INTRODUÇÃO AO LIVRO DO ZOHAR
Nesta introdução, gostaria de esclarecer questões aparentemente simples. Questões com que todos se atrapalham, e pelas quais muita tinta foi derramada tentando esclarecê- las. Todavia, nós ainda não alcançamos um conhecimento concreto e suficiente delas.
Eis as questões:
- Qual é a nossa essência?
- Qual é o nosso papel na longa corrente da realidade, da qual somos apenas pequenos elos?
- Quando examinamos a nós mesmos, descobrimos que somos tão corrompidos e tão baixos quanto possível. E quando examinamos o operador que nos fez, somos compelidos a estar no grau mais elevado, pois não há ninguém tão louvável como Ele. Pois é necessário que apenas operações perfeitas derivem de um operador perfeito.
- Nossa mente necessita que Ele seja absolutamente benevolente, além da comparação. Como, então, Ele criou tantas criaturas que sofrem e agonizam ao longo de suas vidas?
- Não é o estilo do bom fazer o bem, ou pelo menos não prejudicar?
- Como é possível que o infinito, que não tem princípio nem fim, produza criaturas finitas, mortais e defeituosas?
De forma a esclarecer tudo isso, precisamos fazer algumas indagações preliminares. E não onde é defeso, Deus proíba, na essência do Criador, da qual não temos qualquer pensamento ou percepção, logo não temos qualquer pensamento ou expressão Dele, a não ser onde a indagação é uma Mitzva (mandamento/boas ações), ou seja, a indagação de Suas ações. É como a Torah nos ordena: “E tu conhece o Deus de teu pai e serve-O”, e como se diz no poema da unificação: “Por tuas ações te conhecemos”.
Indagação nº 1: Como podemos descrever uma nova criação, algo novo que não esteja incluído Nele antes de ser criado, quando é óbvio para qualquer observador que não há nada que não esteja incluído Nele? O senso comum dita isso, pois como alguém pode dar o que não tem?
Indagação nº 2: Se é dito que do aspecto de Sua onipotência, Ele certamente poderia criar existência a partir da ausência, algo novo que não esteja Nele, surge a pergunta: que realidade é essa, que pode ser determinada como não tendo lugar Nele, mas que é algo completamente novo?
Indagação nº 3: Isso lida com o que os Cabalistas disseram, que a alma de uma pessoa é uma parte de Deus Acima, de tal forma que não há diferença entre Ele e a alma, mas Ele é o “todo” e a alma é uma “parte”. E compara-se isso com uma pedra esculpida de uma montanha. Não há diferença entre a pedra e a montanha, exceto que Ele é o “todo” e a pedra é uma “parte”. Logo, devemos perguntar: é um fato que a pedra esculpida de uma montanha é separada dela por um machado feito para esse propósito, causando a separação da “parte” do “todo”. Mas como é possível descrever isso sobre Ele, que irá separar uma parte de Sua essência até que esta abandone a Sua essência, e tornar-se-á separada Dele, ou seja, uma alma, ao ponto que só pode ser compreendida como uma parte de Sua essência?
Indagação nº 4: Dado que a carruagem da Sitra Achra (outro lado) e as Klipot (cascas) estão tão longe, na outra ponta da Sua Santidade, até que tal afastamento seja inconcebível, como isso pode ser extraído e ser feito da Santidade, muito menos que a Sua Santidade o sustente?
Indagação nº 5: A questão da ressureição dos mortos: Dado que o corpo é tão desprezível que, imediatamente ao nascer, está condenado a perecer e a ser enterrado. Além disso, O Zohar disse que antes que o corpo apodreça inteiramente, a alma não pode ascender até ao seu lugar no Jardim do Éden, enquanto ainda existam remanescentes dele. Dessa forma, por que deveria voltar e se levantar na ressureição dos mortos? Não poderia o Criador deleitar as almas sem isso?
Ainda é mais desconcertante o que nossos sábios disseram, que os mortos estão destinados a se levantarem com seus defeitos, para que não sejam confundidos com outros, e depois disso Ele curará seus defeitos. Devemos compreender por que Deus deve se importar que não sejam confundidos com outros, que para isso Ele recriaria seus defeitos e então teria de curar isso.
Indagação nº 6: Nossos sábios disseram que o homem é o centro da realidade, que os Mundos Superiores e este mundo corpóreo e tudo neles foram criados apenas para ele (O Zohar, Tazria, 40), e foi forçado a acreditar que o mundo tinha sido criado para ele (Sanhedrin 37). É aparentemente difícil de entender por que, para este insignificante ser humano, cujo valor não é mais que um punhado, em respeito à realidade deste mundo, muito menos em respeito a todos os Mundos Superiores, cuja Altura e Sublimidade é imensurável, o Criador teria se dado ao trabalho de criar tudo isso para ele. Da mesma forma, por que o homem precisaria de tudo isso?
Para compreender estas perguntas e indagações, a única tática é examinar o fim da ação, isto é, o propósito da Criação. Pois nada pode ser compreendido no meio do processo, mas apenas no seu fim. E é claro que não há qualquer ação sem um propósito, pois apenas o insano pode agir sem propósito.
Eu sei que existem os que jogam sobre suas costas o fardo da Torah e Mitzvot (plural de Mitzva), dizendo que o Criador criou toda a realidade e depois a abandonou, já que, devido à inutilidade das criaturas, não é digno ao Exaltado Criador zelar por seus caminhos maus e mesquinhos. Certamente, eles falaram sem conhecimento, pois é impossível comentar a nossa baixeza e insignificância, antes que decidamos que criamos, por nós mesmos, todas as nossas naturezas corrompidas e repugnantes.
Faz-se necessário perceber que o Criador, que é absolutamente perfeito, é quem criou e desenhou nossos corpos, com todos seus atributos admiráveis e desprezáveis, sendo que, seguramente, nunca pode emergir uma ação imperfeita sob a mão do trabalhador perfeito, pois cada ação atesta a seu executante. E que culpa há em uma má vestimenta, se certo alfaiate ruim a fez?
Algo assim é encontrado em Masechet Taanit, 20: Um conto sobre Rav Elazar que se deparou com um homem muito feio. Ele disse-lhe: “Quão feio é este homem”. O homem respondeu: “Vá e diga ao artesão que me fez, ‘quão feio é este instrumento que você fez”. Então, os que afirmam que, devido à nossa baixeza e insignificância, não somos dignos que Ele olhe por nós, e por isso Ele nos abandonou, não fazem nada a não ser exibir suas ignorâncias.
Tente imaginar, se um certo homem pudesse criar criaturas, precisamente para que sofressem e agonizassem a vida inteira, como nós, e não apenas isso, as abandonassem, não querendo sequer zelar por elas ou ajudá-las um pouco. Quão desprezível e baixo você o consideraria! Como tal coisa pode ser pensada Dele?
Portanto, o bom senso diz que compreendemos o oposto do que parece estar à superfície, e decidimos que somos verdadeiramente criaturas nobres e dignas, de importância incomensurável, realmente dignas do Trabalhador que nos criou. Pois qualquer falha que deseja percepcionar sobre os nossos corpos, isto é, por trás de todas as desculpas que dá a si mesmo, cai apenas sobre o Criador, que criou a nós e a natureza dentro de nós, pois é claro que Ele nos criou, e não nós.
Assim, Ele também conhece todos os caminhos que derivam da nossa natureza e os atributos maus que Ele criou em nós. É como dissemos, que devemos contemplar o fim da ação, e então seremos capazes de compreender tudo. É como o diz o ditado: “Não mostres a um tolo um trabalho feito pela metade”.
Nossos sábios já disseram que o Criador não criou o mundo por outra razão senão para deleitar Suas criaturas. E é aqui que devemos colocar nossas mentes e todos os nossos pensamentos, pois este é o objetivo final da ação da criação do mundo. E devemos ter em mente que, uma vez que o Pensamento da Criação era doar às Suas criaturas, Ele tinha que criar nas almas uma grande medida de desejo de receber aquilo que Ele tinha pensado em lhes dar. Pois a medida de cada prazer e deleite depende da medida do desejo de receber. Quanto maior o desejo de receber, maior o prazer, e quanto menor o desejo, menor o prazer da recepção.
Logo, o próprio Pensamento da Criação dita, necessariamente, a criação de um excessivo desejo de receber nas almas, para servir ao imenso prazer que Sua Onipotência pensou dar às almas. Pois o grande deleite e o grande desejo de receber andam juntos.
Depois que aprendemos isso, chegamos a um completo entendimento da segunda indagação, em completa clareza. Porque aprendemos qual é a realidade que pode ser claramente determinada, que não é uma parte de Sua essência, na medida em que podemos dizer que é uma nova criação, existência a partir da ausência. E agora que sabemos com certeza que o Pensamento da Criação, de deleitar Suas criaturas, necessariamente criou uma medida de desejo para receber Dele toda a bondade e prazer que Ele tinha planejado para elas, este desejo de receber não foi claramente incluído em Sua essência antes que Ele o tivesse criado nas almas, pois de quem Ele receberia? Segue- se que Ele criou algo, que não está Nele.
Ainda assim, nós compreendemos que, de acordo com o Pensamento da Criação, não houve qualquer necessidade de criar algo mais que o desejo de receber. Isso é porque esta nova criação é suficiente para Ele preencher o Pensamento da Criação por inteiro, que Ele tinha pensado em nos doar. Mas todo o preenchimento no Pensamento da Criação, todos os benefícios que tinha planejado nos dar, derivam diretamente da Sua essência, e Ele não tem razão para os recriar, visto que já estão extraídos, existência a partir da ausência, para o grande desejo de receber nas almas. Logo, evidentemente, toda a substância na criação gerada, do princípio ao fim, é apenas o “desejo de receber”.
Agora chegamos a compreender as palavras dos Cabalistas na terceira indagação. Nós imaginávamos como era possível dizer sobre as almas, que eram uma parte de Deus Acima, como uma pedra que é esculpida de uma montanha, que não há diferença entre elas, exceto que uma é uma “parte” e a outra é um “todo”. E imaginávamos: uma coisa é dizer que a pedra, que é esculpida da montanha, se torna separada por um machado para esse propósito, mas como você pode dizer isso sobre Sua essência? Da mesma forma, o que foi que separou as almas da Sua essência e as excluiu do Criador, para se tornarem criaturas?
Do acima, nós entendemos claramente que assim como o machado corta e divide um objeto físico em dois, a disparidade de forma divide o espiritual em dois. Por exemplo, quando duas pessoas se amam, pode-se dizer que estão ligadas uma à outra como um corpo. E quando se odeiam, é dito que estão tão distantes uma da outra como o leste do oeste. Mas não há questão de proximidade ou distância de localização aqui. Em vez disso, isso implica a equivalência de forma: quando são iguais em forma, e cada uma ama o que a outra ama e odeia o que a outra odeia, elas se amam e estão ligadas uma à outra.
E se há certa disparidade de forma entre elas, e uma delas gosta de algo que a outra odeia, na medida em que diferem em forma, tornam-se distantes e odiosas uma à outra. E se, por exemplo, são opostas em forma, e tudo o que uma gosta, a outra odeia, e tudo o que a outra odeia é apreciado pela primeira, são consideradas tão afastadas como o leste do oeste, isto é, de um extremo ao outro.
Por conseguinte, descobre-se que na espiritualidade a disparidade de forma age como um machado que separa no mundo corpóreo, e a distância entre elas é proporcional à oposição de forma. Disso foi aprendido que o desejo de receber Seu deleite foi impresso nas almas, e que esta forma está ausente no Criador, pois de quem Ele receberia essa disparidade de forma, já que as almas adquiriram ao serem separadas da Sua essência, como o machado que esculpe uma pedra da montanha. E devido a essa disparidade de forma, as almas foram separadas do Criador e se tornaram criaturas. Contudo, tudo o que as almas adquirem da Sua Luz se estende da Sua essência, quer seja existência a partir da existência.
Segue-se que, portanto, com respeito à Sua Luz, ao receberem em seu Kli (vaso), que é o desejo de receber, não há qualquer diferença entre elas e Sua essência. Isso é porque elas a recebem como existência a partir da existência, isto é, diretamente da Sua essência. E a única diferença entre as almas e Sua essência é que as almas são uma parte da Sua essência.
