Shame

Conceitos Básicos da Sabedoria da Cabalá

- A vergonha-

09 de Outubro de 2022 29:12min

Transcrição:

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Título: Vergonha na Cabala: Uma Força para Crescimento Espiritual

Oren: Olá a todos e obrigado por se juntarem a nós no nosso programa Conceitos Básicos na Sabedoria da Cabala com o Dr. Michael Laitman! Olá, Rav Laitman!

Dr. Laitman: Olá a todos!

Oren: Olá, olá! Neste programa selecionamos um conceito desta maravilhosa Sabedoria e tentamos explicá-lo da forma mais simples e emocional para uma pessoa que começou a estudar esta sabedoria recentemente. O conceito de hoje é vergonha (Bushah - em hebraico). Quando escuto a palavra vergonha, de uma forma emocional fico com uma sensação muito desagradável. Gostaria de me esconder num lugar onde ninguém me encontre. Por que, por que, por que é que a Cabalá fala tanto dessa sensação chamada de vergonha?

Dr. Laitman: Eu sinto o oposto. Quando sinto vergonha fico feliz e estou aberto a todos e quero anunciar a todos: “Vejam, tenho vergonha!” Por que não?

Oren: Normalmente, mesmo de forma fisiológica, quando uma pessoa sente vergonha fica corada, vermelha, querem morrer. Por que é que o senhor fica feliz? Não entendi, por que o senhor fica feliz?

Dr. Laitman: Sim, olha, você tem razão, a vergonha é uma sensação muito profunda e está enraizada no nosso corpo, e nosso corpo resiste a esta sensação e sente uma sensação de ansiedade e uma sensação pouco agradável. Esta sensação apaga a personalidade de uma pessoa. Se sentimos vergonha é como se estivéssemos… é como se estivéssemos resistindo ao nosso ego, a nós mesmos, à nossa existência. É como se discordássemos da nossa existência, da nossa existência desta forma. E, portanto, a vergonha é uma sensação muito especial, oposta à nossa vida, à nossa existência. Existem pessoas dispostas a morrer só para não sentir vergonha e há muitos casos assim.

Oren: Então, qual a razão da Sabedoria da Cabalá falar tanto de vergonha?

Dr. Laitman: Porque precisamos alcançar a sensação de vergonha. E depois de alcançar esta sensação, avançamos para a correção, porque sentir vergonha nos mostra os quão distantes e opostos somos do Criador. Que somos opostos, que somos e estamos distantes, que precisamos alcançar um estado onde analisamos com relação à força superior, com relação ao Criador. Quanto mais próximos estamos, melhor nos sentimos, e quanto mais longe nos encontramos, ou mesmo na medida em que somos opostos ao Criador, sentimos vergonha.

Oren: Compreendo que a Sabedoria da Cabalá explica a sensação de vergonha como um despertar na relação inicial entre o ser criado e o Criador.

Dr. Laitman: Sim.

Oren: Podemos dizer que a vergonha foi a primeira sensação criada?

Dr. Laitman: Sim. É a base de toda a nossa realidade no mundo espiritual.

Oren: O senhor poderia ser mais específico sobre isso?

Dr. Laitman: Porque esta é a nossa sensação principal, de todas as nossas sensações. Somos seres sensoriais e de todas as sensações que sentimos, a vergonha é a base da nossa existência. Ao descobrirmos mais vergonha podemos medir, organizar e mesmo melhorar a nossa situação na criação.

Oren: Há um minuto atrás o senhor disse que a vergonha é uma sensação tão poderosa que pode apagar uma pessoa e agora está dizendo que é a base de todas as nossas sensações que começaram a construir o homem?

Dr. Laitman: Certo.

Oren: E isso não são coisas contraditórias?

Dr. Laitman: Não, não. Com a ajuda da vergonha a pessoa posiciona-se no centro da criação e pode se direcionar na direção da qual ele quer se desenvolver.

Oren: Então, a vergonha é uma força de aprimoramento?

Dr. Laitman: Com certeza que sim. Desde o momento em que nos levantamos até que nos deitamos, fazemos uma medição constante em relação à vergonha. Assim! E isto é o que nos guia, e isto é o que nos guia, o que guia a nossa vida.

Oren: Anteriormente o senhor disse algo muito interessante, que a sensação de vergonha é a base para todas as outras sensações que se desenvolvem numa pessoa. Qual a razão?

Dr. Laitman: Porque esta razão nos diz quem somos, onde está o nosso valor, onde nos posicionamos nas nossas relações com os outros. Nós somos inteiramente uma força egoísta que quer existir, viver e se posicionar acima de todos. A vergonha mede o nosso nível de existência com relação aos outros.

