O MUNDO - A GUERRA
O Mundo - 01 de Março de 2022 27:33 min
TRANSCRIÇÃO:
Norma: Olá e obrigada por estar conosco em seu Programa O Mundo. Hoje conversaremos com o Dr. Michael Laitman acerca de um tema que diz respeito a todos no mundo: A guerra, desde um plano espiritual. Dr. Laitman, obrigada por estar conosco.
Rav: Olá, eu também agradeço por estar aqui e falar dos eventos da atualidade.
Norma: Dr. Laitman, hoje, como mencionamos antes, queremos falar de um tema muito atual, que na realidade tem acompanhado a humanidade ao longo de toda a história, e queremos abordá-lo desde a perspectiva espiritual. Para o filósofo grego Heráclito: “A guerra está na natureza geral das coisas, é a expressão peculiar da humanidade da luta que prevalece em todo o universo.” Para a Sabedoria da Cabalá, o que é a Guerra?
Rav: Toda a natureza é construída da conexão das coisas opostas. Do Positivo e negativo, dos prótons e elétrons, etc, da luz e escuridão, da atração do rechaço, do frio, do calor e tudo isto vem pelo efeito que em nós existe o desejo de receber que tudo atrai para si, para seu próprio benefício e há por outro lado um pouco do desejo de outorgar, que consiste em afastar o benefício de si mesmo para o benefício dos outros. Mas esta força não é muito forte e portanto mal a sentimos, não damos conta que existe uma força positiva, senão que somente a negativa onde cada um atrai para si o que pensa que é bom e assim que existimos. Portanto, toda a nossa existência é uma guerra. Quem vai atrair mais, quem vai ter o melhor, em oposição ao desejo do outro. Por isso, toda a vida é uma guerra, toda a história é uma guerra e tudo que há na natureza que se encontra é também uma guerra, e também entre as pessoas. Não podemos dizer que alguma vez houve entre as pessoas períodos em que não existiu as guerras. Por isso, podemos dizer que a guerra é um estado comum da espécie humana, pois assim, eles pensam que desta maneira conseguem organizar as relações entre si. E desta forma, não tem atos que sejam ou que pensam em conexão, mas tão somente se ocupam da separação e da guerra.
Norma: Está na natureza do homem, do ser humano ambos os aspetos, a guerra e a paz?
Rav: Não. A paz não. Somente a guerra, só guerra. Mas, na guerra também fazemos um cálculo até quanto posso lutar contra o próximo para não ser afetado em demasiado, e então pensamos até o quanto me convém fazer a guerra contra o outro, que é vantajoso para eu continuar a lutar, ou então parar, até me fortalecer, e por isso, toda a nossa vida é uma luta somente.
Norma: E de que depende que este aspecto da guerra que está dentro do ser humano como o senhor disse, sair a florescer, que seja evidente? Que talvez ele esteja num estado adormecente, e o que depende para que este aspecto ative em algumas pessoas e em outras não?
Rav: Sim. Há pessoas que são mais próximas a travar guerras com outras, e há outras que não. Que existem outras pessoas que estão dispostas a renunciar e não querem entrar em conflito, isso depende do caráter da pessoa. Como já referimos, temos estes quatro tipos: Sanguíneos, Melancólicos, Coléricos e Fleumáticos. Portanto, também existem assim na natureza, quatro níveis relacionados à guerra e isso já depende da natureza de cada pessoa, com as características com que ela nasce.
Norma: Quando o senhor diz que o aspecto que prevalece na guerra, há internamente no ser humano. O que passa então, com o aspecto dessa guerra interna que passa dentro do ser humano continuamente entre o bem e o mal? Que critérios devem prevalecer no ser humano para saber que caminho tomar?
Rav: Deve ir na linha média nem bem nem mal, porque ambos, o bem e o mal, são baseados no seu egoísmo. Mas, a linha média é onde o homem se eleva acima do seu ego e assim atua. É isso que devemos aprender a fazer, e mais construir uma inclinação assim em cada pessoa, isso é o importante a isso se chama de educação correta.
