O MUNDO - A ESCRITA
O Mundo - 12 de Janeiro de 2023 32:05 min
TRANSCRIÇÃO:
Norma: Olá, e bem vindos mais uma vez ao programa O Mundo, obrigada por se juntarem a nós, e hoje gostaríamos de falar com o dr. Michael Laitman acerca da escrita. Dr. Laitman, bem vindo.
Rav: Feliz por estar aqui com vocês! Por favor.
Norma: Dr. Laitman, na história da humanidade no geral, e na Sabedoria da Cabalá em particular, vemos como escrever sempre teve um papel especial, portanto hoje este é o tópico que gostaríamos de aprofundar neste Programa. Primeira pergunta: porque é tão importante escrever?
Rav: Queremos preservar o que temos de um dia para o outro, de uma geração para a outra, e portanto estes símbolos pelos quais podemos anotar os nossos pensamentos são muito importantes para nós. Portanto, a humanidade, desde a antiguidade, gerações começaram a anotar, a marcar recordações tudo o que temos, em emoções, em intelecto, em notas musicais, em diferentes coisas. Como manter o que tenho hoje para que permaneça amanhã, para que possa voltar a ver, falar sobre isso, etc. Ou seja, escrever é a verdadeira arte. Para os níveis inanimado, vegetativo, animado, existe a capacidade de através do olfato, passar informações uns aos outros, mas elas não são mantidas, enquanto que o homem, para além do intelecto e emoção também possui a inclinação para preservar os seus pensamentos, intenções, desejos. E daí alcançou a desenvolver a arte, digamos desenhos e estas são coisas que descobrimos em escavações, etc. Isso é algo muito importante. E no meio de todas estas coisas até se desenvolveu a escrita. Escrever é algo muito importante porque pode transmitir não só a impressão, a inspiração através de um desenho, mas para além do desenho, passamos para a ciência como símbolos, letras, uma letra é um símbolo, e através disso podemos descobrir, de uma geração para a próxima, de homem para outro homem, em várias línguas, podemos transmitir a nossa opinião, a nossa atitude para com algo, etc. No final de contas a escrita, que é baseada em letras, símbolos, signos, é algo extremamente importante, e a humanidade, passou por muitos anos e gerações até que se desenvolveu até um estado em que encontrou letras, escreve letras, letras corretas e certas, por forma a passar de uns para os outros, a emoção, o intelecto.
Norma: Como bem disse, desde a época das cavernas vemos como ficaram gravados alguns desenhos, hieróglifos que encontramos, para que seja possível deixar uma impressão dos nossos pensamentos, ideias, para que seja possível comunicá-lo aos outros. Ou seja, é um desejo muito profundo do ser humano, que possa passar de geração em geração?
Rav: Claro. Quanto mais as pessoas iam se desenvolvendo, em suas vidas de forma simples para as mais complexas, surgia a necessidade de recordar dela, e passar signos uns aos outros, por isso desenvolveram esta forma de deixar as coisas chamada escrita.
Norma: O Senhor tem nos dito que escreve muito e que recomenda essa prática a qualquer pessoa que queira examinar a sua estrutura interna, e tornar-se uma pessoa melhor. Como a escrita pode nos tornar uma pessoa melhor?