Isso significa que a quantidade de Luz que recebem em seu Kli, sendo o desejo de receber, já está separada do Criador, pois ela se baseia na disparidade de forma do desejo de receber. E esta disparidade de forma a fez uma parte, da qual foram separadas do “todo” e tornaram-se uma “parte”. Logo, a única diferença entre elas é que uma é um “todo” e a outra é uma “parte”, assim como a pedra que é esculpida de uma montanha. Examine isso meticulosamente, pois é impossível expandir além disso em tal lugar exaltado.
Agora nós podemos começar a compreender a quarta indagação: como é possível que a carruagem da impureza e das Klipot emergisse de Sua Santidade, visto que se encontra na outra ponta de Sua Santidade? Da mesma forma, como pode ser que Ele a apoie e a sustente? Certamente, primeiro devemos compreender o significado da existência da impureza e das Klipot.
Saiba que este grande desejo de receber, que nós determinamos ser a própria essência das almas pela criação, para a qual elas estão aptas a receber todo o preenchimento no Pensamento da Criação, não permanece nessa forma dentro das almas. Se assim fosse, elas não teriam de permanecer eternamente separadas Dele, porque a disparidade de forma nelas as teria separado Dele.
E de forma a remendar esta separação, que se encontra no Kli das almas, Ele criou todos os mundos e separou-os em dois sistemas, como no versículo: “Deus fez a este em oposição àquele”, que são os quatro mundos ABYA puros, e opostos a eles os quatro mundos ABYA impuros. E Ele imprimiu o desejo de doar no sistema de ABYA puros, removeu o desejo de receber para si mesmos deles, e colocou-o no sistema dos mundos de ABYA impuros. Devido a isso, elas se tornaram separadas do Criador e de todos os mundos da santidade.
Por essa razão, as Klipot são chamadas “mortas”, como no versículo: “sacrifícios para os mortos” (Salmos 106, 28). E os malvados que as seguem, como nossos sábios disseram, “Os malvados, nas suas vidas, são chamados ‘mortos’”, uma vez que o desejo de receber impresso neles, em oposição de forma à Sua Santidade, os separa da Vida das Vidas, sendo que eles estão afastados Dele de um extremo ao outro. É assim porque Ele não tem interesse na recepção, só na doação, ao passo que as Klipot não querem nada de doação, mas apenas receber para si mesmas, para seu próprio deleite, e não há maior oposição que essa. E você já sabe que o afastamento espiritual começa com certa disparidade de forma e acaba em oposição de forma, que é a maior distância possível no último grau.
E os mundos cascatearam para a realidade deste mundo corpóreo, para um lugar onde há um corpo e uma alma, um tempo de corrupção e um tempo de correção. Pois o corpo, que é o desejo de receber para si mesmo, se estende de sua raiz no Pensamento da Criação, através do sistema dos mundos impuros, como está escrito: “e o homem nasce como a cria do asno selvagem” (Jó 11, 12). E ele permanece sob a autoridade desse sistema pelos primeiros treze anos, que é o tempo de corrupção.
E ao se empenhar em Mitzvot dos treze anos de idade em frente, de forma a doar prazer ao seu Criador, começa a purificar o desejo de receber para si mesmo, impresso nele, e lentamente o transforma em prol de doar. Com isso, estende uma alma Santa da Sua raiz no Pensamento da Criação. E ela passa pelo sistema dos mundos puros e se veste no corpo. Este é o tempo de correção.
Então, acumula os graus de santidade do Pensamento da Criação em Ein Sof (Infinito), até que seja ajudado a transformar o desejo de receber para si mesmo, para ser inteiramente na forma de recepção em prol de doar contentamento ao seu Criador, e não para si mesmo. Com isso, adquire-se equivalência de forma com seu Criador, porque recepção em prol de doar é considerada doação pura.
Em Masechet Kidushin está escrito que, como a um homem importante, a pessoa doa – com isso se é santificada. Pois quando a sua recepção é para deleitá-Lo, o Doador, considera-se doação absoluta e entrega. Com isso, a pessoa compra a adesão completa com Ele, pois a adesão espiritual nada mais é que equivalência de forma, como nossos sábios disseram: “Como é possível apegar-se a Ele? Em vez disso, apegue-se às Suas qualidades”. E com isso, a pessoa torna-se digna de receber todo o deleite e prazer e a ternura no Pensamento da Criação.
Então, foi explicado claramente a correção do desejo de receber, impresso nas almas pelo Pensamento da Criação. Pois o Criador preparou para elas dois sistemas, um oposto ao outro, através dos quais as almas passam e dividem-se em dois discernimentos, corpo e alma, que se vestem um no outro.
E através da Torah e Mitzvot, finalmente transformam a forma do desejo de receber para ser como a forma do desejo de doar. Então, podem receber toda a bondade no Pensamento da Criação. E juntamente com isso, são recompensadas com uma sólida adesão com Ele, pois através do trabalho em Torah e Mitzvot foram recompensadas com a equivalência de forma com seu Criador. Isso é considerado o fim da correção.
Portanto, visto que não há mais o preenchimento para a Sitra Achra, será eliminada da terra e a morte cessará para sempre. E todo o trabalho em Torah e Mitzvot, que foi dado ao mundo durante os seis mil anos da existência do mundo, e a cada pessoa pela duração dos seus setenta anos de vida, são para trazê-las ao fim da correção: a equivalência de forma acima mencionada.
A questão da formação e extensão do sistema das Klipot e da impureza, desde Sua Santidade, também foi cuidadosamente esclarecida agora: tinha de existir para fazer surgir dele a criação dos corpos, que então seriam corrigidos através da Torah e Mitzvot. E se nossos corpos, com seu corrompido desejo de receber, não tivessem sido estendidos através do sistema impuro, nunca seríamos capazes de corrigi-lo, porque uma pessoa não pode corrigir o que não se encontra nela.
Certamente, ainda precisamos compreender como o desejo de receber para si mesmo, que é tão defeituoso e corrompido, pode se estender e estar no Pensamento da Criação em Ein Sof, cuja união está além das palavras e além da descrição? A questão é que pelo próprio pensamento de criar as almas, Seu pensamento completou tudo, pois Ele não precisa de uma ação, como nós precisamos. Instantaneamente, todas as almas que estavam destinadas a ser criadas, emergiram preenchidas com todo o deleite, prazer e ternura que Ele tinha planejado para elas, na perfeição final que as almas estavam destinadas a receber no fim da correção, depois que o desejo de receber nas almas foi totalmente corrigido e transformado em doação pura, em completa equivalência de forma com o Emanador.
Isso é assim porque, na Sua Eternidade, passado, presente e futuro são como um. O futuro é como o presente e não há tal coisa como o tempo Nele. Portanto, nunca a uma questão de um desejo de receber corrompido em seu estado separado em Ein Sof.
Pelo contrário, esta equivalência de forma, destinada a ser revelada no fim da correção, apareceu instantaneamente no Infinito. E nossos sábios disseram sobre isso: “Antes que o mundo fosse criado havia Ele é Um e Seu Nome Um”, pois a forma separada no desejo de receber não tinha sido revelada na realidade das almas que emergiram no Pensamento da Criação. Em vez disso, estavam apegadas a Ele em equivalência de forma por meio de “Ele é Um e Seu Nome Um”.
Logo descobre-se que, necessariamente, no todo, existem três estados para a alma:
O Primeiro Estado :- é sua presença em Ein Sof, no Pensamento da Criação, onde elas já tinham a forma futura do Fim da Correção.
O Segundo Estado:- é sua presença nos seis mil anos, nos quais foram divididas pelos dois sistemas acima em um corpo e uma alma. Foi-lhes dado o trabalho em Torah e Mitzvot, de forma a inverter seu desejo de receber e transformá-lo em um desejo de doar contentamento ao seu Criador, e não para si mesmas.
Durante o tempo deste estado, nenhuma correção virá aos corpos, apenas às almas. Isso significa que elas devem eliminar qualquer forma de recepção própria, que se concebe como o corpo, e permanecer apenas com um desejo de doar, que é a forma do desejo nas almas. Mesmo as almas dos justos não serão capazes de se regozijar no Jardim do Éden depois de sua morte, mas apenas depois que seus corpos apodrecerem no pó.
O Terceiro Estado:- é o fim da correção das almas, após a ressureição dos mortos. Nessa altura, a completa correção também chegará aos corpos, pois eles irão tornar a recepção para si mesmos, que é a forma do corpo, para tomar a forma de doação pura. E tornar-se- ão dignos de receber para si mesmos todo o deleite, prazer e regozijo no Pensamento da Criação.
E com tudo isso, eles alcançarão uma forte adesão pela força de sua equivalência de forma com seu Criador, visto que não receberão tudo isso devido ao seu desejo de receber, mas devido ao seu desejo de doar contentamento ao seu Criador, já que deriva prazer quando eles recebem Dele. E para fins de brevidade, daqui em diante, será usado os nomes destes três estados, quer seja “primeiro estado”, “segundo estado” e “terceiro estado”. É importante recordar de tudo o que será explicado aqui em cada estado.
Quando examina-se os três estados acima, descobre-se que um necessita completamente do outro, de uma maneira que, se um fosse cancelado, os outros também seriam cancelados.
Se, por exemplo, o terceiro estado – a conversão da forma de recepção para a forma de doação – não tivesse se materializado, é certo que o primeiro estado em Ein Sof nunca teria sido capaz de emergir.
É porque a perfeição se materializou apenas porque o terceiro estado futuro já estava lá, como se estivesse no presente. E toda a perfeição que foi descrita lá, neste estado, é como um reflexo do futuro no presente. Mas se o futuro fosse cancelado, não haveria qualquer presente. Então, o terceiro estado necessita da existência do primeiro.
Ainda mais quando algo é cancelado no segundo estado, onde há todo um trabalho destinado a ser completado no terceiro estado, sendo que naquele há o trabalho nas corrupções e correções, e a continuação dos graus das almas. Sem este trabalho, como seria alcançado o terceiro estado? Portanto, o segundo estado necessita da existência do terceiro.
O mesmo ocorre com a existência do primeiro estado em Ein Sof, onde reside a perfeição do terceiro estado. Definitivamente, necessita que seja adaptado, isto é, que o segundo e terceiro estados venham a aparecer em completa perfeição, não menos e nem mais de forma alguma.
Logo, o próprio primeiro estado necessita da expansão de dois sistemas correspondentes no segundo estado, para permitir a existência de um corpo no desejo de receber, corrompido pelo sistema de impureza, permitindo assim que possamos corrigi-lo. E se não houvesse existido um sistema de mundos impuros, não teríamos este desejo de receber, e não seríamos capazes de corrigi-lo e chegar ao terceiro estado, pois “uma pessoa não pode corrigir o que não está nela”. Então, não precisamos perguntar como o sistema impuro veio a existir desde o primeiro estado, pois é o primeiro estado que precisa de sua existência na forma do segundo estado.
Portanto, uma pessoa não deve se perguntar sobre como a escolha foi retirada de nós, visto que devemos ser completados até chegar ao terceiro estado, pois ele já se encontra presente no primeiro. O fato é que existem dois caminhos que o Criador definiu, no segundo estado, para nos levar ao terceiro estado:
- O Caminho de Observar Torah e Mitzvot.
- O Caminho do Sofrimento, visto que a dor em si mesma purifica o corpo e irá finalmente nos forçar a inverter nosso desejo de receber na forma do desejo de doar, e aderir a Ele. É como nossos sábios disseram (Sanhedrin, 97b): “Se você se arrepender, bem; e se não, eu porei sobre você um rei tal como Hamã, e ele irá forçá-lo a se arrepender”. Nossos sábios disseram sobre o versículo: “irei acelerá-lo a seu tempo”: “Se eles forem recompensados, Eu irei acelerá-lo; e se não, a seu tempo”.
Isso significa que se o primeiro caminho nos é concedido, ao observar Torah e Mitzvot, aceleramos nossa correção, e não precisamos das rígidas agonias e o longo tempo necessários para experimentá-las, a fim de nos obrigar à correção. E se não, “a seu tempo”, isto é, apenas quando o sofrimento e o tempo concluir a nossa correção imposta. No geral, o caminho do sofrimento é também o castigo das almas no Inferno.
Mas, em todo caso, o fim da correção – o terceiro estado – é obrigatório, devido ao primeiro estado. Nossa escolha reside apenas entre o caminho do sofrimento e o caminho da Torah e Mitzvot. Assim, foi esclarecido, cuidadosamente, como os três estados das almas estão interligados e necessitam um do outro.
De tudo o que foi dito acima, pode-se compreender cuidadosamente a terceira indagação, pois quando examinamos a nós mesmos, descobrimos que somos tão corrompidos e desprezíveis como se pode ser. Mas quando examinamos o operador que nos criou, devemos ser enaltecidos, pois não há nada tão louvável como Ele, ao vir do Operador que nos criou, porque a natureza do Perfeito Operador é de executar operações perfeitas.
