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Episódio 4|6 de ago. de 2023

Introdução do Livro do Zohar

“Dois Pontos”

06 de Agosto de 2023 19min.21s.

Transcrição:

Sanilevich: Introdução do Livro do Zohar com o Dr. Michael Laitman. Olá.

Rav: Olá.

Sanilevich: Continuamos esta série acerca da Introdução do Livro do Zohar, e vamos ler o Artigo chamado “Dois Pontos”. Começa do seguinte modo: “O começo da Sabedoria é o temor do Criador.” Dr. Laitman, o que é este início da Sabedoria, e por que o temor é o início da Sabedoria?

Rav: Penso que o que acontece é que quando a pessoa começa a ter algum tipo de atitude para com o Criador, baseado no medo ou temor, esse é o início da sua Sabedoria.

Sanilevich: Que tipo de Sabedoria falamos, Dr.?

Rav: Sabedoria humana. A partir deste ponto ele pode desenvolver a sabedoria.

Sanilevich: Então, Dr. Laitman, por forma a desenvolvermos em direção do Criador, precisamos de medo, temor?

Rav: Sim.

Sanilevich: Mas, falamos anteriormente, que o Criador é a Força Superior que é revelada às pessoas como a qualidade de amor e doação?

Rav: De maneira que uma pessoa possa alcançar um estado de conexão com o Criador, precisa obter as mesmas qualidades de temor, conexão e doação, e pode então desenvolver-se nessa direção.

Sanilevich: Se bem entendi, Dr. Laitman, Sabedoria é como estar na conexão correta com o Criador.

Rav: Sim, percebê-Lo.

Sanilevich: E o primeiro passo para esta conexão com o Criador, é então, temor?

Rav: Certo.

Sanilevich: Muito bem, Dr. Laitman, depois diz: “acerca do Criador que é grandioso, está oculto…”

Rav: Sim, sim

Sanilevich: “Não o podemos perceber de forma nenhuma, e Ele criou “Portões”, uns seguidos de outros, através dos quais tornou impossível a nossa aproximação”. O que são estes “Portões”, Dr. Laitman? E na realidade, afastam uma pessoa?

Rav: Não. São os “Portões” da realização. Nos aproximamos dEle através de o compreender, de aprender a interagir com Ele, e essa é a razão pela qual estes “Portões”, “Shaarim” em Hebraico se abrem. Portanto, quando o “Portão” se abre, a pessoa entra na próxima revelação do Criador, depois na próxima e assim por diante.

Sanilevich: Claro que está escrito de forma alegórica, mas como abrimos os “Portões”, Dr. Laitman?

Rav: Na medida em que a pessoa se aproxima do Criador, estes “Portões” abrem-se, a pessoa atravessa até ao próximo estado, em que precisa realizar certas correções nele próprio, e abre o “Portão” seguinte.

Sanilevich: Está escrito no final deste item, que no final deste “Portão”, o Criador fez um “Portão final”, com muitas fechaduras, e este “Portão” é o primeiro ponto para a sabedoria Superior. O que é este “último Portão”, Dr.?

Rav: Sim, após a pessoa realizar todas as correções preliminares necessárias, chega aos “Portões”, onde começa a revelar a essência da sua conexão com o Criador. E então, começa a obter a sua natureza, a essência do Criador, e a conexão entre ambos.

Sanilevich: Então, se bem compreendo, Dr. Laitman, podemos dizer que há uma Lei da equivalência de forma.

Rav: Sim.

Sanilevich: E a descrição do Criador, é a qualidade da doação, da beleza, de tudo na natureza, portanto, se nos unirmos a Ele, obtemos qualidades semelhantes, e através disso, Dr. Laitman, abrimos os “Portões”?

Rav: Sim.

Sanilevich: E isso é a Lei da equivalência de forma.

Rav: Sim.

Sanilevich: Dr. Laitman, há outra oportunidade neste mundo que seja a manifestação da doação no nosso mundo?

Rav: Não há outros meios para expressá-la.

Sanilevich: Baal HaSulam escreve que é importante compreender o que são as várias fechaduras. “Saiba que o significado de fechaduras, "aberturas ","entradas " e"câmaras " são as três formas, que advém, uma após a outra sobre uma única substância. O que significa isto, Dr. Laitman?

