A TV Program "The Power of Book Zohar"

A TV Program "The Power of Book Zohar"

Episódio 18|30 de jul de 2010

O Poder do Livro do Zohar

Capítulo 18

30 de Julho de 2010 31:42min

Transcrição:

Link do Vídeo

https://kabbalahmedia.info/en/programs/cu/IvCHCGto?mediaType=video

Texto para Legenda Revisado!!!

*ENTREVISTADOR:*

Queridos amigos, olá.

Estamos, afinal, a continuar a leitura do Livro do Zohar, apesar de que, talvez, nem todos o compreendamos.

*RAV:*

Bem, no fundo, ele não é para ser compreendido.

Ele não é para ser compreendido.

*ENTREVISTADOR:*

Claro.

Portanto, estamos a ler um livro que não é para ser compreendido, aqui convosco, e ajudamo-nos mutuamente a não compreender este livro.

A seguir, o professor Michael Laitman.

*RAV:*

Abrimos, como é costume entre pessoas normais e cultas, abrimos ao acaso o livro.

E como verdadeiros estudiosos, começamos a ler onde ele se abriu.

*ENTREVISTADOR (lendo):*

"O Mistério dos Mistérios é transmitido àqueles sábios de coração."

"Três graus estão ligados uns aos outros."

"Néfesh, Rúach, Neshamá."

Néfesh... como se traduz isso?

*RAV:*

Néfesh é a alma animal.

Rúach é o espírito.

E Neshamá é a alma superior.

*ENTREVISTADOR:*

Superior, sim.

É a alma divina.

*RAV:*

A alma divina.

Vou continuar um pouco.

"Néfesh é..."

São simplesmente três degraus de alcance do mundo superior.

Três degraus de alcance do Criador.

Três degraus de aproximação ao Criador.

Três degraus de semelhança com o Criador.

No mundo da semelhança com Ele, sente-se Ele.

Então, quando sou preenchido pela luz do grau de Néfesh, o primeiro grau, sinto-me semelhante a Ele no estado mais pequeno.

O segundo é um estado intermediario.

*ENTREVISTADOR:*

Vamos continuar com isso. Está logo a seguir.

Não quero que você conte logo tudo sobre Néfesh, Rúach, Neshamá.

Precisas de um mistério.

*RAV:*

Um mistério, sim.

Como nos ensinam os nossos mestres:

"Néfesh é a força a partir da qual o corpo é formado.

E quando a pessoa desperta neste mundo para a união com o princípio feminino, todos os órgãos se harmonizam e atuam para desfrutar disso.

Então, Néfesh, o desejo da pessoa, participa neste ato de forma consciente.

E a pessoa atrai Néfesh e insere-o no sémen emitido."

*ENTREVISTADOR:*

Muito confuso e, no geral, não se entende sobre o que se fala.

Felizmente, as pessoas talvez compreendam, ainda que parcialmente.

*RAV:*

Ou seja, por semente entende-se aquilo que é dado por nós, dado a nós — o princípio espiritual dentro de nós.

Essa é a semente.

Nossa origem espiritual, a partir da qual nos desenvolvemos.

Naturalmente, não tem qualquer relação com erotismo.

*ENTREVISTADOR:*

E nem mesmo no espiritual?

Existe erotismo no mundo espiritual?

*RAV:*

Não, nada disso.

Isto não são filosofias orientais.

*ENTREVISTADOR:*

Mas existe desejo, paixão, lá?

*RAV:*

Desejo e paixão de doar, mas não de receber.

São chamados pelos mesmos nomes que no nosso mundo se chamam desejo e paixão animal.

Porque no nosso mundo, no corpo animal, há uma impressão — como uma cópia — das propriedades e ações espirituais.

Mas, naturalmente, no mundo espiritual não há qualquer...

…ligação com o que acontece nos corpos no nosso mundo.

Nos corpos no nosso mundo, isso é apenas um instinto, que favorece a reprodução, o desenvolvimento do egoísmo.