Agora podemos compreender que nosso corpo, com todos seus insignificantes incidentes e posses, não é o nosso verdadeiro corpo. O nosso corpo verdadeiro, eterno e completo já existe em Ein Sof, no primeiro estado, onde recebe sua forma completa do futuro terceiro estado, ou seja, recebendo na forma de doar, em equivalência de forma com Ein Sof.
E se nosso primeiro estado necessita que recebamos a Klipa (casca) de nosso corpo no segundo estado, na sua forma corrompida e repugnante, que é o desejo de receber somente para si mesmo, que é a força que nos separa de Ein Sof para corrigi-la e nos permitir receber nosso corpo eterno na prática, no terceiro estado, não precisamos protestar contra isso. Nosso trabalho pode apenas ser feito neste corpo transitório e inútil, pois “uma pessoa não corrige o que não está nela”.
Logo, nós já estamos nessa medida de perfeição, digna e apropriada ao Perfeito Operador que nos fez, até mesmo no nosso atual segundo estado, pois este corpo não nos causa defeito de qualquer maneira, já que irá expirar e morrer, e está aqui apenas pelo tempo necessário para a sua anulação e aquisição da nossa forma eterna.
Isso estabelece nossa quinta indagação: Como pode ser que ações transitórias e inúteis possam surgir do eterno? E vemos que, certamente, já fomos estendidos como é digno de Sua Eternidade: seres eternos e perfeitos. E nosso estado de eternidade necessita que a Klipa do corpo, que nos foi dada apenas para trabalhar, seja transitória e inútil. Pois se tivesse permanecido em eternidade, ficaríamos para sempre separados da Vida das Vidas.
Nós dissemos anteriormente (Item 13), que esta forma do nosso corpo, que é o desejo de receber unicamente para nós mesmos, não está presente no eterno Pensamento da Criação, pois lá nós estamos na forma do terceiro estado. Todavia, é obrigatória no segundo estado, para nos permitir corrigi-la.
E não devemos ponderar o estado de outros seres no mundo, senão do homem, uma vez que ele é o centro da Criação, como será escrito abaixo (item 39). E todas as outras criaturas não têm nenhum valor próprio, mas na medida em que ajudam o homem a alcançar sua perfeição. Portanto, levantam e caem com ele sem nenhuma consideração de si mesmas.
Com isso, também estabelecemos nossa quarta indagação: Visto que a natureza do bom é fazer o bem, como Ele criou seres que seriam atormentados e agonizados ao longo de suas vidas? Como dissemos, toda esta agonia é necessária desde o nosso primeiro estado, em que a nossa completa eternidade, que vem do futuro terceiro estado, nos força a avançar pelo caminho da Torah ou pelo caminho do sofrimento, e a alcançar nosso estado eterno no terceiro estado (Item 15).
E toda esta agonia é sentida apenas pela Klipa de nosso corpo, criada apenas para morrer e ser enterrada. Isso nos ensina que o desejo de receber para si mesmo foi criado apenas para ser erradicado, abolido do mundo, e para se tornar num desejo de doar. E as dores que sofremos são apenas descobertas de sua insignificância e do mal nele. Certamente, quando todos os seres humanos concordarem em abolir e erradicar seu desejo de receber para si mesmos, e não tiverem outro desejo a não ser dar a seus amigos, todas as preocupações e perigos no mundo deixarão de existir. E todos nós seremos assegurados de uma vida plena e completa, visto que cada um de nós terá um mundo inteiro cuidando de nós, pronto a preencher nossas necessidades.
Todavia, embora cada um de nós tenha apenas o desejo de receber para si mesmo, esta é a fonte de todas as preocupações, sofrimentos, guerras, e massacres dos quais não conseguimos escapar. Eles enfraquecem nossos corpos com todos os tipos de ferimentos e males, e descobre-se que todas as agonias no nosso mundo são apenas manifestações oferecidas aos nossos olhos, para nos levar a revogar a Klipa má do corpo e assumir a forma completa do desejo de doar. E é como foi dito, que o caminho do sofrimento em si mesmo pode nos trazer à forma desejada. Tenha em mente que as Mitzvot entre homem e homem vêm antes das Mitzvot entre homem e Deus, porque o doar ao seu amigo leva a pessoa a doar ao seu Criador.
Depois de tudo o que foi dito, chegamos à resolução da primeira indagação: Qual é a nossa essência? A nossa essência é como a essência de todos os detalhes na realidade, que é não mais nem menos que o desejo de receber (como escrito no Item 7). Mas ela não é como é agora, no segundo estado, que é o desejo de receber somente para si mesmo, mas sim como ela se encontra no primeiro estado, em Ein Sof, em sua forma eterna, que é recepção em prol de dar prazer ao seu Criador (como escrito no Item 13).
Embora ainda não tenhamos alcançado o terceiro estado na realidade, e ainda nos falte tempo, isso não danifica a nossa essência de forma alguma, visto que o nosso terceiro estado é necessário desde o primeiro. Então “tudo o que está destinado a ser coletado é considerado coletado”. E a falta de tempo é considerada uma carência apenas onde há dúvida se a pessoa completará o que precisa ser completado a tempo.
E visto que não temos nenhuma dúvida sobre isso, é como se já tivéssemos chegado ao terceiro estado. E também o nosso corpo, dado a nós em sua atual forma corrompida, não danifica nossa essência, visto que ele e todas as suas posses serão completamente erradicadas, juntamente com o sistema inteiro da impureza, que é a sua fonte, e tudo o que está destinado a ser queimado é considerado queimado, considerado como se nunca tivesse existido.
Mas a alma que está vestida nesse corpo, cuja essência é também puramente o desejo – mas o desejo de doar, que se estende até nós do sistema dos quatro mundos dos ABYA Sagrados (item 11) – existe para sempre. Isso é porque esta forma do desejo de doar está em equivalência de forma com a Vida das Vidas, e não é de forma alguma permutável. (Esta questão será completada abaixo, do item 32 em diante.)
E não se deixe enganar pelos filósofos que dizem que a própria essência da alma é uma substância intelectual, e que existe apenas através dos conceitos que aprende, que cresce por meio deles, e que são a sua própria essência. E também a questão da continuidade da alma, após a partida do corpo, depende inteiramente da extensão dos conceitos que ela adquiriu, até que, na ausência de tais conceitos, não resta nada para continuar. Esta não é a visão da Torah. Assim, é inaceitável pelo coração, e quem já tentou adquirir conhecimento sabe e sente que a mente é uma possessão, não o possuidor real.
Em contrapartida, toda a substância da criação, tanto a substância dos objetos espirituais e a substância dos objetos corpóreos, não é mais nem menos que o desejo de receber. Embora disséssemos que a alma é inteiramente o desejo de doar, é apenas por meio de correções da Luz Refletida que recebe dos Mundos Superiores, dos quais ela vem até nós.
Porém, a própria essência da alma é também o desejo de receber. E a diferença que podemos distinguir entre um objeto e outro é discernida apenas pelo seu desejo, pois o desejo de qualquer essência cria necessidades, e as necessidades criam pensamentos e conceitos para obter tais necessidades, que o desejo de receber exige.
E tal como os desejos humanos diferem uns dos outros, também as suas necessidades, pensamentos e ideias diferem. Por exemplo, aqueles, cujo desejo de receber é limitado a desejos bestiais, suas necessidades, pensamentos e ideias, são dedicados a satisfazer este desejo de receber na sua total bestialidade. Embora usem a mente e a razão como os humanos fazem, é, no entanto, suficiente para o escravo ser como seu mestre. É como a mente bestial, visto que a mente está escravizada e serve ao desejo bestial.
E aqueles cujo desejo de receber é forte principalmente em desejos humanos – tais como respeito e dominação sobre os outros – que estão ausentes na besta, a maioria de suas necessidades, pensamentos e ideias giram apenas em torno de satisfazer este desejo tanto quanto puderem. Ainda, e aqueles cujo desejo de receber é intensificado principalmente pela aquisição de conhecimento, a maioria de suas necessidades, pensamentos e ideias são para satisfazer este desejo tanto quanto puderem.
Estes três desejos estão majoritariamente presentes em cada pessoa, mas se misturam em diferentes qualidades, daí a diferença de uma pessoa para outra. E dos atributos corpóreos nós podemos deduzir sobre os objetos espirituais, relacionando ao seu valor espiritual.
Logo, as almas humanas, também as espirituais, têm apenas o desejo de doar contentamento ao seu Criador, através das vestes de Luz Refletida recebidas dos Mundos Superiores de onde elas vêm. E este desejo é sua essência e o núcleo da alma. Acontece que, assim que se veste num corpo humano, gera necessidades, desejos e ideias para satisfazer seu desejo de doar até à totalidade, isto é, de doar prazer ao seu Criador, de acordo com o tamanho de seu desejo.
A essência do corpo é apenas o desejo de receber para si mesmo, e todas suas manifestações e posses são preenchimentos deste desejo de receber corrompido, que foi inicialmente criado apenas para ser erradicado do mundo, de forma a alcançar o completo terceiro estado no fim da correção. Por essa razão, é mortal, transitório e desprezível, juntamente com todas as suas posses, como uma sombra fugaz que não deixa nada em seu rastro.
E visto que a essência da alma é apenas o desejo de doar, e todas as suas manifestações e posses são preenchimentos desse desejo de doar, que já existe no primeiro estado eterno, assim como no futuro terceiro estado, é imortal e insubstituível. Desse modo, ela e todas suas posses são eternas e existem para sempre. A ausência não afeta nada na partida do corpo. Pelo contrário, a ausência da forma do corpo corrompido a fortalece muito, capacitando-a a subir ao Jardim do Éden.
Portanto, foi mostrado claramente que a persistência da alma não depende de forma alguma dos conceitos que ela adquiriu, como os filósofos afirmam. Em vez disso, sua eternidade está na sua própria essência, no seu desejo de doar, que é a sua essência. E os conceitos que ela adquire são sua recompensa, não sua essência.
Daqui emerge toda a resolução da quinta indagação: já que o corpo é tão corrompido, sendo que a alma não pode ser totalmente purificada antes que apodreça no chão, por que retorna na ressureição dos mortos? E também a questão sobre as palavras dos nossos sábios: “Os mortos estão destinados a ressuscitar com seus defeitos, para que não seja dito: ‘É outro’” (O Zohar, Emor, 17).
Por conseguinte, pode-se compreender claramente esta questão do próprio Pensamento da Criação, do primeiro estado. Porque nós dissemos que, visto que o Pensamento da Criação era de deleitar Suas criaturas, Ele tinha de criar um desejo desproporcionalmente exagerado para receber toda a abundância, que está no Pensamento da Criação, pois “O grande deleite e o grande desejo de receber andam de mãos dadas” (Itens 6-7). Conforme foi estudado, este desejo de receber exagerado é toda a substância que Ele tinha criado, pois Ele não precisa de nada mais que isso, para levar a cabo o Pensamento da Criação.
E é a natureza do Operador Perfeito de não executar operações redundantes, como escrito no Poema da Unificação: “De todo Teu trabalho, nem uma coisa Tu esqueces, omites ou acrescentas”.
Em consonância com o acima exposto, este desejo de receber exagerado foi completamente removido do sistema puro, e foi dado inteiramente ao sistema dos mundos impuros, dos quais estendem os corpos, sua substância, e todas suas posses neste mundo. Quando um homem alcança os treze anos de idade, começa a alcançar uma alma Santa ao se envolver na Torah. Nessa altura, é nutrido pelo sistema dos mundos puros, de acordo com a medida de pureza da alma que alcançou.
Também foi dito acima que, durante os seis mil anos que recebemos para trabalhar em Torah e Mitzvot, nenhuma correção vem até ao corpo – ao seu desejo de receber exagerado. Todas as correções que vêm através do nosso trabalho se relacionam apenas à alma, sobre os graus de santidade e pureza, o que significa aumento do desejo de doar que se estende com a alma.
Por essa razão, o corpo finalmente morrerá, será enterrado e apodrecerá, pois não passou por nenhuma correção. Todavia, não pode permanecer assim, pois se o desejo de receber exagerado fosse abolido do mundo, o Pensamento da Criação não seria realizado – isto é, a recepção de todos os grandes prazeres que Ele pensou em doar às Suas criaturas, pois “o grande desejo de receber e o grande prazer andam de mãos dadas”. E na medida em que o desejo de receber diminui, também diminuem o deleite e o prazer da recepção.