Rav: Quando uma pessoa se aproxima do Criador, ela adquire Suas propriedades e, gradualmente, adaptando-se a elas, revela em si, qualidades internas como novos conhecimentos, novos desejos, novas oportunidades. Neles ela recebe as propriedades do Criador.

Sanilevich: Então Dr., é interessante o que ele diz depois disto! “O pensamento da Criação é deleitar as criaturas” e nenhum prazer é percebido pela Criatura, enquanto estiver separado do Criador. Portanto, enquanto estiver separado, não há hipótese de se deleitar com o que o Criador tem para oferecer, e o Criador deseja habitar nas criaturas. Se o Criador deseja habitar nas criaturas, então qual é o problema? Por que não podemos receber o preenchimento?

Rav: O problema é que para as criaturas receberem o deleite, precisam ter qualidades semelhantes ao Criador, e então Ele pode residir neles, de acordo com esta lei de equivalência de forma.

Sanilevich: Por outro lado, Dr. Laitman, recebemos prazer, mesmo que não estejamos em conexão com o Criador?

Rav: Esse não é o tipo de preenchimento de que fala o Livro do Zohar. Ali fala do preenchimento superior, o prazer mais elevado, quando a pessoa está conectada com todo o mundo, com todas as criaturas e galáxias, com tudo o que pode existir. São prazeres qualitativamente diferentes.

Sanilevich: Então, Dr., é um tipo diferente de qualidade de prazer, certo?

Rav: Sim.

Sanilevich: Em nosso mundo, por exemplo, recebemos prazer por beber, ou quando podemos controlar milhões de pessoas. A diferença é a mesma, Dr. Laitman?

Rav: Sim.

Sanilevich: E, podemos revelar um pouco desse prazer? De onde é que ele advém, Dr.?

Rav: No espiritual, temos prazer em compreender o sistema interno do universo, como tudo está conectado, se complementa e conduz tudo à unidade e à perfeição.

Sanilevich: No Prefácio do Livro do Zohar é dito que o maior prazer do mundo é a resolução dos opostos, pois em cada contradição reside uma oportunidade incrível de revelar um nível especial de compreensão do Criador.

Rav: Foi isso que mencionei. É exatamente através da revelação destas contradições, e pelo fato das pessoas quererem sobrepô-las, que a pessoa se aproxima do estado em que está toda esta variedade e contradições, e alcança a unidade e união. Isso é perfeição, completude, grandeza. Alcançar a unidade.

Sanilevich: Gostaria de falar de um exemplo específico. A pessoa tem muitas dificuldades na vida, e não acredita que o Criador benevolente guia este mundo, e depois compreende que foi tudo pelo bem dele, e que o Criador tinha boas intenções, porque isto o fez avançar.

Rav: Sim, sim.

Sanilevich: E então acontece a contradição, Dr. Laitman?

Rav: Sim, remover contradições é a razão para alcançar a perfeição.

Sanilevich: Quanto maiores as contradições, maior o prazer, Dr.?

Rav: Sim, sim.

Sanilevich: Isso quer dizer que um Cabalista vive sempre com estas contradições?

Rav: Sim, claro.

Sanilevich: Então, Dr. Laitman, no início ele não justifica o Criador?

Rav: Sim.

Sanilevich: Grandes contradições, e depois verifica que foi tudo para o ajudar, certo?

Rav: Sim.

Sanilevich: A seguir, está escrito que a força da separação é chamada de fechaduras, que nos distanciam do Criador. O que são estas “fechaduras”, Dr. Laitman, o que é esta separação?

Rav: Tudo o que não alcançamos neste momento, com a soma dos nossos esforços, tudo o que não alcançamos ainda enquanto unidade, é expresso em todo o tipo de contradições, qualidades contraditórias, rejeição mútua etc. Tudo isso é revelado em nós apenas para nos clarificar, para entendermos esta lei de expressão das qualidades, para alcançarmos um estado em que vemos tudo como acrescentando, complementando, ao invés de contradições e então tudo isto é revelado em toda a criação.

Sanilevich: É interessante. Dr. Laitman, o item seguinte diz acerca dos “dois pontos”, que é o nome do artigo, diz que a letra Bet, que é a letra pela qual começa a Torá, possui uma linha superior, e uma linha inferior, e que estes são dois pontos, um oculto, e um revelado. E, porque não são separados, são chamados de primeiro (rishon), e o primeiro capítulo é chamado deh Bereshit (início).

