Estados Espirituais
Guerra de Gogue e Magogue
30 de Abril de 2021 33:39min
Texto para Legenda
Sanilevich: Olá, obrigado Dr. Michael Laitman!
Rav: Olá a todos!
Sanilevich: Continuamos a nossa série “Estados Espirituais” e o tópico de hoje é a Guerra de Gogue e Magogue. É um tema muito interessante porque é prático, especialmente nos dias de hoje, que é muito atual. As profecias de Ezequiel foram escritas no 5º século antes de Cristo. Os acontecimentos e simbolismos apontam para a nossa época, por isso vamos explorar em detalhes. Tenho muitas perguntas. Primeiro que tudo, Gogue e Magogue, estão escritos na profecia do Tanach (bíblia hebraica), fala sobre a guerra que vai acontecer no final dos tempos, antes da chegada do Mashiach. É chamada de a Guerra de “Gogue e Magogue". A primeira pergunta: quem são estes personagens? Pois é fato que todas estas fontes originais que foram escritas há centenas de anos atrás, não estavam falando de acontecimentos terrenos, porém espirituais, e precisamos converter, ou traduzir isto ao mundo interno de uma pessoa. Além disso, “Gogue e Magogue" não são dois personagens diferentes, pois Gogue é o rei e Magogue é o lugar de onde ele veio. E para o senhor o que isso representa?
Rav: O fato é que todo o nosso mundo está passando por uma série de correções, que consistem na oposição entre o desejo de receber e o desejo de doar, forças egoístas e altruístas, positivo e negativo. Toda a natureza consiste nisso nos níveis inanimado, vegetal, animal e humano. Nos níveis inanimados, vegetal e animal, há uma interação de mais e menos, absorção e expansão - tudo que consiste na natureza, em todas as forças, físicas, biológicas, químicas, etc. Isto é entendido em nossas ciências terrenas. Mas as mesmas forças existem no nível em que as propriedades humanas estão localizadas: doar e receber. Estas, chamadas propriedades espirituais, são compreendidas apenas na ciência da Cabalá. Não podemos determiná-las com precisão, porque essas forças são apenas parcialmente conhecidas por nós e, na maior parte, elas estão ocultas. Além disso, elas aparecem apenas na forma em que as propriedades positivas e negativas são expressadas em nós. E, como uma pessoa estuda isso em si mesma e sobre si mesma como por ex: a psicologia, é muito difícil assim estudá-las, porque ao fazê-lo a pessoa deve separar-se de si mesma. Portanto, quando a ciência da Cabalá trata do relacionamento de uma pessoa consigo mesma e com o mundo, nossas propriedades de doar e receber - o que na natureza é chamado de mais e menos, atração e repulsão, logo não temos mais conhecimento suficiente sobre o mundo físico, precisamos explorar nossas propriedades internas e como estão escondidas de nós, não as vemos diante de nós, mas apenas em nós mesmos. Consequentemente, examinando-as em nós mesmos, somos uma parte envolvida e, portanto, não podemos estudá-la assim objetivamente. Como resultado, a ciência da Cabalá desenvolveu-se e está a desenvolver-se apenas na medida em que uma pessoa pode elevar-se acima de si mesma. Desta forma, quando ela, por assim dizer, se afasta, vai acima de si mesma, o que se chama “ fé acima da razão”, ela só pode examinar-se objetivamente, independente de sua atitude em relação ao que está estudando e pode apenas estudar as qualidades do que, por ex; do que acontece.
Sanilevich: Vamos olhar para algumas linhas da profecia de Ezequiel. Por ex: "Quando o meu povo de Israel habitar em segurança, você, Gogue, virá do norte, e muitas nações com você, um grande exército. Você se levantará contra o Meu povo como uma nuvem. Sou Eu quem te trarei Gogue, à minha terra, para que as nações me conheçam”. Acontece que o Criador parece estar dizendo: “Eu mesmo trarei você”. O que quer dizer isso, Dr. Laitman?
