O MUNDO - O LEGADO DO ARI
O Mundo - 10 de Maio de 2022 29:35 min
TRANSCRIÇÃO:
Norma: Olá e bem vindos uma vez mais ao seu programa O Mundo. Hoje conversaremos com o Dr. Michael Laitman acerca de um outro tema interessante. Dr. Laitman, muito obrigada por nos acompanhar.
Rav: Sim, estou com vocês e muito feliz de estar aqui. Obrigado!
Norma: Hoje queremos falar acerca do legado e da vida do Rabbi Isaac Luria, o Sagrado ARI considerado o Cabalista mais importante do século XVI e um dos mais influentes na história e evolução da Sabedoria da Cabalá. A sua vida e a sua morte estiveram envoltas em mistério e lendas. Nasceu em Jerusalém, em 1534 e faleceu muito novo, com 38 anos, numa epidemia que o deixou doente, no verão de 1572. Aos 8 anos perdeu o seu Pai, e a sua Mãe ficou desamparada. Desesperada, levou o seu filho Isaac Luria para viver com o seu tio no Egito onde permaneceu muitos anos, até à sua chegada a Safed onde viveu e ensinou até aos seus últimos dias. A pergunta inicial é, o que representa a figura do Rabbi Isaac Luria para a Sabedoria da Cabalá?
Rav: O ARI, Rav Isaac Luria é a figura principal na Sabedoria da Cabalá, para os Cabalistas, porque o que Rabbi Shimon e os seus estudantes escreveram no Livro do Zohar é um estilo antigo e não está perceptível, e foi aceito apenas por uma parte dos Cabalistas, mas o ARI, quando escreveu o seu livro a Árvore da Vida, os oito portões, ele abriu o mundo superior a quem o quisesse revelar. Portanto, todos o aceitaram e começaram a aprender a Sabedoria da Cabalá de uma forma séria em todo o tipo de formas: sozinhos, em grupos. É possível dizer que o ARI foi o fundamento da Sabedoria da Cabalá no mundo moderno, porque desde o século XVI começou a difundir-se. Podemos dizer que sem o ARI não existiria a Sabedoria da Cabalá. O que fez Rabbi Shimon e os seus alunos, foi no século II, e isso não foi suficiente. Segundo isso não se pode revelar o que é a Sabedoria da Cabalá. Houve pessoas que entenderam e revelaram algo, mas o ARI revelou e também ensinou vários alunos, mas principalmente ao seu aluno que escreveu todos os textos do ARI. E assim continuaram.
Norma: Em termos da Cabalá, o que significa que ele descobriu, e o revelou?
Rav: Quer dizer que foi possível expressar as suas revelações no mundo espiritual com palavras que podem ser mais próximas da emoção e do nosso intelecto. E assim, podemos receber a forma de revelação do ARI, aproximarmo-nos dele, do ARI e assim realizar-nos. Preencher-nos com a sua força, com a sua santidade.
Norma: Por que é que lhe chamaram de ARI Akadosh (O Sagrado ARI). O que significa?
Rav: ARI é Rabbi Isaac Luria. Akadosh significa que chegou a um estado que antes dele, ou depois dele não existiram pessoas que subiram mais do que ele em todo o sistema celestial, na relação do Criador com os seres criados.
Norma: O ARI foi o precursor de uma nova era humana e espiritual, não só um dos grandes Cabalistas, mas o primeiro a quem os Cabalistas da sua época disseram que recebeu permissão desde o alto para revelar a Sabedoria da Cabalá às massas. O que significa que teve permissão desde o alto?
Rav: Sim. Que tinha no poder de sua alma chegar a uma tal conexão com o Criador que no que diz respeito à relação entre o Criador e os seres criados quase nada esteve oculto dele, tanto no geral como no particular de cada alma.
Norma: Que qualidade há ou houve nele para ter recebido a permissão desde o alto para revelar esta Sabedoria?
Rav: O tamanho da sua alma. Porque a alma do ARI era muito elevada de forma que pôde sentir, ver e incluir dentro de si toda a relação do Criador com as suas criaturas.
