Six days of Creation

Six days of Creation

Episódio 101|21 מרץ 2024
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Estados Espirituais

Seis dias da Criação

21 de Março de 2024 21:08 min

Transcrição:

Moshe:* Boa tarde a todos. Olá, Dr Michael Laitman.

*RAV: Boa tarde.

*Moshe: Continuamos a série de transmissões “Estados Espirituais”. E hoje eu gostaria de abordar o estado que se chama os seis dias da criação. Mas precisamente dentro do ser humano. Porque é claro que há pessoas religiosas elas tomam o que está escrito ao pé da letra. Simplesmente acreditam nisso, não precisam investigar nada. Os cientistas tentam provar alguma coisa... também não conseguem provar uma base científica.

A Cabala propõe uma abordagem completamente diferente. Baseio-me nas suas explicações, que encontrei nos seus livros. Essa abordagem significa que todos esses processos, esses dias da criação, estão dentro do ser humano. Gostaria de compreender se há aí algum padrão: o que é que a pessoa revela no primeiro dia? O que significa "no primeiro dia"? Vou simplesmente ler.

> "No primeiro dia, no princípio, foi criado o céu e a terra — e foi separado a luz da escuridão."

O que significa que foi criado o céu e a terra?

*RAV:* Ou seja, apareceu a luz no nosso mundo, e ficou claro que toda a criação consiste em dois estados: de luz e de escuridão, de dia e de noite.

*Moshe:* E o que significa esse conceito de "luz e escuridão" dentro da pessoa? em relação a que?

RAV: Em relação à sua conexão com o Criador. E não há mais ninguém, nem necessidade disso. A pessoa que se eleva um pouco acima de si mesma, acima da sua natureza animal, começa a sentir que existe luz. É a luz da doação, luz da aproximação, luz do amor, da união — e assim por diante. Por isso, primeiro a pessoa experimenta dentro de si esses dois estados: a luz e, oposta a ela, a escuridão. Onde a luz representa todos os estados bons e positivos de aproximação com qualquer um. E a escuridão é o contrário.

*Moshe:* E o que significa que foi criado a terra e o céu?

*RAV:* O mesmo se aplica à terra e ao céu. Onde a terra é como... o desejo de receber e o céu é o desejo de doar.

*Moshe:* Ou seja, são duas forças: uma é a força do Criador, a outra é a força da criação. Ambas como que se desenvolvem dentro da pessoa.

Está escrito que são separadas por seus pensamentos.

Ou seja, pensamentos de escuridão são pensamentos egoístas, e luz são pensamentos direcionados ao Criador. Pode-se dizer assim?

*RAV:* Sim, certo.

*Moshe:* E antes disso, se dizemos que tudo estava em caos, quer dizer que...

*RAV:* Não havia nenhuma ordem. Ou seja, nem sequer havia separação entre uma coisa e outra.

*Moshe:* A pessoa, no início, não conseguia separar dentro de si esses dois tipos de direções, pensamentos, digamos assim.

*RAV:* Sim.

*Moshe:* Nós estudamos na Cabala cinco fases do desenvolvimento do desejo. Existe alguma relação entre essas cinco fases de desenvolvimento do desejo e entre os seis dias da criação?

*RAV:* Sim, certo.

*Moshe:* Ou seja, isso é explicado apenas em línguas diferentes: a linguagem da Torá e a linguagem da Cabala.

*RAV:* Sim, claro.

*Moshe:* Vamos passar para o segundo dia da criação.

"No segundo dia, diz-se que se cria um espaço no meio das águas, separando as águas superiores das inferiores, e esse espaço é chamado de firmamento."

O que há aqui exatamente? Que tipo de separação ocorre aqui?

Já temos escuridão e luz, ou seja, a pessoa já entende quais pensamentos ela tem — egoístas E que tipo de separação ocorre aqui?

*RAV:* A separação é que... aquilo que está na Terra não é uma qualidade boa, é como secundária, e a primária está no céu.

*Moshe:* O que significa as águas superiores e inferiores acima do firmamento e abaixo do firmamento?