Esse instinto adquiriu um caráter bastante forte, poderoso.

Ele abrange toda a nossa cultura.

*ENTREVISTADOR:*

Certo, claro.

Dizem que “o amor e a fome governam o mundo.”

*RAV:*

Amor aqui significa paixão animal.

*ENTREVISTADOR:*

Então lá, quando estás nesses estados…

*RAV:*

Também lá o amor e a fome governam o mundo.

Tudo provém de uma só força.

*ENTREVISTADOR:*

Mas quando essa força… onde ela é mais forte?

*RAV:*

Não, não é apenas mais forte.

Ela age noutra direção.

Quando essa força passa pelos mundos espirituais, então lá ela tem a sua propriedade, o seu aspecto de manifestação.

Quando ela entra no nosso mundo, manifesta-se de forma totalmente diferente:

na atração animal, na saciedade animal, no prazer.

E por isso a diferença nas palavras.

*ENTREVISTADOR:*

Podes ler o texto, e o cabalista vai entendê-lo como o Cântico dos Cânticos.

Como se entende, como um grande anseio apaixonado pelo Criador, pela unificação.

Podes até dizer… pela união.

*RAV:*

Mas quando falas disso no nível espiritual, é uma propriedade totalmente diferente daquilo que dizes no nível animal.

Porque no nosso mundo só existe a natureza inanimada, vegetal e animal.

“Homem”, no nosso mundo, não existe.

O “homem” já é um nível espiritual em nós.

Já é a propriedade de doação que há em nós.

As pessoas, no nosso mundo, são apenas chamadas de humanos ou seres humanos pelo objetivo que devem alcançar.

Porque isso lhes está destinado.

Mas não pelo nível em que nos encontramos atualmente.

*ENTREVISTADOR:*

As pessoas simplesmente acham que o mundo espiritual é algo subtil ou sensível.

Por isso quero perguntar-vos:

Esses sentimentos que surgem lá, entre o chamado princípio feminino e o chamado princípio masculino…

São mais fortes ou mais fracos? Pergunto de forma simples.

Em módulo.

*RAV:*

Em módulo?

Muito mais fortes. Milhões de vezes.

*ENTREVISTADOR:*

Pronto, já se pode continuar a leitura.

Sim, mas ler sem imaginar isso com as nossas imagens.

*RAV:*

Claro.

Mas em imagens espirituais é preciso traduzir tudo.

É tudo absolutamente inverso.

Porque tudo aquilo que, para nós, está direcionado para receber, desfrutar, saciar-se — lá é para doar.

Ou seja, lá é para doar. Para preencher os outros.

Entende-se um conceito completamente diferente por princípio feminino e masculino.

*ENTREVISTADOR:*

Ainda vou lhe perguntar sobre isso.

Vamos continuar agora.

Antes de mais, vamos agora… eu quero mesmo compreender.

O “corpo” aqui — surgiu a palavra corpo. O que é isso?

*RAV:*

Desejo de receber prazer — no nosso mundo, chama-se corpo.

E, no geral, aquilo que vemos como corpos — corpos físicos, corpos inanimados, vegetais, animais — por corpo entende-se um objeto que ocupa determinado volume, tem determinado peso, certos parâmetros físicos.

No mundo espiritual, por corpo entende-se um objeto espiritual que possui, respetivamente, parâmetros espirituais.

Isso é que é o corpo.

*ENTREVISTADOR:*

Pode continuar a leitura.

*RAV (lendo):*

"Graças ao desejo, bem como à Néfesh que ele ali atraiu, atrai-se ali outra força das etapas dos anjos chamados Ishim.

E tudo se inclui na atração do sémen, e o corpo é formado.

Dessa forma, essa é a primeira força inferior de três graus, que se chama Néfesh."

Ou seja, no nível de Néfesh, a pessoa ainda se chama Ish.

São gradações do ser humano.

*ENTREVISTADOR:*

O que é Ish?