Rav: Se eu quero transmitir o que tenho na minha emoção e intelecto, de mim para os outros, então preciso de o passar com a ajuda de algo. E então, isto é como a humanidade começou a escrever as suas emoções, através da escrita. Veja que há diferentes signos por som, por exemplo, Dó, Ré, Mi, Fá, Sol, Lá, Si, Dó. Há diferentes signos para sentimentos e emoções internas, há signos, símbolos para aquelas pessoas que têm a linguagem em braille, eles podem ser cegos, mas possuem uma forma de escrita especial que sentem por meio do tato que vão lendo e escrevendo. Assim, é a forma como estamos em comunicação entre nós. Há diferentes sinais que passamos uns aos outros, como existia no passado, por exemplo, o Telégrafo, ou sinais de fogo, e assim se transmitiam um ao outro todo o tipo de informação era como se comunicavam, há o código Morse onde através de pontos passamos informações uns aos outros. Temos muitos signos, não apenas letras, escritas, inglês, hebraico, mas há muitos signos. Na realidade existem muitos símbolos e signos. A humanidade possui muitos símbolos, para passar informações uns aos outros e sem isso é impossível. É uma necessidade. Se para os animais é suficiente, para nós, não. Eles possuem um olfato muito desenvolvido, e de acordo com o que cheiram podem dizer quem é, e qual a situação, e é suficiente para eles. Mas para nós, que desenvolvemos de uma geração para outra de uma forma essencial, precisamos de passar uns para os outros os pensamentos, não a situação em si mesma, mas os pensamentos, e para os pensamentos já precisamos de signos específicos, que são o nosso alfabeto, ou alfabeto hebraico, ou qualquer que seja o alfabeto.
Norma: Vemos que todas estas formas de comunicação, seja por escrita, ou uma representação gráfica é algo peculiar ao ser humano. Por isso, quais são os processos internos que nos levam a desenvolver o homem através da escrita.
Rav: Isto é um assunto muito profundo e antigo. A forma como as pessoas desenvolveram a escrita, e como através da escrita transmitem diferentes coisas. Sabemos como foi difícil para nós decodificar a escrita egípcia, quando há cerca de cento e poucos anos encontraram a pedra da roseta e perto dela, a chave para compreender o texto dos antigos egípcios. E ainda não estamos certos de o estarmos a fazer corretamente, mas em alguma medida começamos a descobrir a escrita dos antigos índios, mais e mais. Vemos que há muitos idiomas diferentes no mundo com os quais não o conhecemos, não o entendemos, nem sequer pensamos ser um idioma. E por isso não compreendemos ainda a nossa história.
Norma: Então, vemos esta necessidade através da história até os dias de hoje, logo, como é que a escrita ajuda o homem a organizar internamente os seus pensamentos e desejos?
Rav: Primeiro que tudo o homem inventou a escrita de acordo com a sua natureza, e por isso há tantos tipos diferentes de escrita. Da direita para a esquerda, da esquerda para a direita, de cima para baixo, em círculos, e outras formas tão diferentes como também signos são tão diferentes. A razão é porque há uma origem espiritual interna para a nação que desenvolve a sua escrita da forma que faz, e como passa isso para a próxima geração. A dada altura estive envolvido nestas coisas, e verifiquei como é interessante a forma como a escrita, diria que é uma aplicação, uma cópia, uma projeção do espírito de uma nação. Como podemos comparar a escrita dos chineses ou japoneses com a escrita europeia, ou com a escrita de certas tribos da África, ou Norte América ou América do Sul, os índios. São coisas que estão muito longe umas das outras por um lado e por outro lado, somos seres humanos e queremos expressar o que pensamos, e quando escrevemos, podemos ver provavelmente, digamos, se pegarmos por exemplo o mesmo texto e o escrevermos em todas estes idiomas tão distantes uns dos outros, então como entenderíamos que falam da mesma coisa? No entanto, no final das contas, as pessoas queriam expressar como se sentiam, sua percepção de mundo, a sua relação com a natureza, seu pensamento, mas quando olhamos para todos estes signos, símbolos não vamos saber neles que são similares uma ao outro, isso se detalha até o ponto de como somos diferentes.
Norma: E a propósito destas diferenças o Dr. mencionava antes sobre as direções que se escrevem. Por exemplo, o hebraico é escrito da direita para a esquerda. Por que é escrito assim?
Rav: Isso porque da direita é a completude e a esquerda é a incompletude e portanto começamos da direita para a esquerda. De cima para baixo, como escrevem os Japoneses, é também pela mesma razão. Não sei o que mais acrescentar, mas tudo depende da atitude do homem para com a natureza.
Norma: É interessante porque poderíamos pensar que vai ao contrário, quer dizer de algo incompleto ao completo, e não da direita para a esquerda quer dizer do completo para o incompleto.