*RAV:* Águas superiores e inferiores são a diferença entre as forças que aspiram ao Criador e as forças que aspiram na direção oposta.

*Moshe:* E depois, no terceiro dia, o Criador cria a terra e começa a crescer vegetação, árvores e assim por diante. Pode-se relacionar isso já com algum nível vegetal do desejo na pessoa?

*RAV:* Sim, claro. Vão se desenvolvendo mais e mais, manifestam-se, pode-se dizer. Mas, em essência, todos eles se desenvolvem a partir do primeiro dia. Assim, manifestam-se novos dados sobre a criação, novas possibilidades de criação, ver mais profundamente, ver com mais clareza para si mesmo o que o Criador faz.

*Moshe:* Mas o que se quer dizer é que o tempo todo os desejos ainda são espirituais, não os nossos desejos egoístas deste mundo, onde vemos o desenvolvimento em direção ao poder, à...

*RAV:* Existe uma certa correspondência entre aquilo e isto. Porque, quando depois ocorre uma divisão já ao nível do nosso mundo, também ocorre como que num estado semelhante.

*Moshe:* Ou seja, em essência, o que está escrito na Torá são todas descrições da criação de diversas forças ou dos princípios sobre os quais essas forças se baseiam. Mas o senhor diz que existe uma correspondência quando essas forças se manifestam já na matéria. Sim. Só que dentro dos limites de tempo, espaço e movimento. Sim. A velocidade já existe. Ou seja, há aqui uma conexão de causa e efeito.

*RAV:* Correto.

*Moshe:* O que é que a pessoa descobre em si quando aqui está escrito que a vegetação começa a florescer, as árvores? O que isso significa no terceiro dia que se manifesta no desenvolvimento de conexão com o Criador?

*RAV:* Esse é o terceiro dia. É um bom dia da criação. Quando, naquela natureza que o Criador criou, começa a manifestar-se uma semelhança com o Criador.

*Moshe:* Bom, o senhor disse, sobre a terceira linha, que é a linha do meio. Que duas linhas foram criadas: a esquerda egoísta, a direita altruísta. E aparece então a linha do meio. Isso acontece justamente no terceiro dia?

*RAV:* Sim.

*Moshe:* Ou seja, pode-se dizer que o terceiro dia é já a possibilidade da pessoa trabalhar com duas linhas?

*RAV:* Sim. Algo segundo o Criador? Tiferet.

*Moshe:* Se falamos de uma pessoa que já avança de baixo para cima, então é claro que tudo isso está nela como potencial… É claro que a pessoa pode chegar a isso depois de 10 anos ou após 10 ciclos. Mas quando ela chega e pode combinar corretamente essas duas linhas em si, isso já se chama terceiro dia.

*RAV:* Sim.

*Moshe:* E adiante. Quarto dia. > "Diz-se que o Todo-Poderoso cria dois grandes luminares — o Sol e a Lua." E... bem, na Cabala o senhor diz que isso se chama _Zeir Anpin_ e _Malchut_. O que são esses dois estados? O que significa eu descobrir em mim esses dois luminares — o Sol e a Lua?

*RAV:* Refere-se, novamente, à conexão da pessoa com o Criador. Há uma conexão pequena da pessoa com o Criador, e há uma conexão grande da pessoa com o Criador. E ambas têm o seu lugar.

*Moshe:* Ah, então a Lua é a conexão pequena com o Criador?

*RAV:* Sim.

*Moshe:* E o que significa uma conexão grande e uma pequena? Como assim?

*RAV:* Sim. O Sol é a conexão grande com o Criador. Ou seja, do Sol provém a vida e tudo o mais. E onde não há luz do Sol, ali nem sequer há vida.

*Moshe:* Uma associação, ou seja, a conexão pequena é quando eu utilizo desejos mais leves para a conexão com o Criador. A conexão maior é quando eu já utilizo os desejos mais egoístas .

*RAV:* Sim.