Rav: A questão é que o poder do Criador está acima de tudo. Só Ele controla as outras forças do mundo, que podem ser divididas em positivas e negativas, mais e menos, ou seja, estando em oposição uns aos outros em todos os níveis. Pelo fato, de o Poder Superior excitar essas duas forças opostas uma contra a outra, Ele as desenvolve. Somente quando estão em conflito, em guerra entre si, é que podem desenvolver-se corretamente. E então, podemos dizer que a guerra de Gogue e Magogue está acontecendo. Na verdade, continua constantemente ao longo da história, ao longo de todo o desenvolvimento, a cada segundo, a cada momento. Mas, atribuímos a guerra “Gogue e Magogue” a um nível onde já surge entre as principais e mais majestosas forças da natureza.
Sanilevich: Certo, Dr. Laitman. Sobre o que está escrito nas profecias de Ezequiel, ali fala de uma grande batalha que ocorrerá em Israel e que daí, envolverá “Magogue” liderado por um rei chamado Gogue. E no dia em que Gogue chegar à terra de Israel, ali a ira do Senhor acenderá contra ele, para que todas as nações saibam “que Eu sou o Senhor”. É estranho que o Criador traga esta guerra para Israel para que todas as pessoas o conheçam?
Rav: Sim, se pensarmos do ponto de vista de nossa natureza egoísta, então, é claro.
Sanilevich: Isso parece algum tipo de infantilidade.
Rav: Isso. Mas, na realidade, não é bem assim. Sabemos como isso acontece pela ciência da Cabalá e pela nossa experiência pessoal, que todo Cabalista possui, afinal, cada um de nós, de alguma forma mais ou menos relativa, passa por essa forma de luta entre os lados direito e esquerdo da natureza - receber e doar. Assim, passamos toda a nossa vida estudando essas propriedades opostas e como uni-las na linha do meio, que se chama “Israel”, porque inclui nela ambas as forças opostas e direcionam uma pessoa diretamente ao Criador. E assim, a denominamos.
Sanilevich: Continuando, Dr. Laitman, vejo que aqui há uma explicação cabalística interessante: O ARI explicava que a Guematria de Gogue e Magogue é 70, e setenta é um número que aparece muitas vezes e descreve que contém todos os povos do mundo. Certamente, isso explica o que é dito no Livro do Zohar que Gogue trará consigo todas as 70 nações do mundo para Israel?
Rav: Sim. Estamos falando de um Kli (vaso) completo, todos os desejos criados pelo Criador, que vai ser aproximado numa tal extensão, que não têm outra hipótese senão conectar-se numa harmonia comum.
Sanilevich: Outra pergunta, Dr. Laitman, as profecias escrevem que Gogue reunirá todas as nações do mundo e as liderará na luta contra Israel?
Rav: Sim, porque Israel não é considerado uma das 70 nações, não é contado entre elas, mas existe como a totalidade de todas as nações do mundo de uma forma que as direciona diretamente ao Criador. Israel, Yashar-Kel (que significa, direto ao Criador). De tal forma que Israel traz todas as nações do mundo e isso acontece por meio da guerra de “Gogue e Magogue” até o Criador.
Sanilevich: Como sabemos, na Antiga Babilónia, Abraão criou um grupo de 70 nações, reunidas numa base ideológica, que se tornou o povo de Israel. E então, todas as 70 nações do mundo começaram a lutar contra o povo de Israel. Acontece que, como é dito na Cabalá, o povo de Israel são intenções e 70 nações são desejos?
Rav: Sim.
Sanilevich: O Criador é a força do Amor, e a Força do Amor deve ganhar. Então Israel, a intenção, deve ganhar? Como assim dizer?
Rav: Sim.
Sanilevich: Israel é, por assim dizer, o que?
