O Poder do Livro do Zohar
Capítulo 15
09 de Julho de 2010 30:28min
Transcrição:
Texto para Legenda
*ENTREVISTADOR*
Queridos amigos, olá.
Continuamos a ler o Livro do Zohar. Tentamos utilizar este livro para que nos ajude a encontrar, nesta nossa vida, um modo de existência mais perfeito do que aquele em que vivemos até agora.
Dizem-nos que este livro possui uma certa força que nos ajudará a conseguir isso.
Convidámos para o nosso estúdio o professor Michael Laitman. Boa tarde, Rav.
*RAV*
Boa tarde. Que nos ajudará.
*ENTREVISTADOR*
Então, vamos abrir o livro... onde ele se abrir.
Aqui está, abriu-se.
Abriu-se, o livro está agora aqui.
É assim, que nos querem contar sobre isto agora? Onde se abriu?
*RAV*
Bem, podes abri-lo noutro lugar e encontrar praticamente o mesmo.
O livro fala sempre da mesma coisa: como podemos entrar em contato com o Criador.
*ENTREVISTADOR*
Não temos mais nenhum problema no nosso mundo além do contato?
*RAV*
Exatamente. Encontrá-lo, revelá-lo.
Ele é o único que governa com a força superior.
Se estou em contato com Ele, então sei por que tudo me acontece.
Quem sou eu, quais serão os meus estados futuros.
Sou praticamente um Wolf Messing para mim mesmo... ou talvez outra pessoa qualquer.
E ao mesmo tempo estou com uma varinha mágica...
E também com um peixe dourado nos dentes.
Resumindo: sou tudo.
Se apenas tiver contato com o Criador, estarei provido de tudo: conhecimento, sentimentos, presente, futuro.
Sem aventuras, sem sofrimentos.
Então, tudo está nas minhas mãos.
Contato.
Ou seja, há contato.
*ENTREVISTADOR*
Vamos ler o trecho que se abriu.
*RAV*
"A Nekeva, ela mesma é chamada de serpente.
A esposa adúltera.
O fim de toda carne, o fim dos dias."
Aqui está o contato.
Vejam, procuravam contato e nós o encontramos.
"Ela une-se ao espírito do princípio masculino.
E veste-se com inúmeros adornos.
Semelhante..." — perdoem-me — "...às meretrizes desprezíveis."
*ENTREVISTADOR*
Escreve-nos o Livro do Zohar.
*RAV*
O Livro do Zohar não diz "perdoem-me". Não adiciones as tuas palavras.
Sem "perdoem-me".
*ENTREVISTADOR*
Perdoem-me por ter dito "perdoem-me".
*RAV*
O Livro do Zohar fala claramente sobre o que acontece, sem constrangimentos.
Semelhante às meretrizes desprezíveis, que se colocam nos cruzamentos de estradas e caminhos para seduzir as pessoas.
E isso ensina-nos que ela busca apenas os que começam a trilhar o caminho do Criador...
Que podem cair na sua armadilha.
*ENTREVISTADOR*
Então, a primeira coisa que me vem à mente...
É sobre Tamar, que seduziu Judá exatamente assim, num cruzamento.
Tens exemplos... bons exemplos.
Este é um rapaz educado.
Ou talvez simplesmente mal-educado, se me lembro bem.
Isso realmente é uma questão que vem daquele livro e daquela história.
*RAV*
Sim, claro.
*ENTREVISTADOR*
O que é isso?
*RAV*
Há muitos exemplos assim.
Com Boaz e assim por diante.
*ENTREVISTADOR*
Ou seja, por que isso acontece?
*RAV*
Fala-se aqui do nosso egoísmo.
Do nosso desejo.
Que captura para si pequenos prazeres temporários...
E os vê como objetivo.
Ou seja, devemos fornecer ao nosso organismo um preenchimento adequado, graças ao qual ele existe.
Fisiologicamente.
E se lhe dermos isso na medida necessária...
Naquela que...
