The state of the world has led many countries to inflation rates not seen for many years. This situation worries more and more of the public every day. Some have even changed their consumption habits, changed jobs and more. Join Kabbalist Dr. Michael Laitman and Norma Livne as they discuss the consequences of the pandemic on the economy and the labor market in this episode of The World.

The state of the world has led many countries to inflation rates not seen for many years. This situation worries more and more of the public every day. Some have even changed their consumption habits, changed jobs and more. Join Kabbalist Dr. Michael Laitman and Norma Livne as they discuss the consequences of the pandemic on the economy and the labor market in this episode of The World.

Episódio 207|22 de set de 2022

O MUNDO - A SITUAÇÃO MUNDIAL

O Mundo - 22 de Setembro de 2022 28:50min

TRANSCRIÇÃO:

Norma: Obrigada por estar mais uma vez conosco no Programa O Mundo. Como de costume, temos conosco o Dr. Michael Laitman com quem conversaremos acerca da situação atual no mundo, do ponto de vista da economia, da sociedade. Dr. Laitman, muito obrigada por estar conosco.

Rav: Estou muito feliz de estar convosco, por favor, estou ao vosso serviço!

Norma: Obrigada. A situação global levou muitos países a ter índices de inflação que já não se viam há muitos anos. Hoje em dia essa é uma preocupação para muitas pessoas. Vemos que alguns modificaram os seus hábitos de consumo e trabalho. Por este motivo, queremos falar das consequências da pandemia na economia e no mercado de trabalho. Como vê Dr. a situação mundial com respeito à pressão econômica atual. É algo com que devemos nos preocupar?

Rav: Devemos preocupar-nos primeiro porque não sabemos qual é a causa. Não é a guerra que acontece na Rússia e Ucrânia, não é a pandemia. Pois já sabemos a resolução e também ́ já estão a nos deixar por agora. Isso também não são os golpes de frio, de calor, seca, inundações, ou toda a espécie de pragas. Não é a falta de combustível, de petróleo, porém, o que existe é um tipo de periodicidade, de vez em quando, onde a economia mundial entra num tipo de descida, numa queda. E por isso, apesar de que há muitas causas, em verdade, nada pode dizer que esta é a verdadeira causa, e a origem do que ocorre.

Norma: O que se passa então, Dr.?

Rav: Creio que, o que está a ocorrer no final de contas é devido a situação internacional, e a relação entre nós, que não está corrigida. Devemos, estar já segundo o mundo e que é circular e conectado e todos dependem de todos, devemos sentir e entender isto, e construir uma economia ideal, mais circular, mais conectada, entendida como uma economia global, integral. Mas não fazemos isto, e portanto acontece que, realmente, estamos atrasados em relação ao mundo. Este transformou-se num mundo mais integral, mais conectado, e nós, na relação entre nós, não na economia precisamente, mas na relação entre nós não construímos uma sociedade assim. E por isso é o que acontece. Ou seja, estes problemas que sentimos na sociedade, na sociedade mundial e nos países, e na relação entre os países em especial, vemos até ao quanto todos somos egoístas, todos pensamos não sobre o sistema mundial geral, mas, pelo contrário, cada um pensa em si mesmo, e não entendemos que apesar de tudo dependemos uns dos outros.

Norma: O Dr. mencionou no princípio que o problema da situação mundial é que nós não sabemos porque é que sucede, ou com que propósito, então a pergunta é, como é que a onda mundial de pressão económica, está relacionada com o desenvolvimento da humanidade?

Rav: O desenvolvimento da humanidade é egoísta, individualista e está tudo sobre como ganhar mais à custa do próximo. Junto com isto, a sociedade humana, também é atraída pela integração, e por isso devemos, se não queremos, ou não ir de acordo com a conexão entre todos, na inclusão entre todos, mas não fazemos isto. Então acontece que é como uma espécie de tesoura: por um lado temos um desenvolvimento tecnológico, econômico, e por outro, vamos para um desenvolvimento social. E por isso nos encontramos aqui numa situação, em que nós mesmos criamos todo o tipo de problemas que se descobrem na sociedade moderna.