*Moshe:* E depois, no quinto dia, está escrito frutificai e multiplicai-vos, Deus já cria todos os animais, aves. Bem, é claro que ali são listados todos esses níveis de diferentes animais. Ou seja, estamos a falar já — tínhamos desejos vegetais, agora são desejos animais. Ou seja, o que significa essa diferença entre desejo vegetal...

*RAV:* Bem, é uma diferença enorme. Tu entendes, imagina só, no nosso mundo, se só existissem desejos vegetais… Se estás a dizer que o Criador criou o homem, então como é que Ele se aproxima da criação do homem? Através da criação dos desejos vegetais, depois animais, e só depois o homem.

*Moshe:* E depois está escrito: _frutificai, multiplicai-vos_. O que é esse princípio?

*RAV:* É um mandamento, uma instrução do Criador de que o ser humano deve frutificar e multiplicar-se.

*Moshe:* E dentro da pessoa, o que isso significa?

*RAV:* A pessoa descobre esse princípio dentro de si. Sim, dentro da pessoa também. Ou seja, ela deve pensar em como colocar os mandamentos do Criador em ação.

*Moshe:* Pode-se dizer que ela deve preocupar-se em que os seus desejos Kelim estejam sempre a crescer? Porque quanto maiores forem os seus desejos, maior é a conexão com o Criador.

*RAV:* Sim, exatamente assim.

*Moshe:* E resulta que, em princípio, isso é correto. Se traçarmos um paralelo, então isso é correto também no nosso mundo, quando isso é compreendido no sentido simples. E dentro da pessoa, isso já significa apenas desejos.

E o sexto dia, claro, é o mais interessante — é quando o ser humano é criado. E o interessante é que é dito: Façamos o homem à nossa imagem e semelhança._ O que isso significa? Qual é a imagem do Criador?

*RAV:* Ou seja, depois de todas as criações inanimadas e vivas, ocorre o estado do ser humano à imagem e semelhança do Criador. O ser humano é criado de tal forma que pode, a partir do zero, literalmente, a partir do que o Criador criou nele, crescer até alcançar o próprio Criador.

*Moshe:* E o que é isso? Qual é a imagem do Criador? Nós dizemos que Ele não tem imagem alguma. Ou o que se quer dizer com imagem e semelhança?

*RAV:* Bem, semelhança quanto às propriedades ainda se compreende de alguma forma. Imagem... bem, não sei como explicar, mas quando a pessoa forma a si mesma, torna-se semelhante ao Criador. Ela assume sobre si o impacto das _Sefirot_ Superiores, forças do Criador, e assim constrói dentro de si todas essas emanações, todas essas ações do Criador, de tal forma que, no fim, adquire a propriedade de semelhança.

*Moshe:* Ou seja, em essência, é claro que não se trata da criação do ser humano físico. Estamos a falar do ser humano dentro da pessoa. Adam_, da palavra _Edamé_ — ou seja, "ser semelhante".

*RAV:* Sim.

*Moshe:* Ou seja, neste sexto dia, este sexto estágio, por assim dizer, a pessoa já descobre dentro de si forças que lhe permitem assemelhar-se, pegar todos esses desejos — vegetais, animais, desejos inanimados — e direcioná-los todos ao Criador, e assim tornar-se semelhante a Ele, certo?

*RAV:* Sim.

*Moshe:* E então acontece que no sétimo dia… O interessante é que no sétimo dia Ele descansa, por assim dizer — o Criador. Ou seja, em princípio, o trabalho é proibido. O que significa isso?

*RAV:* Isso significa que a pessoa realmente deve compreender que o mundo não foi criado para trabalhar, para criar algo. Mas há uma certa etapa, um período, em que ela deve se ocupar com isso — criar. Por isso é chamado de criação, de ato criador. E depois tudo já deve prosseguir sem o trabalho sobre si mesma.

*Moshe:* Ou seja, aí já é o trabalho do próprio Criador?

*RAV:* Sim.