Bem, na que lhe é essencial.
Sabes, como quando tens de alimentar um cavalo e depois usá-lo.
Aqui é o mesmo.
Ou seja, tens de dar ao corpo alguns preenchimentos.
E então ele pode trabalhar.
Nesse caso, isso não é considerado algo mau.
É um preenchimento necessário, como é chamado na Kabbalah.
E a Kabbalah fala sobre isso.
Que a primeira coisa em que uma pessoa deve pensar é isso.
Por isso está dito: "Sem pão, não há Torá."
*ENTREVISTADOR*
Em que pensar primeiro?
*RAV*
Ou seja, fornecer ao corpo o que lhe é necessário.
Para que ele possa existir normalmente, fisicamente e fisiologicamente.
*ENTREVISTADOR*
E que truque é esse, que Tamar se disfarçou como essa meretriz?
*RAV*
Espera, um segundo.
Se começas a relacionar-te com o teu egoísmo...
Não como um motor que deve levar-te adiante,
No qual estás sentado como um homem,
Controlando-o, como um cavaleiro sobre um cavalo...
Mas quando o teu burro te governa...
Então é mau.
Nesse caso, esse egoísmo assemelha-se a uma meretriz.
Que apenas espera encontrar uma forma de tirar o máximo possível...
Deste mundo, talvez até do mundo espiritual.
E nisso reside toda a questão da tua relação com a vida.
Então, isso assemelha-se a essa meretriz.
Que está apenas à espreita para apanhar os outros.
Que tenta usar todos os anseios, todos os desejos, todos os pensamentos da pessoa...
Para viver assim a vida, preenchendo-se e esvaziando-se de imediato.
Sabemos que isso nunca é eterno.
E é sempre passageiro.
E, no fim das contas, traz apenas vazio.
É por isso que nos falam sobre isso.
Que há uma esposa fiel.
Há, por assim dizer, uma companheira leal de batalha.
*RAV*
Com quem segues em frente?
Ou seja, o teu egoísmo, quando trabalha corretamente e te auxilia,
é-te fiel no caminho, na conquista do objetivo.
E há a meretriz, que apenas quer lucrar contigo, tirar proveito para si.
Ela não se importa com quem tu és, o que és, quais são os teus objetivos.
Ela não é tua companheira de jornada rumo ao objetivo.
Ela existe para arrancar, gastar, vender, perder...
E depois voltar e fazer o mesmo com outro.
Ou seja, com outro dos teus desejos.
Em resumo, não importa como usar todas as tuas motivações.
E o ser humano é feito, naturalmente, de todos os desejos,
de todas as intenções,
de todas as possibilidades.
E, por isso, deve estar atento a si mesmo.
Para que esta meretriz — ou seja, a atitude perante a vida —
não ultrapasse os limites do necessário,
e não o leve a se envolver apenas com objetivos e preenchimentos externos e temporários.
E, no final, desperdice a vida.
Desperdice a vida.
*ENTREVISTADOR*
Então vejamos o que ela faz aqui, a meretriz.
*RAV*
"Ao tolo que se aproxima dela,
ela detém, beijando-o e servindo-lhe vinho
cheio do resíduo de um veneno mortal de víboras.
E quando ele bebe, ele se entrega à devassidão com ela,
depois que ela percebe que ele foi arrastado para a devassidão
e desviou-se do caminho da verdade,
ela se desfaz de todas as correções com as quais se apresentou ao tolo."
Ou seja, de tudo com que o seduziu.
A sua correção para seduzir as pessoas.
*ENTREVISTADOR*
Sim, com todo tipo de adornos.
Como se fosse agradável, atraente e assim por diante.
E então ela se desfaz de tudo isso,
e a pessoa fica sozinha com algo terrível.
Isso soa como uma contradição.
Correção por um lado, sedução por outro.
*RAV*
Mas como se pode seduzir, senão através das próprias correções?
Ou seja, com adornos.
A mulher adorna-se para seduzir o homem.
