O MUNDO - PERSEVERANÇA
O Mundo - 28 de dezembro de 2021 39:09 min
Norma: Olá obrigada por estarem conosco em seu programa O Mundo. Ouvimos que a perseverança é a qualidade mais importante no caminho espiritual e também é uma qualidade fundamental em todas as facetas da nossa vida, então hoje, o tema é Perseverança e para conversar sobre este tema temos Dr. Michael Laitman como de costume, obrigada por estar aqui conosco!
Rav: Obrigado a vocês, estou muito feliz de estar neste tipo de programa com todos!
Norma: Então vamos começar um novo ano, fazemos planos, estabelecemos metas sobre o que queremos alcançar em 2022. Uma qualidade fundamental para cumprir nossos objetivos é a Perseverança. Por isso, queremos começar com uma definição clara do que é a Perseverança?
Rav: Perseverança é uma força interna da pessoa que o ajuda a cuidar de sua linha de vida, que determina o objetivo que ele estava buscando apesar de todas as dificuldades que ele tem e apesar de tudo, que ele vai e alcança. É uma força que está dentro da pessoa em relação à importância da meta, é a força que ajuda a pessoa a superar os tantos obstáculos que a vida tem, e assim, alcançar o que se deseja. É a força que a pessoa deve o tempo todo desenvolver, deve nutrí-la em si mesmo de todas as formas para que essa força de Perseverança seja cada vez maior e que continue, e que você possa superar, que te ajude a superar os obstáculos, depende da importância da meta, depende o quanto a pessoa costuma, ou pratica esse tipo de coisa, também depende da importância, o primordial é a importância da meta, que deve ser tal que, apesar das dificuldades que sinta no caminho, junto com isso, ela escale todos os obstáculos e os ultrapasse.
Norma: Além da importância da meta, o que mais é necessário para que uma pessoa seja perseverante?
Rav: Além da importância da meta, sim, claro, também depende de todos os meios que estão ao redor da pessoa que isso já está arranjado de cima, mais ou menos em relação à vida, ao tempo, à família, aos amigos, mas, na realidade, no final depende dessa força que a pessoa determina para si e entende que fora da Perseverança no caminho, de seguir em frente com sua agenda, tudo em relação a alcançar a meta, que não há nada mais importante.
Norma: Vemos pessoas que, por natureza, não desistem até conseguirem o que desejam, e outras, ao contrário, se dão por vencidas na primeira tentativa. A Persistência é uma qualidade adquirida ou se nasce com ela?
Rav: Depende muito de como a pessoa nasce, com qual força ela nasce, mas, é mais importante até quanto ela, se ela é digamos, fraca de caráter e não tem Perseverança, não lhe pressionaram quando era criança para desenvolver a força da Perseverança tanto quanto queriam mas, apesar de tudo, depende de várias condições e, no final, quando a pessoa já está crescendo, então não é tão importante como se relacionaram com ela na infância, digamos, é importante, mas pode, apesar de tudo, mudar a si mesma, se ela entrar em uma sociedade que valoriza muito, digamos, um objetivo, e que a pessoa está dentro daquele ambiente e novamente, a partir disso, adquire a importância pela meta e isso lhe dá, cada vez mais, uma força maior de Perseverança. Tudo depende da importância.
Norma: Nesse caso então, tudo depende da importância pela meta e também do ambiente em que a meta é desenvolvida?
Rav: Sim, o principal é o ambiente que apoia e ajuda a pessoa a se desenvolver, ampliar e definir a importância pela meta.
Norma: Seria então a condição na qual essa qualidade de perseverança pode se desenvolver mesmo quando a pessoa não nasceu com ela?
Rav: A pessoa deve sempre se preocupar que a meta é mais importante e, conforme mais importante ela é, a que ponto o ambiente apóia esta meta, então a pessoa pode avançar e não cair.
Norma: Vou dar um exemplo bastante trivial, geralmente a pessoa quando começa o ano e tem certas metas, como talvez o mais comum seja perder peso ou que queira alcançar algum progresso na situação econômica em que se encontra ou quer encontrar uma parceira, digamos assim, estou falando em termos gerais das metas que são traçadas para o ano e, embora a meta seja importante, vemos que no final do ano, se for feito um resumo, muitas dessas metas não são alcançadas mesmo quando a meta é importante. Então neste caso a condição básica é o ambiente ou há outra condição?