Oren: Há uma parábola que Baal HaSulam conta, ele que o pai do seu professor o Rabash, em que ele descreve a vergonha. Temos uma situação em que há um anfitrião e um hóspede e o anfitrião convida o hóspede para a sua casa, põe a mesa, convida o hóspede a sentar e comer e o hóspede responde, “não”. Ele se sente envergonhado?

Dr. Laitman: Não porque não queira comer, ele quer comer, mas não come por vergonha. Ele não quer receber do anfitrião porque desperta vergonha em si mesmo.

Oren: E então, o anfitrião começa a insistir para o hóspede comer, e, eventualmente, ele diz Ok e começa a comer. Esta parábola descreve a primeira ação entre o Criador e o ser criado. Em palavras simples, o que significa isso?

Dr. Laitman: Que a vergonha controla toda a nossa vida.

Oren: Quem é o anfitrião, quem é o hóspede?

Dr. Laitman: Aquele que dá é o anfitrião e o que recebe é o convidado.

Oren: E nesta interação entre o Criador e o ser criado é como se o Criador fosse o anfitrião?

Dr. Laitman: Sim.

Oren: E o que é a comida que ele coloca na mesa?

Dr. Laitman: Todo este mundo está perante o homem e ele pode escolher se recebe alguma coisa. Talvez não queira ser um ser criado que recebe do Criador o tempo todo, ou, talvez como uma sensação interna que resiste à recepção, que não quer ser o ser criado.

Oren: Então, o que é que Ele quer?

Dr. Laitman: Ele quer que, apesar de tudo, às vezes tenhamos esta sensação de vergonha e nos perguntemos por que recebemos tudo. Já parou para pensar por que é que o Criador está oculto? Está oculto para não despertar a sensação de vergonha em nós.

Oren: O senhor está falando deste momento?

Dr. Laitman: Claro, neste momento! Mais uma vez construímos para nós mesmos ou recebemos do mundo apenas o suficiente para nos mantermos e queremos dar ao Criador o que Ele nos dá. Talvez assim, queiramos dar algo de volta ao Criador e nessa medida podemos abrir as relações entre nós e ver o Criador como o anfitrião e nós, como o convidado que pode organizar as suas relações com o anfitrião. Que Ele nos dá e nós recebemos de forma a dar de volta a Ele e assim não existe a vergonha. Muito pelo contrário, nos sentamos como dois amigos, à mesa, e nos deleitamos com o que está na mesa, com os petiscos e podemos verdadeiramente organizar uma tal relação entre nós em que ambos tiram partido. E deixa de ter importância quem é o anfitrião e quem é o convidado, mas, apenas damos contentamento uns aos outros, uma boa sensação.

Oren: Só para ver se eu captei, nesta parábola o Criador é o anfitrião, que prepara todo este banquete e que me convida para a casa d’Ele.

Dr. Laitman: Sim.

Oren: Eu estou sentado do outro lado da mesa. A mesa está cheia de coisas boas e eu ficaria feliz se pudesse comer tudo, mas tenho vergonha.

Dr. Laitman: No início.

Oren: E por que é que tenho vergonha?

Dr. Laitman: Porque você se sente inferior.

Oren: Mas, Ele me convidou! Que culpa tenho?

Dr. Laitman: Mas, ainda assim, você tem a sensação de dignidade e não pode simplesmente receber alguma coisa da mesma forma e receber alguma coisa da mesa porque sente que não é seu. E então, o sente como o “Pão da Vergonha”.

Oren: E depois?

Dr. Laitman: Depois, você precisa fazer algo para se equilibrar com esta situação. Precisa encontrar um equilíbrio com o anfitrião.

Oren: E em que situação?

Dr. Laitman: Na situação em que Ele te convidou! Estamos agora falando da refeição, que vai lhe dizer algo, que O vai fazer feliz, algo que O fará feliz por estar com você e, portanto, Ele vai pagar e isso completa a relação entre vocês.

Oren: Então, se não tivesse todas essas coisas na mesa, a sensação de vergonha não teria despertado em mim?

Dr. Laitman: Certo.

Oren: Então, o anfitrião tem a responsabilidade pela minha vergonha, pela vergonha que sentimos?

Dr. Laitman: Sim, e depois?

Oren: Então, para começar, o Criador criou todo esse cenário para sentarmos na cadeira e sentirmos vergonha?

Dr. Laitman: Sim.

Oren: Por quê?

Dr. Laitman: Para que você seja capaz de alcançar “Equivalência de Forma” na vossa relação.

Oren: O que quer dizer isso?