Já foi dito que o primeiro estado precisa do terceiro estado, para se materializar por completo como estava no Pensamento da Criação – no primeiro estado – sem omitir uma única coisa (ver item 15). Portanto, o primeiro estado exige a ressurreição dos mortos. Isso significa que o seu excessivo desejo de receber, que já havia sido erradicado ‘e apodrecido no segundo estado, deve agora ser ressuscitado em toda sua medida exagerada, sem quaisquer restrições, ou seja, com todas as suas falhas passadas.
Então começa o trabalho de novo, de converter este excessivo desejo de receber em desejo somente para doar. Assim teremos dobrado o nosso ganho:
Teremos um lugar para receber todo o deleite e prazer e a eternidade no Pensamento da Criação, uma vez que já teremos o corpo com o seu excessivo desejo de receber, que anda de mãos dadas com estes prazeres.
Visto que dessa forma nossa recepção será apenas para doar prazer ao nosso Criador, a recepção será considerada como doação completa (ver item 11). E isso nos levará à equivalência da forma, que é a Dvekut (adesão), quer seja a nossa forma no terceiro estado. Assim, o primeiro estado exige a ressurreição dos mortos.
De fato, não pode haver ressurreição dos mortos, mas apenas perto do final da correção, no final do segundo estado. Pois uma vez que fomos recompensados com a negação do nosso excessivo desejo de receber, e nos foi concedido o desejo de somente doar, e uma vez que fomos agraciados com todos os graus maravilhosos da alma, chamados Nefesh, Ruach, Neshama, Haya, Yechida, através de nosso trabalho em negar este desejo de receber, chegamos à maior perfeição, até que o corpo possa ser ressuscitado com todos os seus excessivos desejos de receber, e já não seremos mais prejudicados por ele estar separado de nossa Dvekut.
Pelo contrário, nós o superamos e lhe daremos a forma de doar. E, de fato, isso é feito com cada atributo corrompido que desejamos remover dele. Primeiro, devemos removê- lo completamente, até que não sobre nada dele. Depois, podemos recebê-lo novamente e conduzi-lo no caminho do meio. Mas enquanto não o tenhamos removido totalmente, é impossível conduzi-lo no desejado caminho do meio.
Nossos sábios disseram: “Os mortos estão destinados a serem ressuscitados com suas falhas e, depois, serem curados”. Isso significa que, no início, o mesmo corpo é ressuscitado, que é o excessivo desejo de receber, sem quaisquer restrições, da mesma forma que ele cresceu sob o alimento dos mundos impuros antes que a Torah e Mitzvot o tenham purificado de qualquer forma. Este é o significado de: “em todas as suas falhas”.
Então, embarcamos em um novo tipo de trabalho – o de inserir todo este excessivo desejo de receber na forma de doar. Então, ele é curado, porque agora obteve a equivalência da forma. Assim, a razão é “para que não seja dito: ‘É um outro’”, ou seja, de modo que não será dito que ele está em uma forma diferente da que tinha no Pensamento da Criação. Isso é assim porque este excessivo desejo de receber está lá, com o objetivo de receber toda a generosidade do Pensamento da Criação.
Não obstante, por enquanto, ele foi dado às Klipot somente para a purificação. Mas no final, não deve ser um corpo diferente, pois se fosse diminuído de alguma forma, seria considerado totalmente diferente, portanto, indigno de receber toda a generosidade do Pensamento da Criação, como ele a recebe no primeiro estado.
Agora pode-se resolver a segunda indagação acima: qual é o nosso papel na longa corrente da realidade, da qual somos apenas pequenos elos, durante a curta duração de nossos dias? Saiba que nosso trabalho durante os setenta anos de nossos dias se divide em quatro:
A Primeira Divisão: - é para obter o excessivo desejo de receber sem restrições, em sua medida completa e corrompida, das mãos dos quatro mundos ABYA impuros. Se não tivéssemos este desejo de receber corrompido, não seríamos capazes de corrigi-lo, pois “uma pessoa não pode corrigir o que não está nela”.
Então, o desejo de receber impresso no corpo ao nascer é insuficiente. Em vez disso, também deve ser um veículo para as Klipot impuras durante não menos que treze anos. Isso significa que as Klipot devem dominá-lo e dar-lhe suas luzes, pois suas luzes aumentam seu desejo de receber. Isso é porque os preenchimentos, com os quais as Klipot fornecem ao desejo de receber, apenas expandem e aumentam as exigências do desejo de receber.
Por exemplo, ao nascer, a pessoa tem somente um desejo de uma centena, e não mais. Mas quando a Sitra Achra providencia a centena, o desejo de receber imediatamente cresce e quer duas centenas. Então, quando a Sitra Achra providencia preenchimento para as duas centenas, o desejo imediatamente expande para querer quatro centenas. E se a pessoa não supera o desejo de receber através da Torah e Mitzvot, e não o transforma em doação, ele se expande ao longo da sua vida, até que ela morre sem alcançar metade de seus desejos. Isso é considerado como estando sob a Sitra Achra e as Klipot, cujo papel é expandir e aprimorar seu desejo de receber e torná-lo exagerado e irrestrito de qualquer forma, para fornecer à pessoa todo o material que precisa para trabalhar e corrigir.
A Segunda Divisão: - é dos treze anos em diante. Aqui, o ponto em seu coração, que é a parte posterior (costas) da santidade, é fortalecido. Embora já esteja revestido em seu desejo de receber ao nascer, ele começa apenas a despertar passados treze anos, e a pessoa começa a entrar no sistema dos mundos puros, na medida em que observa Torah e Mitzvot.
O objetivo principal nesse momento é obter e intensificar o desejo de receber espiritual, pois ao nascer, a pessoa tem apenas um desejo de receber pela corporeidade. Dessa forma, embora tenha obtido o excessivo desejo de receber antes de completar treze anos, ainda assim não é a conclusão do crescimento do desejo de receber, pois a principal intensificação do desejo de receber é apenas pela espiritualidade.
Isso se deve a que, por exemplo, antes de fazer treze anos, o desejo de receber da pessoa deseja devorar toda a riqueza e respeito neste mundo corpóreo. Aparentemente, este não é um mundo eterno; é apenas uma sombra fugaz para todos nós. Mas quando a pessoa obtém o excessivo desejo de receber, deseja devorar, para seu próprio deleite, toda a riqueza e deleite no próximo mundo eterno, que é uma posse eterna. Então, a maior parte do excessivo desejo de receber é completada apenas com o desejo de receber espiritualidade.
Está escrito no Novo Tikun (97b) sobre o versículo (Provérbios 30, 15): “A sanguessuga tem duas filhas: ‘Dá, dá’”: “Uma sanguessuga significa Inferno. E o mal pego nesse Inferno grita como cães ‘Hav, Hav (Hebraico: Dá, Dá)’”, isto é, “dá-nos a riqueza deste mundo, dá-nos a riqueza do próximo mundo”.
Todavia, este é um grau muito mais importante que o primeiro, visto que o período de obter a completa medida do desejo de receber, dando à pessoa todo o material que precisa para o seu trabalho, é o grau que a leva a Lishma (em Seu Nome). É como nossos sábios disseram (Pesachim 50b): “A pessoa deve sempre se envolver em Torah e Mitzvot Lo Lishma (não em Seu Nome), pois de Lo Lishma, chega a Lishma”.
Consequentemente, este grau, que vem passados os treze anos, considerado santidade, é como a santa criada que serve sua senhora, quer seja a Santa Shechina (Divindade). Isso é porque a criada a leva a Lishma, e é recompensada com a inspiração da Divindade. Todavia, deve-se tomar cada medida adequada para levá-la a Lishma, visto que se não se esforça por isso e não alcança Lishma, irá cair na fossa da criada impura, que é o oposto da santa criada, cujo papel é de confundir a pessoa, que Lo Lishma não a trará à Lishma.
É dito sobre ela: “a criada que é herdeira de sua senhora” (Provérbios 30, 23), pois ela não a deixará se aproximar da senhora, que é a Santa Divindade.
E o grau final nesta divisão é que ela irá se apaixonar profundamente pelo Criador, como ela se apaixona profundamente por um amor corpóreo, até que o objeto da paixão se encontra perante seus olhos todo o dia e toda a noite, como o poeta diz: “Quando me lembro Dele, Ele não me deixa dormir”. Então é dito: “mas o desejo preenchido é uma árvore da vida” (Provérbios 13-12). Isso é porque os cinco graus da alma são a Árvore da Vida, que se estende ao longo de quinhentos anos. Cada grau dura uma centena de anos, o que significa que ele irá levá-la a receber todas as cinco Bechinot (discernimentos) NRNHY (Nefesh, Ruach, Neshama, Haya, Yechida) esclarecidos na terceira divisão.
A Terceira Divisão:- é o trabalho em Torah e Mitzvot Lishma, a fim de doar e não receber recompensa. Este trabalho purifica o desejo de receber para si mesmo e o substitui pelo desejo de doar. À medida que a pessoa purifica o desejo de receber, torna-se digna de receber as cinco partes da alma chamadas NRNHY (Item 42). Isso é porque elas se encontram no desejo de doar (veja Item 23), e não podem revestir o corpo da pessoa enquanto o desejo de receber – que é oposto, ou até diferente em forma da alma – a controlar.
Isso ocorre porque, a questão de vestir e a equivalência de forma andam de mãos dadas (veja Item 11). E quando a pessoa for recompensada com estar inteiramente no desejo de doar e não para si mesma, será recompensada com a conquista da equivalência de forma com seus NRNHY Superiores, que se estendem da sua origem em Ein Sof no primeiro estado, através dos ABYA puros, e irão imediatamente se estender e vestir nela de forma gradual.
A Quarta Divisão: - é o trabalho realizado após a ressuscitação dos mortos. Isso significa que o desejo de receber, que já estava completamente ausente por morte e enterro, é agora ressuscitado no seu excessivo e pior desejo de receber, como nossos sábios disseram: “Os mortos serão ressuscitados em suas falhas” (Item 28). Então, é transformado em recepção na forma de doação. Contudo, existem alguns escolhidos que receberam este trabalho enquanto ainda viviam neste mundo.
Agora resta o esclarecimento da sexta investigação, que são as palavras de nossos sábios que disseram que todos os mundos, Superior e inferior, foram criados apenas para o homem. Parece muito peculiar que, ao homem, cujo valor é apenas um fragmento comparado à realidade diante de nós neste mundo, muito menos ainda se comparado aos Mundos Espirituais Superiores, o Criador se daria ao trabalho de criar tudo isso para ele. E ainda mais peculiar: para que o homem precisaria de todos estes vastos Mundos Espirituais?
Ademais, deve-se saber que qualquer satisfação do nosso Criador de doar às Suas criaturas depende do quanto as criaturas O sentem – que Ele é o dador, e que Ele é quem as deleita. Pois assim Ele sente grande prazer nelas, como um pai brincando com seu amado filho, na medida em que o filho sente e reconhece a grandeza e exaltação de seu pai, e seu pai mostra-lhe todos os tesouros que preparou para ele, como está escrito (Jeremias 31): “Não é Efraim o meu filho querido, em quem tenho prazer? Cada vez que falo dele, mais intensamente me lembro dele. Por isso o Meu coração anseia por ele; terei por ele grande compaixão, diz o Senhor” (Jeremias 31, 19).
Observe cuidadosamente estas palavras, a fim de conhecer as grandes delícias do Senhor para com aqueles completos, a quem foi concedido senti-Lo e reconhecer Sua grandeza de todas as maneiras que Ele lhes preparou, até que sejam como um pai com seu filho amado, a alegria de seus pais. E não precisamos continuar com isso, pois basta sabermos que, para esta satisfação e deleite desses completos, valeu a pena que Ele criasse todos os mundos, tanto Superior como inferior.
Para preparar Suas criaturas, a fim de alcançar o grau exaltado mencionado, o Criador as desenvolveu por uma ordem de quatro degraus que evoluem um a partir do outro, chamados: “inanimado”, “vegetativo”, “animado” e “falante”. Estas são, na verdade, as quatro fases do desejo de receber, em que se dividem cada um dos Mundos Superiores. Porque, embora a maioria do desejo esteja na quarta fase do desejo de receber, é impossível que a quarta fase apareça de imediato, mas por médio de suas três precedentes fases, nas quais, e através das quais, ela se desenvolve gradualmente e aparece, até estar totalmente completa na forma da Fase Quatro.
