Estados Espirituais
Pessach
O Feriado da Liberdade
26 de Março de 2021 40:54min
Texto para Legenda
Rav: Olá a todos.
Sanilevich: Há cerca de 25 anos, ouvi pela primeira vez que todos os personagens na Torá representam as nossas qualidades internas individuais, e isso surpreendeu-me, fiquei maravilhado. Nunca tinha ouvido isso antes. Então, tudo o que está escrito na Torá, tudo aquilo com que as pessoas estão familiarizadas, e todos os filmes que foram feitos acerca destes estados dramáticos; pelo que compreendo, os Cabalistas, através destes acontecimentos, queriam mostrar-nos como sair do nosso estado animal, e alcançarmos o estado de ser humano. Hoje vamos falar de Pessach, o Feriado da Liberdade, que simboliza o êxodo de cada um de nós do estado físico, para um estado de ser humano. Então, Dr. Laitman, a primeira pergunta é, do ponto de vista da Sabedoria da Cabalá, o que significa tornar-se um ser humano, um homem?
Rav: Homem, em hebraico, significa Adão (Adam em hebraico), e Adão também está escrito na Torá e as pessoas estão familiarizadas com esta palavra. Adam em hebraico advém da palavra Domé, que significa ser semelhante ao Criador. Estar em semelhança ao Criador. E o que significa isso? Tal como o Criador em toda a sua essência, qualidades e atitudes. Uma vez que todas as suas qualidades são boas e em doação, então uma pessoa que recebe estas qualidades, torna-se boa como o Criador e então é chamada de Homem, Adam. E, antes de obter estas qualidades em que, é semelhante ao Criador, é considerado que se encontra no nível animal.
Sanilevich: Portanto, se uma pessoa se encontra no nível do seu ego inato, das qualidades egoístas, considera-se que se encontra no nível animal? E se alcançar um estado em que se preocupa com os outros, se possui esta qualidade altruísta do Criador, então isto é chamado o estado de Homem, Dr.?
Rav: Sim.
Sanilevich: Se olharmos para a história em si mesmo, vou ler das fontes, e se puder explicar. “Por forma a tornar-se humano, tudo começa da promessa do Criador a Abraão, acerca da herança da Terra de Israel. Em hebraico, Eretz Israel, que também significa “desejo pelo Criador”. Então, Dr. Laitman, significa que na Natureza está programado antecipadamente que cada pessoa vai alcançar esta qualidade?
Rav: Na verdade, sim. Como resultado do nosso desenvolvimento, todas as pessoas sem exceção, precisam alcançar esta qualidade, a qualidade de Adam.
Sanilevich: O Criador promete que para sair do Egito, ou seja, da qualidade egoísta, primeiro precisamos ir até ao Egito. Dr. Laitman, qual é a razão, para descobrirmos a qualidade de doação?
Rav: Por forma a compreendermos quem somos, que somos o oposto do Criador, que ainda não estamos no nível de Adam, mas sim, animal, apenas controlados pelo ego, isto é possível apenas se alcançarmos um estado chamado de Egito.
Sanilevich: É possível dizer que tudo o que aconteceu com a humanidade até agora, estamos a ver como o ego cresceu, qualquer psicólogo pode atestar isso, quer dizer que nos encontramos no Egito, Dr.?
Rav: Ainda estamos no Egito, e não o compreendemos ainda.
Sanilevich: Toda a humanidade ou apenas pessoas individuais?
Rav: Não, toda a humanidade se encontra num estado de Mitzraim, que é um estado individual, em que a pessoa não compreende que é controlada apenas pelo ego.
Sanilevich: Dr. Laitman, Mitzraim, Egito, é composto pelas palavras Mitz e Rá, ou seja, a concentração do mal. Então, para obtermos amor, precisamos primeiro alcançar o mal?
Rav: Sim.
Sanilevich: Dr. Laitman, o exílio no Egito é a garantia que em algum ponto no futuro a pessoa vai obter esta característica altruísta?
