto conflito, como que nos amarga tanto a vida, que nos traz todos os problemas.E Tu Nosso Pai, Nosso Rei como fizeste isto? Que nos criaste com uma natureza tão má! E podemos mesmo imaginar esta natureza tão má e existirmos nela! E aqui devemos entender que o Criador criou isto, o oposto a Ele, para que nós nos superamos e nos transformamos, nos corrija e nos conectamos acima do ego, e que este ego seja visto como uma ajuda a favor da pessoa. E através deste nosso ego, transformá-lo numa força do bem, e apesar do ódio, do afastamento, apesar de todos estes fenômenos egoístas que descobrimos entre nós transformá-los pouco a pouco numa boa conexão e amor. E então, chegamos a um estado em que temos dois estados. Por um lado, temos a revelação da força do mal, porque se nos elevarmos acima desta pequena força, então o Criador mostra-nos outra força, uma força maior, e se nos conectarmos então o Criador adiciona mais uma força de ego e separação maior e então avançamos de acordo com a regra de que, todo o que é mais elevado que o seu amigo, a sua inclinação também é maior. E assim chegamos a conhecer a força do mal e a força do bem. E quando ambas existem em nós, elas se ligam e levam-nos a conhecer o Criador, a sentir o Criador, à revelação da imagem do Criador em nós. E então somos chamados a Adam, aqueles que são semelhantes ao Criador. E desta forma estamos obrigados a incluir-nos nesta força do mal, para que acima desta, possamos cobri-la com a força do bem.

Norma: Mas no mundo de hoje em dia, no mundo moderno, estamos muito afastados de alcançar este ideal. A forma de conduta no mundo, a conduta dos países, dos seres humanos, sempre foi a de aproveitar-se do outro. Esta foi a forma como o ser humano foi criado, como foi educado. Que perspectiva o Dr. imagina, já que estamos tão afastados deste ideal, tão longe, olho por olho?

Rav: Sim, é correto por um lado. Mas por outro lado, apesar de tudo deve ser assim. A isto se chama: “todas as nossas transgressões serão cobertas pelo amor”. A inclinação ao mal em oposição à inclinação ao bem, o ódio em oposição ao amor, que nada se revela senão por intermédio do seu oposto. Que precisamos da revelação das coisas más em nós, e por cima destas, construímos as qualidades opostas, senão, não as podemos sentir, nem as identificar. Porque nós enquanto seres criados, não podemos estar dentro de um fenómeno, se não sentirmos os fenómenos opostos e na distância entre eles, até que ponto eles estão distanciados, assim podemos revelar, nesta distância entre ambos, as qualidades opostas. Caso contrário, não poderíamos revelar o Criador. Para podermos revelar o Criador devemos estar incluídos de algo oposto ao Criador (ao Boré) e almejar o oposto de nós mesmos, ou seja, do Criador em si, e a ligação entre estas duas formas opostas, exatamente construímos a Imagem do Criador.

Norma: De acordo com a visão do Dr. as guerras e a pandemia estão a empurrar-nos para esta compreensão que o senhor menciona que devemos implementar esta Responsabilidade Mútua entre nós? Somente quando o tapete foi puxado debaixo dos nossos pés é que podemos compreender que isto é uma necessidade? Ou, ainda não temos esse entendimento?

Rav: Ainda não chegamos ao entendimento da razão pela qual precisamos de todos estes problemas, mas de acordo com o que já falamos podemos entender que todos os problemas que a pessoa descobre a nível individual e a nível geral de toda a humanidade, durante a sua vida, tem como objetivo elevar-nos ao nível oposto dos problemas ao nível de conexão de alcance ao nível do Criador.

Norma: Qual é a responsabilidade de cada um de nós?

Rav: Cada um é responsável pelo mal que se revela em si, em todas as coisas: dinheiro comida, família, sexo, honra, conhecimento. Em todos os discernimentos que se revelam na pessoa, a pessoa procura chegar ao bem, ou seja, atuar pelo bem do próximo. O próximo pode ser também inanimado, vegetativo, animal, humano, mas principalmente relativamente às pessoas que inclui todos os níveis abaixo deste nível. E quando a pessoa quer chegar a uma boa relação com o próximo, isto chama-se “amar o próximo como a si mesmo”. E desta forma corrige-se, e esta é a correção geral de cada pessoa.

Norma: Como se mede o grau de Responsabilidade Mútua que devemos ter?

Rav: Pode ser que não tenha entendido a tua pergunta. Desculpe.

