O MUNDO - A VIDA APÓS A MORTE
O Mundo - 01 de setembro de 2022 27:58min
Norma: Olá! Obrigada por estar conosco mais uma vez no seu programa O Mundo. E como de costume temos connosco o Dr. Michael Laitman com quem trataremos de explorar um interessante tema: O que é a vida após a morte. Dr.Laitman muito bem vindo.
Rav: Eu estou aqui muito feliz de estar com vocês. Vamos começar então.
Norma: O que chama a vida após a morte, se podemos chamar vida?
Rav: Isso é uma grande pergunta. Essa é a pergunta. Eu não sei, digamos que, que, na nossa realidade, se dissemos nessa vida, no estado em que nos encontramos agora, se chama vida. Como também, está escrito assim, que não é chamado “vida”, porque, de onde é que sabemos que vivemos? Ou seja, digamos, vivemos num sonho, e os nossos sonhos dão a impressão que vivemos, que falamos, que damos voltas, e assim nos dá todos os tipos de sensações. Mas, na verdade, é um tipo de existência protéica. Caracterizada de proteína, e a isso lhe denominamos vida. Depende do que consideramos vida. Seguramente que nos encontramos numa situação muito limitada. E também muito superficial. E se a pergunta é se podemos chamar isto vida, onde todo o tempo nos encontramos em limitações, em mudanças, e assim vemos que, não estamos contentes, não estamos felizes, pergunto isso é vida, ou é o contrário? Eu não posso dizer, se isso que temos é a verdadeira vida, porque limitaremos, definiremos a nossa existência como vida, ou não…, porque daí vem o que é a morte, digamos se é o estado de parar de respirar? Se nos limitarmos a todos os tipos de ações em nosso corpo, isso se chama morte? Olha, nós não pensamos assim com essas limitações. Nos últimos tempos começamos a ver, a tomar conhecimento que existem várias formas de vida em todos os tipos de lugares diferentes, chegamos a ver nas estrelas, no universo, assim como saber qual é o melhor na vida? Veja de descermos até no próprio fundo do mar, a 10 quilómetros de profundidade, vemos que ali também à vida. E quando chegamos à lua descobrimos que ali também havia alguma forma de vida. E apesar de que escreveram tanto sobre isso, não queremos confundir as pessoas. Mas sim, que existe um tipo de forma de vida E não podemos julgar que a nossa vida é à vida, porque há todos os tipos de formas. Então, observamos que há um tipo de forma de vida e é por isso que nós perguntamos, o que é a vida, o que é a morte? Essa é a pergunta. Olha, se somente estamos a falar da parte protéica que é o fundamento do nosso corpo? Então sim, é algo diferente assim, e nos limitamos ao que a vida é a forma de existência proteica? Sim, se pensarmos dessa forma, sim, isso é a vida. Na inexistência dessa forma, isso é a morte, já não existe. Isto é assim. Então, aqui, não há muito o que dizer, porque nos limitamos muito neste corpo proteico. E então, vamos escutar mais sobre o que queres saber.
Norma: Então, Dr. Laitman, de acordo com a Sabedoria da Cabalá, o que é a definição de vida, e o que é a definição de morte?
Rav: Segundo a Sabedoria da Cabalá, a vida não é a forma de vida proteica tal como segunda à ciência materialista a define, resultando daquilo que estamos sentindo na essência material e assim a essência corpórea a define. Senão que a vida, se chama quando a pessoa se encontra na qualidade de doação, outorgamento. Isso quer dizer, que eu saio do meu ego, do meu estado individual, e assim, existo fora de mim mesmo.
Norma: E morte Dr. Laitman, qual seria a definição de acordo com a Sabedoria da Cabalá?
Rav: A morte é quando desconecto dessa forma de existência, e estou no desejo de receber egoísta, individual, e digamos, para receber e desfrutar a mim mesmo, e isso é a morte em si mesmo.
Norma: Dr. Laitman, quando termina o corpo físico, e se passa a outra dimensão? Isso é exatamente o tema de hoje, o que é a vida após a morte. O Rav Yehuda Ashlag (Baal HaSulam), no seu Livro Shamati, artigo 3 Alcançando Níveis Espirituais diz: “Nós conseguimos discernir em muitos níveis, em diferentes aspectos nos mundos. Devemos saber que tudo referente aos níveis e diferentes discernimentos tratam do alcance das almas com respeito ao que recebem dos mundos. E isso segue a regra que, aquilo que não alcançamos, não conhecemos pelo nome.” Esse extrato fala de níveis e distinções em níveis espirituais. Em que consistem esses níveis espirituais e distinções em si?