Rav: Sim. Está tudo planejado de forma prévia, apenas tem que se revestir na sua manifestação física.
Sanilevich: De acordo com a história, aqueles que aspiraram pelo Criador foram para o Egito por quatrocentos anos, e era suposto lá estarem durante esse tempo, mas saíram antes, depois de 210 anos. Qual a razão, Dr.?
Rav: Porque, o que tinham que revelar, a necessidade de sair do ego, foi revelada neles de forma completa após estes 210 anos. Tal como em quatrocentos anos, que significa também as quatro fases de desenvolvimento do ego, que todas as pessoas vão passar por isso, e, que o nosso caminho físico não vai parar aí. Que o ego vai ainda ser revelado em nós, e ser invertido no seu oposto.
Sanilevich: Há algumas centenas de anos atrás, o homem evoluiu do animal. Estamos falando do mesmo processo evolutivo, Dr. Laitman?
Rav: Sim, é a mesma força que nos controla e guia. Esta força é chamada de Criador, que desenvolve estas forças egoístas em nós, de forma gradual, nos níveis inanimado, vegetativo, animal e humano. E no nível humano também, este desenvolvimento acontece nos níveis inanimado, vegetativo, animal e humano que se encontra no Adam. Em cada nível há estes quatro níveis.
Sanilevich: Logo, existe a pessoa, e nela desenvolvem-se estes quatro níveis. No nível inanimado a pessoa está preocupada com a sua vida física e continua a desenvolver-se nestes níveis dentro dela.
Rav: Sim, isto que está dentro da pessoa.
Sanilevich: E como se manifesta isto?
Rav: Isto você pode ver nas tribos, nações, civilizações que vivem na idade da pedra, em árvores ainda, e outras que já vivem em condições diferentes. A diferença entre eles é o nível de desejo que existe em cada um. É de acordo com estes desejos, que as pessoas desenvolvem à sua volta, desenvolvem as circunstâncias e relacionamentos e etc.
Sanilevich: Dr. Laitman, como é possível determinar este tipo de desenvolvimento numa pessoa? Não existem apenas qualidades altruístas, há muitas qualidades?
Rav: Quando estes desejos se desenvolvem, normalmente a pessoa não repara neles. É como uma criança, que olhamos para ela e a vemos crescer. Há diferentes desejos nela e diferentes do que existiam antes. Mas a criança não entende isso, e nós não entendemos isso também. Os nossos desejos mudam. Há cem anos éramos pessoas completamente diferentes do que somos hoje. Se olharmos para como as pessoas eram há cem anos, há duzentos anos, trezentos anos, mil anos atrás, é difícil de imaginar, mas, ainda assim, eram muito diferentes de nós.
Sanilevich: Assim, passamos por estes níveis de desenvolvimento do ego em nós. Dr. Laitman, qual é a diferença entre duas pessoas em que por exemplo, numa o nível humano começa a desenvolver-se e na outra não?
Rav: A diferença nelas é a velocidade do desenvolvimento do ego em cada uma.
Sanilevich: O interessante é que uma pessoa não se torna imediatamente um escravo no Egito, de acordo com a Bíblia Farao convidou os filhos de Jacó , através de José, e deram-lhe uma determinada terra, Góshen. Dr.Laitman, o que significa isso no trabalho espiritual, que uma pessoa não começa imediatamente a sentir-se como sendo um escravo no Egito?
Rav: Claro que não. Veja como acontece. Até há uma piada sobre isso. Uma vez que as pessoas costumavam sair do slogan de “bem vindos à sociedade de escravos” é porque estão mais avançados. E depois disso vieram outras formações, sociedades capitalistas, etc. E, todas as vezes, as pessoas desejam maior preenchimento, o ego cresce nelas, e desta forma o que acontece, é que as pessoas se encontram, a cada vez, num novo ambiente que elas próprias criaram.