Norma: Como se mede o grau de Responsabilidade ou seja, o que cada um deve trazer de acordo com a sua responsabilidade, ou, de acordo com a sua possibilidade ou de acordo com a sua compreensão? Se há algum grau de responsabilidade que devemos trazer? Por exemplo, anteriormente falamos de hierarquias, os fortes devem trazer mais, os mais fracos trazerem menos, ou devem todos trazer por igual, ao mesmo nível? Isto é algo que se deve medir, ou não?

Rav: Sim. A pessoa aproxima-se do Criador em 125 níveis de aproximação. E em cada um destes níveis devemos ter Responsabilidade Mútua segundo o ego e o desejo que se descobre em nós e nos empurra e nos afasta uns dos outros e, precisamente e acima disso devemos conectar-nos e esta conexão está em que eu aceito o outro como uma parte inseparável de mim. Portanto, chego a um estado em que não há nenhuma diferença ou separação entre nós, etc.

Norma: Baal HaSulam Rabi Yehuda Ashlag, no seu artigo "O Arvut" explica-nos acerca da Garantia Mútua, ou seja Arvut, dizendo nos que se assemelha a dois homens que se encontram num barco e quando um dos homens começa a fazer um furo no barco o seu amigo pergunta-lhe: Por que estás a fazer esse buraco? E o outro responde: o que tens a ver com isso? Eu estou a furar embaixo de mim, não debaixo de ti! Ao que outro replicou: tonto vamos afundar-nos juntos” O que precisamos nós, os seres humanos, para sabermos que estamos juntos no mesmo barco?

Rav: É uma pergunta muito atual. O que vemos atualmente no mundo é que durante toda a história pensamos que simplesmente podemos sobreviver sem estarmos juntos. Se nos separarmos uns dos outros, vamos progredir. Mas nesta Responsabilidade Mútua que descobrimos entre nós, vamos ter que reconhecer até quanto precisamos do outro. Ou seja, não é que o queira matar e assim vou estar bem. Não é que eu queira afastar o outro de onde me encontro e assim vou sentir-me bem. Mas devemos preocupar-nos porque vivemos juntos e dependemos uns dos outros. E de nos preocuparmos pelo próximo, que não me pertence e não tenho nada a ver com ele, mas devo preocupar-me com ele em tudo o que ele precisar. E assim cada um preocupar-se com todos. Esse é o grau em que nos encontramos agora. Um nível muito, muito complexo. Não é simples. Quando chegarmos a este nível e conseguirmos levá-lo a cabo, não vai exigir muito tempo, nem muitos anos, nem muitas reencarnações. Mas se entendermos que isto é o que está perante nós, não estamos a falar de ódio e de subversão ao outro, e seguir o desejo egoísta de cada um, mas precisamente o oposto. Vamos transformar-nos, Transformar a relação de uns entre os outros onde queremos ajudar, apoiar e aproximar e dar tudo ao outro. E quando entendermos isso, começaremos a sentir e entender o Criador que nos criou, a Força Superior. E desta forma, então, começaremos a trabalhar juntos, para dar contentamento ao Criador. Que o Criador esteja contente conosco. Como Transformar o ódio, a separação a distância que Ele criou propositadamente em nós, contrário à união, à atração, ao amor, disto vamos sentir a verdadeira benevolência.

Norma: Está a terminar o tempo. Podíamos ficar aqui pelo menos mais meia-hora. Mas, para resumir, o Dr. disse que estamos a entrar num nível muito complexo da humanidade. O que quer dizer com isto? E se puder também por favor, resumir o tema.

Rav: Vamos ter que entender rapidamente nos próximos tempos que se aproximam, até que ponto por uma parte nos odiamos e por outra parte até que ponto é que a natureza dessa mesma origem mostra-nos que estamos incluídos e que dependemos uns dos outros. E que o nosso trabalho é descobrir ambos, o ódio e o amor, um sobre o outro. Devemos tratar de fazer isto juntos. Cobrir todas as transgressões com amor. E com isto vamos entender a complexidade da natureza, e a pessoa verá e conhecerá o seu Criador e também o mundo na sua totalidade. E a pessoa conhecerá o Criador apesar de ser o Seu oposto, mas através da conexão entre nós, somente por cima do ódio podemos elevar-nos e aproximar-nos do Criador.

Norma: Nós vamos ser empurrados até o ponto de entendermos que não temos nenhuma alternativa? É isso que nos vai fazer mudar? Sair do nosso estado egoísta até ao estado de Responsabilidade Mútua, Arvut?

Rav: Seguramente que sim. Vamos chegar a isso e a meta da criação é elevar-nos até ao alto.

Norma: Dr Laitman, muito obrigada pelo seu tempo e como sempre ficamos com metade das perguntas por fazer, porque é um tema muito abrangente, muito interessante. Muito obrigada!

Rav: Eu é que te agradeço. Vamos descobrir tudo, juntos no caminho. Tudo de bom!