Norma: O Rav Yehuda Ashlag, Baal HaSulam, na sua introdução ao livro Panim Meirot Umasbirot escreveu: “Não há palavras suficientes para descrever o seu santo ato em nosso favor, porque as portas de realização espiritual estavam fechadas com ferrolhos e ele veio e abriu-as para nós.” Pode explicar o significado destas palavras na citação de Baal HaSulam, por favor?
Rav: Devemos entender que antes do ARI, ou inclusive mesmo antes de Rashbi que é no século II, antes deles, ou mesmo antes do livro do Zohar, Rashbi, houve também pessoas que alcançaram de alguma forma, de uma forma parcial a Força Superior, a relação do Criador com os seres Criados, o propósito da Criação, das pessoas, tudo o que fala a Sabedoria da Cabalá. Mas, apesar de tudo, foi de uma forma muito parcial, muito limitada, oculta, que foi impossível retirar algo dali. E portanto, não podemos apoiar-nos nesses escritos, mas sim, desde que se revelou o livro do Zohar, já se tornou mais fácil. Havia já uma base. Apesar que o livro do Zohar e, já falamos sobre isto, até que encontraram todas as páginas dos escritos, que estavam dispersos em todo o tipo de lugares, estavam… e que também todo o Livro do Zohar temos apenas uma parte, só uma pequena parte do livro do Zohar em si, porque todo o Livro do Zohar foi sobre toda a Tanach, Torá, Profetas, e os textos que temos são apenas pequenas partes sobre o original, da explicação de Rashbi sobre toda a Torá, a Bíblia. Portanto, é algo muito restringido e oculto apesar de tudo. Mas os escritos do ARI, que escreveram os seus alunos, especialmente o que escreveu o seu estudante, que foi transmitido através dos seus alunos, que eram fiéis a ele, estavam já escritos de uma forma clara, e Baal HaSulam tomou estas partes e escreveu sobre isto a Explicação do Livro da Árvore da Vida, chamado Panim Meirot Umasbirot e também o Estudo das Dez Sefirot e também, já depois de todos estes livros que Baal HaSulam expandiu sobre os livros do ARI, os explicou e ordenou, então, perante nós, já temos a Sabedoria da Cabalá de uma forma aberta e clara para todos.
Norma: Vamos falar um pouco mais adiante de Baal HaSulam, mas agora gostaríamos de lhe perguntar sobre uma lenda do Profeta Elias que a revelou ao ARI. Segundo o relato, ou o que está escrito é que: está perto de te libertar do mundo e o propósito da tua vinda ao mundo só se completará quando transmitires os segredos do teu estudo ao Rabbi Chaim Vital. Deves emigrar à terra de israel onde conhecerás o Rabbi Chaim na cidade de Safed, e ele publicará o teu método no mundo”. De acordo com este relato, por que na cidade de Safed? O que há neste lugar de especial?
Rav: Safed era um lugar muito aceito pelos Cabalistas e foi muito popular porque os Cabalistas escapavam para aí de todos os lugares de Israel, e aí determinaram para eles o seu lugar, a sua casa, onde ensinavam. Era um lugar onde no passado existiram muitos lugares de estudo. E por isso os Cabalistas gostavam muito de Safed. Também no nosso tempo muitas pessoas vão a Safed e querem ir viver para lá, especialmente aqueles que têm uma inclinação para a espiritualidade.
Norma: De fato o ARI deixou tudo a um aluno, Chaim Vital que registrou com absoluta precisão tudo o que escutou da boca do seu professor e nos lugares onde tinha dúvidas da tradução das palavras do ARI, deixava comentários. Quais qualidades tinha Chaim Vital para ter sido designado para esta tarefa?
Rav: Aparentemente era apto para isso, realmente apto para absorver toda esta Sabedoria do ARI e transmiti-la de tal forma que todos puderam escutar, sentir, ler, disfrutar e alcançar a partir disto a conexão com o Criador.
Norma: O autor do livro A Árvore da Vida, é o ARI, mas foi escrito por Chaim Vital o qual ouviu do seu professor. O mesmo se passa com o livro Shamati, de Baal HaSulam, escrito pelo seu filho Rabash o qual escutou do seu Pai e mentor. Então a pergunta é: por que na Cabalá, esta transmissão da sabedoria ocorre do oral para o escrito entre um Cabalista e o seu sucessor?