Rav: Há dois pontos do início da Criação. E eles estão conectados do princípio ao fim, e o fim vem desde o início.

Sanilevich: E qual é o significado da linha superior e da linha inferior, Dr. Laitman?

Rav: A Linha superior é a linha de Keter, de doação completa, e a linha inferior é a linha de recepção, malchut e estão ligadas entre si, e eventualmente ficarão semelhantes no que diz respeito à sua recepção e doação e precisarão tornar-se semelhantes, até tudo se tornar como um círculo.

Sanilevich: Estes dois pontos ligam-se, o superior e o inferior.

Rav: O início e o fim da criação.

Sanilevich: Então, Dr., a pessoa é que os liga, dentro dela mesma?

Rav: Sim.

Sanilevich: A seguir escreve, que o ponto superior é chamado de Misericórdia e o inferior é chamado de Julgamento.

Rav: Misericórdia é a qualidade do criador, da Força Superior, da doação, e o inferior é recepção, Malchut. Portanto, entre a linha superior e a linha inferior há conexão, elas podem trazer através delas. Todo o nosso trabalho é compreender a linha inferior, pela linha superior, e compreender a linha superior pela linha inferior, de tal forma que não haja contradição. Para que, a qualidade da linha superior, na linha inferior, suporte a qualidade oposta, nesta que é a linha oposta, e desta forma, todo o programa da Criação é realizado de forma completa.

Sanilevich: Então, Dr. Laitman, julgamentos são um tipo de limitações?

Rav: Sim.

Sanilevich: Como vemos em nosso mundo, não podemos estar bem o tempo todo, temos sofrimento de forma constante, o que seria a qualidade de Julgamento. No início, o Criador criou o mundo com a qualidade de Julgamento, e depois verificou que ele não podia existir apenas com a qualidade de Julgamento e associou-lhe a qualidade de Misericórdia, é isso Dr?

Rav: Sim. E nesta combinação entre estas duas qualidades, entre a qualidade de Julgamento e Misericórdia, é assim que o mundo existe.

Sanilevich: Então, Dr. Laitman, se falarmos em termos cabalísticos, a qualidade do julgamento é a qualidade da recepção, desejo de receber; e o mundo não pode existir apenas no desejo de receber. É preciso existir alguma medida de doação, de outra forma o mundo colapsaria. Mesmo que as pessoas doem umas às outras apenas com a intenção de obter prazer para elas mesmas, ainda assim, há alguma conexão. E vemos isto na história, que a humanidade se desenvolveu apenas em incorporação. Esta é a qualidade principal. É isso que faz com que o mundo gira a roda.

Rav: Sim, certo.

Sanilevich: Dr. Laitman, no final do artigo está escrito: “isto é íntegro, porque Ele, e o Seu Nome são Um, vou conhecer o meu Criador, que é Um”. Sucede assim?

Rav: Mesmo através de qualidades opostas, de algumas formas desagradáveis, e aparentemente más, é assim que a unidade do Criador com a sua criação é alcançada.

Sanilevich: O que significa “Ele e o Seu Nome são Um”, Dr. Laitman?

Rav: Ele, significa o Criador, e o Seu Nome, é a sua manifestação em toda a criação. Tudo é a revelação do Criador. Eventualmente alcançamos o Criador em tudo que existe em nós. Não importa quão negativas ou opostas essas qualidades são. Tudo nos leva a alcançar o Criador.

Sanilevich: A Sua expressão é amor e doação.

Rav: Sim.

Sanilevich: Então, Dr., eventualmente, toda a humanidade, em todo os momentos, passados, presente e futuros. Em todos os estados pelos quais a humanidade vai passar. Mesmo em todos os estados negativos isso é uma expressão de amor?

Rav: Apenas. Isso é a única coisa que existe, e se sentimos que isso não é verdade, então é porque existimos nas qualidades opostas.

Sanilevich: E isso vai causar grande preenchimento em nós, grande prazer, Dr.?

Rav: Sim.

Sanilevich: Muito obrigado Dr. Laitman. Este foi o artigo “Dois Pontos”, da Introdução do Livro do Zohar. Shalom, e até breve.

Rav: Até breve!

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