Dr. Laitman: Que nesta relação vocês alcancem um estado em que se torna como o anfitrião. Tal como está sentado com um amigo seu e não devem nada um ao outro, mas estão felizes por estarem juntos.

Oren: Então, o que podemos dar a Ele, enquanto convidados?

Dr. Laitman: Ele está dando comida, prazer.

Oren: Sim.

Dr. Laitman: Penso em como poderia Lhe dar prazer.

Oren: Então não é a substância?

Dr. Laitman: Não, não estamos falando nisso de modo algum.

Oren: Então, sobre o que estamos falando?

Dr. Laitman: Da atitude, da relação.

Oren: Que nós complementamos?

Dr. Laitman: Sim, tudo é de acordo com a ação.

Oren: Então, tudo depende da nossa relação para com a situação. O Dr. mencionou o “pão da vergonha". Eu me lembro que no início da história, em Gênesis, temos Adão e Eva, nus no céu e diz que não sentem vergonha e depois, cometem o pecado, comem da “Árvore do Conhecimento”, então, sentem que estão nus, fazem uma espécie de vestimenta para eles, não me lembro muito bem o que! A vergonha deles está relacionada com aquilo que o senhor acabou de me explicar sobre vergonha?

Dr. Laitman: Sim.

Oren: Como?

Dr. Laitman: Porque uma pessoa que recebe o “pão da vergonha” de outro, tem vergonha. Tem vergonha de olhar para a pessoa que lhes deu.

Oren: E Adão e Eva tiveram vergonha de quê?

Dr. Laitman: Cada um deles do seu ego. Não porque estavam nus, está escrito que estavam nus. Mas, isso significa que não podiam esconder a sua atitude egoísta um para com o outro e com o Criador.

Oren: E isto é que fez com que sentissem vergonha, sentir o quanto são egoístas?

Dr. Laitman: Exato. Onde se vê que entre animais eles sentem vergonha por estarem nus?

Oren: E quando eles colocaram roupas acalmou a sua vergonha. Então, qual é o significado da roupa?

Dr. Laitman: A atitude das pessoas umas para com as outras. Querem organizar a atitude para com o outro que seja como o anfitrião, de dar ao outro.

Oren: Então, só para ver se eu entendi. O senhor está dizendo que toda esta história é o assunto da relação quando uma pessoa descobre a sua atitude para com os outros e começa a sentir vergonha?

Dr. Laitman: Sim.

Oren: E se a pessoa conseguir desenvolver uma atitude de amor e doação para com os outros, igual ao anfitrião que preparou tudo, então a vergonha desaparece?

Dr. Laitman: Sim.

Oren: Depois de entender o que acontece na raiz da criação entre o Criador e o ser criado no nosso mundo, na nossa vida, a sensação de vergonha é similar a essa vergonha na raiz da criação, ou não?

Dr. Laitman: Não. E não há conexão, não há relação. No nosso mundo a vergonha é quando uma pessoa recebe e todos olham para ela e compreendem que ela está recebendo algo que não merece, que é um ladrão e, portanto, sente vergonha. Se é que sente. Ou a pessoa é um ladrão e tem medo de ser descoberto.

Oren: Então, é como descreveu até agora a atitude egoísta, esta relação desperta a relação de vergonha. E como é que isso é diferente de uma “vergonha espiritual”?

Dr. Laitman: Na espiritualidade vergonha é com relação ao Criador.

Oren: E o que isso significa?

Dr. Laitman: Também pode ser em relação aos seres criados. Que temos vergonha de receber do Criador.

Oren: Quando uma pessoa sente vergonha na vida, ele quer… a pessoa quer fugir, esconder-se.

Dr. Laitman: A pessoa não quer sentir que está em dívida para com alguém.

Oren: E com a “vergonha espiritual”?

Dr. Laitman: Com a “vergonha espiritual” a pessoa quer sentir-se em dívida o mais possível, porque nos empurra para considerar o Criador.

Oren: O que é isso significa “considerar o Criador”?

Dr. Laitman: Significa que tal como Ele é misericordioso, nós também. Que Ele dá e nós também e que aprendemos com Ele a doar.

Oren: Uma vez eu ouvi o senhor dizer que a vergonha é o que distingue o homem dos animais. Por quê?

Dr. Laitman: Porque os animais são inferiores ao homem, porque não sentem vergonha.

Oren: E por que animais não sentem vergonha e o homem sente?

Dr. Laitman: Porque foi assim que foram criados. Os animais não têm capacidade de sentir vergonha. E não podem ser culpados por isso.

Oren: E o homem, tem culpa?