*RAV:*

Bem, desculpa-me. Existem, por exemplo, recém-nascidos: bebé, criança, adolescente…

Depois jovem, rapaz, homem jovem, adulto, idoso, ancião.

*ENTREVISTADOR:*

No mundo espiritual, o que isso significa?

*RAV:*

Também são degraus.

Degraus do seu desenvolvimento, degraus da sua elevação até ao nível do Criador.

Até aos chamados 70 anos espirituais, quando atinge plenamente a semelhança completa com o Criador.

*ENTREVISTADOR:*

E Ish? O que é Ish?

*RAV:*

Ish é o primeiro grau.

Por isso se chama Ishim — no plural.

*ENTREVISTADOR:*

Primeiro grau de quê? O que é isso?

*RAV:*

O primeiro grau do seu desenvolvimento espiritual.

A menor semelhança com o Criador.

*ENTREVISTADOR:*

Ou seja, assim que penetro no mundo espiritual, sou chamado de Ish?

*RAV:*

Sim.

*ENTREVISTADOR:*

E o sémen?

*RAV:*

Do qual esse Ish se desenvolve.

Assim como no nosso mundo nasce de uma semente um pequeno ser humano, um bebé,

assim também aqui nasce de uma semente espiritual que há em nós.

*ENTREVISTADOR:*

Em quem ela existe?

*RAV:*

Praticamente em todos, absolutamente.

Mas a questão é que, quando ela na pessoa começa a manifestar-se — ou seja, deseja nascer — então leva a pessoa a voltar-se para os livros, para o ambiente, para o professor.

E assim ela chega à Kabbalah.

É então que, sob a influência dessa luz que é evocada pela leitura do Livro do Zohar, ela desenvolve em si essa semente, esse gérmen do futuro ser humano dentro de si, e alcança o primeiro grau: Ish.

*ENTREVISTADOR:*

A semente é mais do que o ponto no coração?

*RAV:*

É a mesma coisa. É o ponto no coração.

*ENTREVISTADOR:*

É esse o ponto no coração?

*RAV:*

Sim.

*ENTREVISTADOR:*

Muito obrigado.

*RAV (lendo):*

"A primeira atração é a luz de Néfesh. A força a partir da qual o corpo é formado."

*ENTREVISTADOR:*

Ou seja, aquela força vital que preenche, por exemplo, um bebé, quando ele nasce.

*RAV:*

Da mesma forma, no espiritual, este pequeno ser humano chama-se Ish.

E a força espiritual, a força que o vivifica, a sua força de existência, chama-se luz do grau de Néfesh.

"Ela é atraída pela força da luz de Néfesh daqueles que geram,

pois conforme a intensidade da paixão dos que geram — ou seja, a forte concordância da sua luz de Néfesh —

eles atraem a luz do mundo espiritual de Assiyá."

*ENTREVISTADOR:*

Sim, ela provém do mundo de Assiyá.

Esse é o mundo mais inferior.

*RAV:*

Ou seja, está-se a falar de onde nasce o ser humano.

Assim como a pessoa nasce da mãe, ela nasce para o nosso mundo.

Antes disso, ela não estava no nosso mundo — estava dentro.

Ela nasce para o nosso mundo.

Assim também nós nascemos para este mundo a partir de dentro.

Este útero, no qual estamos agora, é todo um lugar preparatório para o nascimento no mundo superior.

*ENTREVISTADOR:*

Ou seja, neste momento estamos dentro da nossa mãe?

*RAV:*

Sim.

E o nosso primeiro nascimento espiritual, quando se nos abrem os olhos, os sentidos, isso chama-se mundo de Assiyá.

E eu sou chamado nele de Ish.

E a minha energia, a minha compreensão, tudo aquilo que me vivifica chama-se Néfesh.

*ENTREVISTADOR:*

Assiyá é como “fazer”, algo que ali ocorre?

*RAV:*

Sim.

Ação. Mundo da ação.

Porque eu ainda não entendo nada.

Eu ainda não sei nada.

Eu apenas me desenvolvo com ações como que instintivas.