Rav: Israel é, por assim dizer, o representante do Criador neste mundo, porque dá direção aos desejos. São 70 desejos que devem se unir com a intenção “direto ao Criador”.
Sanilevich: Então, Dr. Laitman, “Israel vencerá” significa que para cada desejo dos povos do mundo, a intenção correta será estabelecida em prol da doação?
Rav: Sim, aqui não há nenhum significado de que um destrói o outro, mas os setenta desejos que existem em todas as nações, em toda a humanidade, são desejos egoístas com intenção de benefício próprio. Enquanto que Israel, representa essa Força que pode orientar, dirigir esses desejos para que encontrem a intenção com o objetivo de doar, para que haja amor mútuo. E portanto, todas essas forças, todos esses desejos que representam as setenta nações, estarão dirigidos ao Criador.
Sanilevich: O profeta Ezequiel diz que primeiro a guerra “Gogue e Magogue” será travada entre os filhos de Esaú e Ismael, e então juntos eles se unirão e irão contra Israel. O que significa isso, Dr. Laitman?
Rav: Em princípio é uma grande guerra entre Esaú e Ismael, como sempre estiveram e eles estão contra Israel. Esaú e Ismael são aqueles que se associam ao Islã ou ao Cristianismo. E Israel está no meio, não tem outra ideologia senão aquela de que qualquer desejo que surja na natureza, porque toda a natureza consiste em desejos, deve visar apenas a doação e o amor, a ligação de todos com todos, o que significa o Criador. Esta é a missão de Israel, da Linha do Meio, mostrar a todos que na natureza tudo precisa alcançar um equilíbrio e somente se nos dirigirmos, todos e cada um juntos, ao Criador, ou seja, para um denominador comum, para uma fonte comum de onde viemos e para a qual devemos regressar.
Sanilevich: Então, Dr. Laitman, Ismael é a linha esquerda e Esaú a linha direita.
Rav: Sim. Tudo precisa se conectar numa linha.
Sanilevich: De acordo com o Livro do Zohar, todos os reis que perseguiram os judeus ao longo da história, como Sanchereb, Nabucodonosor e outros, participarão da guerra de Gogue e Magogue. Como entender isso corretamente?
Rav: Todas as ideologias, mesmo aquelas que uma vez dominaram este mundo e depois mostraram a sua inconsistência, levantar-se-ão repetidamente contra Israel para permitir que Israel - a linha do Meio, o poder da conexão, do amor, da unificação e da orientação em direção ao Criador - se revele, se demonstre.
Sanilevich: Dr. Laitman, no Livro do Zohar diz que no futuro o Criador ressuscitará todos os reis que oprimiram Israel e Jerusalém: “Ele lhes dará poder, e eles reunirão o resto das nações dentro de si e lutarão contra Jerusalém”. E que o Criador irá no futuro recompensá-los abertamente perto de Jerusalém, como é dito: “Esta será uma derrota com a qual o Criador atingirá todas as nações que lutaram contra Jerusalém.” Se refere ao castigo e recompensa. Como se define isso?
Rav: O Livro do Zohar descreve alegoricamente todas as ações espirituais. É claro que não estão aqui implícitas quaisquer ligações à realidade, aos corpos, aos lugares, às guerras, às forças. Tudo isso é 99% resolvido apenas no mundo espiritual. E em nosso mundo existe apenas uma espécie de sombra disso.
Sanilevich: Tipo uma cópia, Dr.?
Rav: Sim. Uma pequena cópia insignificante, completamente invisível aos olhos.
Sanilevich: Dr. Laitman, pode explicar, no nível espiritual, o que significa que o Criador vai despertar estas forças opostas numa pessoa, apenas para que depois a possa destruir? Para mostrar à pessoa qual a Força que controla?
Rav: Sim. Isto manifesta-se, por exemplo, na forma de algum pequeno conflito entre povos, entre países, para que revelem um pouco esta base, e depois cheguem a um denominador comum.