Dr. Laitman: O homem quando nasce não sente. Podemos ver isso nas crianças pequenas, eles vêm até aos adultos e agarram o que eles tenham sem qualquer vergonha. Apenas mais tarde a espécie humana se desenvolve neles, uns anos depois.

Oren: Portanto, dizemos “se, se desenvolver”. Agora estou falando do desenvolvimento espiritual de uma pessoa. Suponhamos que a pessoa começa a estudar a Sabedoria da Cabalá e desenvolver sua espiritualidade, deve essa pessoa esperar que desperte nela uma sensação de vergonha, algo que não sentia até o momento?

Dr. Laitman: Sim.

Oren: O que a pessoa deve esperar exatamente?

Dr. Laitman: Que vai sentir que se encontra no mundo do Criador, do anfitrião e que está sempre à sua frente. E o que recebe deste mundo, mesmo o ar, mesmo um copo de água, uma xícara de chá, tudo o que recebe, recebe tudo do Criador. E precisa devolver todas estas coisas enquanto convidado do anfitrião.

Oren: Devolver como?

Dr. Laitman: Pelo menos na forma da sua relação, da sua atitude. Não precisa pagar um dólar por uma xícara de chá, mas precisa pensar como é que pode equilibrar a sua atitude com a atitude do Criador. Tal como Ele é misericordioso, você também é etc.

Oren: O que significa?

Dr. Laitman: Significa que deseja estar com Ele de uma forma igual e não receber nada que não possa dar de volta.

Oren: Eu dou de volta como se dissesse obrigado pelo ar que respiro, pela comida, pelos filhos, pela ajuda. Dizemos obrigado por todas essas coisas?

Dr. Laitman: Por cada um dos detalhes, e depois, começamos a sentir como o Criador nos envolve de todos os lados.

Oren: É suficiente para Ele dizermos obrigado?

Dr. Laitman: Não pelo que diz a Ele, mas pelo que você sente.

Oren: Qual é a diferença?

Dr. Laitman: A diferença está no sentir, que significa realização e quando o diz, é como se apenas o compreendesse até certo ponto.

Oren: Então, o que significa dizer obrigado?

Dr. Laitman: Sentir que temos gratidão para com o Criador.

Oren: Acabou de dizer que o Criador está oculto para nós. Não sentirmos vergonha?

Dr. Laitman: Para lhe dar a capacidade de se desenvolver de forma livre e alcançar um estado em que é como Ele. Sentir o que significa receber e doar como Ele.

Oren: O que significa ser como o Criador?

Dr. Laitman: Que quer ser como Ele. Ou seja, saber o quão bom é doar e mau receber.

Oren: Isso significa que pensamos como o Criador? Saber o quão bom é doar e mau receber? Por que é mau receber?

Dr. Laitman: Porque é algo que não existe no Criador!

Oren: Ele é quem doa e aquele que ama?

Dr. Laitman: Sim.

Oren: No nosso desenvolvimento espiritual vamos precisar sentir vergonha pelos nossos desejos e anseios?

Dr. Laitman: Não. Não. A vergonha é o resultado de que o Criador criou tais desejos e anseios na pessoa e a pessoa não é responsável por isso, mas pela forma como os usa, isso é responsabilidade da pessoa.

Oren: Eu escutei, que na Sabedoria da Cabalá, a pessoa não precisa sentir vergonha por saber que o Criador o criou um egoísta?

Dr. Laitman: Certo.

Oren: Porque foi assim que o Criador nos criou.

Dr. Laitman: Certo.

Oren: Então devemos sentir vergonha de quê?

Dr. Laitman: Da forma como usamos nosso ego!

Oren: Há uma forma positiva de usar o ego?

Dr. Laitman: Certamente! Sem o ego não conseguiríamos nos mover.

Oren: Então, como é que o usamos de forma positiva?

Dr. Laitman: Graças ao ego podemos fazer coisas boas!

Oren: Quais?

Dr. Laitman: Tudo! Qualquer coisa.

Oren: Por quê? O ego lhe dá a força de agir?

Dr. Laitman: Sim.

Oren: E a direção da sua ação é…

Dr. Laitman: Para benefício dos outros.

Oren: Se nos direcionarmos para o benefício dos outros é como se…

Dr. Laitman: Isso resolve tudo.

Oren: A vergonha também?

Dr. Laitman: Sim, sim, tudo! Porque o Criador criou o poder do ego, a pessoa não é culpada, mas a forma como o usa, isso está nas suas mãos.

Oren: Se formos capazes de nos desenvolver até um nível em que todos os nossos pensamentos sejam para o benefício dos outros, resolvemos a vergonha?