*ENTREVISTADOR:*

Obrigado.

*RAV (lendo):*

"E é a partir dessa luz espiritual que se forma o corpo do recém-nascido."

*ENTREVISTADOR:*

Nasceu.

É isso que você disse.

*RAV:*

Está bem, vamos em frente.

*ENTREVISTADOR:*

Está a ficar um pouco mais claro, sim?

*RAV:*

Sim, está a clarificar.

O principal é a semelhança, um com o outro, para não se cometer erros.

*RAV (lendo):*

"Quando a pessoa deixa este mundo, a Néfesh nunca se afasta da sepultura.

E por meio dessa força de Néfesh..."

*ENTREVISTADOR:*

Bem, claro que ele...

Professor, perdoe-me, preciso encerrar, aqui está muito bom...

*RAV (lendo):*

"E por meio dessa força de Néfesh, que permanece na sepultura, os mortos tomam consciência e conversam uns com os outros."

*ENTREVISTADOR:*

Sim.

Nos caixões.

Nos caixões, na noite escura, sob a lua...

*RAV:*

Ora, isso deixa para o teatro.

Na verdade, os desejos mortos, com os quais eu estava dentro daquela minha mãe — neste momento em que ainda estamos no nosso mundo, antes do nascimento no mundo de Assiyá, antes do despertar, antes do esclarecimento — este lugar que estou a deixar... estou a deixar o meu túmulo.

*ENTREVISTADOR:*

Magnífico.

*RAV:*

Réchem (útero) ou kéver (sepultura), é a mesma coisa.

*ENTREVISTADOR:*

A mesma coisa, sim.

*RAV:*

É o inverso — quando inverto, então torna-se uma força de renascimento.

Ou seja, eu mato os meus desejos atuais e verdadeiros e elevo-me ao grau seguinte.

Isso é que é sair da sepultura, para fora — o nascimento de um novo ser humano.

*ENTREVISTADOR:*

E no fundo, também é assim que acreditamos no nosso mundo:

que depois que a pessoa é enterrada na terra, ela renasce de novo, e por aí fora.

Por que é que, afinal, nos relacionamos assim com o corpo que morreu?

Que já não serve para nada, por assim dizer...

Quem precisa dele? Que proveito há nisso?

São as nossas nostalgias em relação a ele.

Vamos lá fazer o quê? Acariciar uma pedra?

O que é que há nela? Não há nada ali.

*RAV:*

Precisamente isso está de acordo com o espiritual.

Porque é a partir do desejo espiritual morto, egoísta, que nasce o desejo altruísta correto.

Por isso é que tratamos, de certo modo, com respeito — com, como dizer, até com reverência — o nosso egoísmo.

Porque sobre ele baseamos todo o nosso crescimento espiritual.

*ENTREVISTADOR:*

Sobre o que estão eles a falar ali?

Está claro que não são aqueles corpos em decomposição nos caixões ou fora deles.

Quem são esses mortos que estão nas sepulturas?

*RAV:*

No mundo espiritual, claro, isso é linguagem espiritual.

Mortos — somos nós os dois.

*ENTREVISTADOR:*

Aqui estamos nós a conversar.

*RAV:*

Sim, aqui estamos a conversar sobre como nos tornarmos vivos.

Como sair deste estado.

É isso que se chama passar dos mortos aos vivos.

*ENTREVISTADOR:*

Ou seja, o mundo inteiro que vemos à nossa volta — está morto?

*RAV:*

Claro. Este mundo está morto.

Porque está encerrado em si mesmo.

O Zohar diz mesmo isso:

“Vejam estas pessoas, como as órbitas dos olhos estão voltadas para dentro.”

Imagina só… muito belo.

É simplesmente magnífico.

*ENTREVISTADOR:*

É preciso estudar muito ainda para conseguir escrever assim.

*RAV:*

Primeiro é preciso compreender, para depois escrever.

*ENTREVISTADOR:*

E o que é Néfesh?

*RAV:*

Aqui está ela — essa alma inanimada, ou melhor, alma inferior.