Sanilevich: Aqui está escrito que Gogue virá do Norte. De acordo com a tradição Judaica, a última guerra entre as forças da escuridão e da luz começa na montanha do norte, próximo do Monte Megido. E é por isso que mesmo na tradição Cristã, ao invés de Gogue e Magogue lhe chama “Armagedom”. É chamado assim, porque (“Har – megido”) vem do nome desta montanha, é um local a 10 quilómetros de Afula, chama-se Planícies Israelitas e foi onde ocorreram a maioria das batalhas durante milhares de anos. Dr. Laitman, pode explicar por que o poder de “Gogue” virá do norte? Possui algum significado aqui?
Rav: Porque uma força formidável sempre vem do norte. O Norte é a parte que não gosta da paz, é sempre arrogante, manifesta-se sempre como “Guevurot em Hebraico” (forças duras), sempre quer lutar.
Sanilevich: Como é que a humanidade vai saber que a guerra de Gogue e Magogue começou, Dr.?
Rav: Penso que a humanidade nunca descobrirá. Espero que tudo isso aconteça a nível espiritual e que nenhuma ação física seja necessária. Veremos apenas como tudo se acalma e volta ao normal, com exceção, talvez, de forma prática, um ou dois movimentos, momentos talves quase sem as ações físicas. E veremos que tudo acontece de uma forma agradável. Eu realmente espero! Pelo menos, de acordo com a Cabalá, nós nos esforçamos para transferir isso das ações militares, do sofrimento e da morte para o plano de como uma pessoa os resolve consigo mesma e com os outros.
Sanilevich: Dr. Laitman, a ideia de oposição entre a luz e as trevas no Judaísmo não é nova. Isso está escrito em texto simples nos pergaminhos de Qumran, que foram encontrados na década de 50 do século passado perto do Mar Morto, nas cavernas de Qumran.
Rav: Esta ideia foi apresentada por quem já naquela época, sentia que vivia neste período.
Sanilevich: Sim, os pergaminhos foram escritos do século III a.C. ao século I d.C., exatamente nesta época. Além disso, existem certos sinais pelos quais podemos dizer que esta guerra já começou, certo? Por exemplo, diz-se que a guerra ocorrerá nos últimos dias antes da vinda de Mashiach. E assim, Dr. Laitman, o que são estes “Ùltimos Dias” e o que significa a vinda de Mashiach?
Rav: Bem, a chegada do Mashiach significa que virá uma iluminação ao mundo. O que significa poder, conhecimento e discernimento de que toda a natureza, está unida, todos em um único sistema e somos obrigados a chegar a uma conexão absoluta uns com os outros, para nos tornarmos como o Criador, para subir ao Seu nível. Desta forma, as pessoas entrarão em sintonia com isso, porque terão problemas que não serão capazes de resolver no âmbito da sua vida física, não a nível de forças, nem de intelecto.
Sanilevich: Então, Dr., uma das condições é também que todos os judeus tenham que se reunir na Terra de Israel?
Rav: Não, não creio que isso aconteça necessariamente no sentido físico, mas todos vão sentir como se pertencessem à Terra de Israel. Terra advém do hebraico “Ratzon” (desejo), “Israel” (Ishar-Kel) significa “direto ao Criador”. Ou seja, uma direção consistente surgirá nas pessoas para a revelação do Criador, em relação à conexão com o Criador. Mas não no campo da religião, porém, no campo da conexão interna, da compreensão.
Sanilevich: Dr. Laitman, muitas fontes primárias indicam que todo o nosso desenvolvimento dura 6.000 anos. Hoje, faltam pouco mais de 200 anos para o fim da correção. Isto também parece indicar que estamos no que é chamado de “últimos dias”. Os Fins dos Tempos?
Rav: Sim.
Sanilevich: Então, Dr., olhamos para isto como sendo os últimos 200 anos, ou faltam ainda 2000?