Sanilevich: Faraó é a principal força em ação. Em Hebraico, PahRo. O seu professor o Rabash explica isto como Pé-Rá - boca malvada.
Rav: Significa que ele nega, rejeita tudo aquilo que o controla, e que controla o mundo, que é a força boa do Criador, e determina que apenas a força egoísta controla o mundo, e que isso é o que temos que desenvolver e através dela dominar
Sanilevich: Então, Dr. Laitman, dentro da pessoa há forças especiais que resistem a este desenvolvimento natural de alcançar um novo nível. E há forças que o rejeitam e forças que o empurram ?
Rav: Sim.
Sanilevich: E uma destas forças e chamada de Faraó, não os permitem sair da escravidão no Egito.
Rav: Claro.
Sanilevich: E depois, Dr. Laitman, diz que Faraó é a qualidade da parte de trás do pescoço chamada de Oref. Que se lermos Faraó, Pahró ao contrário, quer dizer Oref, a parte detrás do pescoço?
Rav: É a parte posterior do Criador. Ou seja, praticamente este é um poder Superior, que é literalmente chamado de Criador e se manifesta de uma forma boa, e ao contrário se manifesta como uma força maligna e é chamado de “Faraó”
Sanilevich: E o que significa que Faraó suga todo o bem das pessoas, Dr. Laitman?
Rav: Vemos isso na nossa vida, que não importa quanto tentamos fazer, tudo alcança um ponto em que nada de bom advém da vida, e em que usamos o ego para o alimentar de alguma forma.
Sanilevich: Então, não podemos realmente receber prazer. Quando estamos satisfeitos com algo, o prazer imediatamente desaparece.
Rav: E ainda obtemos um ego maior, que continua a crescer, e perseguimos constantemente o preenchimento egoísta, mas nunca estamos satisfeitos.
Sanilevich: No início uma pessoa concorda com o trabalho, aqueles bons sete anos, e a determinada altura, Faraó inverte e o que acontece, Dr Laitman? É substituído?
Rav: Quando Faraó é substituído, reconhecemos no Faraó, que na verdade ele não nos tratou de boa forma e não queria nada bom para nós. Acontece que durante todo este tempo não estávamos trabalhando para nós, mas para ele e nada bom permanece disso.
Sanilevich: Dr. Laitman, e este trabalho é chamado de escravidão, avodat parech em Hebraico, explique para nos...
Rav: Há muitos comentários. Acontece que nunca obtemos nenhum preenchimento, prazer deste trabalho. Não obtemos nada pelo qual valha a pena fazer esforço.
Sanilevich: Dr. Laitman, seu professor, Rabash diz que o corpo concorda com o trabalho, o nosso ego concorda em fazer o trabalho, se for pelo seu próprio preenchimento e não há necessidade em fazer o trabalho com a intenção de doar . E isto é o que as forças malvadas nos dizem. Um outro comentário é que este trabalho árduo, avodat parech, também pode ser explicado não apenas por “párech” árduo, mas também Péh-Rá. Faraó começa a questionar, para quem você trabalha
Rav:Sim
Sanilevich: E preciso trabalhar a favor de Farao e tudo esta certo
Rav: Mas, a certo ponto, já não é possível trabalhar para ele. O Faraó mostra-lhe que toda a sua escravidão é sem sentido. Não obtém nada dela. E, portanto, uma pessoa perde a capacidade de trabalhar para Faraó.
Sanilevich: Então, o Faraó começa a forçar todos aqueles que desejam o Criador a construir estas duas cidades, Pitom e Ramsés. No trabalho espiritual, o que é isso, Dr. Laitman?
Rav: Significa preencher o ego com esse grande desejo chamado de Faraó. Preenchendo-o com o ego, nas linhas direita e esquerda, ou seja, tudo. Quando o preenchemos, como resultado verificamos que este preenchimento é infinito. Isso não leva a nenhum resultado, mas apenas ao desespero.