*ENTREVISTADOR*
Onde estão as correções?
*RAV*
Esses adornos são a correção da sua aparência natural, instintiva e egoísta.
*ENTREVISTADOR*
Ah, então são correções?
*RAV*
Sim.
*ENTREVISTADOR*
Não entendo muito bem... por que meretriz?
*RAV*
O seu desejo original é desviar os desejos egoístas da pessoa,
e desde o início afastá-la do caminho do desenvolvimento espiritual.
*ENTREVISTADOR*
Como é possível fixar esses desejos na pessoa
para lhe mostrar que vale a pena ocupá-los,
em vez do verdadeiro, eterno e perfeito objetivo?
*RAV*
É preciso mostrar-lhe que nesses desejos existe algum grande preenchimento,
algumas grandes metas, que há algo elevado, algo que lhe é necessário,
indispensável — e não apenas um pequeno contato passageiro.
Por isso, ela veste-se, adorna-se, assume uma aparência tal
que faz a pessoa acreditar que, sim, neste mundo também há múltiplos objetivos.
Tenho de ser um cientista, tenho de ser um grande mestre em algo,
tenho de ter uma família, filhos, tenho de, tenho de, tenho de, tenho de...
Tenho de tudo para todos, tenho de tudo para mim — e, no fim...
Isso é todo o seu adorno.
*ENTREVISTADOR*
Porque deveria eu ocupar-me com algo tão abstrato como a Kabbalah?
Com almas... não sei nem para que serve isso.
*RAV*
Preciso construir-me, viajar, descansar no estrangeiro, e assim por diante.
Em resumo, ela atrai a pessoa e fragmenta sua vida
em milhares e milhares de metas deste tipo.
*ENTREVISTADOR*
Sim.
*RAV*
Assim que ele morde a isca, ela o atrai ainda mais.
*ENTREVISTADOR*
Bem, vemos isso em nós mesmos e sabemos disso pela nossa vida.
Sim, vamos continuar.
*RAV*
Vamos.
Aqui há simplesmente... como dizer...
*ENTREVISTADOR*
O quê, uma tragédia?
*RAV*
Uma variedade dessas correções que ela preparou para ele.
*ENTREVISTADOR*
Sim.
*RAV*
Aqui estão elas:
"Os seus cabelos corrigidos são vermelhos..."
"Os seus cabelos corrigidos são vermelhos, como uma rosa."
*ENTREVISTADOR*
As cores do seu rosto... então ela é ruiva, é isso?
*RAV*
Sim, ela é naturalmente ruiva.
"A cor do seu rosto é branca com vermelho."
*ENTREVISTADOR*
Bem, isso é claro.
*RAV*
"Nas suas orelhas pendem seis correções feitas de tecido egípcio.
Na sua nuca sustentam-se todas as forças da terra do Oriente."
*ENTREVISTADOR*
Que terra do Oriente é essa?
*RAV*
Babilónia, Índia depois dela, e depois a China.
Ou seja, de onde vêm todos esses encantamentos.
*ENTREVISTADOR*
Pois bem?
*RAV*
"Os seus lábios ligeiramente entreabertos numa fina linha.
Belos nas suas correções."
*ENTREVISTADOR*
Sim, vês, eles sabiam como escrever.
*RAV*
Os sábios do Zohar, sentados na caverna, escreveram sobre isso.
Claro, eles compreendiam perfeitamente as propriedades
dos princípios masculino e feminino no nosso mundo.
E por isso podiam descrever tudo corretamente.
*ENTREVISTADOR*
E nós, no nosso mundo, somos como bonecos.
Tanto homens como mulheres.
*RAV*
E brincamos, cumprindo a vontade das forças que eles descreveram.
*RAV*
E isso manifesta-se na nossa vida.
Dependendo, claro, das gerações.
Dependendo da intensidade do desejo egoísta,
que, ao despertar, assume diferentes formas.
Hoje não encontras jovens que se maquilhem da mesma forma que há cem anos atrás.
