Kabbalist Dr. Michael Laitman and Norma Livne discuss kosher laws from a spiritual perspective in this episode of The World.

Kabbalist Dr. Michael Laitman and Norma Livne discuss kosher laws from a spiritual perspective in this episode of The World.

Episódio 187|19 apr 2022

O MUNDO - KASHRUT

O Mundo - 19 de Abril de 2022 29:43 min

TRANSCRIÇÃO:

Norma: Olá, este é o programa O Mundo. Obrigada por nos acompanhar uma vez mais e estamos aqui com o Dr. Michael Laitman mais uma vez para falar de um interessante tema Dr. Laitman muito obrigada por estar conosco.

Rav: Shalom Alechem! Estou muito feliz de estar com vocês.

Norma: Dr. Laitman, hoje falaremos acerca de um tema relacionado sobre Kashrut. Que foi um desejo de nossos participantes deste canal. E, é um conjunto de regras relacionadas com a dieta alimentar, relacionada com os alimentos que se podem comer, e como estes devem ser preparados de acordo com a tradição judaica. Em diferentes religiões existem todo o tipo de regras e restrições, mas hoje queremos focar-nos especificamente no tema Kashrut, conhecido como kosher, desde o ponto de vista espiritual. Como é que a sabedoria da Cabalá explica o que é Kashrut?

Rav: A Sabedoria da Cabalá exige que a pessoa esteja na maior concordância possível com as leis espirituais superiores. A lei superior é a Lei da Doação, ao invés da lei da recepção. Ou seja, enquanto puder doar, deve fazê-lo mais e mais. E isto pertence também aos atos de doação e também à minha relação com a natureza e com toda a humanidade e também com o que tiro da natureza e quando tiro da natureza só o devo fazer na medida em que o faço por uma maior doação, ou seja, causar o menor dano possível. Pensar no bem do próximo: inanimado, vegetativo e animal e também nas pessoas. Ou seja, quando faço algo na natureza, devo tratar de não causar nenhum dano e na medida em que posso ou não causar dano, então os Cabalistas, que são os que entendem a lei da natureza e vêm a natureza de forma transparente através de todo os níveis, inanimado, vegetativo, animado e falante, e nos explicam quais são as nossas ações corretas na natureza e quais são as incorretas, e se podemos causar danos nos níveis inanimado, vegetativo, animado e nas pessoas e em que é que podemos causar danos Por isso, tanto nas pessoas, quando recebo da natureza algo do ambiente, posso fazer que com isto cause, ou seja, apesar de eu o tirar do ambiente, mas posso tira-lo de forma tal que não cause mal ao ambiente e também quando uso isto, e me preencho a mim mesmo, então com isto não causo dano a mim mesmo e então desta forma encontro-me em harmonia com o ambiente. E aqui perguntamos: então em que é que usamos da natureza inanimado, vegetativo, animado e pessoas e como podemos determinar o uso e a relação, entre isso, porque nós também somos parte destas quatro partes, e o que é bem para estas partes, então também é bom para mim. As leis de equilíbrio entre a natureza e as pessoas são chamadas de kashrut, kosher, de forma geral. E as pessoas que podem usar estas leis corretamente, naturalmente causam o bem e o equilíbrio tanto para si como para a natureza. Isto é de forma geral, e dentro disto há muitas leis sobre como relacionar-se com a natureza inanimada, e não simplesmente como não fazer mal a este nível e também no nível vegetativo em que há plantas, árvores e arbustos de vários tipos e como temos que nos relacionar com isto de acordo com a vida das plantas, de acordo com a época do ano, e no nível animal, como nos relacionamos com os animais, que animais podemos matar e de que forma o fazer, para não os magoar. É possível matar o animal de tal forma a que não lhe façamos mal, inclusive no momento em que o estamos a sacrificar. E as pessoas, portanto, a nossa sociedade, especificamente as que nos relacionam por forma a não prejudicar ninguém e depois de que usamos estes níveis inanimado, vegetativo, animado e falante, então devemos preocupar-nos em causar o mínimo de danos possível e como todos podem complementar-se também. Isto é na realidade a base de todas as leis de kashrut.