Rav: Não, não, não. Vemos que a humanidade, na realidade, recebe a escrita do completo ao incompleto.
Norma: E no caso de quem estuda a Sabedoria da Cabalá, por que recomenda aos seus estudantes escrever?
Rav: Penso que ao escrever, através da escrita, uma pessoa entende melhor, sente mais, está mais conectada com a natureza, e destes símbolos começa a ver a abertura da alma do escritor, e a sua entrega aos demais, o que está a passar, o que deseja passar, transmitir, comunicar. Portanto parece-me que a escrita em si mesma, acima de tudo é uma arte. Vemos que em cada nação, as pessoas especiais e únicas, artistas, escreviam. A escrita em si era parte da arte. E portanto penso que é melhor não esquecer acerca disso, e em algum ponto vamos voltar a isso. Voltaremos a caligrafia, a arte de como escrever bonito, tipografia, era algo muito respeitado em todas as nações e línguas.
Norma: Então por que foi perdido essa importância?
Rav: Porque hoje em dia… como escrevo? Antes quando escrevia, tinham diante de mim vários lápis de todo o tipo de formas, canetas e hoje em dia temos um computador, que corrompeu tudo.
Norma: Qual é a diferença entre escrever como antes, e escrever no computador? Refiro-me à diferença interna entre elas.
Rav: Não importa quanto escrevemos com a mão, num pedaço de papel, com lápis ou caneta, em barro, mesmo em areia, não importa onde, é um tipo de escrita que fazemos. E no computador, não fazemos nada, só pressionamos a tecla dessa letra. E nessa letra não está a minha alma, não está a minha caligrafia. Podemos fazer assim, ou de outra forma, a forma da letra, para passar uma determinada mensagem. É uma pena, mas estes são os tempos em que vivemos, que simplesmente tocamos nas teclas e mais nada!
Norma: Como seus estudantes avançam no caminho espiritual, se escrevem seus pensamentos, seja no computador, ou num bloco de notas por escrito?
Rav: Não, não, eles quase não escrevem a mão com papel e lápis, mas a maior parte deles escreve num computador portátil que sempre estão perto deles, nos telemóveis, e há a hipótese de escrever e receber e enviar. Em suma, nos distanciamos completamente da escrita, da forma inicial. E é uma pena, é realmente uma pena. Até aprendemos na escola, durante muitos anos, pelo menos no primeiro e segundo, como ter uma caligrafia bonita, de uma forma limpa, continua, sem cortes para que fosse lindo, limpo e bonito para todos, e para a pessoa que recebe seja agradável ler. Agora as crianças nem sabem o que é isso, uma caligrafia bonita.
Norma: E no caso dos seus estudantes, que têm escutado que devem escrever hoje e logo revisam amanhã o que escreveram no dia anterior. Quer dizer que há uma espécie de introspecção. Como é que isto ajuda ao seu avanço espiritual?
Rav: Tenho muitos dos meus escritos, que escrevi ao longo de muitos anos, mais, menos, e vejo como a minha escrita mudou, como a minha atitude para com a escrita mudou, é um problema de tempo, que vivemos em tais tempos em que não é importante para nós como transmitir informação, o espírito das coisas, a atitude. O mais importante é apenas a informação, e isto é uma pena.
Norma: Como pode isso mudar o homem, quando ele passa por este processo de escrita, descrever os seus pensamentos. O que acontece internamente?
Rav: Depende do que escrever, mas na realidade, claro, em todas as culturas é como costumava ser. Uma pessoa que costumava escrever era uma pessoa especial e única, as pessoas tratavam-no de forma especial. Não é que saiba apenas escrever, mas que saiba expressar-se corretamente. Mesmo sem escrever, mas na forma das letras que escrevem, transmite uma emoção. Mais tarde vemos que depois chegaram a signos, símbolos, como notas musicais e mais tarde começou a engenharia, com os gráficos para anotar e transmitir o que uma pessoa pensa, formas especiais de escrita, desenhos especiais.
