O MUNDO - O SIGNIFICADO DO CHORO
O Mundo - 04 de Janeiro de 2021 30:21 min
Norma: Olá, este é o seu programa O Mundo. Obrigada por nos acompanhar de novo. E também agradecemos e damos as boas vindas ao Dr. Michael Laitman. Bem vindo.
Rav: Eu também te agradeço muito e estou preparado para o programa.
Norma: Vamos começar com um Tema, que conhecemos em diferentes aspectos: O Choro. Isso é a forma como o ser humano expressa emoções seja de tristeza, dor, alegria. Vemos que também há muitas alusões na Torá relacionadas ao Choro, e por isso queremos hoje aprofundar sobre este Tema. O que é O Choro de acordo com a Sabedoria da Cabalá?
Rav: O Choro é um conceito muito importante, um conceito muito sério e profundo. E, o principal é que é próximo de cada um. Tudo começa com o choro, tal como quando nasce um bebê, Chora. Termina a subida e já não tem forças, mas, também podemos descer do que chorar. E quantas vezes choramos na nossa vida, mesmo sem lágrimas, ou com lágrimas, mas choramos muitas vezes. O choro é uma reação, uma resposta do nosso corpo, do nosso desejo, da nossa alma. Refiro-me ao nosso desejo interno, nosso. Que não estamos satisfeitos com o estado no qual nos encontramos. E por isso O Choro é um estado muito importante. Às vezes lamentamos o fato de não podermos chorar. Às vezes lamentamos o fato de chorar e não poder conter-nos. Mas, apesar de tudo, vemos que O Choro é um fenómeno muito humano, porque precisamente é a pessoa que chora. Ás vezes vemos isto também em algumas outras espécies, alguns tipos de animais, mas não é um choro como o que vem de Adam (homem), ou seja, para poder chorar a pessoa tem que estar num sentir interno específico, profundo, e especial. Se entende que não corresponde a algo que se sinta magoado, digamos como uma criança pequena, ou que caia, ou que algo a machucou, ou que lhe disseram algo, e o gritam e lhe dizem algo. Mas, é algo que a pessoa sente que há pressão que ativa sobre ela, ora forças da natureza, pessoas, animais, não importa aqui, digamos que ele (Adam) sente que não é justo. Chora. Por isso, devemos precisamente relacionar-nos de uma forma séria com O Choro. E, também devemos entender que esta reação que tem a pessoa que chora, é uma reação humana, que não há… em muitos animais, digamos inerte, vegetativo, não tem esse tipo de Choro. Nos animais de forma geral não vemos, digamos em gatinhos pequenos, ou algo assim, quase que nem choram, não há algo assim. Porém, se vemos que têm lágrimas não são lágrimas pela frustração interna que pode sentir a pessoa. Senão que é algo assim, fisiológico, que saem lágrimas dos olhos. Mas a pessoa chora, choramos muito, e até ao final da vida. As mulheres mais do que os homens, porque recebem isso de uma forma mais interna, mais profunda. E também que elas acostumam os homens, digamos, acostumam às crianças desde pequenos a não chorar. Dizem-lhes: “és um homem, não és uma menina!” Mas na verdade eu não creio que o choro seja diferente nos homens e nas mulheres. Eu penso que nos homens é um choro mais interno e nas mulheres mais externo, e por isso nas mulheres é mais fácil, porque das lágrimas saem, tiram muitos sentimentos, e por isso a mulher se acalma mais, e está preparada de novo para o choro. Mas, com o homem não funciona assim. E de novo volto a dizer que é uma parte de educação, que o costuma a não chorar. E uma parte advém do fato de que existem diferenças entre os homens e as mulheres na expressão da tensão interna.
Norma: Já vamos aprofundar neste aspecto que o Dr, menciona, mas certamente que o primeiro que acontece ao ser humano quando vem a este mundo é chorar. Quando o bebê sai do ventre da Mãe, chora. Qual o significado disto?O que é que simboliza? O que nos indica?