Norma: Vamos aprofundar o tema mais à frente, mas no geral, de acordo com a Torá, as leis de Kashrut foram entregues no deserto do Sinai, a Moisés e a Aaron, para que as partilhassem com o seu povo, aos Filhos de Israel. Porque foram entregues ao povo de Israel, e não a nenhum outro povo. Porque é que eles receberam estas leis de alimentação?

Rav: Devemos lembrar-nos que ja falamos de isto já muitas vezes, que o povo de israel não é apenas um povo, mas um grupo que saiu da Babilónia e que incluía, era formado de todas as Nações, de todos os grupos que viveram na Babilónia e devemos vê-los, tal como está escrito, que saem Goi do ambiente de Goi. Goi é um povo que sai de um ambiente de um povo, de forma que devemos ver, que todas estas leis, são para que as pessoas que querem chegar à adesão completa com o Criador. Então devem avançar à igualdade de forma com o Criador, também na forma como se relacionam com a natureza e de uma forma geral isso inclui os níveis inanimado, vegetativo, animal e falante. E por isso estudamos que comportamento e uso deve dar-se com estes níveis da natureza.

Norma: Dr. Laitman, estas Leis vêm mencionadas em Levítico e Deuteronômio, assim como na Mishná e no Talmud. Que importância há na ação de nos alimentarmos, do ponto de vista espiritual?

Rav: É muito importante. Se ouvirmos estas leis, se tratarmos de alguma forma de entender o seu sentido interno, então é algo muito especial. Porque podemos estudar nos níveis inanimado, vegetativo, animado e falante e de um nível para o outro podemos aprender que conexão existe entre estes níveis, e qual a essência, a conexão entre estes e qual a essência desta conexão entre nós e cada um destes níveis. E disso aprendemos a generalidade da realidade completa, como esta, está conectada uma com a outra, e como descobrimos a essência, a potência da nossa conexão com isto. Até quanto nos incluímos de todas estas leis.

Norma: Dr. Laitman, a Kashrut fala de como os animais devem estar completamente saudáveis e como devem ser submetidos à matança por um ‘Shuchet’, ou carniceiro seguindo as leis da ‘Halacha’. Por que devem seguir-se estes passos para matar o animal? O senhor mencionou algo no início, mas qual é a importância e de que modo isto nos prejudica, tal como o Dr. mencionou também, que é um dos princípios pelos quais se estabeleceu o Kashrut, e como não prejudicar o ambiente nem a si próprio?

Rav: Porque desde que aprendemos a alma dos níveis inanimado, vegetativo, animal e falante também aprendemos em que condições a alma se desconecta do corpo físico, e de tudo isto aprendemos de que forma podemos causar que o corpo pare de funcionar como um corpo vivo, e por isso, determinamos com isto, as condições que, se eu causo a morte de uma forma específica, de uma espécie animal ou mesmo à espécie vegetal, assim não lhe vou causar sofrimento. E no momento em que se desligam da vida não vão sentir que há algum dano ou se estão desconectados de um grau específico da vida em que estavam, e com isso assim não causei nenhum dano à sua alma. E de dentro disso, damos forma às leis de kashrut, quando uma pessoa mata, seja em que nível for, inanimado, vegetativo, animal e falante, em todos os níveis, os animais ou aves, ou peixes não importa qual, mas assim, podemos determinar a nossa relação com eles.

Norma: Dr. Laitman na Guemará, Baal HaSulam a Rav Yehuda Ashlag, traz introdução a um livro de abertura sabia lembrança Midrash Raba, Bereshit, porção 44, está escrito, “o que importa ao Criador se o animal é morto pelo pescoço ou pela nuca? No fim de tudo, os Mitzvot foram dados com o propósito de purificar Israel”. Esta é uma citação que Baal HaSulam usa também em Pri Hacham. O que significa esta citação? Qual é a interpretação de acordo com a sabedoria da Cabalá?