Ou que se vistam — especialmente ao contrário.
Tudo tornou-se mais simples.
*ENTREVISTADOR*
Não só mais simples... mas provocador.
*RAV*
Provocador, sim.
Provocador e vulgar.
E é justamente isso que hoje se considera atraente.
*ENTREVISTADOR*
Ou seja, parece que não faz sentido.
Tudo ultrapassou certos limites.
*RAV*
Esses limites já não existem.
A mulher hoje já não se adorna, de um modo geral.
Pelo contrário, tenta mostrar-se de outra forma.
*ENTREVISTADOR*
Sem adornos.
*RAV*
Sim, e não apenas sem adornos.
Mas até de uma maneira mais crua.
Quase o oposto... mostrar a sua verdadeira natureza.
Ou seja, já passamos para um estado de egoísmo,
onde ele considera que o seu estado não adornado tem valor próprio.
*ENTREVISTADOR*
Há uma certa verdade nisso.
*RAV*
Naturalmente, há verdade nisso.
Mas isso indica que descemos a um nível tal,
que o próprio egoísmo não adornado tornou-se para nós a norma, a verdade,
a força de atração — e aceitamos existir nele.
Ou seja, isso é um tipo de "pó", como falamos na transmissão anterior.
*ENTREVISTADOR*
Sim, já é um pó que não pode ser adornado.
Não importa o que vistas numa múmia, ela continuará morta.
*RAV*
Vou continuar, pois agora vem algo muito belo:
"A sua língua é como uma lâmina afiada.
As suas palavras fluem suavemente.
Os seus lábios são belos, vermelhos como uma rosa.
Ela é mais doce do que todas as doçuras do mundo.
Está vestida de púrpura e apresenta-se com quarenta correções menos uma."
*ENTREVISTADOR*
Menos uma.
*RAV*
Quase ao nível de Biná,
quase ao nível da doação e do amor,
faltando apenas um último detalhe.
E é com isso que ela te captura.
E tu vais até ela, confiante, aceitando,
pronto para a união e fusão com ela.
E quando chegas a isso, no fundo, ativa-se
aquele único e faltante elo.
Quarenta menos um — este menos um.
E ela simplesmente te absorve.
*ENTREVISTADOR*
Não compreendo... estamos a aproximar-nos da armadilha através de tudo isto?
Elevamo-nos — parece-nos que estamos a elevar-nos.
Mas, na verdade, caímos numa armadilha.
*RAV*
O que torna a armadilha atraente?
Ela diz-te: "Eu tenho tudo."
Apenas este único ponto faltante, este elemento de correção,
tu não consegues ver por entre todos os outros.
*RAV*
E é assim que ela te captura.
*ENTREVISTADOR*
Então, qual é o nosso verdadeiro problema?
Como podemos perceber essa única peça em falta
e fazer com que a sua ausência nos previna de cair na tentação?
*RAV*
Unir-nos a esse egoísmo.
Compreender que ele é finito e destrutivo
justamente porque nele há 39 correções,
ornamentos de todo tipo,
mas falta-lhe a principal, a mais interna.
Por isso é pouco visível, imperceptível, não existe, está ausente.
*ENTREVISTADOR*
Então, o que fazer?
Como lidar com esta situação?
*RAV*
Aqui, devemos confiar apenas no ambiente à nossa volta,
no meio que nos rodeia.
O ser humano, por si só, não consegue ver essas tentações, essas forças,
que o enfraquecem em todas as suas outras iniciativas
e que continuamente o direcionam apenas para o egoísmo.
Elevar-se de forma a agarrar-se apenas a esse único e faltante 40º elemento
só é possível se renunciares completamente aos outros 39,
deixando-os apenas como algo que te acompanha.
Mas o principal é o 40º —
quando estás totalmente ligado ao meio, ao grupo,
às pessoas que seguem o mesmo objetivo,
e confias nelas incondicionalmente,
integrando-te completamente nelas
E então, todas as tuas propriedades egoístas,
sejam elas quais forem — nos sentimentos, na razão —
entregas tudo a eles.