Rav: Penso que, primeiro, que nada é uma reação natural que está programada no ato do nascimento, que a pessoa que sai ao ar do mundo, que grite, que chore, que se abra, pois assim desta forma abre os seus pulmões para respirar o ar do mundo. E com isto, avisa, anuncia a todo o mundo que nasceu e que é importante expressar à sua mãe de forma instintiva. E o choro tem muitas funções, digamos, abre a sua conexão com o mundo externo no qual entra. Através deste ato, que é um grito, um choro, e também se conecta com a Mãe, ou com quem acompanha o seu nascimento, e agora está em conexão com alguém que está ao seu lado.
Norma: Se dizem também como uma “piada” que o bebê chora, porque vem a um mundo que é tão mal”, mas eu imagino que a este nível não tem todavia consciência que sai do ventre de proteção da mãe para um mundo que existe com muita corrupção, com muita instabilidade…
Rav: Creio que ele sente isto e não o pode expressar e de imediato se cobre, se oculta com todo o tipo de impressões do estado no qual se encontra, que o rodeia, porque tudo é novo e tudo chega até ele, entram nele todo o tipo de emoções, impressões do ambiente no qual nasce. Mas na verdade esse processo em si, do nascimento, é muito complexo e, digamos, na Sabedoria da Cabalá, quando estudamos isto é o mais…, digamos, esse é o processo mais crítico, mais forte, mais dramático, em relação a qualquer outro estado. Começar a conhecer o mundo, que há algo assim… digamos, não entende nada, não sabe nada, a quem pode tocar, com quem pode relacionar-se a si mesmo. Por isso, nestas condições, o bebê, que nasce, é preciso colocá-lo sobre a mãe, para que a sinta, para que a respire, para que sinta todo esse corpo do qual nasceu.
Norma: E por que é que algo que é tão natural, quando crescemos, vai-se perdendo essa capacidade, essa facilidade de chorar?
Rav: Primeiro que tudo ensinam-nos a não chorar. Penso que se chorássemos mais, íamos sentir-nos melhor. Iamos cuidar mais da nossa saúde, dos nossos nervos, de tudo. As mulheres que choram mais, cuidam mais de sua saúde e dos seus nervos, porque esse sair das emoções meio do choro, é mais fácil, é melhor, é mais saudável, do que por meio de qualquer outro meio.
Norma: Dr. Laitman, seria como uma limpeza interna, um sentimento interno que se manifesta como uma forma de purificar e limpar a alma?
Rav: Sim. Desta forma exatamente. Se chorarmos, inclusivamente chama-se que limpamos a alma.
Norma: E os diversos motivos pelos quais chorar, por exemplo, por alegria, tristeza ou dor, entre outras coisas. Por que é que estas emoções que são diferentes se expressam da mesma forma? Por meio do choro?
Rav: Veja, temos aqui um equívoco quando pensamos que o choro se faz porque há um líquido especial que sai dos olhos, e a isso se chama que eu choro. Não! Pode ser que eu chore, mas não mediante esse ato, do qual sai água salgada dos olhos, mas é um choro interno. E por isso devemos diferenciar entre ambos. Os homens choram mais internamente. As mulheres fazem-nos mais por fora. As crianças fazem-no mais facilmente. As meninas mais, os meninos menos, e também por parte da natureza também há uma divisão quanto ao choro. E na verdade, creio que neste ato que a natureza preparou em nós, é uma ação muito correta, muito boa, que nos cuida, nos protege.
Norma: Temos muitas perguntas sobre este tema e esperamos conseguir abordar pelo menos a maioria. Qual é a ligação entre uma emoção e outra, por exemplo no caso de uma operação, que pode nos causar dor e choro. No entanto, sabemos que o resultado é bom. Então como podemos transformar lágrimas de tristeza em lágrimas de alegria?
Rav: As lágrimas em si, na verdade, vemos que falam somente numa saída interna, emocional, e como resultado disto, temos este fenómeno externo. Tanto em alegria como em tristeza, as lágrimas saem e a pessoa aceita-as. Sentimos que isto acompanha esta explosão emocional. Mas apesar de tudo, devemos agradecer pelo fato de o nosso corpo chorar. Porque isso nos dá muitas forças para sair do corpo e expressarmo-nos.
Norma: Vemos também em culturas como a latina, que é muito fácil chorar e, isso é aceito normalmente na sociedade. Para outras culturas, como as europeias, chorar é menos aceitável, devido às emoções serem mais controladas. Há alguma raiz por detrás destas diferenças, ou é apenas um assunto cultural?
