War of civilizations

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Episódio 97|29 de out de 2023
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Estados Espirituais

A Guerra das Civilizações

29 de Outubro de 2023 30:05 min

Transcrição:

Texto para Legenda

Moshe: Olá a todos! Hoje temos o programa “Estados Espirituais". Comigo, o Dr Michael Laitman. Gostaria de esclarecer algumas dúvidas no tópico “A Guerra das Civilizações”. Ouvimos muitas vezes esta expressão nos meios de comunicação, “A Guerra das Civilizações". Se bem compreendo, dizem que há dez civilizações diferentes, mas gostaria de me focar nas duas principais, sempre em constante conflito, o Ocidente e o Oriente. O que entende disso, enquanto Cabalista? Que há um conflito? Valores diferentes? Que forças existem? O que acontece entre elas?

Rav: No geral, temos.. digamos a Índia, que é uma civilização em si mesma, depois a China. Portanto, não há apenas duas civilizações por assim dizer, mas há mais. Hoje é impossível ver isto.

Moshe: Digamos que os valores ocidentais e orientais estão em conflito. Como é que o Dr vê estas forças, o que caracteriza estas duas civilizações em traços gerais?

Rav: A civilização oriental é caracterizada pelos problemas religiosos que tentam resolver. A Ocidental, se preocupa mais com a existência material, com a materialidade. Essa é a diferença entre elas e é bastante grande. Umas são a religião e outras a materialidade. No Ocidente também há gente que quer seguir os valores espirituais, mas, os orientais querem seguir os valores espirituais e lutar por eles e os ocidentais são mais propensos a um ponto de existência material. Por isso, entre ambas é difícil estabelecer um contato.

Moshe: Então, na natureza há duas forças opostas. O grande Cabalista Baal HaSulam escreve sobre isto, sobre a força positiva e a força negativa e como o nosso Universo se desenvolveu com essas duas forças. Se falarmos do nível humano vemos também que há forças do bem e do mal, forças de recepção e doação. Dr Laitman, gostaria de entender corretamente se a guerra entre estas duas forças é um estado natural da humanidade?

Rav: Sim, é um estado natural. Vemos que isto advém da construção da alma, no Oriente e no Ocidente. E até que ponto isso se prolongará, não podemos saber. Mas, parece que isso não vai acabar.

Moshe: Dr Laitman, vemos que os valores do Ocidente promovem justiça, verdade e igualdade , isto é diferente nas civilizações orientais, existem de uma forma mais especial ali?

Rav: Sim.

Moshe: Então, da perspectiva da Cabala, vemos que existem os níveis inanimado, vegetativo, animal, falante, que precisam alcançar uma certa harmonia, senão não seria possível sua existência. Mas ao nível humano, as guerras continuam sempre. Ao longo da nossa história sempre tivemos guerras e parece que vai continuar a ser assim. É um estado natural este? E qual a razão, Dr?

Rav: É porque temos o maior ego da natureza, por isso, a guerra é o nosso estado natural.

Moshe: Então, Dr Laitman, no nível humano, envolvendo estas duas civilizações, então esta, é uma guerra entre valores. Quais são os dois valores que se encontram em contradição?

Rav: Os valores que existem no pensamento oriental são valores mais fundamentais, e os valores que existem na civilização ocidental são mais corporais. Assim, falando de uma forma geral. Mas, na verdade, a diferença é muito grande. Em termos psicológicos, apresentam diferenças muito grandes. Estes valores se interpõem em nossos caminhos.

Moshe: Dr Laitman, há conceitos de bem e mal aqui. São conceitos abstratos. Baseados em qual referência devemos dizer que alguma coisa é boa ou má?

Rav: Na medida em que compreendemos que o bem é o que leva as pessoas à unidade, aproximação, ajuda mútua e o mal é tudo o que é oposto a isso.

Moshe: Mas, Dr nós vemos que há grandes massas de pessoas unidas entre elas e elas fazem guerras com outros, com outras partes da população. Parece que estão a fazer bem, e da perspectiva do outro lado, estão a fazer mal. Como podemos distinguir?

Rav: Não podemos.

Moshe: Então não há referência neste ponto?

Rav: Não.

Moshe: No judaísmo está escrito que se os piores bandidos se unirem, entre eles existe uma força e se quiserem podem conquistar a cidade. Então, Dr Laitman, esta força da unidade funciona em vários níveis, mesmo que esteja direcionada contra outros?

Rav: Sim.

Moshe: Então, Dr como distinguir quem está do lado bom nessas divisões?

Rav: É tudo em nome da paz geral no mundo. É preciso haver uma preparação séria, uma educação durante muitos anos. Uma possibilidade de levar tudo a acalmar a massa geral da população.