*ENTREVISTADOR*
Ou seja, se uma parte da humanidade se interessasse agora em
unir-se em torno desta ideia e começasse a praticá-la,
lendo estes livros...
*RAV*
Então essa união, essa leitura,
a união de todos como um só, protegeria contra todas as outras tentações,
as diversas direções na ciência, na arte, na família, em tudo...
Tudo giraria como um filme.
Tudo existiria apenas para avançar como um só.
*ENTREVISTADOR*
Como um só.
Funcionaria já para...
*RAV*
Então essa mulher transformar-se-ia numa companheira fiel.
Isso é chamado, em hebraico, de serva má e serva fiel.
*ENTREVISTADOR*
Por enquanto... vou continuar a ler o que está escrito aqui.
"O tolo segue-a e, depois de beber do seu vinho,
comete adultério com ela, envolvendo-se na devassidão atrás dela."
O que ela faz então?
*RAV*
"Deixa-o a dormir na cama e, subindo muito alto, acusa-o e,
obtendo o direito de matá-lo,
desce até ele, tendo já se livrado de todas as suas correções,
transformando-se num gigante poderoso.
Havia tal mulher gigantesca,
colocando-se diante dele, vestida com um manto de fogo ardente,
inspirando um medo inacreditável."
*ENTREVISTADOR*
Pobre rapaz.
*RAV*
Isso não é do Zohar, isso sou eu.
"Aterrorizante para a alma e o corpo.
Os seus olhos transbordam de ferocidade."
Não compreendemos todas as reviravoltas que ocorrem na pessoa
quando ela se envolve nesses seus movimentos internos,
com essa sua parte indigna e impura.
São inúmeras as ideias e estados internos pelos quais passa.
São muitos, e são muito diversos.
As dúvidas o dominam — quedas, ascensões —
de repente recebe um pouco de força para resistir
e cai novamente, incapaz de se lembrar,
desliga-se do objetivo e assim por diante.
*ENTREVISTADOR*
Lembro-me de algo que mencionou numa palestra certa vez.
Disse que um homem adoeceu e foi ao médico.
Examinaram-no, encontraram algo e disseram-lhe:
"Precisamos de fazer um pequeno tratamento e veremos como evolui."
Ele fez o tratamento, sentiu-se um pouco melhor,
mas depois piorou ainda mais.
Disseram-lhe que precisavam de realizar uma cirurgia
e que depois sentiria alívio.
Fizeram a cirurgia, houve uma melhora temporária,
mas depois piorou ainda mais...
Por fim, internaram-no no hospital. Ele ficou lá,
estavam a tratá-lo... e depois as luzes se apagaram.
E acabou-se.
O que é isso, professor?
Isto é sobre nós?
*RAV*
Sim, no fundo, é sobre nós.
Quando nos entregamos a esse fluxo,
é exatamente dessa forma que nos retiram.
Nada de grave, apenas um pouco.
Só mais um pequeno esforço.
Tudo ficará bem...
E assim por diante.
Até que não.
E então já não há outra saída.
Quando começas a sentir que estás doente e deves ir ao médico,
e confias nesse médico — neste egoísmo —
que te dá o diagnóstico e diz:
"Deves agir assim e não de outra forma"...
então já está tudo decidido.
*ENTREVISTADOR*
Depois disso...
Isto também faz parte do filme, certo?
*RAV*
Sim.
Parte desse filme.
Então já...
Aos poucos, aos poucos, aos poucos...
E tu próprio, a partir de certo momento,
começas a perceber que já estás a caminhar para a morte,
mas não tens qualquer possibilidade de saltar,
de sair desse comboio, desse caminho.
E simplesmente fechas os olhos e entregas-te a isso.
Ou apenas te afastas emocionalmente,
aceitando passivamente essa sequência inevitável de eventos...
sem nada fazer.