Na Fase Um do desejo de receber, chamada “inanimado”, que é a manifestação inicial do desejo de receber neste mundo corpóreo, há apenas uma força coletiva de movimento que inclui toda categoria do inanimado. Mas nenhum movimento é aparente nos seus itens particulares. Isso é porque o desejo de receber gera necessidades, e as necessidades geram movimentos, o suficiente para satisfazê-las. E visto que há apenas um pequeno desejo de receber, este domina o todo da categoria de uma vez, todavia o seu poder sobre os itens particulares é indistinguível.
O vegetativo é adicionado a este, que é a Fase Dois do desejo de receber. Sua medida é maior do que a do inanimado, e seu desejo de receber domina cada um dos elementos, porque cada elemento tem o seu próprio movimento, expandindo-se para cima, para baixo e para os lados, e se move onde brilha o sol. Além disso, a questão de comer, beber e eliminar resíduos também é evidente em cada elemento. No entanto, a sensação de liberdade e individualidade ainda está ausente neles.
Acima disso vem a categoria animada, que é a Fase Três do desejo de receber. Sua
medida já está completa em grande parte, pois este desejo de receber já gera em cada item uma sensação de liberdade e individualidade, que é a vida, única para cada elemento em separado. No entanto, ainda carece da sensação dos outros, ou seja, não tem preparação para compartilhar as dores dos outros ou suas alegrias etc.
Acima de todos vem a espécie humana, que é a Fase Quatro do desejo de receber. Ela é a medida completa e final, e seu desejo de receber também inclui a sensação dos outros. E se quiser saber a diferença exata entre a Fase Três do desejo de receber, que existe no animado, e a Fase Quatro do desejo de receber no homem, eu diria que é como o valor de uma única criatura comparada à totalidade da realidade.
Isso porque o desejo de receber no animado, que carece da sensação dos outros, só pode gerar necessidades e desejos na medida em que estes estejam gravados unicamente nessa criatura. Mas o homem, que pode sentir os outros, também se torna carente de tudo o que os outros têm, e é assim que é preenchido com inveja para adquirir tudo o que os outros têm. Quando tem cem, quer duzentos, e assim as suas necessidades sempre se multiplicam até que pretende devorar tudo o que existe no mundo inteiro.
Agora, foi mostrado que a meta desejada pelo Criador para a Criação, que Ele havia criado, é doar às Suas criaturas, de modo que elas possam conhecer Sua veracidade e grandeza, e receber todo o deleite e prazer que Ele preparou para elas, conforme descrito
no versículo: “Efraim meu filho querido, não é ele a alegria de seus pais?” (Jeremias 31, 19). Assim, facilmente descobrirá que este propósito não se aplica ao inanimado e às grandes esferas, como a Terra, a lua ou o sol, por mais luminosos que possam ser, nem ao vegetativo e animado, pois lhes faltam a sensação dos outros, mesmo entre suas próprias espécies. Portanto, como a sensação de Deus e Sua doação pode se aplicar a eles?
Somente a humanidade tendo sido preparada com a sensação de outros da mesma espécie, que são semelhantes a eles, depois de se aprofundar em Torah e Mitzvot. Quando invertem seu desejo de receber em desejo de doar, alcançando a equivalência de forma com o seu Criador, recebem todos os graus que foram preparados para eles nos Mundos Superiores, chamados NRNHY. Dessa forma, tornam-se qualificados a receber o propósito do Pensamento da Criação. Afinal de contas, o propósito da criação de todos os mundos foi unicamente para o homem.
Eu sei que isso é totalmente inaceitável aos olhos de alguns filósofos. Eles não podem concordar que o homem, que eles consideram tão baixo e sem nenhum valor, seja o centro da magnífica Criação. Mas eles são como um verme que nasce dentro de um rabanete. Ele vive lá e pensa que o mundo do Criador é tão amargo, escuro e pequeno quanto o rabanete onde nasceu. Mas depois que rompe a casca do rabanete e dá uma espiada para fora, afirma perplexo: “Eu pensava que o mundo inteiro fosse do tamanho do rabanete onde nasci, e agora vejo um mundo grande, belo e maravilhoso diante de mim!”.
O mesmo ocorre com aqueles que estão imersos na Klipa (singular de Klipot) do desejo de receber com o qual nasceram, e que não tentam experimentar o tempero original, que é a Torah e Mitzvot práticas, que podem quebrar esta difícil Klipa e transformá-la num desejo de doar contentamento ao Criador. É certo que eles devem determinar a sua inutilidade e vazio, como realmente são, e não podem compreender que esta magnífica realidade foi criada somente para eles.
Na verdade, se tivessem se aprofundado em Torah e Mitzvot com a finalidade de doar contentamento ao seu Criador, com toda a pureza exigida, e tentassem quebrar a Klipa do desejo de receber com a qual nasceram e assumissem o desejo de doar, seus olhos se abririam imediatamente para ver e alcançar todos os graus da sabedoria, inteligência e mente clara, que foram preparados para eles nos Mundo Espirituais. Então, eles mesmos diriam, assim como os nossos sábios disseram: “O que diz um bom convidado? ‘Tudo que o anfitrião fez, ele fez só para mim’”.
Mas ainda devemos esclarecer por que o homem precisa de todos os Mundos Superiores que o Criador criou para ele. Qual a utilidade deles? Tenham em mente que a realidade de todos os mundos é geralmente dividida em cinco mundos: a) Adam Kadmon,
b) Atzilut, c) Beria, d) Yetzira e e) Assia. Em cada um deles existem inúmeros detalhes, que são as cinco Sefirot KHBTM (Keter, Hochma, Bina, Tiferet e Malchut). O mundo de AK (Adam Kadmon) é Keter, o mundo de Atzilut é Hochma, o mundo de Beria é Bina, o mundo de Yetzira é Tiferet, e o mundo de Assia é Malchut.
E as Luzes vestidas nestes cinco mundos são chamadas YHNRN. A Luz de Yechida brilha no mundo de Adam Kadmon; a Luz de Haya no mundo de Atzilut; a Luz de Neshama no mundo da Beria; a Luz de Ruach no mundo de Yetzira, e a Luz de Nefesh no mundo de Assia.
Todos estes mundos e tudo que há neles estão incluídos no Nome Sagrado, Yod-Hey-Vav- Hey, e na ponta do Yod. Nós não temos a percepção do primeiro mundo (AK). Por isso, ele está apenas implícito na ponta do Yod do Nome Sagrado. É por isso que não falamos dele e sempre citamos apenas os quatro mundos de ABYA. Yod é o mundo de Atzilut, Hey é o mundo de Beria, Vav é o mundo de Yetzira, e a Hey final é o mundo de Assia.
Agora será explicado os cinco mundos que incluem toda a realidade espiritual, que se estendem de Ein Sof até este mundo. No entanto, estão incluídos um no outro, e em cada um dos mundos existe cinco mundos e cinco Sefirot (KHBTM), onde estão vestidas as cinco Luzes (NRNHY), correspondentes aos cinco mundos.
Além das cinco Sefirot (KHBTM) em cada mundo, existem quatro categorias espirituais: Inanimada, Vegetativa, Animada e Falante. A alma do homem é considerada como falante, a categoria animada é considerada como os anjos neste mundo, a categoria vegetativa é chamada de “vestimentas” e a categoria inanimada é chamada de “palácios”. Todas elas se vestem mutuamente: a categoria falante, que são as almas das pessoas, veste as cinco Sefirot (KHBTM), que é a Divindade neste mundo. A categoria animada, que são os anjos, veste as almas; a vegetativa, que são as vestimentas, veste os anjos, e a inanimada, que são os palácios, gira em torno de todas elas.
Vestir significa que elas se servem umas das outras e evoluem umas das outras, como já esclarecemos com o inanimado, vegetativo, animado e falante deste mundo (itens 35-38): as três categorias: inanimada, vegetativa e animada, não se expandem por si mesmas, mas apenas a quarta categoria, que é o homem, pode se desenvolver e se elevar por elas. Portanto, a função delas é apenas servir ao homem e ser útil a ele.
Assim é em todos os mundos espirituais. As três categorias: inanimada, vegetativa e animada, surgem apenas para servir e ser útil à categoria falante, que é a alma do homem. Portanto, considera-se que todas vestem a alma do homem, ou seja, para servi-lo.
Quando o homem nasce, imediatamente tem uma Nefesh4 de Kedusha (Santidade). Porém, não uma Nefesh verdadeira, mas a parte posterior dela, seu último discernimento, que devido à sua pequenez, chama-se um “ponto”. Ela se veste no coração do homem, em seu desejo de receber, que é encontrado principalmente em seu coração.
Conheça essa regra: tudo o que se aplica ao conjunto da realidade, aplica-se a cada mundo, até mesmo nas menores partículas que podem ser encontradas nesse mundo. Assim como existem cinco mundos em toda a realidade, que são as cinco Sefirot (KHBTM), existem cinco Sefirot (KHBTM) em cada mundo, e cinco Sefirot em cada pequeno item desse mundo.
Nós temos dito que este mundo é dividido em inanimado, vegetativo, animado e falante (IVAF), correspondendo às quatro Sefirot (HBTM). O inanimado corresponde à Malchut, o vegetativo corresponde à Tiferet, o animado à Bina, e o falante à Hochma. E a raiz de todos eles corresponde à Keter. Mas como já foi dito, mesmo no menor item de cada espécie do IVAF há quatro discernimentos de IVAF. Assim, mesmo num único elemento da categoria falante, ou seja, mesmo numa única pessoa, há também IVAF, que são as quatro partes do seu desejo de receber, onde o ponto da Nefesh de Kedusha está vestido.
Antes dos treze anos, não pode haver qualquer emergência do ponto no coração da pessoa. Porém, depois dos treze anos, quando ela começa a se aprofundar em Torah e Mitzvot, mesmo sem qualquer intenção, ou seja, sem amor e temor, como convém ao serviço do rei, mesmo em Lo Lishma, o ponto em seu coração começa a crescer e a revelar suas ações.
Isso é assim porque as Mitzvot não precisam de um objetivo. Mesmo atos sem objetivo podem purificar o desejo de receber, mas apenas no primeiro grau, chamado de “inanimado”. Na medida em que a pessoa purifica a parte inanimada do desejo de receber, constrói os seiscentos e treze órgãos do ponto do coração, que é a categoria inanimada da Nefesh de Kedusha.
E quando completa todas as seiscentas e treze Mitzvot em ação, também completa os seiscentos e treze órgãos no ponto do coração, que é a categoria inanimada de Nefesh de Kedusha, cujos duzentos e quarenta e oito órgãos espirituais são construídos mantendo- se as duzentos e quarenta e oito Mitzvot5 positivas, e seus trezentos e sessenta e cinco tendões espirituais são construídos através da observação das trezentas e sessenta e cinco Mitzvot negativas, até que se torne um Partzuf completo (face espiritual) de Nefesh de Kedusha. Depois, Nefesh se eleva e veste a Sefira (singular de Sefirot) de Malchut do mundo espiritual de Assia.
E todos os elementos espirituais do inanimado, vegetativo e animado nesse mundo, que correspondem à Sefira de Malchut de Assia, servem e ajudam este Partzuf de Nefesh da pessoa que ascendeu lá, na medida em que a alma o percebe. Estes conceitos se tornam seu alimento espiritual, dando-lhe força para crescer e se multiplicar, até que ela possa estender a Luz da Sefira de Malchut de Assia em toda a perfeição desejada, para iluminar o corpo do homem. E essa Luz plena ajuda a pessoa a aumentar o esforço em Torah e Mitzvot e receber os graus restantes.
É mister ressaltar que, imediatamente após o nascimento do corpo da pessoa, um ponto da Luz de Nefesh nasce e se veste nele. A mesma coisa ocorre aqui: quando seu Partzuf de Nefesh de Kedusha nasce, um ponto do seu grau Superior adjacente nasce com ele – o último grau da Luz de Ruach de Assia– e veste o interior do Partzuf de Nefesh.
Assim é em cada grau. Com cada novo grau que nasce, o último discernimento no grau acima dele surge instantaneamente dentro dele. Isso ocorre porque esta é a conexão entre o Superior e o inferior, até o topo dos graus. Assim, através deste ponto, que existe nele desde o Superior, torna-se capaz de se elevar ao próximo nível superior.