Rav: Na verdade esta citação é muito conhecida e é recordada em muitas partes e não é o tema, ou seja, não vamos falar dos níveis inanimado, vegetativo, animal e falante, para os prejudicar, mas sim para tratar de os elevar de um nível mais baixo até a um nível mais elevado de existência. Se chego até aos níveis inanimado e vegetativo e os elevo ao nível das pessoas e ao animal, através da utilização deste nível, digamos, sacrifico-o, mato-o, mas depois de o fazer isto o uso, e através disto dou-lhe vida e elevo esse animal ou vegetal que usei ao nível da pessoa, ou seja, tem um uso através da elevação. E assim observamos as leis do Kashrut, que na realidade atuam desde os níveis inanimado, vegetativo, animal e falante da criação de tal modo que se eleva o uso a todas as partes da criação.

Norma: Dr. Laitman estas normas de alimentação pertencem a um conjunto de leis conhecido como mitzvot. O que é para a sabedoria da Cabalá, um mitzva?

Rav: Mitzvah é uma ordem, tzivui, uma lei que existe na natureza e existe em relação à pessoa que aproximar-se do Criador. Porque também na pessoa que se encontra, que nasce neste mundo, é como um animal. Não há nele nada mais. Mas quando quer elevar-se a graus mais e mais elevados, mais próximo do Criador, a tornar-se mais semelhante ao Criador, então deve fazer todo o tipo de ações e estes atos que deve fazer são chamados as normas, ou as leis de kashrut da pessoa, e então a pessoa sob estas normas de kashrut deve estar, ou seja há dois grupos aqui, a pessoa deve fazer uma restrição sobre o seu desejo de receber, e não usa nada para si, somente para fazer bem ao próximo e em doação por doação, e depois recepção para doação. E estas leis, são as que aprendemos, e que pertencem à sabedoria da Cabalá, e quem as aprende e as leva à cabo é chamado de Cabalista.

Norma: Dr. Laitman há animais que se chamam de puros e impuros. Qual é o porquê desta distinção, obviamente mais além da materialidade?

Rav: A concordância, é mais específica entre leis espirituais e leis físicas, e portanto, dentro desses animais físicos há também sinais de que são aptos ou não, e por isso temos a proibição de comer alimentos que não podem ser levados ao nível de doação, ao nível de kashrut, como gatos, cães, etc, apesar de que há povos que os comem. Não é que o uso do alimento cause dano à pessoa. Não, não causa dano. Mas é como se estivesse contra, como se não estivesse em concordância com as leis espirituais e devido a isso há muito inerte e mais algum vegetal e mais ainda animais que não podemos usar na alimentação, como alimento, e o nível falante, das pessoas, está completamente proibido comer, apesar de que houve tempos e povos que usaram isto. E em resumo, nisto há muitas coisas na história, com todos os costumes de todo o tipo. Em resumo, há um número limitado de inanimados, vegetativo e animado que podemos usar segundo as concordâncias com as leis de kashrut. Kasher, ‘apto’ significa, como dizer, kasher é ‘adequado’ que está adequado às leis espirituais.

Norma: Em Pessach, uma das proibições do kashrut é sobre o Chametz, ou alimentos fermentados. Por que é que esta proibição apenas surge durante esta celebração, e não durante o ano?

Rav: A celebração de Pessach significa a saída do desejo de receber egoísta e a entrada às leis de doação altruístas. E neste passo há muitas condições, para que não guardemos do passado todo o tipo de hábitos e atos que pertencem ao mundo egoísta, para que estes não sejam trazidos até este novo estado da saída do Egito, em Pessach. E neste passo há leis específicas. Somente nesta semana, em que estamos em transição, entre leis deste mundo e leis do mundo espiritual. Somente por uma semana. Depois continuamos a obedecer às leis do mundo espiritual de forma simples ao ponto de que a saída da recepção para a doação, a desconexão do ego já está feita.

Norma: O que é que representa a farinha e a levedura?

Rav: A farinha não se representa somente a base do alimento, do qual podemos fazer pão, que é a base da nossa alimentação, e por isso, todo o nosso problema em Pessach é como é que vamos receber esta farinha de forma boa, limpa, e que possamos fazer desta um pão em que não exista nenhuma recordação ou sinal de corrupção. Que não toca a água e o resultado é que vamos ter um pão apto, kasher, para Pessach, chamado Matza. E assim vivemos durante uma semana, e depois, voltamos ao pão corrente, tal como dissemos há alguns minutos, que o tema mais importante é a desconexão das condições que tivemos antes da saída do Egito, de recepção, ao mundo que é completamente em doação, que é depois da saída do Egito e assim se passa.