O grau mais baixo.

É como um bebé, que por enquanto ainda nada compreende, mas já existe graças aos que o rodeiam.

Está escrito lá: graças ao fato de que os pais lhe transmitem tudo.

E de fato, quando ele sai do ventre materno, ele recebe alimentação.

Começa o período da amamentação.

*ENTREVISTADOR:*

Ou seja, aquilo que ele não recebeu durante os nove meses do seu desenvolvimento intrauterino — espiritual — é isso que se quer dizer?

*RAV:*

Exatamente.

Ele recebe — estou a falar agora a nível espiritual — mas é o mesmo no nosso nível.

Ele recebe durante o chamado período de amamentação espiritual de dois anos.

*ENTREVISTADOR:*

Amamentação.

*RAV:*

Um período muito interessante.

Porque aquilo que não pôde desenvolver no nosso mundo, no nosso nível, eleva-se com ele ao mundo de Assiyá, a um nível superior.

E lá ele recebe esse desenvolvimento sob forma de leite.

*ENTREVISTADOR:*

Recebe-o então.

*RAV:*

Recebe-o então.

Em vez de o receber no nosso nível sob forma de sangue.

*ENTREVISTADOR:*

Ou seja, o ciclo completo com a mãe.

*RAV:*

Lá ele já recebe sob a forma de luz espiritual.

Sangue e leite são como que dois...

No nosso mundo, a força de crescimento que o faz crescer chama-se sangue.

Porque o nosso mundo é inanimado, por isso o sangue se chama Dam — da palavra Domem, inanimado.

*ENTREVISTADOR:*

Inanimado.

*RAV:*

Sim, por isso o sangue se chama assim.

E no mundo espiritual, a força da luz chama-se Chalav.

*ENTREVISTADOR:*

Leite.

*RAV:*

Sim.

*RAV:*

Porque aí ele adquire a propriedade branca.

Adquire a propriedade de doação.

*ENTREVISTADOR:*

O estado espiritual intrauterino… é algo que a pessoa sente?

*RAV:*

Nós devemos começar a senti-lo — que estamos todos dentro do Criador.

Como está dito: não há nada além Dele.

Se eu me coloco dessa forma, na sensação de que estou dentro desse útero espiritual,

e a Superior — digamos, a mãe, a chamada Elokim —

essa qualidade de Biná, na qual eu me encontro, que me desenvolve,

cuida agora completamente de mim,

define todas as minhas qualidades, ações, sentimentos, pensamentos… então eu…

eu tento com todas as minhas forças agarrar-me a ela,

acreditando que tudo vem dela dentro de mim.

Isso significa que eu me uno a ela,

a esse útero, a essa mãe,

e quero agir apenas com ela, com o seu consentimento,

em concordância com ela.

*ENTREVISTADOR:*

E é isso que se chama…

*RAV:*

Na verdade, não o sinto.

*ENTREVISTADOR:*

Começas a sentir. Tenta.

Tenta o tempo todo manter essa consciência: não há outro além Dele.

E tudo isso apenas para me desenvolver na direção certa.

Ou seja, o Bom e Benevolente.

Se eu só penso assim e me uno dessa forma ao Superior,

começo agora a sentir-me como estando dentro da mãe espiritual.

*RAV:*

E após passar por várias dessas etapas, eu nasço.

Ou seja, eu nasço, começo a compreendê-la ainda mais,

a senti-la, a vê-la.

*ENTREVISTADOR:*

O processo do nascimento acontece… realmente, não é muito agradável.

Ele… é curto?

*RAV:*

É relativamente curto, mas é traumático.

*ENTREVISTADOR:*

De certa forma, sim.

Dramático, perdão.

*RAV:*

E depois disso já ocorre outra…

Outra conexão com o Superior.

A conexão com o Superior decorre o tempo todo.

Só que num nível mais elevado.

Já entendes mais, sabes mais, balbucias, sorris.

*ENTREVISTADOR:*

No sentido espiritual, sim.