Norma: Como se transforma então, esse conflito externo na vida de cada pessoa? Porque não faltam conflitos externos, e que se veem diante de nossos olhos como algo externo e tomá-lo como um trabalho espiritual? Como se faz isto?
Rav: Começa por meio da importância que damos à paz, que o valor da paz está quando elevamos acima de qualquer outra coisa na vida, então já começamos a buscar como em qualquer situação podemos chegar à paz, a complementarmos para a plenitude (shlemut), da mesma palavra Shalom (paz) do hebraico, e assim atuamos em cada momento, em cada situação na vida, até que nos habituamos que toda a nossa vida esteja dirigida à paz.
Norma: Como chegar a este objetivo de paz. Nos referimos a Paz em todos os níveis: pessoal, nível da sociedade, nível mundial. É então, um objetivo que se alcança somente por meio da sabedoria da Cabalá unicamente? A Sabedoria da Cabalá prática? É isso?
Rav: Há todo o tipo de exercício, ou métodos, teorias de todo o tipo de como chegar, de como chegar a isso. Digamos assim, como eliminar as inclinações para a guerra, mas como verdadeiramente chegar a paz (Shalom) paz que vem da palavra (Shlemut) completude e que todas as forças negativas e positivas podem se conectar de uma forma que se complementam entre si e quando ambas atuam em estado de conexão e bem e assim o mal vai ser como o bem, o Anjo da morte se transforme no anjo do bem, e que a escuridão ilumina como a luz e há todos os tipos de versos acerca disto. E, é isto que nós precisamos como aprender a fazer. E a sabedoria da Cabalá nos explica precisamente como chegar a isto. Este método é chamado a linha média que não é simplesmente paz e não é apenas guerra, senão que devemos aprender como ir a todo o tempo na linha média que inclui ambos e então é isso permite-nos não cair nem na direita, nem na esquerda, senão como nos direcionar de uma forma correta.
Norma: Para abordar este tema, queremos relatar uma história muito conhecida, popular que conta que numa noite, um avô cherokee contou ao seu neto acerca de uma batalha que acontece no interior de cada pessoa e disse-lhe: “dentro de cada um de nós há uma dura batalha entre dois lobos. Um deles é um lobo malvado, violento, cheio de ira e agressividade e o outro é totalmente bondade, amor, alegria e compaixão. O neto, aquietou-se por alguns minutos pensando nas palavras que seu avô lhe contou. E finalmente perguntou: diz-me vovô qual dos dois lobos ganhará. E o avô respondeu: Aquele que tu alimentares. Como conseguimos que estas duas forças coexistem entre nós, ou em nós?
Rav: Se ambos sentem que se complementam entre si, que nenhum é mau ou bom, mas que o bem pode ser verdadeiro somente se existir a combinação de ambos e da conexão correta entre ambos. E que não há mal, ou bem no mundo, senão que são duas forças que devem existir na natureza. Tal como vemos que não pode existir uma noite sem o dia, a escuridão sem a luz, ou frio sem calor e etc… E, por isso, devemos desde o início, não relacionar-nos com algo sem o outro, como sendo uma coisa boa porque o bem, é o equilíbrio entre ambos e assim chegaremos a forma de positivo e negativo, o bem o mal, o frio e o calor, etc, de uma forma tal que somente a combinação de ambos pode nos levar à plenitude. E assim, assim, continuaremos mais e mais, tomaremos forças negativas e positivas e vamos conectá-las e formaremos a linha média, chamada Shlemut, da palavra Shalom. E, incluirá entre si essas duas forças. O que existe na força negativa, e o que existe na força positiva, como se fosse entre aspas, o positivo e o negativo, mas o perfeito é o que há entre ambos.
Norma: Tanto o positivo como o negativo precisam de estar presentes na mesma medida?
Rav: Só que se equilibram entre si. Na medida que cada um complementa o outro. Não podemos decidir que um é bom e o outro é mau. É sempre um oposto ao outro. Devemos parar ambos e ordenar entre si uma conexão tal, um sistema tal, completo entre eles, para que o resultado da conexão entre ambos, tanto o positivo como o negativo seja apenas bom. E isto é como precisamos de construir a conexão entre nós, entre as pessoas e todas as partes da natureza.