Norma: No geral, no que diz respeito ao Kashrut, os animais marinhos são kosher, se tiverem escamas e barbatanas. Qual é o simbolismo disso de acordo com a Sabedoria da Cabalá?

Rav: Ui. Entramos em águas profundas. No que diz respeito às escamas e barbatanas, as barbatanas significam que há um filtro sobre o peixe e que está protegido da luz superior, e que não a vai receber para receber. Isso é o que se chama de barbatanas. E as escamas são também uma proteção de que não recebe incómodos do exterior a não ser que sejam visto, revistos e rejeitados mais tarde e por isso está cuidando das leis de kashrut, ou seja, que todas as formas de recepção sejam para doação. Não é simples. Há que estudar isto durante muito tempo, mas para quem quer saber, isto existe, e expliquei-o muitas vezes na nossa página.

Norma: Vamos aprofundar isso noutra oportunidade. No Talmud Babilónico, está escrito o seguinte: “e cravou uma espada sobre a porta do (seminário} Beit Midrash, e disse: ‘todo aquele que não se ocupar de Torá, será cravado por esta espada’.e os sábios não conseguiram encontrar uma pessoa boa e sábia e benevolente para falar da Torá. E não puderam encontrar nenhum menino ou menina, homem ou mulher para conhecer sobre as leis de impureza e pureza. O que significa esta citação relacionada sobre as leis de impureza e pureza?

Rav: Todas as leis de pureza e impureza são sobre como recebemos deste mundo inanimado, vegetativo e animal e sobretudo na relação entre as pessoas, como recebemos somente coisas boas e corretas, para nós e para os outros. Como construímos neste mundo tais relações em que todos estamos em conexão, em amor, e do amor das criaturas, chegamos até ao amor do Criador, e é para isto que estão dirigidas todas as leis. E isto trata-se de toda a terra. Eretz é desejo, Eretz Israel, Desejo que está dirigido diretamente para D’us, e Yashar-El, direto ao Criador através de todas as criaturas de forma a que todos saibamos estas leis e as respeitemos. Então quer dizer que nós enquanto pessoas estamos corrigidos, através da doação recíproca e na nossa conexão, conectamos-nos uns com os outros até que nos ligamos à força superior.

Norma: Dr. Laitman, para finalizar, e sobre o tema do kashrut, observa-se uma tendência crescente das pessoas a consumir produtos kosher, independentemente de qualquer que seja a religião que professam, porque consideram que seja um tipo de alimentação mais saudável. Por que é que hoje em dia há mais pessoas a procurar este tipo de alimentos?

Rav: Creio que a humanidade se desenvolve, de uma geração à outra em todo o mundo, e de verdade chegamos a um estado em que descobrimos ou sentimos que estas leis que foram escritos faz milhares de anos, são leis verdadeiras da natureza e que se escreveram para as pessoas, e não para um povo, mas escreveram-se para um grupo que as quis cumprir, desde a Babilónia e desde ali se originou toda a humanidade e todos entenderam que valia a pena levar isto a cabo. E por isso creio que nos aproximamos a isto de novo. E mais e mais entendemos que com estas leis, há algum tipo de entendimento profundo sobre a profundidade verdadeira da natureza na qual existimos, e por isso, se levarmos isto a cabo, vai originar que todos estejamos bem em todos os sentidos. Eu realmente espero que através, não só do kashrut, mas através do lema: “Ama o próximo como a ti mesmo'', que é uma grande lei da Torá, que se levarmos isto a cabo todos chegaremos a um estado em que chegaremos ao kashrut superior.

Norma: Muitíssimo obrigada Dr. Laitman. Só queria encerrar com uma citação de Baal Hasulam, dos Escritos da Última geração que diz “cada Nação pode seguir a sua própria tradição, a sua própria religião e uma não deve interferir com a outra”. Isto, para todos os que vêm o programa e que são de diferentes religiões e tradições. Obrigada pelo seu tempo e por um ensino tão profundo.

Rav: Todah, todah Alechem, obrigada a vocês.