Rav: Inclui uma força diferente, da qual existe em nós. Significa, na força de doação, e não da força de recepção. E isso significa até o quanto alcançamos a força da doação, e isso é a vida espiritual. E até o quanto alcançamos na força de recepção é a vida física. E nos encontramos na força da recepção na qual nascemos e temos a possibilidade de passar dessa força de receção para a força de doação. E assim, nesses níveis, queremos avançar, e nisso consiste a Sabedoria da Cabalá. Como receber essa segunda força de doação, e que equivaler-me com a Força Superior.
Norma: Dr. Laitman, o que determina esses níveis e distinções na reencarnação das almas?
Rav: Que por meio disso nós conseguimos alcançar a força de doação, e chegamos ao entendimento das encarnações das almas, e como podemos mudar de um estado ao outro, de um nível ao outro, na força de doação, e assim, por meio disso, nós aproximamos a realidade superior, a verdadeira realidade.
Norma: Dr., e o que é isso que conseguimos perceber, ou distinguir quando encarnamos?
Rav: Isso é possível falar em um momento de reencarnação nova. Em cada ponto de nossa existência, vamos dizer, se eu começo um pensamento novo, num desejo novo, isso é uma reencarnação.
Norma: Dr. Laitman, há uma estranha sensação de haver vivido um momento determinado de um tempo anterior, conhecido como Deja Vu. O que é essa sensação de acordo com a Cabalá?
Rav: Sim. Veja, a Sabedoria da Cabalá não fala muito de Deja Vu. E não relaciona isso de uma forma tão importante. Há coisas assim que em verdade sentimos, como se tivéssemos existido, tivessem em algum lugar ou já passado por algum lugar, ou ter vivido essas condições, tudo isso. Isso passa. Isso se usa muito em educação, na cultura, em vídeos, em filmes, e vemos todo esses tipos de coisa. É algo que é bastante conhecido, porém, na Sabedoria da Cabalá em si, não relacionamos isso, nem nos importamos. É um termo psicológico.
Norma: Dr. Laitman, não quer dizer aqui não tem nada mais, não quer dizer que aqui não tem nada a ver com reencarnação passada?
Rav: Não, não. As reencarnações das almas é algo completamente diferente. É algo muito mais que isso. Mesmo que eu não recorde em minha memória física, egoísta, e todo o tipo de estados, que agora o descrevo, não. Apesar que isso também existe. Mas isso não é o principal.
Norma: Dr. Laitman, outro aspecto que é popularmente visto, e que há casos nesse mundo, por exemplo uma criança de repente sabe interpretar ópera sem haver recebido qualquer instrução, e diz-se que ela tem uma alma aberta, que não corresponde a sua idade. Isso se relaciona com a quantidade de vezes que a alma tem reencarnado nessa pessoa? Como interpreta a Cabalá tudo isso?
Rav: Sim, há nisso muitas coisas, há pessoas que de pronto começam a falar idiomas estranhos, diferentes, antigos, que inclusive não podemos dizer que não tenhamos escutado ou não. Mesmo que pode ser que existiu há dois mil ou três mil anos atrás, pois na verdade é possível a cada pessoa passar por um estado assim, e ser convidado por meio dela, escutar algo de estados muito antigos, assim é. Isso não entendemos como ocorre, mas suposto que vem de nossa realidade, que é uma realidade geral, inclusiva, que estar formada por todos os tempos, num sistema único, conectado e está formada de todos os tempos, de todos os povos, de todas as formas, de todos os estados, e podemos tirar disso, assim como entremos num computador, ali nós temos, no computador, todos os tipos de formas, e tirar da sua memória qualquer arquivo, e assim é, dessa forma somos nós, nós vivemos de uma só alma, e passamos por um único processo, e não é somente que passamos um processo que passou, senão que está também detalhado de tal forma, todo o processo que temos que passar, desde o passado, o futuro, o presente, e se quisermos podemos tirar desse único sistema, desse único organismo desde o início da criação até ao final.
Norma: Rav, também no shamati 98, chamado “Espiritualidade aquele que jamais se anulará”, e Baal HaSulam escreve que em “cada nível é uma realidade”. “ Assim como cada um que visita a cidade de Londres na Inglaterra, vê o que há na cidade e escuta o que aí se fala.” E sobre a interpretação dos nossos Sábios diz,... "Isso é o que Abraão disse a Isaac…”, e outros livros similares dos nossos Sábios… estar ''dizia o que que dizia o que se explica nesses versículos.” Assim surge a pergunta: como souberam o que um disse ao outro? Porque aqueles que chegam ao nível, ao grau que Abraão esteve, ou qualquer outro, pode conhecer e ver o que Abraão viu e conheceu. Por esse motivo, conhece o que dizia Abraão. E sobre esse extrato nós temos várias perguntas. Uma, significa que o que percebemos do mundo por vir, dependerá do nosso nível espiritual alcançado?