Norma: Seguindo este relato como compreender melhor essa alegoria, quando falamos em alimentar, alimentar o lobo bom, cheio de amor alegria e compaixão, e não o agressivo e violento?
Rav: Precisamos combinar entre ambos, para que nasça dos dois e um terceiro. E apenas deste modo vamos alcançar um estado que exista o bem. Não pode haver bem sem o mal, e mal sem o bem, e luz sem escuridão, escuridão sem luz etc, e todos os tipos diferentes de formas opostas que temos e que somente se complementam um ao outro. E usar apenas os dois para que se complementam.
Norma: Nas guerras que vemos acontecer no mundo, parece algo irrealista e impossível de se alcançar. Por onde podemos pensar quando existem esses lados opostos? E queremos construir a linha média?
Rav: Começamos com educação. Começamos com a necessidade de aprender que devemos desde o início, aproximar a natureza não apenas por um lado, mas também pelo outro, na direção que nos permite conectar estas duas forças. Que o bem pode nascer apenas como resultado da correta integração entre as duas forças.
Norma: Mas qual é o primeiro passo próximo dessa direção? Que cada um tem que dar?
Rav: Renunciar. Cada um renuncia ao seu estado e então a pessoa fica com um espaço vazio onde concedeu um pouco o de seu domínio, e então pode dar lugar para o outro lado e então anula-se a si próprio e recebe algo do outro e o outro faz o mesmo, concede algo e recebe algo do primeiro. E então, começa a existir entre eles a capacidade de compreender-se, conectar-se um ao outro, porque em cada um deles existe já uma parte do outro. E desta forma começa a conexão, o desenvolvimento entre as pessoas.
Norma: Na Torá, fala de várias guerras, como a queda do muro de Jericó, a guerra dos Filisteus, a guerra dos Macabeus, a Guerra do Rei David. Por que tantas guerras?
Rav: Todas falam disto, sobre todo o tipo de eventos, e como fazemos entre estes a participação correta entre ambas as partes opostas. Assim, a Torá nos explica todas as guerras.
Norma: Desculpe. Desculpe Qual foi o propósito que levou o Criador a permitir, designar todas estas guerras?
Rav: Para que aprendemos, como construir uma realidade que consiste de duas partes opostas. Porque o fato que é necessário de se encontrar formada entre coisas opostas é óbvio, porque único é somente o Criador, Ele não tem opostos. Então, como integrar duas partes opostas, para que exista entre elas um sistema que acontece apenas quando os dois atingem um equilíbrio: que ambos os lados, o bem o mal, conectem entre si, não importa a proporção, ou que relação, o importante é que o equilíbrio entre ambos, seja o avanço para o bem, assim para que avancem, vejam que o que precisamos é o resultado que vai originar a conexão. Que o que vai acontecer vai incluir o bem e o mal, a luz e a escuridão, duas coisas opostas, e então, desta forma, vamos construir dessas duas forças opostas que temos neste mundo, construiremos um sistema bom e harmônico.
Norma: A guerra mais conhecida por todos é a guerra de Gog e Magog . Por que é uma guerra que é considerada a guerra do final dos tempos?
Rav: Sim. Porque com isso, terminamos com todos os conflitos entre nós, que nesta grande guerra alcançamos o fim dos cálculos egoístas e firmamos, terminamos a construção do sistema de tal forma que podemos afirmar que fazemos e construímos uma complementação final entre as forças positiva e negativa, mal e bem, luz e escuridão, calor e frio, não importa o que é. Desta forma terminamos de as ver como coisas opostas e a partir deste ponto elas funcionam em complemento uma da outra, reciprocamente. E isto é a correção final. E então entramos num mundo que é totalmente bom.
Norma: As pessoas imaginam a guerra de Gog e Magog como algo físico. Pode acontecer também uma guerra física para além da guerra espiritual?