Rav: Não, isso não importa. Os anos terrenos não importam. Possuem um determinado papel, mas penso… espero, que nos nossos tempos possamos assistir a tais acontecimentos que nos tragam mais próximos a tais estados, e que todo o mundo, todos, todos os desejos e todos os níveis sintam que são controlados pelo Desejo Superior e, este é um desejo de bondade, conexão, amor mútuo. E que todos os níveis, inanimados, vegetativo, animal e mais importante o humano, desejarão que apenas esta única força reine nelas.
Sanilevich: O Livro dos Profetas menciona o “Dia do Juízo”. E, todas as religiões falam a respeito do dia do “Julgamento Final” em que serão julgados sobre a forma como viveram a sua vida. E aqueles que fizeram o bem, terão uma boa vida depois da morte, e aqueles que se portaram mal, o contrário. O que significa o “Dia do Julgamento Final”, Dr. Laitman? Quem julga quem, e julgam o quê?
Rav: Dia do Juízo Final - significa que às pessoas será revelada a verdadeira razão de sua existência, seu sofrimento e a verdadeira oportunidade de corrigir tudo o que é confiado a uma pessoa. Quando as pessoas virem isso, este dia será o mais feliz para elas. Por um lado, ele é crítico, por outro lado, está feliz, pois a verdade é revelada às pessoas, como elas podem se conduzir a uma existência eterna e perfeita.
Sanilevich: Paralelamente ao “Dia do Julgamento”, o tema da vida após a morte, Dr., também é abordado. Embora não se fale muito sobre isso no Judaísmo, ainda existe tal conceito - a ressurreição dos mortos. Dr. Laitman, o que significa isso no interior de uma pessoa, de um ponto de vista Cabalístico?
Rav: Não estamos a olhar uma pessoa como um corpo protéico, estamos a falar de uma coleção de qualidades humanas e não animais. O corpo dos níveis inanimados, vegetativo e animal não conta como um ser humano, conta como um animal. Por isso é que está escrito que “Todos somos como animais”. Mas o que está em nós, ou seja, o que determina a atitude de uma pessoa em relação ao mundo ao seu redor, especialmente em relação às outras pessoas, precisa ser corrigido. E o humano é aquele que se liga a todo o mundo. Um humano é chamado em hebraico “Adão”, Adam da palavra “Domé” que significa “semelhante ao Criador”.
Sanilevich: Então, Dr. Laitman, esta ressurreição dos desejos mortos significa que a pessoa vai começar a usá-los de uma forma correta, ao passo que anteriormente de que não o podia fazer?
Rav: Sim, e isso é chamado de correção final, a correção completa.
Sanilevich: Então, o Rei Gogue vai levar todo o seu império para lutar contra Jerusalém. Dr. Laitman, é possível que este mal não seja revelado, ou vai apenas ser revelado em pessoas que tentam conectar-se entre si? Por ex: possivelmente?
Rav: Sim, sim possivelmente.
Sanilevich: Mais algumas perguntas Dr. Laitman. Fontes cristãs e do judaísmo indicam que depois da guerra, um Deus governará o mundo inteiro. O que significa que apenas um só Deus vai governar o mundo Dr?
Rav: “Acima de todo o mundo” – em hebraico “Melech al kol haaretz”, ou seja, "Rei de toda a terra." “Terra” (“aretz”) – da palavra “ratzon”, “desejo”. Isso significa que todas as criações terão um único desejo, basta se unir e nesta unidade revelar o poder oculto da natureza, que se manifestará como um estado único, bom e eterno de toda a humanidade. Ao mesmo tempo, a humanidade ascende a um nível espiritual. Não resulta existir no mundo material, em nossos corpos materiais. Tudo desaparece. E o homem compreende o mundo das forças e da Luz.
Sanilevich: Os manuscritos de Qumran também dizem que isto acontecerá na nova Jerusalém. O que significa “nova Jerusalém”? O que quer dizer isso, Dr.?
