O MUNDO - INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
O Mundo - 20 de Outubro de 2022 31:28 min
Norma: Olá, Bem Vindos ao seu programa O Mundo. Hoje vamos falar com o Dr. Laitman sobre Inteligência Artificial. Dr. Laitman bem vindo!
Rav: Sim, por favor, estou pronto!
Norma: Temos uma introdução um pouco mais longa que o habitual para explicar o tópico. A Inteligência Artificial é a maior e mais significante revolução tecnológica desde a invenção da informática. Já está mudando todas as áreas da nossa vida hoje, mesmo que não seja muito claro para nós, onde, quando e porquê, e este é o grande paradoxo da Inteligência Artificial. Parece que a capacidade das máquinas pensarem e tirarem conclusões por si próprias é o mais importante avanço da tecnologia nos últimos séculos, mas isso também representa um verdadeiro perigo para a humanidade. Se tivermos em conta que hoje os computadores controlam as centrais nucleares, iluminação, mísseis, etc, etc. E se um dia a Inteligência Artificial decidir que nós humanos já não somos necessários? Parece um filme de ficção científica muito mau, mas é uma preocupação partilhada por algumas das mentes mais brilhantes do nosso tempo, desde Bill Gates a Elon Musk, e Stephen Hawking. Um dos pais da Inteligência Artificial, Marvin Lee Minsky estava convencido que a Inteligência Artificial iria salvar a humanidade e ao mesmo tempo, ele previu o seguinte: “Quando os computadores ganharem controle, nós podemos nunca mais ser capazes de voltar a ganhar o controle sobre eles. Sobreviveremos até que os computadores nos tolerem. Se tivermos sorte, pode ser que eles decidam manter-nos como animais de estimação.” Ele disse isto nos anos 70, antes da era dos computadores domésticos. Podemos dizer que a Inteligência Artificial é o maior avanço da nossa época e ao mesmo tempo a nossa maior ameaça?
Rav: Sim, eu concordo com ele, que realmente todos os dispositivos, aparelhos que construímos podem eventualmente adquirir tal poder e capacidade de agir que pode ser que façam algo que não é para benefício do homem, que não seja para o benefício da humanidade. A questão é como definimos Inteligência Artificial? Será que as máquinas, computadores, têm inteligência na realidade, ou são simplesmente decisões que os computadores fazem de acordo com o seu “desejo” se lhes podemos chamar assim, ou de acordo com os algoritmos que escrevemos para eles, que lhes permitem decidir se é para o melhor ou para o pior, e então, como resultado, ficamos nas mãos deles. E este é o problema. Teremos já alcançado o estado em que os computadores podem decidir algo para o nosso prejuízo? E esta é uma questão sobre a qual ainda estamos decidindo, escrevendo sobre isso, se discutir, e não podemos sequer dar uma definição precisa acerca do que os computadores conseguem fazer como resultado do julgamento próprio ou impróprio em relação às pessoas. Ou seja, há aqui algo da parte deles, como se pudessem agir contra a humanidade. Apesar de que fomos nós que os construímos, que lhes escrevemos os algoritmos, os planos, os programas, mas pode ser que em todas as suas ações eles possam agir contra nós. Sim, pode acontecer. E aqui precisamos nos perguntar, será que estas máquinas têm liberdade de escolha? Obviamente que não, mas possuem a capacidade de decidir de acordo com os programas que lhes inserimos, e tomar decisões que podem ser contra a humanidade. Essa é a questão. Ainda não o vemos na prática, mas o nosso medo tem uma razão de existir. E aqui, na realidade, pensamos que podemos alcançar uma situação perigosa, em que os computadores podem decidir, e mesmo que os queiramos parar, se formos capazes de descobrir que estamos fazendo algo negativo, se somos mesmo capazes de o fazer.