Rav: Sim, sim, claro que é possível que aconteça. Baal HaSulam escreve que assim pode ser. Baal HaSulam escreve inclusive que pode existir uma terceira e quarta guerra mundial, nuclear.
Norma: Estamos próximos de uma situação destas? Ou, perto de estar numa situação destas?
Rav: Eu creio que por ora não, Graças a D’us. Temos tempo para realizar algumas correções para que não aconteçam no mundo físico. Pode acontecer espiritualmente, mas vamos mantê-lo aí, e não permitir que aconteça no mundo físico no mundo da matéria.
Norma: Muitos Cabalistas viveram em períodos de guerra. Por que? Tiveram um papel especial que não levaram em conta que nada acontece na realidade por acaso ?
Rav: Sim, grandes, grandes cabalistas, muitos viveram precisamente em tempos e sob essas circunstâncias de erupção do ego e houve realmente uma colisão entre forças opostas que existem na natureza. E assim, é o efeito que eles cuidam e mantêm algum tipo de equilíbrio no mundo, para que essas duas forças não explodam.
Norma: Como um Cabalista se relaciona com as guerras?
Rav: Ele sofre muito por não poder equilibrar essas forças opostas e levá-las à correcção, ao equilíbrio e à complementação mútua. E que se descubram as forças do mal, de domínio, que são especialmente reveladas através do controle sobre as forças do bem.
Norma: Então, como é que o Cabalista aguenta essa dor da guerra entre as nações e a transforma em um trabalho interno?
Rav: Isto é realmente o trabalho interno de um Cabalista e por isso, eu não posso posso explicar-te isto. Mas isto é o que eles fazem, e se os ajudamos, então seguramente vão ser bem sucedidos, eles precisam do nosso apoio.
Norma: Do livro do Rabi Nachman Goldstein de Macherin ( cidade na Polônia) Meshivat Nefesh (busca profunda da elevação da alma) no item 40 diz, o seguinte “enquanto tivermos armas nas nossas mãos, e a nossa arma principal é a oração, assim não desesperamos com esta guerra e seguimos agarrando as nossas armas, estamos ganhando com segurança. Enquanto nos fortalecermos em oração e nos agarrarmos ao Criador, estamos ganhando a guerra, já que isto é essencialmente a vitória.” Como pode uma oração ser uma arma?
Rav: Eu diria que não temos outras armas senão a oração, que precisamos, somente por meio da oração acalmar-nos, bem como as forças da natureza e trazer tudo até ao estado de perfeição. Não há mal no mundo. E também não há algo bom no mundo por si mesmo, senão que o bem acontece apenas pode ser alcançado por meio do equilíbrio entre as forças positivas e negativas. E este também talvez não seja o nome apropriado para isto, mas na conclusão, tudo necessita de estar em equilíbrio e isso é chamado de bem. Isto é o que precisamos de tratar de alcançar. E espero que cheguemos a este ponto, por isso tratemos de levar a cabo.
Norma: Então qual é a vitória e sobre que vitória? O que é a Vitória para um cabalista?
Rav: O cabalista vence a força do mal, que é contra o equilíbrio, contra a conexão, e portanto o Cabalista vê a conexão entre todas as forças da natureza como algo bem, e a falta dessa conexão entre as forças da natureza como mal.
Norma: Então, para concluir, tem algum tipo de conselho para humanidade de como alcançar a tão almejada paz?
Rav: Levemos a cabo entre nós o método da complementação, em que cada um quer ajudar o outro e isso é como vamos alcançar um mundo completo e perfeito e do nosso estado esperemos que elevemos tais esforços, pedidos por meio de orações, pensamentos e intenções acima para que essas também ocorram no mais alto nível. E então, desde cima, todas estas forças baixarão, voltarão para nós, sobre toda a humanidade e sobre toda a natureza toda a natureza física, para que tudo em nosso nível entre em equilíbrio. Portanto, precisamos de trabalhar juntos, e juntos vamos com certeza ser bem sucedidos.
Norma: Amém.
Rav: Amém e obrigado.
Norma: Muito obrigada.
Rav: Muito obrigado!