Rav: Suposto que sim. Suposto que sim. O que quer dizer o mundo por vir? O próximo grau, o próximo nível. É o próximo estado. Suposto que depende o quanto alcançamos neste tempo, nesse mundo. Sim.
Norma: Dr. Laitman, vou reformular a pergunta. Eu vou ter que alcançar o mesmo nível da alma para me comunicar com os outros? Pois as almas dos grandes cabalistas só chegaram a se comunicar entre eles, porque eles estavam no equivalência de níveis espiritual que alcançaram? Ou, também eles podem entrar em comunicação com uma pessoa comum, que não corrigiu a sua alma no mesmo nível?
Rav: Sim, com uma pessoa comum é um pouco difícil, mas com a pessoa que já está no processo inicial, na Cabalá, no processo espiritual, ja é possível.
Norma: Dr. Laitman, por exemplo, que tipo de relação existe com familiares e amigos, quando já não estamos mais nesse corpo físico, neste mundo material depois da morte, e desejamos como se diz popularmente, ” Nos encontraremos no outro lado” Realmente, Dr. Laitman, nos encontraremos com com eles?
Rav: Não. Não é como nós imaginamos na nossa imaginação física, não, não, não é assim. Isso chega de todo o tipo de diversos métodos ou crenças, não, não é assim. Isso não é correto para nada. Chegaremos seguramente a um estado superior, ao próximo estado, e veremos até ao quanto está tudo ordenado de forma maravilhosa, completa, e tudo é para o nosso bem. E não necessitamos agora nos confundirmos com todo o tipo de formas, imagens, crenças, como nós esperamos que isso seja.
Norma: Dr. Laitman, nós queremos exatamente esclarecer isso, porque a Sabedoria da Cabalá diz que tem uma visão ao que se conhece normalmente. Por exemplo, temos ideia que vamos nos reencontrar um com o outro, após esse mundo físico, após a morte, que vamos realizar esse desejo. E que esse não é o fim no mundo físico. Como é que o que está a acontecer agora não é o fim físico, mas que quiçá aconteça a reencarnação das almas vai se reconhecer uns aos outros? Ou isso, não é assim?
Rav: Não, é muito mais simples, é muito mais direto e natural. Não há aqui nenhuma conexão, aqui com o que experimentamos aqui neste mundo, porque aqui a nossa conexão é segundo os nossos desejos egoístas, e no mundo espiritual é diferente. Então não convém aqui pegar estas coisas e juntar, mesclar em nossa imaginação. Não é certo isso. Isso não é certo. Suposto que há todo o tipo de crenças, religiões, e fizeram disso e conectaram uma coisa com a outra, misturaram uma coisa com a outra, certas informações, porém, eu não falo disso. Não é verdade.
Norma: Rav Baruch Shalom HaLevi Ashlag no seu artigo 10, 1984, “Qual o Nível que o homem deve alcançar para não ter que reencarnar”, Ele escreve que cada um nasce, com somente uma pequena parte da alma de Adam HaRishon, e quando corrige sua parte, já não necessita mais reencarnar. Todas as pessoas regressam a esse mundo físico, para continuar a correção da sua alma, ou tem que chegar ao nível espiritual tão elevado, que não tem necessidade de reencarnar? Nos Referimos por exemplo como as almas especiais de Baal HaSulam, Rabbi Shimon e outros Cabalistas…
Rav: Geralmente, temos que reencarnar até que alcancemos todo o NRNHY que pertence a alma da pessoa. Por isso, não posso falar de Baal HaSulam, mas seguramente, na maioria das almas, devem mais e mais, reencarnar-se, para completar sua NRNHY, quer dizer, receber tudo o que tem que receber para doar, para equivaler ao Criador. Em outras palavras, para que possa se equivaler ao Criador de forma completa.
Norma: Dr. Laitman, então qual o nível espiritual que devemos alcançar para que não tenhamos de reencarnarmos?
Rav: Rabash, escreve sobre isso no artigo, “...até que nível a pessoa deve chegar para que não venha reencarnar..., então é dessa forma, a pessoa deve alcança a NRNHY, ele escreve sobre isso.
Norma: Dr. Laitman, para as pessoas que estão a assistir o programa e não tem esse conhecimento tão profundo, o Sr, poderia nos explicar de uma forma mais sensível, abrir mais sobre esse assunto?
Rav: Olha, tem que chegar ao estudo da Sabedoria da Cabalá, e tratar assim de aprofundar-se nesta, e então, dessa forma, verão até ao quanto podem mais e mais desenvolver a si mesmo, e aproximar-se a si mesmo a todo o tipo de conhecimento, e assim, com as Luzes Superiores, e conexão com o Criador, e por meio com a conexão com as pessoas, e assim ele alcançará a sua alma, e incluirá no tempo ainda que está aqui nessa vida.