Sanilevich: Outro fato interessante é que, Ramsés, significa Ram-Sus, o poder do cavalo. Ou seja, quando uma pessoa trabalha por forma a preencher seu ego, e vê, sente que está próximo do abismo, que também é o significado de Pythom, que também significa Pitarom, são coisas semelhantes, Dr.?
Rav: Sim.
Sanilevich: Também, estas duas cidades são chamadas de Arei Mesukanot, cidades perigosas. Dr Laitman, por que são chamadas de cidades perigosas?
Rav: Porque uma pessoa pode permanecer nelas, e nunca sair desta qualidade egoísta, e nunca elevar-se dela. Permanecer nela, como que amarrado, mais e mais e morrer lá.
Sanilevich: Não é então uma espécie de processo evolucionário que nos force a sair de lá? Existe a opção de permanecer no Egito, Dr. Laitman?
Rav: Não existe tal opção, porque o plano do Criador é integral e completo e leva as pessoas eventualmente a compreender a necessidade de sair do Egito, por um lado. Por outro lado, apesar de tudo, é um estado perigoso quando uma pessoa pode permanecer nesse estado por muito tempo, e o tempo continua a passar.
Sanilevich: Então, Dr. Laitman, existe a condição de uma determinada pessoa de não poder sair do Egito durante a sua vida?
Rav: Mas ainda assim, sente o estado. Tudo o que está escrito na Torá, tem que ser revelado em todas as pessoas. E então, cada um de nós, começa a ver como simplesmente tem que fugir destes estados.
Sanilevich: O que é interessante é que aqueles que escreveram sobre o Êxodo; nem sei se foi escrito por uma pessoa, ou por várias pessoas, a Torá em si mesma; apesar de estar escrito que foi Moisés quem a escreveu, enfim, está escrito que cada um tem que escrever a Torá nas paredes do seu coração.
Rav: Verdade.
Sanilevich: Seu professor escreve que os egípcios, eles então citam a própria Torá, “tornaram suas vidas amargas através do trabalho duro e com barro e tijolos”. O que me pergunto aqui é o quanto você precisa conhecer essa linguagem para entender o que ela é. Ou seja, o barro é um homer, trabalharam com barro, e se compreendo minhas propriedades egoístas internas, se bem entendi, explicam às propriedades que querem deixar o Egito e que isso é um trabalho muito árduo, behomer.
Rav: Sim, temos que tentar escapar dela. E os egípcios os obrigaram a fazer tijolos de palha e barro, depois queimaram essa mistura, barro com palha, e fizeram tijolos com ela. Isso é chamado homer ubelevenim. Basicamente, todo o trabalho tinha que ser para entender que isso não pode ser feito porque é infinito, sem fim. E a única opção que resta para tratá-lo corretamente é procurar como sair dele, como escapar.
Sanilevich: O que é interessante, Dr. Laitman, levenim, ou tijolos, vem da palavra levanim, lavan branco. Ou seja, os egípcios convenceram os israelitas de que era necessário fazer um trabalho branco, que desse modo seja governado pelo ego.
Rav: Sim, é assim que você se desliga do ego.
Sanilevich: E de acordo com o Zohar segue-se que a qualidade do Faraó reside no conhecimento, e com a razão não há como sair desta escravidão. Por quê, Dr. isso é feito de tal forma que é impossível sair com a mente?
Rav: Sim, porque não podemos, com as nossas relações egoístas, os nossos cérebros egoístas, perceber onde devemos chegar. Suba outro degrau de um degrau. É como se uma criança não conseguisse entender o que os adultos pensam e como os adultos entendem o mundo. Ele não pode. Nós o forçamos, ele concorda. Há também uma propriedade natural nele - aceitar o que os adultos lhe dizem. Mas ele não entende isso. É impossível, estando no nível inferior, compreender o nível superior. E portanto, todo o nosso caminho é em Fé acima da razão. Isto é, quando aceitamos as propriedades dos níveis superiores como os mais elevados e queremos absorvê-las em nós mesmos, tornar-nos como elas, mesmo que não compreendamos sua grandeza e singularidade.