Rav: Ambas, tanto uma coisa como a outra, mas apesar de tudo depende da característica da nação, do hábito, do costume, do que é aceitável na sociedade. Assim penso até o ponto em que eu visitei países da América Latina, e digamos, todas as emoções são mais expressadas, mais abertas, e na europa, não. Toda a Europa é o resultado do povo alemão, que se desenvolveu, e destes, saíram mais ou menos todos os europeus. E por isso o caráter é muito mais fechado, restringido. E o caráter da América Latina é muito mais expressivo. E assim que eles sentem é agradável vê-los dessa forma.
Norma: Dr.Laitman, é melhor para o crescimento do ser humano, não reprimir então as emoções, como O Choro?
Rav: É melhor não reprimir. É melhor chorar, e se não puder conter-se não tem do que se envergonhar, porque o choro purifica muito a pessoa. A Sabedoria da Cabalá, fala muito do choro, que eleva a força interna ao coração, aos pulmões, aos olhos, à alma, e mediante disto a alma purifica-se, se limpa.
Norma: Por que é que às vezes a pessoa está tão incomodada que se exprime por meio do choro, mas fica sem palavras para expressar o que sente. Que estado espiritual é esse que não se pode expressar-nos com palavras?
Rav: Sobre isto está escrito na Sabedoria da Cabalá também, há muito sobre isto. A Porta das Lágrimas, O Choro, digamos que temos que o ativar por meio das emoções, de momentos especiais. É bom, é bom que tenhamos esta forma, e as lágrimas, segundo a Sabedoria da Cabalá, acontecem de emoções muito elevadas, e ajudam muito a elevação da alma. Quando a pessoa não pode falar, não tem a quem dirigir-se, não consegue encontrar palavras, quer dizer tudo está tão carregado, abafado então é muito bom que possa expressar-se por meio do choro. São as emoções que não se encontram nos animais, mas somente nas pessoas, portanto é bom que a pessoa chore e devemos também tratar de entender, e aceitar o choro que vemos no outro.
Norma: Dr. Laitman, uma pergunta do ponto vista não fisiológico, mas espiritual, se é que existe algum significado espiritual nele. Falamos das características das Lágrimas. Há um aspecto que chama muito a atenção, é que as lágrimas são salgadas. Por que é que as lágrimas são salgadas?
Rav: De uma perspectiva espiritual, as lágrimas são salgadas porque saem da internalidade, do nosso corpo. Eu não estou a falar do lugar do qual se produz esta salinidade e saem as lágrimas. Senão que falo da profundidade interna do corpo e ali, o sal, é algo fundamental.
Norma: Dr. Laitman temos No Livro de Baal Hasulam Shamati, artigo 71, que diz: ‘A minha alma chorará em segredo’, o choro aparece num lugar em que ele não pode ajudar a si mesmo, então chora, para que outro o ajude. Por que é que foi tudo programado de forma a que uma pessoa não possa ajudar-se a si mesmo?
Rav: De propósito, para que possamos ajudar-nos uns aos outros, e então acontece que, na medida em que a pessoa já não pode ajudar-se a si mesma e tampouco vê que os outros estejam a seu lado, não há quem o ajude, então, dessa decepção interna, dessa grande frustração interna, sai adiante, irrompe em choro e encontra-se num lugar onde tem a quem chorar, que é à Força Superior, que é a única que pode entender a pessoa, aceitar o seu choro, o seu pedido e dar apoio à pessoa.
Norma: Dr. Laitman quer dizer então que com o choro a quem pedimos ajuda? Aos seres criados, ou ao Criador? Ou, ao Criador, por meio dos seres criados?
Rav: Uma coisa e a outra. Tanto uma como a outra. Mas, a verdade é que todo o nosso choro está dirigido, às lágrimas estão dirigidas por meio de tudo o que podemos dizer, afinal de contas é o Criador. Porque Ele é a fonte de todas as nossas emoções e portanto é a Ele que nos dirigimos.
Norma: O nosso choro comove ou mobiliza o Criador, e de que maneira o Criador nos ajuda?