Moshe: Então, Dr Laitman, esse bem, precisa ser para o benefício do mundo inteiro, e não apenas para uma parte?

Rav: Sim, correto.

Moshe: Está escrito na Torá que aquele que guerreia contra as forças do mal, esse sim, é um guerreiro. Como entender isto? De que lado está o Criador, quando existem dois lados na guerra, e cada um, no seu coração, reza pela vitória?

Rav: O Criador não está com nenhum dos lados. Ele não se ocupa destes problemas, mesmo que Ele seja a sua origem. O objetivo do Criador é levar a humanidade a compreensão de sua natureza, a compreensão da natureza humana, para corrigi-la. Então, a pessoa tem que identificar a si mesma como uma completa egoísta, e a partir daqui, encontrar a chave para se corrigir.

Moshe: Eles dizem mais especificamente que agora há uma guerra entre Gaza e o Estado de Israel, e em ambos os lados, tenho a certeza que todos estão rezando. Nós rezamos para ganhar, e eles com certeza, também pedem ao Criador para ganhar esta guerra. Gostaria de saber como é que o Criador reage a estas orações, enquanto Força Superior, acima de todos? Está escrito que o Criador ouve a oração de todas as pessoas no seu coração, e tenho a certeza que a oração de ambos os lados é para vencer. Dr Laitman, enquanto Cabalista, como é que o Senhor sabe com quem está o Criador?

Rav: O Criador está com aquele que está mais próximo Dele.

Moshe: E o que significa “quem está mais próximo Dele”? Que critérios existem aí, Dr?

Rav: Critérios de bondade, unidade, de desejo de ajudar, de ajudar os outros, aqueles mais próximos ou mais distantes, toda a gente. Portanto é preciso aprender as qualidades do Criador, e tentar compreendê-Lo, e então, aceitar e garantir que tem um lugar no nosso ambiente.

Moshe: Dr Laitman, está escrito que a força do Criador é expressa na nação, na sociedade que está em unidade, que está mais unida, mesmo que ainda existam alguns objetivos e intenções egoístas.

Rav: Sim.

Moshe: Então, se uma nação ataca a outra, e há muitos lugares onde isso acontece, ambas nações estão unidas, e vão uma contra a outra. Com qual delas está o Criador? Porque cada uma delas pensa que está lutando por liberdade, pelas suas famílias. E está escrito que Não Há Nada Além Dele, é o Criador que causa tudo isto. Então, Dr Laitman, com quem está o Criador? Podemos dizer isso através dos resultados? Aqueles que ganham, o Criador está com eles? É sempre assim?

Rav: Não, também não podemos dizer isso. Apenas, temos que aprender as qualidades do Criador, as Suas leis, e ver em que medida as interiorizamos, estamos próximos ou não. E a partir disso, entenderemos com quem se encontra o Criador e como Ele guia a Criação.

Moshe: Então, Dr Laitman, isso é uma ciência, temos que estudá-la e de outra forma não poderemos falar sobre isso.

Rav: Sim, correto

Moshe: Baal HaSulam, no artigo a Paz no Mundo, diz que tudo o que existe, seja o que é bom, mal e o mais prejudicial, tem o direito de existir, e nenhum fenômeno deve ser erradicado do mundo, nem suprimido, nem apagado, pois, existem para que o corrijamos. Dr Laitman, o que significa corrigir estas coisas, incluindo os fenômenos mais negativos?

Rav: É o ego, o ego humano, quando a pessoa apenas quer agir pelo seu próprio benefício.

Moshe: Então, durante a guerra, vemos estes fenômenos muito negativos,e prejudiciais. Eles são expressos de forma tão evidente. O que significa “não destruir, mas apenas corrigir”? Há alguma forma de corrigir estes acontecimentos, Dr?

Rav: Não, não pode.

Moshe: O que quer Baal HaSulam dizer com isto, então?

Rav: Gradualmente podemos alcançar um estado em que sentimos que todas as manifestações do ego são más e que tudo o que é contra o ego é bom.

Moshe: Dr Laitman, por um lado, ele diz que não podemos destruir nenhum fenômeno, e por outro lado, há este princípio na Torá que diz que quando alguém vem para o matar, temos que nos levantar e matá-lo primeiro.

Rav: Sim.

Moshe: Então, Dr, o que significa que não podemos destruir, mas temos que corrigir?

Rav: Se alguém vem contra você com armas, precisa defender-se.

Moshe: E isto é uma correção, Dr Laitman?

Rav: Sim, isto é uma correção, defender-se e defender a sua vida.