Norma: Certo, hoje em dia diz-se que o uso da Inteligência Artificial é para tornar a nossa vida mais simples e eficiente, para lidar com problemas de saúde, educação, problemas ambientais, etc, etc. Mas qual é a relação entre o desenvolvimento da Inteligência Artificial e a evolução humana?
Rav: A evolução humana não está na realidade evoluindo, como a Inteligência Artificial. Porque não temos nada com o qual avançar, mas os computadores, algoritmos e programas, tem mesmo a capacidade de avançar. E a velocidade na qual eles conseguem tomar decisões e fazer comparações, e decidir entre os bilhões de opções sobre alguma coisa, isso é algo que o homem não consegue fazer. E portanto, o que precisamos pensar é como é que podemos garantir que a liberdade de ação que colocamos nas mãos dos computadores, por assim dizer, não vai escorregar pelos nossos dedos… que não percamos o controle, no fundo.
Norma: A Inteligência Artificial é definida como a capacidade de qualquer sistema tecnológico de resolver problemas, ou realizar tarefas ou atividades comumente atribuídas à mente humana, bem como a capacidade de agir de forma autónoma nos problemas, realizar ações, etc. Significa isto que a Inteligência Artificial vai substituir os seres humanos?
Rav: Não, não pode totalmente substituir as pessoas porque o homem possui uma capacidade, para além de tomar decisões, de calcular opções. O homem possui, para além disso, a capacidade de imaginar e as pessoas podem criar estados, situações que anteriormente não estavam nas mãos do homem. Não podem realizar tarefas ou ações que não foram criadas anteriormente pela mente humana, a sua capacidade é apenas calcular rapidamente, fazer comparações, medidas, examinar, que não podemos fazer tão rápido quanto os computadores. Mas em tudo o resto, seguramente, os computadores e programas, podem ser mais rápidos e mais eficientes do que os seres humanos. Tal como já vimos que se não fossem os computadores não teríamos sido capazes de ir ao espaço ou realizar diversas tarefas, mas ainda assim, por detrás disso encontramos o homem, que decide, faz e molda as coisas, e eventualmente os computadores estão sob o nosso controle.
Norma: Os algoritmos oferecem-nos mundos cognitivamente confortáveis e sugerem que sites seguir, a que grupos nos juntamos, que pessoas devemos seguir de acordo com o nosso perfil, escolhas, ideologia, os nossos desejos etc, etc. Significa isso que os algoritmos podem fazer com que as pessoas se aproximem?
Rav: As pessoas aproximam-se? Não
Norma: Sim, porque nos colocam em certos grupos, de acordo com os nossos campos de interesse, e reúnem-nos, aproximam-nos, a tecnologia aproxima-nos uns dos outros. Também nos aproxima enquanto seres humanos com interesses comuns? Pode unir-nos?
Rav: Não penso que possa. Podem realizar diferentes cálculos e de acordo com isso podemos ver como nos aproximamos ou afastamos, se o estamos usando corretamente ou não, mas eventualmente, não temos a capacidade de fazer algo que nos ajude a sentir que estamos nas mãos dos computadores, porque um computador é algo inanimado. Claro que vai ser mais esperto no sentido em que pode calcular várias possibilidades, situações, porque a sua velocidade é fantástica, mas não pode ser de forma correspondente a coisas adicionais que advém da alma do homem. Que é o lugar onde podemos viver, na nossa mente, e retratar coisas que estão acima da natureza. Aí, não poderá haver algo que criamos, fazemos, damos origem, nesse sentido que eles sejam mais do que nós, ou que existam de algum modo. Temos que diferenciar entre a nossa capacidade e a capacidade dos computadores de calcular coisas, de calcular e o que podemos fazer, e a análise que podemos fazer dos nossos desejos. Dentro da razão, acima da razão, diferentes análises que não existem dentro dos limites, dentro da perspectiva do nosso mundo. Em suma, o nosso intelecto é o resultado do desejo humano, e o nosso desejo pode ser por forma a receber, ou por forma a doar, e os computadores não podem imaginar o que é o desejo, mas apenas descrever os desejos de forma positiva ou negativa, mas podem apenas calcular tais ações que nós realizamos em desejo. E nisso, nunca seremos como os computadores, ou os computadores como nós, porque são limitados apenas aos seus cálculos. E mesmo que realizem um bilhão de cálculos por segundo, não vai ajudá-los a sair do mundos dos cálculos para o mundo do pensamento, da imaginação, etc.