E assim... morre-se.
A luz apaga-se aos poucos,
e tu... deixam-te tranquilamente nesse quarto para morrer.
*ENTREVISTADOR*
E... o que fazer?
O que fazer?
*RAV*
Já falei sobre isso.
Tudo depende do ambiente.
Tu não podes fazer nada sozinho.
Somente criando ao teu redor um ambiente correto
que te sustente e influencie.
Que te puxe para a frente.
Cada um dos seus membros.
*ENTREVISTADOR*
Tenho uma pergunta, professor.
Não há um estado em que, estando no ambiente certo,
parece que estás a enterrar-te...
não a ti mesmo, mas...
algo que te parecia ser tu?
*RAV*
Na verdade, tu estás a enterrar-te,
quando estás no ambiente certo...
estás a enterrar o teu ego.
Naturalmente, estás a enterrá-lo,
mas ficas feliz com isso.
Junto com os teus companheiros,
brindas à tua saúde,
enterrando, a cada dia,
mais uma parte do teu egoísmo.
Entregando-o como um sacrifício.
O que significa um sacrifício?
Entregando-o à fusão com os demais.
*ENTREVISTADOR*
Isso é simplesmente maravilhoso.
*RAV*
É maravilhoso.
Transferindo de ti mesmo,
do teu eu pessoal, para esse todo coletivo.
Essa é a principal tarefa das almas masculinas.
*ENTREVISTADOR*
Então, homens...
Só quero terminar isto:
"Os seus olhos transbordam de ferocidade,
uma espada afiada nas mãos,
gotas de calor escorrem da sua lâmina.
E ele, ou melhor, ela que já foi,
mata este ingênuo, lançando-o no inferno."
Ela seduziu esse jovem rapaz, um iniciante.
*RAV*
Sim, um rapaz.
Não o subestimes.
Ele percorreu um longo caminho e, no final, aceitou tudo isso.
Teve inúmeras oportunidades...
E cedeu a todas essas tentações, a todos os truques dessa sua prostituta interior.
Isto está dentro de nós.
É o nosso egoísmo interno que constantemente nos afasta do objetivo
e nos empurra para outras metas temporárias, para que nos percamos nelas.
*ENTREVISTADOR*
Então, esta situação é negativa?
Ou há também um desenvolvimento positivo nela?
*RAV*
Esta situação é negativa,
mas pode ser superada somente se eu me mantiver acima dela, com o grupo.
Se não tenho companheiros, inevitavelmente caio repetidamente nessa situação.
E não há outros estados possíveis.
Ou estou num ambiente correto, que me mantém acima do meu egoísmo,
ou o meu egoísmo me absorve imediatamente, atraindo-me para si.
Comida, sexo, todos os tipos de lazer,
todo tipo de brinquedos com os quais posso mostrar aos outros
o quão "impressionante" sou — e assim por diante.
*ENTREVISTADOR*
Por que, primeiro, essa mulher sedutora é tão bela e colorida,
e depois transforma-se de repente num homem, num gigante que... o que é isso?
*RAV*
Nela manifesta-se uma força que... digamos que surge o seu cafetão.
*ENTREVISTADOR*
Está bem?
*RAV*
Digamos, como no nosso mundo.
Brincaste com ela, gostaste dela, e pronto.
E agora aparece alguém que te exige tudo.
Extrai tudo de ti.
*ENTREVISTADOR*
Ou seja... a imagem é clara, sim.
Havia a mulher e o seu cafetão. É um reflexo.
*RAV*
Sim, porque, no fundo, por trás dela está o SAM — o anjo da morte.
*ENTREVISTADOR*
E todas essas belezas descritas têm algum significado?
O que são elas?
*RAV*
São iscas que tens nesta vida.
Coisas que te parecem atrativas:
Beleza, iguarias saborosas, viagens...
"Nas orelhas pendem seis correções de tecido egípcio."
Ah, isso já é espiritual.
Já é uma força impura espiritual.