Moshe: É interessante que em hebraico, a palavra exército, “Tzava” significa “fazer a guerra contra a inclinação ao mal”. Tzava é composto pelas palavras “tzé” e “bó” que significa uma entrada e uma saída da força da inclinação ao mal contra a qual a pessoa está lutando. A pessoa entra e sai dessa força da Inclinação ao mal que se chama Tzava, ou seja, Exército. Podemos dizer que o processo é importante aqui, ou o resultado?

Rav: O resultado também é importante na luta. O resultado é muito importante, mas temos que compreender porque a guerra acontece. Qual é a sua causa. Quando podemos parar. Em que caso podemos ganhar. E temos que tentar trabalhar corretamente com tudo isto.

Moshe: Dr Laitman, o resultado da guerra depende do Criador ou das pessoas?

Rav: Sempre do Criador. Depende de como nossos planos, nossos desejos estão em consonância com os desejos do Criador.

Moshe: Então, Dr, pode haver uma perda, uma derrota, mas isso pode empurrar-nos para a frente?

Rav: Não, não penso que nesse caso, quando está em consonância com os desejos do Criador, aconteça uma derrota.

Moshe: Falamos da guerra contra a inclinação ao mal em cada pessoa. Dr Laitman, podemos dizer que o mesmo princípio funciona nas guerras exteriores?

Rav: Sim, são os mesmos princípios.

Moshe: Então, Dr, se uma pessoa ganhar a guerra contra a inclinação ao mal contra ele mesmo, pode ganhar uma guerra expressa no mundo exterior?

Rav: Sim. Certo.

Moshe: Baal Hasulam escreve num de seus artigos que há estados em que durante a guerra, o controle é transferido para uma força destrutiva, que se manifesta no mundo material, e nessa altura, nada pode ser alterado. Temos que esperar, é impossível corrigir. Tal como ele escreve, durante a segunda guerra mundial, durante o Holocausto, em que há esta força e que o controle foi transferido para a força destrutiva.

Rav: É uma força muito forte do Criador, que Ele decide utilizar nas suas ações de desenvolvimento das pessoas. E então a humanidade experimenta más condições, e o Criador começa a agir com a Humanidade, de acordo com leis muito rígidas.

Moshe: O que ele escreve, que mesmo as orações não ajudam quando isto acontece, quando estamos sob a influência desta força destrutiva. Antes dela podíamos corrigir qualquer coisa, orar, mudar a situação, mas quando isto se manifesta na matéria, precisa permanecer durante algum tempo e nada pode ajudar. Vimos isto ao longo da história.

Rav: Sim.

Moshe: Ou podemos fazer alguma coisa, Dr Laitman,?

Rav: É possível fazer alguma coisa, ainda temos que o fazer com respeito às circunstâncias, mas há tempos bons e maus.

Moshe: No que diz respeito à correção de uma pessoa, há diferença quando uma pessoa morre por morte natural, ou se é morto durante uma guerra, Dr?

Rav: Claro que há diferença, mas não podemos compreender as razões pela qual uma pessoa morre de uma forma ou de outra, num dia ou no outro.

Moshe: Dr Laitman, numa guerra sempre existe o medo, no nível animal. Podemos ligar isso com o medo, o temor ao Criador?

Rav: Se uma pessoa treinar, se tentar durante muito tempo, se pensa acerca disto, se quiser compreender, se desejar entrar neste assunto, se desejar conectar-se com a opinião do Criador, então, começa a compreender de forma gradual o que o Criador exige dela, e como pode se aproximar do Criador.

Moshe: Hoje em dia as pessoas passam muito tempo nos meios de comunicação, vendo as reações, as opiniões durante horas. E tudo é gravado e tudo se analisa. Mesmo que uma pessoa não esteja sempre ligado, ela experimenta passa por isso várias vezes ao dia. Sobretudo as imagens que veem nos vídeos, afetam a saúde mental das pessoas. Qual é a sua opinião, Dr Laitman? O que recomenda? Vale a pena ver isto e prestar tanta atenção?

Rav: Não recomendo, não recomendo ver estas coisas, porque normalmente vêm acompanhadas com comentários não autorizados. As pessoas semeiam suas razões para justificar tais atitudes da natureza humana. Então, as pessoas a Humanidade têm que gradualmente perceber em que medida o mal existe em cada um e que temos que corrigi-lo o mal que existe em cada um em relação ao próximo

Moshe: Quando uma pessoa vê estas atrocidades, como é que isso afeta a sua saúde mental, Dr?

Rav: Claro que afeta!

Moshe: Os especialistas dizem que se a pessoa obtiver esta impressão não vai realizar estas ações.

Rav: Não, não. Vemos que o mundo não se torna melhor, o mundo não se torna melhor.