Norma: Dr. Laitman, sobre esse mesmo artigo, Rabash nos fala que “ um só não pode corrigir o que pertence a sua parte” . E sobre isso está escrito na Árvore da Vida, de ARI, que disse que “não há um dia como outro e um momento como outro, e não há uma pessoa como a outra.” E essa citação continua, mas eu me detenho aqui. Para lhe perguntar, Dr. Laitman, como a pessoa pode saber que porção lhe pertence na alma de Adam HaRishon, para que possa corrigi-la?
Rav: Ele deve alcançar essa parte, e assim corrigir a si mesmo, cada vez mais, e então dessa forma, ele começa a identificar que parte ele pode corrigir, e a que parte pertence nessa grande alma de Adam HaRishon. E assim, mais e mais ele aproxima, começa a avançar e conectar com essa parte e ordená-la, e realmente com a Luz que passa por meio dessa pessoa, com essa parte da alma de Adam HaRishon, e isso quer dizer que corrige Adam Harishon, por meio de sua alma.
Norma: Dr. Laitman, parece que como diz a citação, “que nem um momento é igual a outro, nem um dia igual a outro, como é então a questão da distinção das almas por exemplo?
Rav: Esse extrato nos fala que cada coisa tem o seu tempo, o seu lugar a sua correção,e devemos assim relacionar-nos com isto. É isso. O importante é que em cada momento, em cada ação, em cada caso em nossa vida por meio do qual podemos corrigir-nos.
Norma: Dr. Laitman, entendemos então que há níveis, categorias, graus nas almas, e que dependendo disso vai-se reencarnar. Então, como, ou porquê que há essa divisão? Se Adam HaRishon é um sistema geral dessas almas?
Rav: A realidade das almas inclui de suas almas particulares, um estado geral das almas que está formado de almas particulares, e cada uma dessa alma, ou seja cada um de nós, temos uma parte dentro de nós dessa alma de Adam HaRishon. E por isso, dessa forma, devemos conectar-nos uns com os outros, e nessas condições realizamos essas conexão recíproca, de forma a que todos nós conectemos como parte inseparável desse grande sistema Adam HaRishom, e assim, dessa forma, sentiremos como nos conectamos, como evoluímos, como medimos um ao outro, e assim percebemos, começamos a sentir a Luz geral que chega a todas as almas, que inclui dentro de si realmente todas as 600.000 almas particulares, e assim, nos conectamos, e nos elevamos ao grau de Adam HaRishon, que é similar ao Criador.
Norma: Dr. Laitman esse sistema que estamos a falar de Adam HaRishon, como podemos perceber essa dimensão? Ou esse estado que parece que é um estado de plenitude, E estamos no mundo físico, se pode perceber esse estado de Adam HaRishon nesse estado, ou temos que passar a uma outra dimensão?
Rav: Sim, isso é somente por meio da conexão entre nós. Se todos nós nos conectamos, todas as almas de todos os criados juntos, de forma gradual, paulatina, e então chegamos a um sistema que se chama “nishmat adam harishon” (A alma do primeiro homem). E assim, dessa forma, descobriremos, que dentro desse sistema, que a Luz Superior que chega, e assim alcançaremos a sentir, acima, um mundo superior, o Criador, porque é assim que se desenvolve o primeiro homem, Adam HaRishon.
Norma: Dr. Laitman, isso significa que chama o primeiro homem, parecido ao primeiro homem, Domé, semelhante ao Criador, e isso é um sistema que junta todas as almas?
Rav: Sim, sim. Muito bem, é dessa forma.
Norma: Dr. Laitman, como podemos resumir esse programa? Com que impressão podemos dar sobre esse tema aos nossos amigos sobre a reencarnação, da vida após a morte nesse sistema de Adam HaRishon? Por favor.
Rav: Tudo isso é um mesmo Tema. Como chegamos a esse sistema onde todos estamos conectados, juntos, numa só alma. E que vem de uma única Luz Superior chamada Boré, Criador, e que todos necessitamos ajudar-nos uns aos outros, para estar nesse único sistema, e chegar com toda a Luz de Ein Sof, infinito, e assim a medida que nos aproximamos uns aos outros, assim aproximamos a Luz Superior entre nós, esse é o nosso trabalho. E esperamos que terminemos isso. Estamos no nosso último nível de correção, na última geração, e então não nos resta muito, a não ser tratar de conectar entre nós de uma forma completa.
Norma: Dr. Laitman, chegar a esse grau de compreensão que o Sr. menciona se chama “A vida eterna”?
Rav: Sim, sim. Sim, quando chegamos a uma conexão tal, ao que alcançamos, assim é a plenitude, a vida eterna.
Norma: Bom, Dr. Laitman, eseperemos muito de chegar a esse nível e assim até ao próximo programa. Muito obrigada ao Sr.
Rav: Obrigado a Você.