E sentes uma reação diferente.

Já tens uma ligação que não é a nível inanimado, em que o principal é agarrares-te.

E já não sentes que a mãe é como que insensível.

Que não reage de forma especial a ti.

*RAV:*

Porque ainda não tens esses sentimentos.

*ENTREVISTADOR:*

Perceção.

*RAV:*

Sim.

E depois, quando te desenvolves, desenvolves a tua perceção.

Começas a vê-la de outra maneira.

Como a criança começa a sentir a sua mãe.

*ENTREVISTADOR:*

Obrigado.

*RAV (lendo):*

"Rúach.

Rúach sustenta Néfesh."

*ENTREVISTADOR:*

É já o nível seguinte. Elevado.

Ou seja, é o nível em que a pessoa… Rúach é movimento. Vento.

*RAV:*

Na tradução.

Ou seja, em hebraico tem de se explicar.

Em hebraico é tanto espírito como vento.

Uma só palavra designa duas coisas.

*ENTREVISTADOR:*

E agora vou terminar de ler.

O espírito também, de forma geral, associamo-lo a algo que se move.

Respiração, sopro, alento.

Tudo isso associamos a algum movimento, alguma deslocação.

*RAV:*

Ou seja, começou o movimento espiritual.

Da parte da pessoa.

A pessoa começa já a sentir a sua ligação com o Superior de tal forma,

que já realiza certos movimentos conscientes.

E dessa forma, entra em comunicação com o Superior.

E ele já sabe que ações vão provocar que reações do Superior.

Já surge entre eles um diálogo, por assim dizer.

Esse pequenino já começa a perceber o que pode e o que não pode,

de que forma pode reagir.

Ele começa a aprender com o adulto, a tomar consciência, a absorver.

E essa absorção de sinais do adulto, das sensações do adulto,

é o que o torna semelhante — começa a torná-lo semelhante ao adulto.

Esses movimentos são por isso chamados de espírito — Rúach.

*ENTREVISTADOR (lendo):*

"Rúach sustenta o Néfesh neste mundo."

Neste mundo? Em que mundo?

*RAV:*

Não no nosso mundo, de forma alguma.

No nosso mundo, o Zohar não pode dizer nada.

*ENTREVISTADOR:*

Então o que querem dizer quando falam "neste mundo"?

*RAV:*

É naquele estado em que nos encontramos.

Cada grau em que eu estou, eu chamo de "este mundo".

O meu mundo, no qual me encontro — o meu estado.

Este estado espiritual.

No nosso mundo, um rei pode dizer, ou um czar, ou um rico, ou uma pessoa famosa:

"Esse é o meu mundo."

E algum pobre, infeliz, preso ou outro qualquer também pode dizer:

"Eu estou neste mundo."

Mas para cada um é um mundo completamente diferente.

Ou seja, é o estado em que a pessoa se encontra.

*ENTREVISTADOR (lendo):*

"Rúach sustenta o Néfesh neste mundo.

Atrai a abundância da vida e realiza a doação para o Néfesh.

Esse é o grau intermédio..."

*RAV:*

Ou seja, ele quer dizer — com licença —

ele quer dizer o seguinte:

que apesar de tu subires ao grau seguinte, todas as formas anteriores…

Tu subiste ao grau de Rúach, ao segundo grau.

O primeiro grau permanece em ti.

E tu, pelo contrário, começas nele a compreender ainda mais o que viveste.

Assim como nós hoje, por exemplo, somos adultos,

mas quando lembramos da nossa infância,

podemos agora compreendê-la melhor e de forma mais profunda,

entender por que razão os pais nos tratavam daquela maneira,

por que reagíamos daquela forma.

Ou seja, a partir do nosso nível — tal como aqui.

A partir do nível de Rúach, do segundo grau, compreendes melhor o grau de Néfesh.

E ele não desaparece — ele é complementado.

*ENTREVISTADOR:*

E para que eu preciso entender aquilo que já passou?

Por que preciso compreendê-lo?