Sanilevich: Assim, isso é chamado de sistema de fé e conhecimento superior, porque a mente está sob o poder do nosso egoísmo?
Rav: Sim, um derivado do egoísmo.
Sanilevich: Portanto, Dr. Laitman, apenas com base na mente, é impossível sair deste estado de animal em que nos encontramos, nesta matrix?
Rav: Sim.
Sanilevich: Muito bem, Dr., por que o Faraó ordenou ao seu povo, para atirar ao Nilo as crianças que nascessem meninos, e deixar viver as meninas?
Rav: Meninos, “ben", em hebraico, aqueles que desejam alcançar o Criador, Homem, da palavra Guever, Homem, que advém de superar, o qual quer elevar-se acima do ego, e vencer. Essas pessoas, que independentemente do seu gênero, querem elevar-se às qualidade do Criador, essas pessoas são chamadas de Homem, porque superam o seu ego, trabalham acima dele e tentam alcançar o próximo nível, o próximo nível altruísta, e é preciso afogar essas pessoas, afogá-las dentro de si. Isso é o que manda o nosso ego chamado de Faraó.
Sanilevich: Portanto, Dr. Laitman, dentro de nós há uma tal força, que quer destruir o desejo de alcançarmos o Criador?
Rav: Claro. Essa é a força principal. Esse é o ego que nos controla.
Sanilevich: Ainda assim, essa força do ego está sob o poder de uma força ainda mais forte chamada de Criador.
Rav: Isso é verdade, mas na realidade, o Faraó tem o poder, a capacidade de governar o Adam.
Sanilevich: Dr. Laitman, então estamos sob o governo do Faraó ou do Criador?
Rav: Sob a governança do Criador, que faz com que estejamos sob o governo do Faraó.
Sanilevich: Isso é muito interessante. E até é difícil imaginar, escrever desta forma, afogar os meninos, deixar as meninas! Qualquer passagem que eu escolha é sobre estas duas forças, altruísta e egoísta, apenas em diferentes interpretações e histórias diferentes. Fala-nos da interação entre estas duas forças, certo Dr.?
Rav: Certo, correto.
Sanilevich: Então tudo é simples. Duas forças e está feito.
Rav: Não, não é simples, porque elas revestem-nos e nós temos que discernir, como, onde, de que forma, em que medida cada uma delas nos controla.
Sanilevich: Dr. Laitman, como pegamos toda esta história, todas estas situações, e a mudamos para a nossa vida do dia a dia? Podemos ver esta força destruindo a força do amor-próprio dentro de mim? Nos exemplos que vejo no meu dia a dia, posso vê-la?
Rav: Como poderíamos vê-la? Toda a nossa existência contemporânea é baseada no ego. Não há nada de altruísta acerca desta vida. O Criador está oculto. E em vez dEle, há apenas o Faraó.
Sanilevich: Todas estas histórias são estados espirituais que uma pessoa atravessa. É possível ver expressões delas no mundo externo…
Rav: Não, porque ainda não estamos atravessando estes estados espirituais em nós. Neste momento ainda nos encontramos num estado em que gradualmente, Faraó é revelado como algo mau em nós. Este período é chamado de reconhecimento do mal.
Sanilevich: De acordo com a história, parece, que esta qualidade é chamada de Moisés, que após um certo reconhecimento do mal, esta qualidade aparece numa pessoa que começa a puxá-lo do egoismo? Moshé, da palavra lim'shoch, significa puxar. E o que é interessante é que em todo o lado fala acerca do fato, que Moisés não vai sozinho ter com o Faraó, mas com o Criador. “Vamos juntos.” O que significa isto, Dr. Laitman?
Rav: Bem, não é agora, porém, mais tarde quando se torna grande. E está sendo retirado do rio. A filha do Faraó, Batiá, tira-o do rio, educa-o, ele cresce, e está preenchido da Sabedoria de Faraó, torna-se como Faraó, toda a atitude egoísta para com o mundo, e tudo mais…
Sanilevich: Quer dizer que mesmo as nossas atitudes altruístas são baseadas no ego, Dr.?