Rav: Porque assim era possível fazê-lo nesse tempo. O aluno sentava-se junto do professor, e o que o professor dizia, o aluno escrevia e realmente era possível escrever palavra por palavra, porque o que entendia, entendia o que não, não mas escrevia, anotava tudo o que o professor dizia. E depois, quando abria os apontamentos, então entendia do que escreveu, mais e mais.
Norma: E então por que é que não era o professor a escrever? Tinha que ser o seu sucessor? Tem isto algum significado espiritual?
Rav: Primeiro que tudo, já não estava em seu poder, porque o que ensinava, ensinava, e segundo, tinha que passar através do aluno para ser revelado à próxima geração, e por isso não é o professor que revela as coisas, mas sim o seu aluno, porque o aluno faz a revelação à sua geração. Assim é a cadeia das gerações.
Norma: Qual é a importância deste livro, A Árvore da Vida, para a Sabedoria da Cabalá?
Rav: Eu creio que é o livro mais importante que temos na sabedoria da Cabalá, com o fundamento de toda a Sabedoria da Cabalá, porque não temos um livro mais ordenado, mais profundo, mais verdadeiro, mais fundamental que o livro A Árvore da Vida. E ao redor deste livro há as Oito Portas do ARI e todo o tipo de coisas que escreveram tanto o ARI como os seus alunos, e que escreveram depois disto também Baal HaSulam, que escreveu segundo o livro A Árvore da Vida o Estudo das Dez Sefirot e mais. Mas no total, o livro A Árvore da Vida, é o livro principal.
Norma: A morte do ARI assinalou uma nova etapa no desenvolvimento da Sabedoria da Cabalá e no nosso caso, dizemos que encarnamos para podermos ocupar um corpo, para que possamos realizar a correção enquanto existimos neste mundo. Se o ARI tinha um papel tão importante na correção do mundo, por que ele morreu tão jovem?
Rav: Não precisou de mais. Digamos, não é um cálculo que nos pertença, mas que vem de cima. Fez a sua correção, chegou o seu tempo e faleceu, por que tinha que viver mais?
Norma: Por que é que teve que morrer para a revelação desta Sabedoria?
Rav: Isso já é uma pergunta diferente, ou seja, cada Cabalista quando vive, existe para realizar um tipo de correção no nosso mundo. Quando o faz, desaparece e chega uma pessoa nova, e assim sucessivamente.
Norma: Antes da sua morte, o ARI disse aos seus alunos que se o merecessem voltaria e os ensinaria. Qual é o significado disto?
Rav: Que se são capazes, então receberão o intelecto e a emoção para aprender desse mesmo ARI que faleceu e poderiam levar a cabo isto na sua vida, por meio das escrituras e ensinar os seus alunos. E nós vemos que na verdade, depois do ARI, floresceram muitos Cabalistas e tomaram o que escutaram do ARI, dos alunos do ARI, dos alunos dos alunos do ARI e assim continuaram com a Sabedoria da Cabalá, revelando-a a várias gerações até Baal HaSulam. Baal HaSulam, que viveu já no século XX, tomou todos os escritos do ARI, pois parte desses não foram revelados aos seus alunos. Baal Hasulam pegou em todos os escritos do ARI, estudou-os e alcançou todo o possível, e na verdade ele não teve limites no seu alcance, e sobre isto baseou os seus livros, o Estudo dos Dez Sefirot, o Comentário da Árvore da Vida é isso.
Norma: Segundo entendemos do que dizem, Baal HaSulam é a reencarnação da alma do ARI. O que significa?
Rav: Sim, que tudo o que alcançou o ARI, Baal HaSulam alcançou também.
Norma: Quer dizer que tinha o mesmo grau espiritual? O mesmo alcance que o ARI?
Rav: Eu não posso falar sobre isto, porque quem sou eu para avaliar quem é o ARI, quem é Baal HaSulam e comparar entre eles. Não é o meu grau, para que eu possa fazer esta avaliação, mas creio que sim. Segundo o alcance espiritual devem ter estado muito próximos.
Norma: E qual é a contribuição que Baal Hasulam nos trouxe com a sua obra, o Estudo das Dez Sefirot, baseado no trabalho do ARI?