Norma: Até onde nos leva esta situação? O Dr. mencionou que era como uma tesoura. Até onde nos leva isto?

Rav: Isso leva-nos a problemas, a crises, a situações em que às vezes começamos em guerras, em todo o tipo de choques, e até que pode chegar, “Deus não queira”, até uma guerra grande, uma guerra mundial.

Norma: Nós temos alguma responsabilidade neste processo, neste desenvolvimento, e se for assim, como devemos responder?

Rav: Nós devemos entender a nossa natureza. Até que ponto se vai desenvolvendo sempre, na direção egoísta. E não dedicamos tempo a isto, desenvolvendo assim de forma mais e mais egoísta, tornando-nos piores uns com os outros. E não podemos interromper, parar este conflito, esta competência, ou mesmo chegar a guerras. E por isso não é raro que nos surpreenda que não podemos organizar a nossa vida porque não nos ocupamos da humanidade, não nos ocupamos o suficiente dos nossos filhos, em elevar a sua consciência para que se dêem conta em que mundo se encontram. Em que direção devem desenvolver-se e por isso acontece que deixamos como que abandonamos esta sociedade humana, e o fato de que a cada ano, temos telefones e portáteis e todo o tipo de desenvolvimento tecnológico, mas apesar de todos os meios de comunicação é vergonhoso ver até o quanto, com isto, descemos em baixeza. E se pudéssemos construir um microprocessador onde víssemos a conexão entre os ingredientes, ou componentes, veríamos quantos zeros estamos da conexão. Então, junto com isto, a distância entre nós está a crescer de forma proporcional. E por isso não vejo que num desenvolvimento assim o mundo avance, se é possível dizer que isto é avançar. Que cheguemos a algum tipo de bom estado. E em conjunto com isto tenhamos tanta potência na economia, nas finanças, mas que junto com isto, vemos que somos incapazes de enfrentar estas mesmas perguntas que chegam até nós do amanhã, do futuro. Isto nos indica até ao quanto somos débeis e até ao quanto não entendemos em verdade como está nas nossas mãos, e como podemos de alguma forma organizar o mundo, organizar esta conexão entre nós. Esse é o problema.

Norma: Tudo isso nos dá a impressão, que cada pessoa no mundo sente que não tem a possibilidade de influenciar na mudança, de conseguir propiciar a mudança. Que tudo é imposto do alto, e que não pode ser uma pessoa ativa para gerar uma mudança positiva. Devemos então entender o contrário? Que há uma responsabilidade em cada um, e então o que é preciso fazer? Mudar a consciência, mudar a educação?

Rav: Devemos mudar a consciência e mudar a educação, para que seja possível mudar a natureza do homem, para que não se atraia apenas a resultados materiais. Que dê por si mesmo, também, com alcances grandes, que seja possível aproximar-se da pessoa, e que junto com isto construir uma sociedade mais correta, misericordiosa, melhor, e isso nós não fazemos, e não o ensinamos tão pouco aos nossos filhos.

Norma: Passando ao campo de trabalho, este também tem experienciado muitas mudanças devido à pandemia. As pessoas passaram do trabalho físico, nos seus escritórios, ao trabalho virtual. E nesta época chamada de “pós-pandemia”, mesmo que a pandemia ainda se prolongue, muitos regressaram aos seus trabalhos presenciais. Mas agora não estão dispostos a trabalhar longas horas, debaixo de pressões intensas, ao ponto que muitos estão dispostos a renunciar, ou a fazer o mínimo. O que pensa o Sr. que se deve este fenómeno?