Rav: Jerusalém – da palavra “ir shalem”, isto é, “absolutamente admiração” diante de um Poder Superior. “Tremor” é um grande desejo de ser como esta força única. Devemos nos juntar a ele, conquistá-lo, esse poder para que tenhamos apenas um desejo em nossa unificação, compreender o poder único do Criador. A nossa unidade deve criar uma condição onde uma única força possa manifestar-se em nós. Precisamente porque somos todos tão diferentes, tão distantes uns dos outros, tão opostos, devemos nos unir de tal forma que, em última análise, criemos um único campo entre nós, que consiste em todos nós - em todos os desejos, aspirações, intenções opostas, pensamentos. Então o poder mais elevado se manifestará em nós como um só. É por isso que todos nos devemos nos esforçar.
Sanilevich: O conceito de “fim do mundo” está associado à guerra de Gogue e Magogue. Em hebraico, “o fim do mundo” é “sof ha-olam”. A palavra hebraica “Olam” significa “Mundo” e “Heelem”, que advém de Olam, significa “Ocultamento”. Acontece que este é o fim da ocultação, ou seja, uma coisa positiva, Dr.?
Rav: Claro! Estamos caminhando para um fenômeno absolutamente positivo. A única questão é como chegaremos lá. Podemos encurtar esse caminho. A Cabalá mostra como fazer isso. Vamos torcer para que isso aconteça.
Sanilevich: Estamos chegando ao fim do Programa. Para resumir, Dr. Laitman, essa Guerra de Gogue e Magogue é uma guerra constante dentro de uma pessoa? A guerra contra o ego?
Rav: Sim. Mas, basicamente, isso ocorre precisamente no nosso período e além. Por isso que este período é chamado de "Fim dos tempos" por Baal Hasulam chamado a última geração.
Sanilevich: Sim. É chamado O "Fim dos Dias", e Baal HaSulam chamou a este período a “Última geração”. Por quê?
Rav: Porque o egoísmo cresce ao máximo em nossos dias, estamos nos último estágio.
Sanilevich: Sim, Dr. Laitman, Baal HaSulam escreve que existem duas opções para travar uma guerra contra o egoísmo: ou ocorrerá ao nível dos pensamentos, esclarecimentos dentro de cada pessoa, ou, se não fizermos isso, poderá de alguma forma manifestar-se ao nível material?
Rav: Sim, pode revelar-se de formas muito mais terríveis, para nos despertar. Para nos acordar para que possamos nos conectar, nos aproximarmos uns dos outros de uma forma boa.
Sanilevich: Sim, Dr., na verdade, Baal HaSulam escreve que pode haver uma terceira ou quarta guerra mundial?
Rav: Sim. Mas tudo pode correr bem e de maneira curta. Aí que está o problema. Se aparecer uma força chamada “Israel” (dirigida ao Criador), então, se diz que Israel encurta o tempo de correção. É isso que tentamos fazer dentro da nossa organização, com todas as pessoas do mundo.
Sanilevich: Só mais uma frase, Dr. Laitman. O que significa lutar com o seu egoísmo? E que tipo de egoísmo devemos combater?
Rav: Com todo o tipo de egoísmo que é contra o outro.
Sanilevich: Então, Dr. é precisamente esse egoísmo estreito que se opõe à unificação com outras pessoas?
Rav: Sim. Sim. Somente a aproximação com os outros é o que devemos aceitar como a única direção do nosso desenvolvimento. Israel, os judeus, devem provar seu valor nisso. É por isso que eles são tão egoístas. Mas se fizerem isso, poderão levar o mundo inteiro com eles. A correção.
Sanilevich: É um livro muito interessante, acerca do Profeta Ezequiel, o qual já sabia destes processos. Muito obrigado e até à próxima. Sim obrigada.
Rav. Sim, Obrigado, você!
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