Rav: Depois que Baal HaSulam escreveu o seu comentário à Árvore da Vida, de acordo com o trabalho do ARI, passaram vários anos, e então, verificou que não era suficiente, e que deveria escrever uma explicação mais abrangente. Algo a mais do que Panim Meirot Umasbirot sobre o que escreveu da Árvore da Vida. E então escreveu o Estudo das Dez Sefirot, Talmud Eser Sefirot. E aí já explicou de uma forma mais extensa e profunda tudo o que podia permitir-se a escrever, porque também estava limitado quanto ao que podia escrever e em que medida, e assim o fez. Na realidade, o Livro a Árvore da Vida e o comentário Panim Meirot Umasbirot sobre a Árvore da Vida, e a explicação de Baal HaSulam depois por meio do Estudo das Dez Sefirot, tudo isto é o fundamento da Sabedoria da Cabalá.
Norma: O Dr. entrega toda esta fundamentação tão rica da Sabedoria aos seus estudantes. Especificamente sobre o estudo das Dez Sefirot, o que se experiencia com este estudo?
Rav: Primeiro que nada, não sou eu, porque há muitas pessoas que tratam de abrir este livro, aprender e ensinar. E eu estou muito feliz, porque conforme tudo isto se expande, mais rapidamente vamos causar a correção do mundo. Então não quero ficar sozinho, e estou feliz que chegou o tempo de abrir esses livros, estudar, e depois de o estudar, abrir a sua própria escola e ensinar, e assim o mundo chegará à correção. O que eu ensino é o que está escrito, o que está nos livros à minha frente e à frente dos meus alunos e está também no nosso arquivo e nas nossas redes quando ensino. Quem quer que se ligue à lição, eu na lição sento-me sozinho em frente à câmara, mas tenho um aluno que no dia a dia se senta no computador, e pode entrar no arquivo, e tirar o livro de lá, e ver junto comigo tudo o que está lá escrito.
Norma: O que significa para o Dr. em particular esta obra, TAAS em Hebraico, TES em espanhol que é o Estudo das Dez Sefirot?
Rav: Para mim é um livro que é completamente um poema. É como um poema. Que chega a um estado em que me preenche, como se fosse uma sinfonia, como se fosse uma melodia de forma a que não tenho mais nada a acrescentar. Apesar de que as pessoas sentem-no como um livro seco e que não há nada mais lá do que frases exactas e uma explicação de palavras e definições de todo o tipo, mas se a pessoa recebe isto no seu coração, e quer ordenar as suas emoções segundo o que está lá escrito, então na realidade descobre que está cheio de emoção, cheio de revelação do Criador para com a pessoa.
Norma: O que tem de especial ou que componentes possui este livro que fazem com que seja uma sinfonia, ou uma canção, como o Dr. menciona?
Rav: Os ingredientes que tem é que funciona assim, atua assim sobre a pessoa, que como uma criança pequena, abre a boca e começa a sentir os sons, esta melodia enorme, imensa, que passa nas suas emoções e que entra numa impressão pelo fato de que assim, o Criador se revela.
Norma: Que importância tem este estudo para esta época, tomando em conta o legado do ARI, de Baal HaSulam e da cadeia de cabalistas?
Rav: Eu creio que no nosso tempo, a importância do estudo das dez Sefirot, e da Árvore da Vida é grande porque… como expressar isto!? Porque quando chegamos ao tempo, na época em que todas estas coisas devem revelar-se perante todos, perante toda a humanidade. Então chegaremos a um estado em que simplesmente se revelará a todos por meio deste livro, quanto mais lemos, estudamos e recebemos isto interiormente, ou que nos inclua como se nos fosse calibrar, como um violino que o afinamos corretamente para o tocar. Então este livro nos afinará de tal forma que poderemos escutar a Melodia Superior, a Voz do Criador revelar-se-á em nós e poderemos escutar e aprender d’Ele, e desfrutar d’Ele.
Norma: Lindas palavras para finalizar este programa. Muito obrigada Dr. Rav Laitman como sempre, pelas suas impressões e por abrir esta sabedoria a todos.
Rav: Obrigado a você e tudo de melhor.