*Moshe:* Ou, como li, o senhor dizia de outra forma: que em seis dias a pessoa faz um certo trabalho sobre si mesma, e no sétimo dia ocorre o preenchimento. Por isso, na Cabala, a proibição significa que é impossível. Ou seja, não é que a pessoa não deva trabalhar sobre si mesma, mas que ela já realizou todo o trabalho, e resta apenas... o Criador já preenche. Isso já é o trabalho do Criador.

*RAV:* Sim.

*Moshe:* É interessante que, se compararmos com a linguagem Cabalística, onde falamos das cinco fases do desenvolvimento da criação, do nosso desejo, e depois vem a restrição — aqui, ao contrário, ocorre como que o preenchimento.

*RAV:* Ou seja, e depois vem a restrição

*Moshe:* Todos os seus desejos semelhantes ao Criador...Então ela se preenche. Ou seja... e depois, em princípio, vem a restrição?

*RAV:* Sim.

*Moshe:* E por quê?

*RAV:* Bem, porque ocorre o preenchimento, e esse desejo que recebe a Luz Superior sente-se completamente concluído, por assim dizer, mas não vê o resultado das suas ações. E por isso, a única coisa que lhe resta, e que surge no seu desejo, é que ele deve interromper, por assim dizer, o seu desenvolvimento, os seus desejos, e fazer uma restrição sobre si, sobre o seu desejo, para que ele não se desenvolva mais. Uma restrição — e para que, a partir desse desejo, agora por iniciativa do homem, de Adam, surja uma outra ação. Não uma continuação do desenvolvimento, mas, de certo modo, o contrário. A pessoa restringe-se. Ela deseja transformar esse desejo no qual foi criada num desejo no qual ela será semelhante ao Criador. Isso é importante para ela. E por isso, resulta que no sétimo dia a criação não termina. São apenas os sete dias da criação. Depois disso, ocorrem ações do lado do homem.

*Moshe* Ou seja, está como que potencialmente inserido todos esses estados que a pessoa deve passar dentro de si.

*RAV:* Certo

*Moshe* Ou seja, em essência, a Torá, a Cabala descrevem o processo da criação de cima para baixo. É quando todos os estados são colocados. E quando a pessoa já começa a ascender espiritualmente por si mesma, ela sobe de baixo para cima e entra nesses mesmos estados que já foram colocados. Ou seja, ela apenas revela as forças que já existem.

*RAV:* Sim.

*Moshe* E em essência, mais adiante no relato, fala-se do Éden — ou seja, o jardim do Éden — e depois da expulsão do jardim. Ou seja, isso corresponde, em essência, à restrição e a tudo o mais.

*Rav:* Sim.

*Moshe* Em essência, são linguagens diferentes. Mas ambas falam da mesma essência, no fundo.

*RAV:* Sim.

*Moshe:* Ou seja, em essência, após o preenchimento, a pessoa restringe-se, porque sente, como o senhor disse, a_bu-sha_, a vergonha. E então começa o processo de ocultação do Criador, e depois o de revelação, quando a pessoa revela o Criador já na medida da sua semelhança. Ou seja, aquela semelhança que havia no sexto dia — qual a diferença dessa semelhança, quando a pessoa sobe de baixo para cima, e daquela semelhança que havia no sexto dia?

*RAV:* A diferença é grande. Uma é o que o Criador faz, e outra é o que é dado à criação para que ela construa a partir de si mesma algo semelhante ao Criador.

*Moshe:* Ou seja, naquele sexto dia eram apenas forças colocadas em potencial?

*RAV:* Sim.

*Moshe:* E aqui já é como que... a criação do ser humano, de Adam. Da palavra _Edamé_, semelhante ao Criador. Ou seja, aqui já se trata da subida de baixo para cima. É quando eu reconheço todos os poderes potenciais e os realizo em mim.

*RAV:* Sim.

*Moshe:* E isso significa que cada um, em essência, deve escrever a Torá no seu coração e no seu desejo ?

*RAV:* Sim.

**Moshe:* Muito obrigado pelas explicações. E até à próxima.

*RAV:* Até à próxima.

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https://youtu.be/BLDsaebSBlo