Essa Luz de Nefesh é chamada de “Luz do inanimado sagrado no mundo de Assia”. Isso porque corresponde à pureza da parte inanimada do desejo de receber no corpo do homem. Ela brilha na espiritualidade como a categoria inanimada na corporeidade (ver item 35), cujas partículas não têm nenhum movimento individual, mas apenas o movimento coletivo, comum a todos os itens igualmente. Assim é com a Luz do Partzuf Nefesh de Assia: embora haja seiscentos e treze órgãos nele, que são seiscentos e treze formas de receber a abundância, essas mudanças não são aparentes nele, mas apenas uma Luz geral, cuja ação envolve a todos igualmente, sem distinção de detalhes.
Tenham em mente que, embora as Sefirot sejam Divinas, e não haja nenhuma diferença entre elas, desde o topo de Keter no mundo de AK até o fim da Sefira de Malchut no mundo de Assia, ainda há uma grande diferença em relação aos receptores. Isso é porque as Sefirot são consideradas Luzes e Kelim (vasos), e a Luz nas Sefirot é Divindade pura. Mas os Kelim, chamados KHBTM em cada um dos mundos inferiores (Beria, Yetzira, Assia), não são considerados Divinos, mas capas que ocultam a Luz de Ein Sof dentro deles e racionam certa quantidade de Luz para os receptores. Cada um deles receberá apenas de acordo com o seu nível de pureza.
Nesse aspecto, embora a Luz seja uma, está determinada nas Sefirot NRNHY, porque a Luz se divide de acordo com as qualidades dos Kelim. Malchut é a capa mais grossa, escondendo a Luz de Ein Sof. A Luz que passa de Ein Sof para os receptores é apenas uma pequena parte, relacionada à purificação da parte inanimada do corpo do homem. É por isso que é chamada Nefesh.
O Kli de Tiferet é mais puro que o Kli de Malchut. A Luz que passa de Ein Sof refere-se à purificação da parte vegetativa do corpo do homem, porque atua nela mais do que a Luz de Nefesh. Ela é chamada “Luz de Ruach”.
O Kli de Bina é ainda mais puro que Tiferet, e a Luz que passa de Ein Sof refere-se à purificação da parte animada do corpo do homem, e é chamada “Luz de Neshama”.
O mais puro de todos é o Kli de Hochma. A Luz que passa de Ein Sof refere-se à purificação da parte falante do corpo do homem. Ela é chamada de “Luz de Haya”, e sua ação está além de qualquer medida.
No Partzuf Nefesh, que o homem alcança ao se envolver em Torah e Mitzvot sem intenção, já existe um ponto da Luz de Ruach lá vestido. E quando se esforça e observa Torah e Mitzvot com o objetivo desejado, purifica a parte vegetativa do seu desejo de receber, e, nessa medida, constrói o ponto de Ruach no Partzuf. Realizando as 248 Mitzvot positivas com intenção, o ponto se expande através dos seus 248 órgãos espirituais. E observando as 365 Mitzvot negativas, o ponto se expande através dos seus 365 tendões.
Quando é completado com todos os 613 órgãos, eleva e veste-se na Sefira de Tiferet no mundo espiritual de Assia, que estende até ele uma Luz maior desde Ein Sof, denominada “Luz de Ruach”, que corresponde à purificação da parte vegetativa no corpo do homem. E todos os itens do inanimado, vegetativo e animado no mundo de Assia, relacionados com o nível de Tiferet, ajudam o Partzuf de Ruach da pessoa a receber as luzes da Sefira de Tiferet em toda a sua integridade, como foi explicado acima com a Luz de Nefesh. Por isso, chama-se “Vegetativo Sagrado”.
A natureza de sua Luz é como o vegetativo corporal: há diferenças marcantes no movimento de cada um dos seus elementos, assim como na Luz espiritual do vegetativo há mais força para brilhar de forma única em cada um dos 613 órgãos no Partzuf Ruach. Cada um deles manifesta a ação-poder relacionado a estes órgãos. Além disso, com a extensão do Partzuf Ruach, o ponto do próximo grau Acima se estendeu dele, o ponto da Luz de Neshama, que se veste em sua interioridade.
Ao se envolver nos segredos da Torah e nos sabores das Mitzvot, purifica a parte animada do seu desejo de receber, e nessa medida constrói o ponto da alma, vestido nele em seus 248 órgãos e 365 tendões. Quando a construção é concluída, torna-se um Partzuf, que se eleva e veste a Sefira de Bina no mundo espiritual de Assia. Este Kli é muito mais puro do que os primeiros Kelim, TM (Tiferet e Malchut). Por isso, ele estende uma grande Luz de Ein Sof, chamada “Luz de Neshama”.
E todos os itens do inanimado, vegetativo e animado no mundo de Assia, relacionados com o nível de Bina, ajudam e servem o Partzuf de Neshama da pessoa a receber todas as luzes da Sefira de Bina. Ele também é chamado de “animado sagrado”, porque corresponde à purificação da parte animada do corpo do homem. E assim é a natureza da sua Luz, como foi visto com a parte animada do corpo (item 37), que dá a sensação de individualidade a cada um dos 613 órgãos do Partzuf, como se cada um deles estivesse vivo e livre, sem qualquer dependência do resto do Partzuf.
Finalmente, se discerne que seus 613 órgãos são 613 Partzufim (plural de Partzuf), únicos em sua Luz, cada um à sua maneira. E a vantagem dessa Luz sobre a Luz de Ruach, na espiritualidade, é como a vantagem do animado sobre o inanimado e o vegetativo, na corporeidade. E lá também se estende um ponto da Luz de Haya de Kedusha, que é a Luz da Sefira de Hochma, com o surgimento do Partzuf Neshama, e se veste em sua interioridade.
E quando é recompensado com a grande Luz chamada “Luz de Neshama”, cada um dos 613 órgãos daquele Partzuf ilumina-se totalmente de forma única, cada um como um Partzuf independente. Em seguida, abre-se a possibilidade de participar em cada Mitzva de acordo com o seu objetivo original, pois cada órgão no Partzuf de Neshama ilumina o caminho de cada Mitzva relacionada a este órgão.
E através do grande poder destas Luzes, purifica-se a parte falante do desejo de receber e a converte em um desejo de doar. Assim, o ponto da Luz de Haya, vestido nele, é construído em seus 248 órgãos e 365 tendões espirituais.
Quando se é completado em um Partzuf inteiro, eleva-se e veste a Sefira de Hochma no mundo espiritual de Assia, que é um Kli imensamente puro. Por isso, estende-se uma tremenda Luz desde Ein Sof, denominada “Luz de Haya” ou Neshama à Neshama. E todos os elementos do mundo de Assia, que são o inanimado, vegetativo e animado relacionados à Sefira de Hochma, o ajudam a receber ao máximo a Luz da Sefira de Hochma.
Agora também é chamado de “Falante Sagrado”, pois corresponde à purificação da parte falante do corpo do homem. E o valor da Luz Divina é o valor do falante na IVAF corpóreo. Isso significa que ele obtém a sensação dos outros de uma maneira que a medida da Luz sobre a medida do inanimado, vegetativo e animado espirituais é como a vantagem do falante corpóreo sobre o inanimado, o vegetativo e o animado corpóreos. E a Luz de Ein Sof, vestida neste Partzuf, é chamada de “Luz de Yechida”.
Na verdade, saiba que estas cinco Luzes (NRNHY) recebidas do mundo de Assia não são mais que NRNHY da Luz de Nefesh e não têm nada da Luz de Ruach. Isso ocorre porque a Luz de Ruach existe apenas no mundo de Yetzira, a Luz de Neshama existe apenas no mundo de Beria, a Luz de Haya apenas no mundo de Atzilut e a Luz de Yechida apenas no mundo de AK.
Mas tudo o que existe no geral também é encontrado no particular, até o mínimo detalhe possível. Assim, todos os cinco discernimentos, NRNHY, também existem no mundo de Assia, apesar de serem apenas NRNHY de Nefesh. Da mesma forma, todos os cinco discernimentos, NRNHY, encontram-se no mundo de Yetzira, que são as cinco partes de Ruach. Também há cinco discernimentos, NRNHY, no mundo de Beria, que são as cinco partes de Neshama. E assim é no mundo de Atzilut, que são as cinco partes da Luz de Haya; e também no mundo de AK, que são as cinco partes da Luz de Yechida. A diferença entre os mundos é como foi explicado anteriormente, considerando a diferença entre cada um dos NRNHY de Assia.
Saiba que o arrependimento e a purificação não podem ser aceitos se não forem totalmente permanentes, e que o homem não retornará à loucura, como está escrito: “Quando ocorre Teshuva (arrependimento)? Quando Aquele que conhece todos os mistérios assegurar que não haverá retorno à loucura”. Assim, como já mencionamos, se purifica a parte inanimada de seu desejo de receber, é recompensada com o Partzuf de Nefesh de Assia, sendo que ascende e reveste a Sefira de Malchut de Assia.
Isso significa que, certamente, receberá a purificação permanente da parte inanimada, de uma maneira que não retornará à loucura. Então, será capaz de ascender ao mundo espiritual de Assia, pois terá uma pureza definitiva e equivalência de forma com aquele mundo.
Mas quanto ao resto dos graus, conforme foi descrito como Ruach, Neshama, Haya e Yechida de Assia, correspondentes a eles, deve purificar as partes vegetativa, animada e falante de seu desejo de receber para que possam revestir e receber estas Luzes. Mas a pureza não necessita ser permanente, “até que Aquele que conhece todos os mistérios assegure que não haverá retorno à loucura”.
Isso é assim porque a totalidade do mundo de Assia, com as suas cinco Sefirot KHB TM, é na verdade apenas Malchut, que se relaciona apenas com a purificação do inanimado. E as cinco Sefirot são as cinco partes de Malchut.
Portanto, como já foi recompensada com a purificação da parte inanimada do desejo de receber, já possui a equivalência de forma com todo o mundo de Assia. Mas como cada Sefira do mundo de Assia recebe de seu discernimento correspondente dos mundos Acima dela, a Sefira de Tiferet de Assia recebe do mundo de Yetzira, que é toda Tiferet e a Luz de Ruach. E a Sefira de Bina de Assia recebe do mundo de Beria, que é toda Neshama. E a Sefira de Hochma de Assia recebe do mundo de Atzilut, que é toda Hochma e a Luz de Haya.
Assim, embora tenha purificado permanentemente apenas a parte inanimada, se ele purificou as três partes restantes de seu desejo de receber, mesmo que não de forma permanente, pode receber Ruach, Neshama, e Haya de Tiferet, Bina e Hochma de Assia, embora não permanentemente. Isso porque quando uma das três partes do seu desejo de receber desperta, perde imediatamente estas Luzes.
Assim, depois de ter purificado permanentemente a parte vegetativa de seu desejo de receber, ascende permanentemente ao mundo de Yetzira, onde atinge o grau permanente de Ruach. Aqui, também pode ainda atingir as Luzes de Neshama e Haya das Sefirot Bina e Hochma que ali se encontram, e são consideradas Neshama e Haya de Ruach, mesmo antes de lhe ter sido concedida a purificação permanente das partes animada e falante, como vimos no mundo de Assia. No entanto, isso não é permanente, pois depois de ter permanentemente purificado a parte vegetativa do desejo de receber, já está em equivalência de forma com a totalidade do mundo de Yetzira, no seu mais alto grau, como está escrito sobre o mundo de Assia.
Depois que purificar a parte animada de seu desejo de receber, e o transformar em desejo de doar, “até que Aquele que conhece todos os mistérios testemunhe que ele não retornará à loucura”, já estará em equivalência de forma com o mundo de Beria. Ele ascende e recebe a Luz permanente de Neshama. E através da purificação da parte falante de seu corpo, pode ascender até a Sefira de Hochma e receber a Luz de Haya que lá está, embora ainda não a tenha purificado permanentemente, como ocorreu com Yetzira e Assia. Mas a Luz também não brilha para ele permanentemente.
E quando é recompensado com a purificação permanente da parte falante de seu desejo de receber, recebe equivalência de forma com o mundo de Atzilut, ascende e recebe a Luz de Haya permanentemente. E quando é recompensado ainda mais, recebe a Luz de Ein Sof, sendo que a Luz de Yechida reveste a Luz de Haya, e não há mais nada a ser acrescentado aqui.
Assim, foi esclarecido o que havíamos perguntado: “Por que o homem necessita de todos os Mundos Superiores que o Criador criou para ele? Que necessidade tem o homem deles?” Agora é possível ver que uma pessoa não pode trazer contentamento ao seu Criador sem a ajuda de todos estes mundos. Isso porque atinge as Luzes e os graus da sua alma, chamados NRNHY, de acordo com a medida de pureza do seu desejo de receber. E com cada grau que alcança, as Luzes deste grau a ajudam na sua purificação.