Rav: Nós o vemos na humanidade, em cada pessoa. Nós o vemos. Tudo está perante nós. Toda a humanidade está imersa no ego, no desenvolvimento egoísta, e apenas agora começa a aparecer estes rebentos egoístas, após todo este trabalho egoísta que fizemos neste planeta, como tudo é sem sentido e perigoso. Não alcançamos nada na vida. Vivemos a nossa vida, arruinamos a vida do outro, tanto quanto podemos, e depois morremos. É nisto que consiste toda a nossa existência. Portanto, este reconhecimento do mal, na nossa natureza, é o que temos que alcançar neste tempo.
Sanilevich: Depois da revelação do mal da nossa natureza, aparece esta força chamada Moisés e o Criador diz-lhe “vamos juntos até ao ao Faraó”. Dr. Laitman, isto quer dizer que uma pessoa sozinha não consegue sair da sua natureza?
Rav: Sim, mas há muito mais histórias aqui pelo meio. Que, de repente Moisés recebe o desejo de matar o egicio, bate na outra pessoa, e enterra-o, tem medo que Faraó o vá punir por isso, matá-lo, foge do Egito até chegar ao lugar onde Jetro vive, e permanece ali, e casa com a filha de Jetro. Toda esta história assume uma forma muito diferente, e ele começa a sentir-se como o inimigo de Faraó. E a partir deste momento começa a resistência entre Moisés e Faraó.
Sanilevich: Então, Dr. Laitman, quer dizer que durante dois terços da sua vida ele não resistiu ao Faraó?
Rav: Sim.
Sanilevich: Apenas nestes últimos 40 anos começa a resistir-lhe, etc. E depois acontece algo interessante, que o Criador endureceu o coração do Faraó. Por um lado diz “vem até mim” e por outro “endureci o seu coração”. Qual a razão, Dr.?
Rav: Porque o propósito de toda esta existência, a nossa existência egoísta é que não podemos existir em nosso ego, e pedimos ao Criador que nos liberte. Este é o objetivo da nossa existência no exílio egipcio, no exilio do ego, compreender primeiro que só o Criador nos pode ajudar a sair de lá.
Sanilevich: As pragas, apenas as mencionamos, mas só para dizer, que por um lado o Criador endureceu o coração do Faraó, e por outro lado, sempre lhe deu golpes. Desejo perguntar: As duas últimas pragas, a escuridão egípcia e a morte do primogénito. O que querem dizer, Dr. Laitman?
Rav: A escuridão egípcia simboliza o mal completo e o vazio como resultado de usar o ego para recepção própria, que não alcançamos nada com isso. Quando é revelado a uma pessoa, significa a sua presença no Egito.
Sanilevich: E o último golpe, Dr., a morte do primogénito?
Rav: Sim, significa que qualquer coisa que começa a fazer, leva-o à morte. E vê que é inútil começar alguma coisa enquanto estiver no Egito.
Sanilevich: Então, os primogénitos, “Ben” em hebraico, simboliza sempre o próximo nível. Então, para além de ver escuridão no meu nível, não vejo prazer no futuro? Não temos futuro se permanecermos no ego, Dr. Laitman?
Rav: Sim.
Sanilevich: E este é o estado que a natureza arranjou para nos fazer querer sair do Egito, Dr.?
Rav: Sim.
Sanilevich: Dr. Laitman, uma pessoa participa neste processo de forma consciente?
Rav: Participa em alguma medida, vai até ao Faraó com o Criador, toma parte nas dez pragas, vê como o ego sofre, começa a afastar-se do ego. Já não atribui o sofrimento a si mesmo, mas ao ego, que ainda se encontra nele, que está relacionado com ele, conectado com ele, mas começa a compreender que tem que livrar-se dele até ao ponto em que começa a dizer que não há possibilidade de sair dele a não ser fugir.