Norma: Os algoritmos das redes sociais foram desenhados para funcionarem de uma forma a agrupar-nos com pessoas que pensem como nós, que assegurem o que nós pensamos. É possível o desenvolvimento da pessoa mesmo sem um ponto de vista oposto ao seu?
Rav: O homem pode fazer qualquer coisa, exceto dar aos computadores ou este tipo de aparelhos, a capacidade de trabalhar entre eles com intenções. A intenção de receber ou doar ao próximo, para meu benefício, ou para benefício dos outros, isto são coisas que podemos analisar, mas mudar de uma intenção para outra é algo que um computador não pode fazer, e mesmo nós seres humanos não conseguimos fazer, mas o que podemos fazer é, com certas ações nossas, podemos atrair a força que está embutida na natureza, a que chamamos “Criador”, que nos ajude a mudar a nossa intenção, na totalidade das nossas ações e por quem as estamos realizando.
Norma: A natureza do ser humano é fugir de tudo o que lhe é oposto, o homem não quer ouvir nada que não coincida com a sua opinião. Que tipo de mudança devemos introduzir na Inteligência Artificial de forma a incluir diferentes opiniões?
Rav: Eu penso que nós nunca seremos capazes de passar aos computadores misturados no inanimado, mesmo que façamos os computadores de diferentes qualidades, ou substâncias diferentes, não seremos capazes de inculcar neles a nossa capacidade de mudar o propósito das nossas atividades, ações, por forma a receber ou doar. Não seremos capazes de planejar, de programar, de construir máquinas, ou seja o nível inanimado, excluindo o nível falante, que é algo que pertence apenas a seres humanos especiais. Não seremos capazes de construir algo assim, e não há propósito em pensar que os computadores sejam capazes de controlar as pessoas, sejam capazes de controlar os níveis inanimado, vegetativo, animado, sim, e também das pessoas que se encontrem nesses níveis, mas não nas pessoas que se encontram no nível falante. Construir algo acima, que esteja acima do nível de homem, não o nível do corpo físico, o corpo, que assim seja, podemos construí-lo, mudá-lo, fazer o que quisermos, mas no nível humano, no nível semelhante ao Criador, que pode mudar o propósito das suas ações de recepção para doação, de amor para ódio, por mais que queiramos fazê-lo, e seja qual forem os dispositivos que usamos, não seremos capazes de o fazer, porque isso é algo que pertence apenas à força superior, que se encontra num nível mais elevado que o nosso.
Norma: Como considera o Dr. que a Inteligência Artificial poderia simplificar o caminho espiritual. Pode ser usado como um meio para avançar no caminho espiritual?
Rav: Não. Nós podíamos fazer tais ações, e escrevê-las de uma forma como fomos ensinados na universidade, mas na realidade, estas são formas relativamente simples, ações matemáticas, de adição e subtração, e é isso. Estou completamente tranquilo acerca do fato de que qualquer coisa que esteja abaixo do nível da alma, estas são coisas que o homem pode fazer, mas não no nível da alma, porque faz parte do Criador, vem de cima, e é um nível que não podemos alcançar. Podemos atrair forças daí, e usá-las dentro de nós, tanto quanto pudermos revestir-nos do poder da alma que vem de cima, das forças da alma que descendem sobre nós, mas não gerá-las ou desenvolvê-las.
Norma: Poderia gerar-se um algoritmo para melhorar o nosso sistema social atual? O que poderia ele aproveitar da Sabedoria da Cabalá?