Quando começas a elevar-te com o grupo rumo ao Criador,
do outro lado aparecem tentações atrativas e sedutoras.
Tem relação com isso, não?
*ENTREVISTADOR*
Sim, porque precisas de ter um oposto.
*RAV*
Se estás envolvido num trabalho espiritual sério,
não te podem seduzir com algo superficial.
Tipo: "vamos sair, passear" ou algo assim.
Tens de ter distrações espirituais muito sérias.
Distrações que combinem com o teu caráter.
E que se diferenciem do teu objetivo espiritual
apenas numa parte oculta — na quadragésima.
Esse é o problema.
Esse é o problema.
Por isso, em cada etapa do caminho, o principal
é manter-se agarrado aos companheiros.
Por isso está dito: ao receber a Torá,
deveis ser como um só homem com um só coração.
E então podereis receber a luz superior,
com a qual começareis a ascender.
Porque isso é a única coisa que me resta.
Não consigo discernir essa única parte, a mais repugnante,
que está oculta atrás de todas as outras.
Todos os 39 adornos são belos.
Todos são corretos — nessa prostituta.
Exceto por essa pequena essência interior.
*ENTREVISTADOR*
E como fazer para que... vejam, quando falamos sobre...
*RAV*
Para isso nos é dada esta vida,
e nos são dados companheiros, um homem...
Falamos sobre o ambiente.
As pessoas que passaram pela União Soviética, por exemplo,
imediatamente não querem nada disso...
Ninguém quer.
Os americanos querem ainda menos.
*ENTREVISTADOR*
Não me fales sobre a União Soviética.
*RAV*
Ninguém no mundo quer,
porque esse egoísmo funciona da mesma forma para todos.
*ENTREVISTADOR*
Como fazer para que as pessoas percebam
que esse ambiente é como um campo espiritual,
onde se acumula, se concentra a força
que nos conduz ao estado de perfeição?
Como despertar isso...
*RAV*
Então o teu próprio egoísmo correria atrás do grupo,
correria atrás do livro —
se pudesses ver tudo isso com antecedência.
Então essa prostituta estaria dentro do Zohar.
E dentro dos teus estudos de Kabbalah.
Mas primeiro é preciso atrair, como disseste.
Atraem-te de maneira simples, dão-te golpes — Aviut.
*ENTREVISTADOR*
Pontapés.
*RAV*
Sim.
Isso ajuda-te.
E essa prostituta desaparece diante de ti.
Percebes que não há nada nesta vida de que possas desfrutar,
nada de real.
Talvez até guerras iminentes que possam surgir.
*ENTREVISTADOR*
Não importa, sim, qualquer coisa.
*RAV*
Tudo isso serve para dar ao homem o primeiro contato.
Colocá-lo no caminho certo.
E depois ele deve fortalecer-se por si mesmo nele.
Este é o equilíbrio das forças.
As forças que puxam a pessoa para fora da sociedade,
atraindo-a para a televisão, o computador,
são mais fortes do que a necessidade de ir a algum lugar,
de estar com alguém.
*ENTREVISTADOR*
Não é preciso ir a lugar nenhum.
Através da própria televisão e do computador, esteja conosco.
*RAV*
Estamos a criar uma sociedade global.
Temos vários milhões de pessoas a estudar...
Conosco e a avançar para um único objetivo.
Não precisas de ir a lugar nenhum.
Pelo contrário, fica, não vás a lado nenhum.
Basta apenas ligar a televisão ou o computador na frequência certa.
*ENTREVISTADOR*
Queridos amigos, vejam como tudo é ótimo.
Não é preciso sair de casa.
Podem ligar-se ao computador ou à nossa rede através da televisão,
que estamos a construir agora.
Ela é externa, mas deve criar um sistema interno
ao qual todos nos conectaremos juntos.
E tudo ficará bem.
Se ao menos compreendêssemos isso mais depressa.
Tudo de bom para vocês.
Obrigado, professor.
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