*RAV:*

Para entender como o Superior se relacionava contigo e como ele te educava.

*ENTREVISTADOR:*

Ah, desde o início?

*RAV:*

Claro. Porque tu, por tua vez, a partir disso,

deves tornar-te cada vez mais semelhante a Ele.

*ENTREVISTADOR:*

Ou seja, tudo o que aconteceu…

*RAV:*

Tudo o que aconteceu no grau anterior, no grau de Néfesh,

tu agora, a partir do segundo grau — do grau de Rúach — avalias de forma diferente.

E por isso, no grau anterior, já não tens a luz do grau de Néfesh,

mas a luz do grau de Rúach.

Tu agora estás a tornar-te…

Digamos, estás a tornar-te agora uma criança, e não um bebé.

E aquele bebê que havia em ti, ele já também como que se eleva a esse grau

e torna-se um contigo no grau de criança.

*ENTREVISTADOR:*

Ou seja, começas a tomar mais consciência.

*RAV:*

No nosso mundo isso não é tão perceptível,

mas no grau espiritual, onde tudo acontece,

toda ascensão é baseada na compreensão.

*ENTREVISTADOR:*

Então há esse acúmulo… acúmulo constante dos graus anteriores.

E o bebê permanece sempre dentro da criança?

*RAV:*

Em nós, nos espirituais, permanecem todos os graus anteriores.

E todos eles se elevam e juntam-se ao grau mais elevado.

Ou seja, começamos a compreender todos os graus anteriores a partir do mais alto.

Começamos a justificar o Criador — como Ele agiu conosco, a nossa história, as nossas ações.

E por isso somos chamados de “justos”.

Por isso, alcançar o grau de justo só é possível quando eu percorri absolutamente todos os graus

e analisei em todos eles como o Criador se relacionou comigo.

Eu, a partir do último grau, quando olho para todos os anteriores, realmente O justifico.

*ENTREVISTADOR:*

O Rabi Nachman tem um conto, em que eles se lembram… “quem se lembra?”

E havia um deles que se lembrava de como disse que cortaram o cordão umbilical quando ele nasceu.

*RAV:*

Obviamente fala-se de um ato espiritual que ele recordou.

E tudo isso está dentro da pessoa… claro.

É simplesmente maravilhoso.

*ENTREVISTADOR (lendo):*

"Rúach sustenta o Néfesh neste mundo,

atrai abundância de vida, realiza a doação para o Néfesh.

Este é o grau intermédio dos três.

Uma atração que surge do despertar do princípio feminino no mundo de Atzilut,

em direção ao princípio masculino do mundo de Atzilut.

Quando o desejo deles é um só no momento da união,

pois então o princípio feminino desperta para o masculino,

com sede de receber dele o Rúach,

semelhante à mulher do nosso mundo,

que é fecundada pela semente em virtude do intenso desejo de receber do princípio masculino..."

*RAV:*

Lá eu, claro, fiz confusão na tradução.

Não confundi, mas compliquei.

Mas não consegui expressar isso de forma mais simples — peço desculpa, claro.

A questão é que não posso retirar nada dali, porque afinal é o Livro do Zohar.

Há ali muita coisa que eu acrescento com texto comum.

E lá onde o texto está em negrito — o texto a negrito — é o texto original,

que eu simplesmente traduzo praticamente do original.

O fato é que esses mundos, essencialmente, podem ser divididos em partes.

O mundo de Assiyá é o mundo da mãe.

O mundo de Yetzirá é quando a parte feminina ainda prevalece sobre a masculina.

É o mundo seguinte após Assiyá.

*ENTREVISTADOR:*

Sim, o mundo de Rúach, sobre o qual falámos.

*RAV:*

Depois vem o mundo de Neshamá.

O mundo seguinte é o mundo de Beriá, onde a parte masculina prevalece sobre a parte feminina.

E o mundo de Atzilut, o mundo seguinte, é onde se manifesta somente o Criador.

Lá, a parte masculina lidera absoluta e completamente toda a criação — isto é, a propriedade da doação.