Rav: O ambiente é muito importante e apesar de toda a importância da meta a pessoa deve ampliá-la, desenvolvê-la, dia a dia, e não importa tanto se ao final do ano pudermos tirar uma conclusão, mas que dia a dia a pessoa deve perguntar a si mesma o que fez hoje para poder avançar à essa mesma importante meta.
Norma: Por que é importante medir nosso empenho diariamente?
Rav: Porque, digamos, que tudo está se acumulando para uma conta, é uma questão de acumulação. Se a pessoa se acostumar a trabalhar dia a dia na direção deste objetivo importante, então é isso que ela alcançará ao final de contas e alcança.
Norma: Isso ajuda então, pois a possibilidade da pessoa cair ou desistir da meta se tornam menores quando essa medida é feita todas as semanas, todos os meses ou até melhor, todos os dias?
Rav: Sim, dia a dia, quando trabalho nisso mais e mais fortaleço a mim mesmo e me habituo, ou mesmo que não, digamos, não todos os dias, pode ser que eu avance, mas como nos ensina a Sabedoria da Cabalá, um centavo e outro centavo se acumulam numa grande conta e é assim que nós alcançamos, não posso pular para a meta imediatamente, mas ao contrário, conforme a pessoa avança, se lidarmos com a Sabedoria da Cabalá, vê até que ponto há, diante dele, muitas coisas que devem ser ordenadas a fim de alcançar a verdadeira meta.
Norma: Como o ser humano pode saber quando parar e desistir e quando continuar e continuar tentando alcançar uma meta? Eu digo a você, porque muitas vezes nós tentamos e tentamos e não alcançamos nenhum resultado. Como saber quando mudar a direção e quando persistir?
Rav: Mudar de direção, podemos revisar a qualquer momento, porque uma linha reta, se diz também, de acordo com a matemática, que uma linha reta, são pontos que vão se unindo, um ao outro, e onde, em cada ponto, vemos que, digamos que, pode ter muitas direções diferentes de desenvolvimento, mas devemos escolher o próximo ponto e nesse outro ponto também há o mesmo cálculo em torno desse ponto, mas devemos escolher novamente em direção à essa meta e continuar para o próximo ponto, ao segundo, ao terceiro, etc., isto é, o caminho direito, a linha reta, inclui completamente em si mesma, pontos dentro dos quais, em cada um destes pontos, devemos decidir e escolher a direção rumo à essa meta, ou seja, elevar a importância da meta e ver onde estou em relação à ela.
Norma: O que acontece quando temos que avaliar se continuamos ou não, porque tentamos algo muitas vezes mas pode não nos servir e simplesmente temos que mudar o rumo? Como fazer esta avaliação corretamente?
Rav: Sim, entendi. Mas, revisar a meta, que eu falo, cada vez precisamos de um pouco e outro pouco mais, para fazer essa correção de direção à meta, e é por isso que nosso caminho, apesar de ser reto, sempre terá uma pequena diferença do passo anterior em relação ao próximo passo, e é por isso que a revisão do caminho da meta, devo aqui valorizá-la a cada momento, a todo instante, e assim está escrito na Sabedoria da Cabalá que um centavo e outros centavos se acumulam em uma grande conta, e isso então, essa revisão, é aquela que me dá segurança que estou no caminho certo, me dá a justificativa do caminho, que avancei em direção a essa meta, que não há meta mais importante para mim, isso em minha opinião, do que esta que estou seguindo, que estou indo dentro de tudo que posso para esse objetivo e não me importo com o que aconteça, mesmo que eu avance até a metade do caminho, mas esse caminho eu determino e o passo por mim mesmo, eu tento não receber nada, nenhuma direção, não preciso que me apoiem no caminho, para receber forças sim preciso de um bom ambiente, livros, o mestre, etc., mas, quando determino a meta de minha vida, então quero decidir isso sozinho e não ouvir nem ser convencido ou influenciado por nada.
Norma: Como podemos ter certeza de que o que queremos é a coisa certa a se fazer e não darmos ouvidos a mais ninguém?
Rav: Como posso ter certeza de que quem ouço está certo? Devo verificar meu coração todas as vezes e ver se na verdade o que escolhi é a coisa mais importante na minha vida e pode ser que eu não consiga, mas conforme eu possa, vou seguindo por esse mesmo caminho.