Rav: Creio que a pandemia fez precisamente um bom trabalho sobre nós. Não necessitamos trabalhar tantas horas no escritório. Há técnicas que permitem trabalhar desde casa, sem sair, sem viajar, não precisar encher locais de trabalho e, é muito mais barato trabalhar a partir de casa, distantes uns dos outros, e isso faz com que possamos realizar múltiplas tarefas, ou não preencher demasiadas horas, e por isso estou feliz disto, porque vejo, inclusive, que antes quando começou a pandemia, disse que não era uma pandemia mas uma ação da natureza, uma força que nos obriga a trabalhar de uma forma nova, correta, e estar mais conectado em família, entre nós. E não vamos perder nada com isto, mas pouco a pouco vamos mudar a forma de trabalho, e a forma das relação entre as pessoas.

Norma: Isto leva-me a outra pergunta. Também se observa uma mudança notável nos hábitos das pessoas. Hoje em dia oferecem-se muito mais opções de entretenimento, seja pela internet ou viagens turísticas, reuniões com amigos, etc. O ponto é: quero trabalhar menos e aproveitar mais. Estas formas também fazem parte do desenvolvimento de que falamos no início do programa?

Rav: Eu não creio que as pessoas queiram trabalhar menos e ganhar mais, mas a relação com o trabalho mudou. Quero trabalhar, mas também quero ver o que faço, mas junto com isto quero ser mais livre na minha mente e coração. Pode, se estou em casa posso fazer mais trabalho, expandir o trabalho e não ser confundido com todo o tipo de relações que existem no lugar de trabalho físico. Claro que há trabalhos físicos que não se podem realizar a partir de casa, mas a maioria do trabalho hoje em dia, em especial o trabalho das mulheres, são trabalhos que se podem fazer à distância, e é algo bom, é bom. Mudar de trabalho vai ser mais barato para o dono e também se pode chegar a um melhor resultado.

Norma: E que relação tem isto com o desenvolvimento espiritual da pessoa.

Rav: No final de contas a pessoa vai ter mais tempo para organizar a casa, a família, e elevar-se a si mesmo cada vez mais, terá possibilidades de fazer um curso especial, também terá abertura para avançar na sua profissão porque tem mais tempo a cada dia, para que se possa alcançar em níveis mais altos na sua profissão.

Norma: Também parece haver uma sensibilidade diferente nas pessoas, especialmente nas novas gerações, uma nova forma de ver o mundo. Por exemplo, não se sabe até que ponto é uma mudança profunda ou apenas aparente, mas uma pessoa pode crer que na atualidade há uma maior consciência sobre o cuidado do meio ambiente e sobre os produtos que se consomem, por exemplo. Por outro lado fala-se mais sobre como evitar a discriminação, o racismo e outros fenómenos deste tipo. O Dr. crê que se tenha despertado uma maior sensibilidade nas novas gerações?

Rav: Sim. Para além disso os jovens estão no mundo, andam pelo mundo com este trabalho que tem hoje em dia, trabalhos através do computador, e então sentem-se mais livres, e tem assim a cabeça e as mãos mais abertas a outras coisas, e penso que este é o futuro do mundo, em que a conexão entre todos vá ser uma conexão boa, corrigida, livre, e não vai ser tanto como agora como na maioria da casas, que não interessa onde a pessoa vive e onde trabalha. E por isso o principal é que as pessoas sintam que não dependem de um lugar específico na terra, mas que sintam que estão livres.

Norma: E o que pode trazer esta nova sensibilidade para a construção da sociedade para os próximos anos?

Rav: Penso que nos aproximamos e construirmos por nós mesmos, queiramos ou não queiramos, assim vai se construindo, vai girando toda a sociedade humana em que vamos estar livres de tempo, de movimento, de lugar, onde vamos depender apenas da relação entre nós, e é essa relação que vamos ter que corrigir. E espero que consigamos corrigir, e que dependemos apenas da boa relação entre nós. E Toda a nossa educação, toda a nossa natureza, tudo o que vamos fazer vai ser apenas nesta direção, ou seja aproximar-nos uns dos outros com ajuda, com apoio recíproco, e as pessoas vão sentir que se entendem cada vez mais, e que estão mais próximos uns dos outros, e assim avançaremos.

Norma: Esta sensibilidade, ou maior consciência poderia ser uma aproximação do mundo a esta conexão que o Dr. tanto nos fala?