Sanilevich: E então começa a “Seder Pessach”, a forma de sair. “Seder” da palavra hebraica Lifsoach, sair dessa qualidade animal egoísta, para as qualidades de doação do Criador, e é por isso que se chama Pessach (Passar). E aqui a ordem para sair do ego. Os cabalistas descrevem a refeição da Pessach e escrevem de uma forma muito interessante, que há certos elementos, comidas, que temos que usar.
Rav: Falamos várias vezes disso já.
Sanilevich: Um dos símbolos da Pessach, é que é proibido comer fermento. Qual é a relação? E o que significa o fermento no nosso trabalho, Dr. Laitman?
Rav: Significa que não podemos usar nenhuma das nossas qualidades se queremos sair do Egito. Se queremos sair do desejo egoísta temos que sair de todas as qualidades que mantêm esta intenção de “receber para si mesmo”.
Sanilevich: E matzá é o pão da pobreza, o que significa, Dr.?
Rav: Significa vazio. O principal de que uma pessoa vive é pão e sair deste estado egoísta é acerca da pessoa começar a usar tal comida que não dê deleite ao ego, mas apenas forças espirituais, doação.
Sanilevich: Portanto, Dr. Laitman, podemos dizer que simboliza o que é necessário para uma pessoa sustentar o seu corpo em tudo o que recebe, e em todo o resto precisa trabalhar em doação?
Rav: Sim.
Sanilevich: Dr. Laitman, mais um símbolo de Pessach é que limpamos tudo.
Rav: Não está relacionado com Pessach, simplesmente significa que temos que nos separar dos desejos egoístas e desta forma deixamos o Egito, as nossas intenções egoístas e portanto temos que nos limpar delas, do fermento, da intenção por nós mesmos, das diferentes qualidades, dos níveis inanimado, vegetativo, animal, tudo o que está à nossa volta, dentro de nós, para que não exista nada fermentado em sua posse.
Sanilevich: Então, Dr. Laitman, uma pessoa sai do seu ego, e ao fim de 7 dias…
Rav: Sete dias ou sete Sefirot, isto são níveis internos da nossa alma, ou seja, que uma pessoa sai completamente da intenção egoísta, e nos primeiros dias livra-se dela, até que fica completamente desligado das suas qualidades e intenções egoístas.
Sanilevich: E alcança um estado chamado de Yam Suf, o mar vermelho ou o mar final.
Rav: Sim, e está disposto a atirar-se nele para se livrar completamente do ego.
Sanilevich: Dr. Laitman, isso simboliza atravessar a barreira?
Rav: Não exatamente a barreira, mas sim, desligar-se do ego.
Sanilevich: Podemos dizer que é o último salto que dá, do mundo egoísta, após o qual começa o que chamamos de Machsom, e após o qual, há o mundo da doação, e tudo isto acontece dentro de nós. O que acontece na pessoa realmente? Está claro para mim o que é pensar sobre nós mesmos todo o dia. O que acontece numa pessoa, Dr. Laitman, qual a transformação?
Rav: Depois disso a pessoa começa a pensar, como é que através dos outros começa a realizar-se mais e mais na qualidade da doação. Ela começa a entender que o preenchimento dado pelo Criador se encontra aí.
Sanilevich: Muito bem, Dr. Laitman, chegamos ao fim, há muitos detalhes que não falamos.
Rav: Há muitas perguntas aqui que podemos analisar, mas, o principal são os pontos que falamos, e uma pessoa que passe por isso vai compreender tudo isto. Não importa o quanto mais falamos, algo permanece por explicar, portanto o melhor é levar uma pessoa a passar por isto.
Sanilevich: Muito bem, o nosso programa chegou ao fim, falamos deste feriado, permaneça conosco. Muito obrigado, Dr. Laitman! O feriado da Liberdade! Muito obrigado, até à próxima.
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