Norma: Muito Bom. O Rav. Baruch Ashlag, Rabash, em seu artigo nº 118, “Exceto Saia”, escreve o seguinte: “O homem é só um convidado e o Criador é o anfitrião. Sabe-se que nossos sábios disseram: ‘Tudo o que o anfitrião lhe disser, faça, pois esse é o costume, exceto sair!’ Isso ocorre porque quando alguém deixa o domínio do proprietário, ele não é mais seu dono ou anfitrião para obedecê-lo”. Então, pode nos explicar este fragmento de acordo com a Perseverança? Que relação é essa?
Rav: Quando descobrimos a meta da vida, a revelação do Criador, nos aproximarmos Dele, revelá-Lo, nos aderir, nos conectar com Ele, então nisto temos muitas perguntas, sentimos confusão no caminho, os erros são como se estivéssemos voltando para um lado externo, e isso é de propósito, o Criador nos leva a tais estados, nos quais, a cada vez teremos que revisar nosso caminho e seguir em frente porque o principal em nossa vida é que não vivamos dia a dia como animais, mas que nossa vida diária deve ser direcionada para o alcance da meta, essa é a diferença entre o nível animado e o nível falante, o nível falante que é o caminho do homem que quer ser semelhante ao Criador, então ele avança para me assemelhar o máximo possível ao Criador, e com isso devemos nos preocupar, por isso devo saber o que tenho que fazer no dia a dia, aprender a me conectar com o ambiente correto e assim determinar para mim mesmo mais um passo de esclarecimento e avanço em direção à meta, isto é, avançar e esclarecer a meta é na verdade o mesmo, portanto, tento o máximo possível dar outro passo e outro passo, e é claro que, há dias, e muitos dias assim, que sinto que não estou avançando, digamos, eu olho para trás e posso dizer, digamos, que era melhor, que houve um tempo onde realmente fui para trás e não avancei e que não dei importância à meta, então devo dizer: “o que aconteceu, aconteceu, assim tinha que ser, tudo está nas mãos dos céus”. Só tenho que tentar que isso no futuro, o que for a minha obrigação, vou fazer de tudo, tudo para dar passos retos.
Norma: A que se refere Rabash com “prestar atenção ao Criador”, como ouvimos na citação anterior?
Rav: A pessoa deve desenvolver um senso que a direcione a captar a voz do Senhor que lhe chama. Isso é com a condição de que a pessoa esteja no desejo de outorgar ou esteja no caminho de chegar a este desejo, tal como o Criador é completamente outorgante, até quanto a pessoa deseja atingir esse estado de outorgamento como o Criador, deseje entrar na mesma frequência na qual o Criador está, e então ouvirá a voz do Criador.
Norma: Como isto é possível?
Rav: É possível através do desenvolvimento do desejo, digamos, que se está no ambiente correto, que lê e estuda os livros corretos, faz as ações corretas, o principal para fazer crescer dentro de si a importância pela meta de forma que em nenhum momento se perca em algo diferente, mas sim que se dedique apenas às coisas necessárias para sua existência e de todo o resto para o alcance da meta.
Norma: É como uma voz interna?
Rav: Sim, é uma voz interna que a pessoa começa a sentir, que o Criador fala com ela.
Norma: Rav. Yehuda Ashlag, Baal Hasulam, em seu artigo entitulado “A Qualidade da Sabedoria do Oculto Em Geral” diz o seguinte: “O homem que não é desenvolvido o suficiente, não pode esperar muito pelo pagamento e escolhe empregos com recompensa instantânea, mesmo que seja por um preço mais baixo. O homem que é altamente desenvolvido, pode se conter e escolher empregos com um salário alto, mesmo se o pagamento vier depois de muito tempo. Você deve saber que este é o padrão para o sábio, pois depende do desenvolvimento material de cada um e, quem consegue estender o prazo de pagamento, pode obter uma recompensa maior.” É sempre assim? Quanto mais perseverarmos a recompensa será maior?