Moshe: Há outros que dizem que isto causa medo nas pessoas, trauma, e não o recomenda.

Rav: Não, não o recomendo.

Moshe: Dr Laitman, como corrigir as guerras do interior para não ter que chegar ao exterior?

Rav: É possível chegar as guerras do coração e livrá-las ali somente. Quando chegaremos a isso, não sei. Teremos que entender que fomos criados com desejos que nos predispõe a guerras e as más ações.

Moshe: O que é que a guerra externa oferece às pessoas? O Criador, a Força Superior, para onde é que está a guiar a humanidade, Dr?

Rav: Quer influenciar a ponto que se deem conta do quão pequenos são e se corrijam.

Moshe: Dr Laitman, e a guerra externa? Podemos dizer que levanta a questão do significado da vida?

Rav: Não. Não podemos dizer isso. Há quantos milhares de anos lutamos e isso não ajuda as pessoas a compreender o significado da vida.

Moshe: E que tipo de acontecimentos trazem uma pessoa a fazer estas perguntas acerca do sentido da vida, Dr Laitman,?

Rav: Penso que isso possa apenas acontecer através de intenções suaves e corretas de influenciar uns aos outros e quando nos sentamos juntos e tentamos explicar os nossos pontos de vista.

Moshe: É como um processo educativo, Dr?

Rav: Sim.

Moshe: Dr, o sofrimento não origina estas perguntas acerca do sentido da vida?

Rav: Não.

Moshe Dr Laitman, no estado da guerra de Israel com Gaza, o que chamaria de vitória?

Rav: Um estado em que ambos os lados elevem os braços desistam e decidem não seguir guerreando.

Moshe: Muitas pessoas dizem que essa guerra é um resultado da divisão da sociedade Israelense que ocorreu nesses últimos meses. Dr Laitman, o senhor diria que é um castigo pela nossa falta de unidade?

Rav: Sim, sim, sim, tem muito a ver com isso.

Moshe: Dr Laitman, hoje testemunhamos acusações mútuas. Há o perigo de uma guerra civil em Israel, depois de lidarmos com os inimigos?

Rav: Não penso que isto seja relevante agora.

Moshe: Há uma citação do Livro Maor VeShemesh, escrito há mais de duzentos anos que diz: “a maior proteção contra as calamidades é amor e unidade. E quando há amor, unidade e irmandade entre todo o Israel, a calamidade pode vir e todos os julgamentos são removidos e mitigados e a misericórdia é revelada no mundo.” Há muitos sábios Cabalistas que escreveram acerca disto, que dizem que o princípio da unidade possui um efeito sobrenatural no resultado da guerra. Como é que vê isto? É uma força sobrenatural?

Rav: Sim. Normalmente falamos da opinião da sociedade, mas realmente afeta todo o desenvolvimento de acontecimentos.

Moshe: Dr Laitman, como é que explica este fenômeno, no qual muitas nações desenvolvidas nas Nações Unidas, apoiam o Hamas, a população de Gaza, mesmo que Israel tenha oferecido tanto ao mundo, e não tenha atacado primeiro. Parece que não pode ser explicado com lógica. É algo irracional. Vivemos no século XXI. Como é que as nações ocidentais, que são as mais desenvolvidas, são aquelas que dizem que estamos a explorar estes pobres cidadãos de Gaza, ainda que já não estejamos lá presentes? Mas não importa, há princípios de igualdade e justiça é como se eclipsaram todos os fatos que vemos?

Rav: Eu explico isto de forma muito simples. O ódio que existe nos árabes para com os Judeus muda a sua perceção.

Moshe: Muito bem, Dr Laitman, não só relativamente aos árabes, mas também, ao mundo ocidental.

Rav: O antisemitismo oculta todos os fatos. Acontece inevitavelmente. Não podemos evitá-lo. Apenas se nós mudarmos, então, o Criador vai mudar os outros.

Moshe: Acontece então, Dr, que no geral, não vai haver paz até as pessoas mudarem suas intenções, suas atitudes?

Rav: Isso não vai mudar a relação deles para com os judeus, até que os próprios judeus mudem.

Moshe: Então, Dr. Laitman, o antisemitismo é como uma lei da natureza?

Rav: Sim, sim, atua como uma lei.

Moshe: Dr Laitman, no nível físico há leis, e se os judeus não estão unidos, é também como uma lei que se cumpre que não tem nenhum fundamento para existir e existe o antissemitismo.

Rav: Sim.

Moshe: Porque a realidade que vemos, Dr Laitman, é que o Estado de Israel também precisa de direitos humanos.

Rav: Ninguém quer escutar nada sobre esses relacionamentos!.

Moshe: Muito Obrigado a todos! Acabamos esse programa, até à próxima!

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