Assim, ascende em graus até conseguir percorrer o caminho rumo ao objetivo final do Pensamento da Criação (item 33). Está escrito no Zohar (Noach, item 63) sobre o versículo: “Aquele que vem para ser purificado é ajudado”. E pergunta “Ajudado com o que?” E responde que é ajudado com uma alma santificada. Porque é impossível alcançar a purificação desejada pelo Pensamento da Criação, exceto pela assistência de todos os graus de NRNHY da alma.
E deve-se saber que, todos os NRNHY de que falamos até agora são as cinco partes pelas quais toda a realidade está dividida. Na verdade, tudo o que há na totalidade existe inclusive no menor elemento na realidade. Por exemplo, só na parte inanimada de Assia espiritual há cinco discernimentos de NRNHY a serem alcançados, que se relacionam com os cinco discernimentos gerais de NRNHY.
Desse modo, é impossível atingir até mesmo a Luz do inanimado de Assia, exceto através das quatro partes do trabalho. Sendo assim, não há uma só pessoa de Israel que possa se desculpar de se envolver em todas elas, de acordo com sua própria estatura. E uma pessoa deve se envolver em Torah e Mitzvot com intenção, para que possa receber o nível de Ruach correspondente à sua estatura. E deve se dedicar aos segredos da Torah, de acordo com sua estatura, para receber o nível de Neshama de acordo com isso. E o mesmo se aplica aos Taamim (sabores) das Mitzvot, porque é impossível completar até mesmo a menor Luz em Kedusha (santidade) sem eles.
Agora, é possível entender a aridez e a escuridão que se abateram sobre a nossa geração, como nunca vimos antes. Isso porque os adoradores do Criador abandonaram o envolvimento nos segredos da Torah.
RAMBAM (Maimônides) já havia falado sobre isso: “Se uma fila de mil cegos anda ao longo do caminho e há entre eles pelo menos um que possa ver, certamente seguirão o rumo certo sem cair nos poços e obstáculos, já que estão seguindo aquele que tem a visão, quer seja aquele que os guiam. Mas se este indivíduo não existir, irão certamente tropeçar em cada dificuldade no caminho, e todos cairão no abismo.
E isso acontece com a questão que nos é apresentada. Se os adoradores do Criador tivessem pelo menos se dedicado à interioridade da Torah, e estendido uma Luz completa desde Ein Sof, toda a geração os teria seguido. E todos estariam seguros do seu caminho, de que não iriam cair. Mas se até os servos do Criador se distanciaram desta sabedoria, não é nenhuma surpresa que toda a geração esteja caindo por causa deles. E devido à minha profunda tristeza eu não posso aprofundar nisso!
Na verdade, eu sei a razão: é principalmente porque a fé em geral diminuiu, especificamente a fé nos homens santos, os sábios de todas as gerações. E os livros de Cabalá e O Zohar estão repletos de parábolas corpóreas. Por essa razão, as pessoas estão receosas de perder mais do que ganhar, porque poderiam facilmente falhar com a materialização. E foi isso que me levou a compor uma interpretação suficiente dos escritos do Ari e agora do Sagrado Zohar. Eu removi completamente essa preocupação, pois expliquei e provei, de forma evidente, o sentido espiritual de tudo, que é abstrato e desprovido de qualquer imagem corpórea, acima do espaço e do tempo, como os leitores verão, para permitir, a todos de Israel, o estudo do Zohar, e se aquecerem com sua Luz Santa.
E chamei esse comentário de Sulam (Escada), para mostrar que o propósito deste é como a finalidade de qualquer escada: se você tem um sótão cheio de abundâncias, tudo que precisa é de uma escada para alcançá-lo. Então, todas as riquezas do mundo estarão em suas mãos. Mas a escada não é o fim em si mesmo, porque se você parar num degrau do percurso e não alcançar o sótão, o seu objetivo não será alcançado.
E o mesmo ocorre com o meu comentário sobre O Zohar, porque o caminho para esclarecer completamente as suas mais profundas palavras ainda não foi criado. No entanto, com meu comentário, eu construí um caminho e uma entrada para qualquer pessoa, por meio dos quais é possível ascender, mergulhar e examinar minuciosamente O Livro do Zohar, pois só assim o meu objetivo com este comentário será concluído.
E todos aqueles que conhecem os meandros do sagrado Livro do Zohar, ou seja, que entendem o que está escrito nele, concordam unanimemente que o sagrado Livro do Zohar foi escrito pelo Santo Tanna (sábio) Rav Shimon Bar Yochai. Apenas aqueles que estão longe desta sabedoria duvidam desta origem e tendem a dizer, com base em lendas fabricadas pelos oponentes desta sabedoria, que o seu autor é o Cabalista Rav Moshe de Leon, ou outro de seus contemporâneos.
Quanto a mim, desde o dia em que fui agraciado, pela Luz do Criador, com a visão deste livro sagrado, não passou pela minha mente questionar a sua origem, pela simples razão de que o conteúdo do livro traz ao meu coração o mérito do Tanna Rashbi (Rav Shimon Bar Yochai) mais do que qualquer outro dos sábios. E se eu pudesse ver claramente que o seu autor seria qualquer outro nome, como o Rav Moshe de Leon, eu louvaria o mérito do Rav Moshe de Leon mais do que qualquer outro dos sábios, inclusive Rashbi.
Na verdade, ao julgar pela profundidade da sabedoria no livro, se eu descobrisse claramente que seu escritor fosse um dos quarenta e oito profetas, consideraria muito mais aceitável do que relacioná-lo a um dos sábios. E mais ainda, se eu descobrisse que o próprio Moisés o tinha recebido do Criador no Monte Sinai, minha mente estaria realmente em paz, pois uma obra como esta é digna Dele. Por essa razão, já que eu fui abençoado com a compilação de uma interpretação suficiente que permite a cada um, que examine o livro, receber algum entendimento do que está ali escrito, creio que fico dispensado de qualquer esforço adicional neste exame, pois qualquer pessoa que seja conhecedora do Zohar aceitará agora que ninguém menos do que o Tanna Rashbi seja seu autor.
Consequentemente surge uma questão: “Por que O Zohar não foi revelado para as primeiras gerações, cujo mérito era, sem dúvida, muito maior que as seguintes, e também mais merecedoras?” Devemos ainda perguntar: “Por que o comentário sobre O Livro do Zohar não foi revelado antes da época do Ari e para os Cabalistas que o precederam”? E a questão mais espantosa: “Por que os comentários sobre as palavras do Ari e do Livro do Zohar não foram revelados desde os dias do Ari até a nossa geração”?
A resposta é que o mundo, durante os seis mil anos de sua existência, é como um Partzuf dividido em três partes: Rosh (cabeça), Toch (interior) e Sof (fim), ou seja, HBD (Hochma, Bina e Daat), HGT (Hesed, Gvura e Tiferet) e NHY (Netzach, Hod e Yessod). Isso é o que os sábios escreveram: “Dois milênios de Tohu (caos), dois milênios de Torah e dois milênios dos dias do Messias” (Sanhedrin 97a).
Nos primeiros dois milênios, considerados Rosh e HBD, as Luzes eram muito pequenas. Eram considerados como Rosh sem Guf (corpo), tendo apenas Luzes de Nefesh. Isso porque existe uma relação inversa entre Luzes e vasos: com os Kelim (vasos) a regra é que os primeiros Kelim crescem primeiro em cada Partzuf e com as Luzes é o oposto: as Luzes menores vestem primeiro o Partzuf.
Assim, enquanto apenas as partes superiores estão nos Kelim, ou seja, os Kelim HBD, apenas as Luzes de Nefesh aí se revestem, que são as menores Luzes. É por isso que está escrito que os primeiros dois milênios são considerados Tohu. E nos seguintes dois milênios do mundo, que são os Kelim de HGT, a Luz de Ruach desce e reveste o mundo considerado como Torah. É por isso que se diz que os dois milênios do meio são Torah. E os dois últimos milênios são os Kelim de NHYM (Netzach, Hod, Yessod e Malchut). Consequentemente, neste período, a Luz de Neshama reveste o mundo, sendo a maior Luz, pois estes são os dias do Messias.
Esta é também a conduta em cada Partzuf particular. Nos seus vasos de HBD, HGT, através do seu Chaze (peito), as Luzes estão cobertas e não começam a brilhar, o que significa que o surgimento da sublime Luz de Hochma ocorre apenas do Chaze para baixo, em seu NHYM. Esta é a razão pela qual antes dos Kelim de NHYM começarem a aparecer no Partzuf do mundo, que são os dois últimos milênios, a sabedoria do Zohar em particular e a sabedoria da Cabalá em geral permaneceram ocultas do mundo.
Mas durante o tempo do Ari, quando o tempo de conclusão dos Kelim abaixo do Chaze tinha se aproximado, a Luz da sublime Hochma foi revelada ao mundo através da alma do Divino Rav Isaac Luria (o Ari), que estava pronto para receber esta grande Luz. Assim, ele revelou os fundamentos do Livro do Zohar e a sabedoria da Cabalá, até que ofuscou todos os seus antecessores.
No entanto, como estes Kelim ainda não estavam completos (já que ele faleceu em 1572), o mundo ainda não era digno de descobrir suas palavras, e suas santas palavras foram conhecidas apenas por uns poucos escolhidos, que foram proibidos de repassá-las ao mundo.
Agora, na nossa geração, como estamos próximos do final dos dois últimos milênios, nós recebemos a permissão de revelar suas palavras e as palavras do Zohar em todo o mundo e em grande escala, de maneira que da nossa geração em diante as palavras do Zohar serão progressivamente reveladas ao mundo, até que a sua totalidade seja revelada, como deseja o Criador.
Agora é possível entender que realmente não há fim para o mérito das primeiras gerações sobre a última, pois esta é a regra em todos os Partzufim (plural para Partzuf) dos mundos e das almas, que o mais puro é o primeiro a ser selecionado para o Partzuf. Dessa forma, os Kelim mais puros (HBD) foram selecionados primeiro no mundo e nas almas.
Então, as almas nos primeiros dois milênios eram muito Superiores. Todavia, não podiam receber a medida completa da Luz, devido à falta das partes inferiores no mundo e nelas mesmas, que são HGT NHYM.
Posteriormente, nos dois milênios do meio, quando os Kelim de HGT foram selecionados no mundo e nas almas, as almas eram realmente muito puras, em si mesmas. Isso é porque o mérito dos Kelim de HGT está próximo ao de HBD. Todavia, as Luzes ainda estavam ocultas no mundo, devido à ausência dos Kelim de Chaze para baixo, no mundo e nas almas.
Portanto, a nossa geração (embora a essência das almas seja a pior, razão pela qual não puderam ser selecionadas para Kedusha até então) é a que completa o Partzuf do mundo e o Partzuf das almas em respeito aos Kelim, e o trabalho é completado apenas através dela.
Isso é porque agora, quando os Kelim de NHY estão sendo completados, e todos os Kelim, Rosh, Toch, Sof estão no Partzuf, medidas completas de Luz, em Rosh, Toch, Sof, estão sendo estendidas a todos os que são dignos, ou seja, NRN completos. Assim, apenas depois da finalização destas almas baixas é que as Luzes Mais Altas podem se manifestar, e não antes.
De fato, até nossos sábios fizeram esta pergunta (Masechet Berachot, p 20): “Rav Papa disse a Abayei: ‘Como os primeiros eram diferentes, um milagre aconteceu com eles. Por que somos diferentes e um milagre não acontece conosco’? Isso se deve ao estudo? Durante os anos de Rav Yehuda, todo o estudo era em Nezikin, ao passo que nós aprendemos os seis volumes (a Mishná inteira). E quando Rav Yehuda mergulhou em Okatzin, disse: ‘Eu vi o Rav e Shmuel lá, ao passo que estamos aprendendo treze Yeshivot em Okatzin. E quando o Rav Yehuda tirou um sapato, a chuva veio, ao passo que nós atormentamos nossas almas e gritamos, e ninguém repara em nós’. Ele respondeu: ‘Os primeiros deram suas almas à santidade do Senhor’”.