Rav: Não exatamente. Quando falo da conexão do mundo, refere-se ao nível humano, em que as pessoas vão estar mais próximas, mais dependentes uns dos outros. Mas, fora disto, há mais aproximação entre as pessoas. Quando corrigimos a relação entre nós, não apenas como pessoas que conhecemos ou que estão num trabalho em comum como colegas, mas que queremos estar próximos, numa aproximação emocional entre um e outro, que nos elevamos a um nível em que sentimos a internalidade uns dos outros. E desta forma transformamo-nos como uma só cabeça, um só coração, como um só homem, mais juntos uns dos outros e isto vai ajudar-nos muito a construir novas formas de conexão, que nenhum computador, nenhum microprocessador nos vai ajudar. Nada nos vai ajudar senão construirmos a conexão entre nós e esse espero que seja o próximo passo do desenvolvimento da humanidade.

Norma: A situação da pandemia gerou situações muito particulares, em que há situações extremas na sociedade. Por um lado há um maior número de ricos e um maior número de pobres. E este é um fenómeno global. Como poderíamos colaborar para potenciar a aproximação do mundo nestas circunstâncias em que parece que há mais extremos?

Rav: Se na verdade entendemos que o futuro do mundo é para estar mais equilibrado, e desta forma, de extremo que agora se vai desenvolvendo mais por causa da pandemia, não podemos ver um bom futuro então resulta que, se nós não fazemos a ordem, então natureza o fará por intermédio de todo o tipo de golpes da natureza em que haverá furacões, inundações mais e mais e todo o tipo de problemas. E disto ninguém pode salvar-se, vencer ou escapar. Temos que entender que tudo depende do equilíbrio das relações entre as pessoas num grau mais elevado. Se construirmos relações equilibradas entre nós, então a natureza vai acalmar. Se não o fizermos a Natureza vai fazê-lo por meio de golpes, para nos ordenar.

Norma: Para finalizar, então como podia resumir as mudanças experienciadas pelo mundo pela razão da pandemia, mudanças a nível socioeconómico, e o que nos espera?

Rav: Penso que a pandemia não terminou porque está a mudar de forma, e o mundo não parou de acalmar-se, digamos, não parou de nos organizar, de nos pressionar, porque depende da relação entre nós, até o quanto as relações entre as pessoas sejam mais, mais especiais, ou até o quanto sejam relações extremas, em riqueza, em guerras, e conflitos, então veremos que nos odiamos uns aos outros, e nos afastamos uns dos outros, até às próximas guerras. Então não temos opção. Tudo depende não dos furacões, nem dos golpes da natureza nem da pandemia, mas tudo depende das relações entre as pessoas. Somente nas relações entre nós despertamos toda essa falta de equilíbrio, e portanto isso é o que acontece e o que acontecerá até que entendamos isso e comecemos a trabalhar num equilíbrio e numa boa relação entre nós. Com isto o mundo vai acalmar-se e todos os problemas entre as pessoas chegarão a um tipo de boa solução.

Norma: Por onde começar para chegar a isto que o Dr. menciona, a esta solução?

Rav: Desde a educação, desde a explicação de um sistema explicativo grande, mundial, que não há opção. Que chegamos ao final do desenvolvimento económico, tecnológico, tudo, exceto que ainda não começamos o desenvolvimento humano, entre as pessoas. Se construirmos a conexão entre nós, tal como deve ser, numa única sociedade, como uma família, tudo vai organizar-se, caso contrário a natureza vai punir-nos duramente. Esperemos que o consigamos.

Norma: O Dr. está otimista?

Rav: Eu, apesar de tudo, sim, estou otimista. Penso que apesar de tudo a humanidade aprende com estes golpes cada vez mais e mais.

Norma: Bom, esperemos não chegar a uma pressão maior para que entendamos que temos que nos conectar. Muito obrigada Dr. Laitman pelo seu tempo, como sempre.

Rav: Muito obrigado a ti também. Tu fazes um trabalho muito bom, muito obrigado.

Norma: Obrigada