Norma: Temos muitas perguntas ainda, mas pouco tempo, por isso gostaria de perguntar ao Dr. que grava tantas horas de programas, mais as lições que dá diariamente. Por que é tão importante para o Senhor publicar livros para a disseminação da mensagem da Sabedoria da Cabalá, o Significado da Vida, a Correção da Humanidade e o papel do povo de Israel, coisas que podem ajudar a humanidade de modo geral. O que possui a escrita que o torna tão importante para a disseminação?
Rav: Penso que o que tenho, se eu sei algo, e há algumas pessoas que não o sabem, então é importante para mim que fiquem a saber, como é que a Sabedoria da Cabalá explica a estrutura dos mundos, a estrutura do homem, como é que o homem participa nisso, como percebe o mundo, como o compreende e isso é muito importante. Porque a humanidade precisa saber onde se encontra, para onde se dirige, o que possui, e como se deve organizar na sua relação de "amar o outro como a si mesmo”, que sem essa conexão, todos entramos numa vida cheia de problemas.
Norma: Vemos que hoje em dia tudo está a passar muito rápido, principalmente nesse processo da internet, existe muito conteúdo, audiovisuais, qual é essa diferença nesses formatos em mensagem escrita, ou audiovisual? Como é que influi isso na pessoa, quando assimila a mensagem na memória no processo interno que passa?
Rav: Digamos que no passado as pessoas costumavam se exprimir uns para com outros por meio do escrever e dar forma a ela demonstrando ali suas emoções. Hoje se transmite por meio de palavras através de símbolos. Se no passado, por exemplo, as pessoas costumavam desenhar um coração, a forma de um coração, hoje em dia é com palavras. Não tenho a capacidade de o explicar, mas é como é. Penso que o computador está conosco a mais de 20, 30 anos que estamos usando-o e vamos chegar a um estado no final das contas que também seremos capazes de expressar a nossa emoção com a escrita do computador, e vamos ser capazes desta forma passar, transmitir as nossas emoções uns aos outros. Isso chegará. Agora, as pessoas não pensam nisso, mas chegarão a um tempo em que desejarão que assim seja passado de um há outro.
Norma: Quando uma pessoa recebe uma mensagem, o recebe como uma mensagem de texto. Como o capta? Como isso influencia a pessoa? Em comparação, por exemplo, quando ver um vídeo, ou um filme?
Rav: Vídeo, filme, fotografia, são tudo coisas que tiramos da natureza. Tiramos fotos da natureza e passamos uns aos outros, mas ao escrevemos, emitimos da internalidade do coração, o que queremos mostrar ao outro. É portanto uma entrega muito mais profunda de transmissão. É algo que estamos a perder, já não lhe atribuímos uma entrega de proximidade um ao outro. Mas, são estampas na história, no total, escrever, através da tecla num computador, é algo muito novo, e ainda não alcançamos a sua implementação, a realização desse ato. Penso que vão existir tais sinais, símbolos, tais opções, possibilidades de criar num teclado, e sermos capazes de passar uns aos outros o espectro total de emoções que existem dentro de nós.
Norma: Como poderíamos concluir este tema de hoje?
Rav: Que estamos numa era, onde desenvolvemos a verdadeira linguagem dos computadores reais, e que através destes seremos capazes de transmitir tudo que trazemos de nossa internalidade, e necessitamos ainda muito mais descobrir, abrir e revelar. Mas isto vai acontecer no futuro, para que haja uma linguagem, uma escrita que seja clara para todos, porque, hoje, estamos a transformar-nos em uma só humanidade, e portanto, precisamos alcançar um estado em que definitivamente poderemos abrir, incluindo com a ajuda dos computadores, seremos capazes de falar de coração a coração.
Norma: Esperamos que assim seja, Dr. Laitman que seja assim. Muitíssimo Obrigada e até a o Próximo Programa
Rav: Tudo do melhor para ti. Obrigado!