Assim, embora seja óbvio, tanto para quem pergunta quanto para quem responde, que os primeiros eram mais importantes que eles, com respeito a Torah e a sabedoria, o Rav Papa e Abayei eram mais importantes que os primeiros. Portanto, embora as primeiras gerações fossem mais importantes que as últimas gerações na essência de suas almas, porque o mais puro é escolhido para vir primeiro ao mundo, com respeito a sabedoria da Torah, é cada vez mais revelada nas últimas gerações. Isso é assim pela razão já mencionada, que a medida geral é concluída especificamente por estes últimos. É por isso que mais Luzes completas são estendidas a eles, embora a sua própria essência seja muito pior.
Dessa forma, podemos perguntar: “Por que é proibido discordar dos primeiros na Torah revelada?” Porque, com respeito à parte prática das Mitzvot, é o oposto, os primeiros eram mais completos nelas que os últimos. Isso é porque a ação estende-se dos Kelim sagrados das Sefirot. Já os segredos da Torah e os Taamim (sabores) da Mitzva estendem- se das Luzes nas Sefirot.
É sabido que existe uma relação inversa entre Luzes e vasos: nos Kelim, os Superiores crescem primeiro (veja Item 62), razão pelo qual os primeiros eram mais completos na parte prática que os últimos. Mas com às Luzes, onde os inferiores entram primeiro, os últimos são mais completos que os primeiros.
Tenha em mente que em tudo há interioridade e exterioridade. No mundo em geral, Israel, os descendentes de Abraão, Isaac e Jacó, são considerados a interioridade do mundo, e as setenta nações são consideradas a exterioridade do mundo. Da mesma forma, há interioridade dentro dos próprios de Israel, que são os trabalhadores sinceros do Criador, e há exterioridade – os que não devotam a si mesmos ao trabalho do Criador.
Entre as nações do mundo, também há interioridade, que são os Justos das Nações do Mundo, e há exterioridade, que são os rudes e prejudiciais entre eles.
Além disso, entre os servos do Criador (os Filhos de Israel) há interioridade, sendo assim recompensados com a compreensão da alma na interioridade da Torah e seus segredos, e também há exterioridade, quer seja simplesmente observam a parte prática da Torah.
Também há interioridade em cada pessoa de Israel – o Israel interior – que é o ponto no coração, e exterioridade – que são as Nações do Mundo internas, o próprio corpo. Mas as Nações do Mundo internas nessa pessoa são consideradas prosélitos entre as Nações do Mundo, que vieram e se apegaram ao todo de Israel.
Quando uma pessoa de Israel aumenta e dignifica a sua interioridade, que é Israel nessa pessoa, acima da exterioridade, que são as Nações do Mundo nela, isto é, quando a pessoa dedica a maioria de seus esforços a aumentar e exaltar a sua interioridade, para beneficiar a sua alma, e realiza esforços menores, a mera necessidade, para sustentar as Nações do Mundo nela, ou seja, as necessidades do corpo, como está escrito (Avot, 1): “Torna tua Torah permanente e teu trabalho temporário”, ao fazer isso, também faz com que os Filhos de Israel se elevem acima, ou seja, na interioridade, e as Nações do Mundo, que são a exterioridade, a reconhecem e confirmam o valor dos Filhos de Israel.
E se, Deus proíba, for o contrário, e um indivíduo de Israel aumenta e aprecia a sua exterioridade, que são as Nações do Mundo nele, mais que o Israel interno nele, como está escrito (Deuteronômio 28): “O estrangeiro que está no meio de ti”, ou seja, a exterioridade nessa pessoa se eleva e emerge, e a interioridade, Israel em si, mergulha até o fundo. Então, com estas ações, faz com que a exterioridade do mundo em geral – as Nações do Mundo – se elevem ainda mais alto e superem Israel, degradando-os até ao chão, e os Filhos de Israel, a interioridade no mundo, mergulham ainda mais fundo.
Não fique surpreso que as ações de uma pessoa tragam elevação ou declínio ao mundo inteiro, pois é uma lei inquebrável que o geral e o particular são iguais como duas ervilhas numa vagem. E tudo o que se aplica no geral, se aplica no particular, pois o geral pode surgir apenas depois do surgimento das partes nele, de acordo com a quantidade e qualidade das partes. Evidentemente, o valor de um ato de uma parte eleva ou declina o conjunto inteiro.
Isso irá esclarecer o que está escrito no Zohar, que pelo envolvimento no Livro do Zohar e na sabedoria da verdade, serão recompensados com a completa redenção do exílio (Tikunim, fim do Tikun No. 6). Surge a seguinte indagação: o que tem o estudo do Zohar a ver com a redenção de Israel entre as nações?
Do acima exposto, pode-se entender com detalhe que a Torah também contém interioridade e exterioridade, como o mundo inteiro. Dessa forma, a pessoa que se envolve na Torah também tem estes dois graus. Quando aumenta seu trabalho na interioridade da Torah e seus segredos, nessa medida, faz a virtude da interioridade do mundo – que é Israel – elevar-se acima da exterioridade do mundo, que são as Nações do Mundo. E todas as nações admitirão e reconhecerão o mérito de Israel sobre elas, até a realização das palavras: “E os povos os receberão, e os levarão aos seus lugares: e a casa de Israel os possuirá na terra do Senhor” (Isaías 14, 2); e também: “Assim diz o Senhor Deus: Eis, que levantarei a minha mão às nações (gentios), e ante os povos arvorarei a minha bandeira; então trarão os teus filhos nos braços, e as tuas filhas serão levadas sobre os ombros” (Isaías 49, 22).
Mas se, Deus proíba, for o contrário, e uma pessoa de Israel menospreza a virtude da interioridade da Torah e seus segredos, que lida com a conduta de nossas almas e seus graus. É possível a percepção dos sabores das Mitzvot quanto à vantagem da exterioridade da Torah, que lida apenas com a parte prática? Da mesma forma, mesmo que a pessoa se envolva ocasionalmente com a interioridade da Torah, e dedique-se um pouco do seu tempo a ela, quando não é nem noite ou dia, como se isso fosse redundante, assim desonra e degrada a interioridade do mundo, que são os Filhos de Israel, e aumenta a exterioridade do mundo – isto é, as Nações do Mundo – sobre eles. Elas irão humilhar e envergonhar os Filhos de Israel, e considerarão Israel como supérfluo, como se o mundo não tivesse necessidade deles, Deus proíba.
Além disso, dessa forma, até a exterioridade nas Nações do Mundo dominará a interioridade, pois os piores entre as Nações do Mundo, os prejudiciais e destruidores do mundo, se elevam acima da interioridade, que são os Justos das Nações do Mundo. Então, são feitos toda a ruína e massacre hediondo que nossa geração testemunhou, que Deus nos proteja daqui em diante.
Assim, vê-se que tanto a redenção como a elevação de Israel, dependem do estudo do Zohar e da interioridade da Torah. E vice-versa, toda a destruição e declínio dos Filhos de Israel são porque abandonaram a interioridade da Torah. As Nações do Mundo degradaram seu mérito e a tornaram aparentemente redundante.
Isso é o que está escrito nos Tikunim (correções) do Zohar (Tikun 30): “Despertem e elevem-se pela Santa Divindade, pois vocês têm um coração vazio, sem o entendimento para saber e alcançá-la, embora ela esteja dentro de vocês”. O significado disso é, como está escrito (Isaías 40), que uma voz clama no coração de cada um de Israel, para chorar e orar pela elevação da Santa Divindade, que é o conjunto de todas as almas de Israel. Mas a Divindade diz: “Eu não tenho força para me levantar do pó, pois ‘toda a carne é grama’, eles são todos como bestas, comendo feno e grama”. Isso significa que eles observam as Mitzvot sem pensar, como bestas. Nesse sentido, “ a divindade é como a flor do campo, todavia eles, todas as boas ações que fazem, fazem para si”.
Isso significa que, embora executem as Mitzvot, não têm intenção de fazê-las de forma a trazer prazer ao seu Criador. Em vez disso, eles mantêm todas as Mitzvot apenas em seu benefício próprio, sendo que até os melhores entre eles, que dedicam todo seu tempo ao envolvimento na Torah, fazem isso apenas para beneficiar seus próprios corpos, sem a direção desejável – de trazer contentamento ao seu Criador.
É dito sobre a geração deste tempo: “Um espírito abandona e não voltará ao mundo”, ou seja, o espírito do Messias, que deve livrar Israel de todos seus problemas até à completa redenção, para manter as palavras, ‘pois a terra estará cheia do conhecimento do Senhor’. Este espírito partiu e não brilha no mundo.
Ai dos que fazem o espírito do Messias partir e abandonar o mundo, e não poder voltar ao mundo. Eles são os que tornam a Torah árida, sem qualquer humidade de compreensão e razão. Limitam-se à parte prática da Torah, e não desejam tentar compreender a sabedoria da Cabalá, isto é, saber e compreender os segredos da Torah e o sabor da Mitzva. Ai deles, pois com estas ações provocam a existência da pobreza, ruína, roubo, saque, matança, e destruições no mundo.
A razão de suas palavras é que, como foi explicado, quando todos os que se envolvem na Torah degradam a sua própria interioridade e a interioridade da Torah, deixando-a como se fosse redundante no mundo, e se envolvem nela apenas quando não é nem dia nem noite, e neste respeito, são como cegos tateando a parede e, com isso, intensificam a sua própria exterioridade, ou seja, o benefício de seus próprios corpos. Da mesma forma, consideram a exterioridade da Torah mais elevada que a interioridade da Torah. E com estas ações, fazem com que todas as formas de exterioridade no mundo dominem todas as partes internas no mundo, cada uma de acordo com sua essência.
Isso é assim porque a exterioridade no todo de Israel, ou seja, as Nações do Mundo neles, domina e revoga a interioridade no todo de Israel, que são os que são grandes na Torah. Da mesma forma, a exterioridade nas Nações do Mundo – os destruidores entre eles – intensificam e revogam a interioridade entre eles, que são os Justos das Nações do Mundo. Além disso, a exterioridade do mundo inteiro, sendo as Nações do Mundo, intensificam e revogam os Filhos de Israel – a interioridade do mundo.
Em tal geração, todos os destruidores entre as Nações do Mundo levantam suas cabeças e desejam primeiro destruir e matar os Filhos de Israel, como está escrito (Yevamot 63): “Nenhuma calamidade vem ao mundo a não ser por Israel”. Isso significa que, como está escrito nas correções acima, causam pobreza, ruína, roubo, matança, e destruição no mundo inteiro.
E mediante nossos muitos defeitos, testemunhamos tudo o que é dito nos Tikunim acima e, sobretudo, o julgamento golpeou os melhores de nós, como nossos sábios disseram (Baba Kama 60): “E começa primeiro com os justos”. E de toda a glória que Israel tinha em países como a Polônia e Lituânia, etc., sobram apenas as relíquias em nossa Terra Santa. Agora depende de nós, relíquias, corrigir esse terrível erro. Cada um de nossos remanescentes deve tomar para si, de agora em diante, com todo seu coração e alma, a intensificação da interioridade da Torah, dando-lhe seu lugar justo, de acordo com seu mérito sobre a exterioridade da Torah.
Então, cada um de nós será recompensado com a intensificação de sua própria interioridade, ou seja, Israel dentro de nós, que são as necessidades da alma sobre a nossa própria exterioridade, que são as Nações do Mundo dentro de nós, isto é, as necessidades do corpo. Esta força virá a todo o Israel, até que as Nações do Mundo, dentro de nós, admitam e reconheçam o mérito dos grandes sábios de Israel sobre elas, os escutem e obedeçam.
Da mesma forma, a interioridade das Nações do Mundo (os Justos das Nações do Mundo) irá subjugar e submeter sua exterioridade, que são os destruidores. E também a interioridade do mundo, que é Israel, se elevará em todo seu mérito e virtude sobre a exterioridade do mundo, que são as nações. Então, todas as nações do mundo irão admitir e reconhecer o mérito de Israel sobre elas.
E seguirão as palavras (Isaías 14, 2): “E o povo os tomará, e irá trazê-los a seu lugar: e a casa de Israel irá possuí-los na terra do Senhor”. E também (Isaías 49, 22): “E eles trarão teus filhos em seus braços, e tuas filhas serão carregadas sobre seus ombros”. Isso é o que está escrito no Zohar (Naso, p 124b), “através desta composição”, que é O Livro do Zohar: “eles serão libertos do exílio com misericórdia”. Amém, que assim seja.
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4 Nota do tradutor: por Nefesh ele quer dizer o primeiro grau em NRNHY.
5 Nota do tradutor: Mitzvot positivas são preceitos que você tem que realizar em ação, e Mitzvot negativas são preceitos que você tem que observar ao evitar certas ações.