Rav: Sim é claro. Existem alguns que conseguem isso rapidamente, digamos, há também aqueles conhecidos pela história, por exemplo o Ari e outros, mas também há outros que precisamente alcançaram a Sabedoria em uma idade mais madura, mas apesar de tudo leva-se muito tempo, por isso, com a Sabedoria da Cabalá queremos alcançar a força de outorgamento, a adesão com o Criador, a entrega absoluta, portanto, desde o início devemos nos encontrar em um estado que não importa o que eu alcancei, não importa quando eu irei alcançá-lo, mas o que me importa é que estou indo pelo caminho correto, e com isso eu agrado o Criador e ele está feliz comigo por sentir isso, e é por isso que podemos dizer que, digamos, talvez eu não chegue ao fim do caminho, apesar de tudo eu faço o que depende de mim e então, digamos, nem todos podem ser um Moisés, O Grandes dos Profetas, mas eu tento fazer o meu melhor, e fico feliz com meu destino, pelo menos tento ter algum tipo de conexão com esse caminho, que existam outras pessoas que vão comigo, ou vamos dizer, mesmo que eu tenha alunos e esteja conectado com todo esse processo, isso já é um grande tesouro para uma pessoa.
Norma: Porque acontece desta forma, que leva muito tempo que leva muito tempo esse processo da meta espiritual, se isto iria contra a natureza do ser humano que quer resultados, o mais imediato possível com o mínimo de esforços?
Rav: Tudo depende de que ponto começamos, e o fazemos de um ponto onde estamos completamente opostos ao Criador, na mente, no coração, em tudo o que possa ser, e até onde devemos chegar, no outro extremo do caminho, onde somos realmente semelhantes ao Criador em tudo o que temos, em todos os desejos, pensamentos, forças, e então descobre-se que mesmo que o cálculo seja do início do caminho até o fim dele, e parece como se fosse de um extremo a outro, mas a questão é se o caminho é suficiente, se a vida é suficiente para poder realizar este caminho, e sobre isso está escrito que não cabe a você terminar o trabalho, mas que você deve fazer tudo o que lhe for possível e tudo se realizará, não sabemos exatamente nesse caminho qual é o começo, o meio e o fim, é possível imaginar, calcular, mas quando a pessoa está entregue ao ato em si, que deseja chegar mais próximo do Criador para poder agradá-Lo, então você pode ser como um bebê que simplesmente não sabe fazer nada, que está nas mãos de seus pais, mas por causa de sua própria existência, ele se satisfaz, e pode ser que a pessoa tenha grandes coisas, mas digamos, por isso não podemos medir nossos esforços ou os estados pelos quais passamos, o quanto podemos agradar ao Criador e graças a isso a pessoa que avança na espiritualidade, quando desenvolve vasos de doação, quando se torna mais outorgante, doa mais, amar mais, então ela não pode pensar em si mesma, é necessário pensar apenas na direção da Força Superior através de toda a humanidade, através das pessoas, até quanto quer outorgar o bem , e através delas ao Criador.
Norma: De qualquer forma, ao longo do caminho espiritual, você está nadando atrás da realização espiritual até certo ponto que lhe permite que você continue neste caminho que lhe dá alguma motivação para essa persistência. É assim?
Rav: Acredito que no dia a dia, quando a pessoa continua, já é porque o criador se relaciona com ela com amor, de uma forma bonita, especial e pessoal, e é por isso que a pessoa continua, claro que não depende tanto da pessoa mas sim da ajuda de Acima.
Norma: Para finalizar, em que devemos nos concentrar neste novo ano de 2022? Quais são as ações inúteis que não valem a pena continuar insistindo?
Rav: Cada coisa que não nos ajude a avançarmos em direção à meta, isso é, o amor às criaturas e a partir disso o amor ao Criador, são ações que não trazem nenhum benefício e devemos nos afastar disso tanto quanto possível e usar as ações de que necessitamos somente para existir. A pessoa deve dividir a si mesma em duas partes, por um lado, digamos, cuidar de si mesma como em qualquer animal como qualquer ser vivo que seja comida, alimentação, sexo, família e em algo de algum tipo de honra, poder e conhecimento, e por outro lado, a parte de Adão que há nele, onde aqui ele tenta se tornar semelhante ao Criador, que a pessoa é semelhante ao Criador.
Norma: Qual seria então a meta pela qual vale a pena persistirmos, resumindo o programa?
Rav: Nos ocuparmos o mínimo pela nossa materialidade e o máximo de nossa espiritualidade e termos êxito. Lhe agradeço muito por este programa e que tenhamos êxito neste novo ano ainda mais!
Norma: Vamos persistir em tentar levar esta mensagem a todo o mundo! Muito obrigada Dr. Laitman pelo seu tempo!
Rav: A você também, obrigado!
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