Dr. Laitman: Sim, claro.

Oren: Alcançamos um estado em que a vergonha não existe?

Dr. Laitman: Certamente.

Oren: E o que vamos sentir ao invés da vergonha?

Dr. Laitman: Que amamos todo o mundo.

Oren: Então, a vergonha se transforma em amor?

Dr. Laitman: Claro que sim, leva a pessoa a amar aos outros.

Oren: O primeiro passo que precisamos dar para avançarmos… suponhamos que sentimos vergonha como primeiro passo, porque somos opostos ao Criador, Ele é o doador, nós receptores. Qual é o primeiro passo?

Dr. Laitman: O primeiro passo é você parar de receber. E que apenas queira doar. E claro que não tem nada para dar, porque não é o Criador, não é a origem que fornece tudo. Mas começa a ver, como ao receber, você pode dar prazer aos outros em forma de doação.

Oren: Há um tipo de profundidade para isto?

Dr. Laitman: Sim, que usa o seu ego de uma forma diferente, de forma oposta.

Oren: Qual é a atitude que precisamos desenvolver?

Dr. Laitman: Amor. Amor.

Oren: O nosso tempo está quase acabando e ainda tenho muitas perguntas. Hoje, se olharmos para as coisas de forma global, parece que ninguém sente vergonha.

Dr. Laitman: É assim que sentimos o mundo.

Oren: E assim sendo, estamos avançando na direção certa?

Dr. Laitman: Na direção do reconhecimento do mal.

Oren: E o que isso significa?

Dr. Laitman: Significa descobrir quão malvados e maus somos e que temos que nos inverter na direção de doação mútua e amor para com todos.

Oren: Se mais pessoas alcançassem esse estado, como é que isso iria influenciar o mundo? Guerras, corrupção, ecologia?

Dr. Laitman: Tudo iria se inverter.

Oren: E o que vai ser a alavanca?

Dr. Laitman: Que não seremos capazes de aguentar o estado do mundo.

Oren: E a pessoa dentro dele?

Dr. Laitman: Sim.

Oren: Que nova qualidade a humanidade vai alcançar?

Dr. Laitman: Doação e amor entre todos.

Oren: E o que vai acontecer a vergonha?

Dr. Laitman: Vai se tornar uma atitude de amor e respeito.

Oren: Algumas perguntas curtas. Hoje tentamos definir o conceito de vergonha na Sabedoria da Cabalá. Em resumo, em resumo, o que é a vergonha?

Dr. Laitman: A sensação de quão desagradável é usar o ego.

Oren: Como o senhor poderia descrever a vergonha de forma emocional?

Dr. Laitman: A vergonha é uma forma desagradável do uso do ego.

Oren: Qual deveria ser a atitude correta do homem para com a vergonha? Como deveríamos usar a vergonha corretamente?

Dr. Laitman: Da mesma forma que sentimos a sensação desagradável ao usar o ego.

Oren: Em resumo, suponhamos que comecei a estudar agora a Sabedoria da Cabalá, o que o senhor desejaria que eu alcançasse relativo à vergonha?

Dr. Laitman: Tentar se acostumar a usar aquelas coisas que o elevam acima da vergonha.

Oren: O quê?

Dr. Laitman: Sentir que está acima da vergonha e que não tem nada de que se envergonhar.

Oren: E o que nos dá esse poder?

Dr. Laitman: O fato de querer doar a todos e, também, de querer ser semelhante ao Criador, assim certamente não vai sentir vergonha.

Oren: Muito obrigado, Rav Laitman! Parece que esta conversa abriu a porta para algo incomensurável, infinito. Começa por algo tão difícil como a vergonha, mas, também, existe algo de muito positivo sobre isso.

Dr. Laitman: Sim, Certamente! Isto é a abertura para a eternidade.

Oren: Maravilhoso!

Dr. Laitman: Boa sorte!

Oren: Muito obrigado! E obrigado também a vocês por terem estado conosco! Até o próximo episódio e tudo de melhor a todos!

________________________________________________ SINOPSE PORTUGUES:

O que significa a Vergonha segundo a Sabedoria da Cabalá? Neste maravilhoso episódio, o Dr. Laitman conversa com Oren Levi e nos conta que estudando a Sabedoria da Cabalá podemos diferenciar a vergonha (sentimento do nosso mundo) da “vergonha espiritual”, e que isso pode nos aproximar muito de estar semelhantes ao Criador e Seus atributos. Esta conversa abre a porta para algo incomensurável do infinito. Começa por algo tão difícil como a vergonha, mas, também existe algo de muito positivo sobre isso ao final.