Rav: O nosso choro, se em verdade é um choro verdadeiro e interno, isto precisamente desperta o Criador, e o Criador responde a isto, e assim recebemos dele a reação, e a direção a dar o próximo passo na vida.
Norma: Nos escritos do Rabash, “O Amor dos Amigos”, no artigo 3, 1984, diz: “quem com lágrimas semeia, colhe com regozijo. A isto se chama, um campo abençoado pelo Senhor.” O que significa semear com lágrimas?
Rav: Somos como uma pessoa perdida no campo, que não sabe onde ir, na sua frente está num campo enorme, extenso, e não sabe o que fazer com a sua vida. Mas, se se relaciona de alguma forma na sua vida a responder à pergunta: “Porque é que vivo” e faz um esforço para se guiar corretamente na vida, então tem um trabalho árduo, e a isto se chama que ‘semeia lágrimas’. A isto se chama que faz muitos esforços e que derrama muitas lágrimas, que dá para passar a vida de nascimento até ao seu final, e se faz isto de uma forma séria, que apesar de tudo, em todos os seus atos quer aproximar-se do Criador, e também ajudar os outros a aproximar-se do Criador, então a isso chama-se nos Salmos, “aquele que semeia com lágrimas, colhe com regozijo”. Então em verdade no final da vida recebe a conclusão disso, com alegria.
Norma: Baal HaSulam em Shamati 18, em que significa que “minha alma chorará as escondidas no trabalho” o assunto do Choro é algo muito grande, importante, como escreveram os nossos sábios, todas as Portas se foram fechadas exceto o “Portal da Lágrimas.” A que se refere “A minha alma chorará em segredo”, por que em segredo? Se o choro tem o objetivo de gerar uma reação nos outros, para que nos ajudem?
Rav: Porque não sabe exatamente de onde, porque chora, o que lhe passas, não sabe exatamente o que justificar a Força Superior o que faz com nele, e por isso encontra-se nesse campo, chamado o campo da vida, e sente que se engana e que se perde nesse campo e que não sabe onde ir, e o que fazer, como uma pessoa que se encontra perdida no campo, e então, anda de uma lado para o outro, perambula, e não sabe qual o caminho correto, e por isso, quando, com as suas lágrimas, chega a um estado em que precisamente desse campo, sai um resultado correto. E assim ele sabe o por quê e para quê, e começa a sentir a sua conexão com o Criador, então, tal como está escrito, “para quem foi semeado este campo?”, e assim desta forma a pessoa aproxima-se verdadeiramente do final da sua vida, como com a frase “aquele que semeia com choro, colhe com alegria”, ou seja, do lugar onde chora, porque já nasce assim, termina a sua vida com alegria, que tem o que receber da sua vida como resultado.
Norma: E o que são os Portas das Lágrimas?
Rav: As Portas da Lágrimas, há uma Porta das Lágrimas que, quando a pessoa que pede para entender a vida, recebe ajuda para fazer algo, pede, quer e exige, mas nada a ajuda. Então, entra em desespero, tanto da vida, quanto da ajuda, que sempre pediu, e que esperava receber esta ajuda da vida, ele irrompe em lágrimas, e no final, depois de todos os pedidos, alcança o feito de receber ajuda, e a isso chama-se, “aquele que semeia com choro, colhe com alegria”.
Norma: Dr. Laitman com todos os problemas que se passam no mundo de hoje, como podemos por intermédio de nosso choro e humanidade pedir ao Criador que nos escute. Por favor, pode nos dar uma impressão final sobre este Tema para fechar este Programa.
Rav: Sim, todos devemos conectar-nos e pedir ao Criador que nos aproxime dEle, mas isso é na condição de nos aproximarmos uns dos outros. Porque a lei é simples, “do amor das criaturas, ao amor do Criador”, por isso devemos chegar ao ponto em que nos conectamos, por meio da nossa conexão, juntos, como um homem com um coração, nos dirigimos ao Criador, e Ele nos salva e nos leva a um ponto em que com alegria, conquistemos.
Norma: Muito obrigada Dr. Laitman por tão interessante Programa.
Rav: Muito obrigado a ti e tudo do melhor, e que choremos de alegria.
Norma: Amém!