Rav: Não é problema. Suponhamos que teremos esse algoritmo, mas como o concretizarmos? As pessoas não o querem. Está claro para nós que é para o benefício das pessoas tratar os outros com amor, e amar o outro como a ti mesmo, mas concordar com isso? Como o concretizarmos? Portanto, estamos num beco sem saída. Sabemos como ser boas pessoas, mas quem concorda com isso? Ninguém. Porque a nossa inclinação ao mal, a nossa natureza é maior, mais elevada, mais forte, e na realidade dita o que precisamos fazer.
Norma: Mas assim como há algoritmos que se utilizam para dirigir o pensamento humano em determinadas direções, normalmente armazena coisas negativas para fazer dano aos outros, qual é a solução que vai nos permitir convertê-lo em algo que seja para fazer bem aos outros, para unir as pessoas para que os ajudem na conexão?
Rav: Que a Inteligência Artificial o faça? Podem os computadores fazer tal coisa? Eu não vejo. O homem tem a maior capacidade que os computadores e máquinas, etc, e ele decide usar estas capacidades para prejudicar os outros, como os mísseis e as armas, e toda a capacidade de construir, mas o único em que pensamos é como magoar os outros. E portanto, também, não compensa pensar que, no futuro, poderemos fazer um mundo melhor com a Inteligência Artificial. Quanto mais avançamos, pior vai ficar o mundo, até nos destruirmos. Apenas uma coisa pode ajudar, que é explicar à humanidade que não temos escolha senão não usar estas coisas, como a Inteligência Artificial. Quer dizer, podemos usar, mas apenas vamos destruir tudo mais depressa. Precisamos pensar como podemos corrigir o homem, construir o homem, e não como, através de diferentes truques, programas, podemos nós mesmos construir uma boa vida através deles. Não, isso não vai acontecer.
Norma: Parece uma conclusão para o programa, como um sumário do nosso programa. Então em conclusão, a Inteligência Artificial não vai ser capaz de parar este desenvolvimento que já se encontra no processo, mas a questão é, como pode o homem mudar assim, para usar isto corretamente?
Rav: Só há uma forma, uma solução, chamada de Sabedoria da Cabalá, que explica quem somos, o que somos, e como podemos nos corrigir. Então assim chegaremos a um mundo que é totalmente bom. Mas não com a ajuda da Inteligência Artificial, mas através de mudar o homem, que trazemos o homem a uma decisão em que compreende que a menos que mude de mau para bom, o seu futuro pode ser totalmente apagado, e toda a raça humana pode desaparecer.
Norma: Como mudamos o homem então?
Rav: Explicar. Explicar a todas as pessoas que podemos construir dispositivos e coisas artificiais, mas em última análise não nos trará nada de positivo, exceto, um sem fim de dispositivos, mas isto não vai mudar o homem. Precisamos mudar o homem. O futuro da humanidade está em mudar o homem, e aqui nenhum programa vai nos ajudar. Precisamos de muitos programas, de muita informação, mas tudo focado em ajudar o homem a compreender que o nosso futuro é mudar o homem.
Norma: Que mudança é necessário implementar no homem, para que seja mais empático, que tipo de qualidades deve este novo homem possuir?
Rav: Qualidades de doação, amor, que é o oposto ao que ele tem agora. É isso. Pode ser que todos estes computadores possam ajudar o homem nisso, porque podem mostrar-nos diferentes formas de como, através de querer magoar uns aos outros de acordo com a nossa natureza, estamos indo na direção do nosso fim.
Norma: Chegamos então ao final do programa, mas esperamos que seja o princípio de uma nova perspectiva para o ser humano.
Rav: Sim, É bom para nós falar de como, com a ajuda de diferentes programas, computadores, novas tecnologias, como podemos apesar disso, convencer o homem que ele precisa de mudar a sua natureza interna e não colocar a confiança do seu futuro nos computadores.
Norma: Muito obrigada Dr. Laitman, até à próxima.
Rav: Tudo de melhor.