O feminino inclui-se completamente nele.

Por isso, aqui ainda nos encontramos numa etapa em que nos preparamos para essa linha média.

Quando primeiro verificamos todo o nosso egoísmo — da linha direita para a esquerda, depois da esquerda para a direita —

depois fazemos delas certa união, e então ascendemos ao mundo de Atzilut.

*ENTREVISTADOR (lendo):*

"No meio do jardim há uma coluna, composta por todas as cores.

E esse espírito, desejando elevar-se ao mundo de Atzilut,

despe-se ali da roupa do ar do jardim do paraíso,

entra nessa coluna e sobe até ao lugar de onde saiu, ao princípio feminino do mundo de Atzilut."

*RAV:*

Esta é a linha média que surge da simbiose,

da direção de união entre os princípios masculino e feminino.

É precisamente essa coluna que se eleva do mundo inferior ao mundo superior.

*ENTREVISTADOR:*

Assim como mostrou?

*RAV:*

Sim. Além disso, consiste em três linhas que se entrelaçam entre si.

É muito semelhante a estas formas orgânicas…

Como uma coluna entrelaçada, por exemplo.

*ENTREVISTADOR:*

Parece-se com uma molécula, com o ADN.

*RAV:*

Sim, exatamente assim. Em espiral.

Dessa forma ela eleva-se de baixo para cima.

*ENTREVISTADOR:*

E por que se eleva assim? Por que tem de ser dessa forma? Por que não diretamente?

*RAV:*

Porque as propriedades estão constantemente prevalecendo umas sobre as outras.

E assim tem de ser para que todo o tempo elas possam interagir entre si em várias combinações,

revelando-se cada uma através da outra.

Nós não conseguimos sentir algo sem comparar com outra coisa.

Então, elas, manifestando-se ora uma, ora outra, nessa combinação recíproca,

alternando-se, uma mais, outra menos, e em diferentes qualidades,

entrelaçando-se dessa forma — no fim das contas — atraem-nos e elevam-nos até ao mundo de Atzilut.

*ENTREVISTADOR:*

Continuemos. É simplesmente essa beleza que aguarda todos nós.

"Então, Michael, o grande Sumo Sacerdote, toma aquele espírito

e o oferece como sacrifício de agradável aroma perante o Criador,

e ele permanece ali, deleitando-se com a vida eterna,

e depois volta novamente, descendo ao jardim terrestre do Paraíso,

e deleita-se com todos os prazeres, e novamente veste a roupa do ar do jardim do Paraíso,

e permanece ali agora, e no final, duas vezes mais grandioso do que antes da subida."

"Na coroa", desculpe… "permanece lá na coroa, duas vezes mais grandioso do que antes da subida."

Mesmo que tivesses saltado uma palavra, continuamos sem entender nada.

*RAV:*

Então, qual é o sentido?

A subida realiza-se por uma força especial — uma força de elevação, digamos, como no nosso mundo: um íman, vento…

Alguma força de atração de grande magnitude deve existir.

Existem também no mundo superior forças que, assim como no nosso mundo há quatro níveis —

inanimado, vegetal, animal e humano — assim é no mundo espiritual.

Nos mundos de Assiyá, Yetzirá, Beriá e Atzilut, existem quatro forças diferentes que realizam a subida.

E essas forças são chamadas anjos.

São: Michael, Gabriel, Uriel e Rafael.

Essas forças elevam o ser humano, e correspondentemente, cada mundo tem a sua força,

mas todas as quatro trabalham juntas em cada um dos mundos.

Só depende qual delas assume a liderança em cada mundo.

Assim, a primeira força que eleva a pessoa acima do mundo é Michael.

Mi-Ka-El significa "Quem é como o Criador?"

*ENTREVISTADOR:*

Muito obrigado, professor Michael Laitman.

*RAV:*

Obrigado a ti.

Continuaremos a leitura deste grande livro.

*ENTREVISTADOR:*

Tudo de bom.

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