Conceitos Básicos na Sabedoria da Cabalá
Ponto No Coração
06 de Fevereiro de 2022 29:41min
Transcrição
Oren: Olá, obrigada(o) por se juntar a nós no programa “Conceitos Básicos na Sabedoria da Cabalá” com o Dr. Michael Laitman. Olá.
Rav: Olá, Olá!
Oren: O nosso programa vai dar ênfase num conceito diferente da Sabedoria da Cabalá a cada episódio, e vamos defini-lo da forma mais simples e emocional para iniciantes. E hoje queremos falar sobre o “ponto no coração”. Eu vou tentar representar você-espectador, aqui no estúdio, e perguntar suas perguntas. Vamos começar! Dr. Laitman, pelo que vejo, desde que comecei a ter interesse na Sabedoria da Cabalá, é que há pessoas que chegam até esta Sabedoria com a sensação de que possuem tudo na vida, mas lhes falta algo. Há algo para além. Outras pessoas que conheci vieram por causa de uma tragédia, algo que as tocou profundamente, e estão tentando entender, o porquê, o que a vida quer delas. Agora, quando olho para o horizonte, digo, “bem, isto é como a vida vai continuar”, parece cinzento, mesmo que tudo seja como aparência. Então a minha pergunta é, como é que vê as pessoas que chegam até ao Dr. para estudar a Sabedoria da Cabalá? Que sentimento interno elas lhe trazem?
Rav: Bem, O que posso lhe dizer… Comecei a estudar a Sabedoria da Cabalá em 1976. Em 1979 conheci o meu Professor, o Grande Rav Baruch Shalom HaLevi Ashlag, o filho mais velho de Baal HaSulam (conhecido como “O Mestre da Escada”), e desde-então estudo mais e mais profundamente as fontes, os textos escritos pelos grandes Cabalistas, Baal HaSulam, e Rabash, o meu Professor. Comecei a ensinar dois anos depois, porque as pessoas costumavam chegar e perguntar. Eu vivia na cidade de Rehovot nessa época, e daí comecei a falar sobre o assunto. Eu não sabia realmente como ensinar, eu não sou um professor, mas porque não havia escolha, e mesmo hoje, não tenho escolha, e é difícil para mim, continua sendo um dever contínuo que não posso tirar de mim.
Oren: Pelo que sei o Dr. tem muitos estudantes à volta do mundo. O que o senhor sente quando conhece um iniciante. Um estudante que chegou naquele momento até o senhor?
Rav: Todos chegam com um sentimento diferente, por razões diferentes, por um propósito diferente. Cada um de acordo com a raiz da sua alma. A raiz da alma de cada um é única, e portanto, não posso dizer, não posso comparar entre eles. Não os posso medir ou pesar na mesma medida.
Oren: O nosso programa é chamado “Conceitos Básicos na Sabedoria da Cabalá” e o conceito em que gostaríamos de nos focar hoje é em especial mesmo, “O Ponto no Coração”. Um amigo que estuda a Sabedoria da Cabalá por muitos anos disse que, se houver um sentimento de vazio, e de que a vida tem mais para oferecer e que isso foi o que me trouxe para a Sabedoria da Cabalá, é um sinal de que o ponto no meu coração acordou. Concorda que se estas coisas foram as que me trouxeram para a Sabedoria da Cabalá é um sinal de que o Ponto no meu Coração despertou?
Rav: Bem, depende de quem é. Há pessoas que apenas vêm por curiosidade, porque querem saber o futuro, porque querem a cura para algo, deus nos livre, e outras razões, mas há pessoas que apenas querem saber sobre o sentido da vida. Quem eu sou, onde estou, qual é a razão da vida, porque fui feito dessa forma, qual o futuro que me espera e o que posso fazer com ele, etc. Estas já são perguntas mais concretas, e fico feliz por ouvir sobre elas.
Oren: Como identificar o “Ponto no Coração”?
Rav: A pessoa possui tudo, não lhe falta nada na vida, falando sobre o quotidiano, de uma maneira física, e mesmo assim sente que a vida não tem sentido, há uma vazio, e hoje é algo que existe em muitas pessoas, que relativamente, comparado com outras gerações, hoje podemos dizer que estamos muito melhor.
Oren: Se olharmos para o Sr., disse que começou a estudar em 1976, muitos anos passaram desde então. Hoje, quando olha para Si nessa altura, e que sentimento teve naquela altura que possa dizer que foi o despertar do seu Ponto no Coração?
Rav: Eu não lembro, não me lembro porque toda a minha vida queria ouvir a resposta a uma pergunta: “Qual o significado da vida”, “Por que estou vivo?”, “Por quê?” Estava disposto a fazer algo que me desse uma resposta a esta pergunta, e não encontrei nada. Estudei muito, e mesmo assim, não vi nenhum uso, nenhuma resposta, nenhum preenchimento.
Oren: A pergunta acerca do significado da vida, qual o propósito da nossa vida, está relacionada com o Ponto no Coração? Qual é o ponto principal?
Rav: O Ponto no coração é o ponto mais interno no coração que é como se ativasse a deficiência espiritual que reside no coração, e esta carência ativa o coração, e é como se o coração começasse a bater e bombear. E para quê? Mais uma batida e outra, já chega! Se não tenho nada à espera no horizonte, então porque sofrer e fazer o esforço para que o coração continue a bater. Eu senti realmente… não é que tenha sido depressão ou algo do género. Depressão é normalmente numa pessoa que não sabe como se preencher. Eu queria saber o significado da vida, qual o propósito da vida, porque eu estava vivendo, e não tinha acesso a isso.
Oren: Vamos tentar definir o conceito de Ponto no Coração.
Rav: É um desejo interno, o porque estou vivendo. É o ponto interno que opera, que ativa o coração.
Oren: Este ponto faz parte de algo mais elevado?
Rav: Claro, não é algo relacionado com a nossa vida, com a parte física Está relacionado com o significado da vida, com a essência, porque vivemos. E desse nível ativa o coração físico, o coração ativa o corpo e o corpo vive para deleitar a pessoa que vive nele, para que vive, para lhe dar uma resposta à razão pela qual vive.
Oren: Eu ouvi que o Ponto no Coração é o início da alma, o que isso quer dizer?
Rav: A alma significa uma parte da Divindade de Cima. Ou seja, esse preenchimento que precisamos receber, para que esse preenchimento responda ao significado da vida, para que vivemos, qual o propósito de tudo isto, o que se passa aqui, onde nos encontramos, o que é este universo, e nós dentro dele. Queremos uma resposta a todas essas perguntas, mas não vemos nenhum acesso a elas, não temos abordagem, e é frustrante. Lembro-me de ser criança, que costumava sair para o jardim, e olhava para as estrelas “para que serve tudo isso, porque estou aqui, o que eu levo de tudo isto”. Eram realmente perguntas que não tinham resposta. E mais tarde ía para casa, voltando do jardim, e assim continuava, durante muito tempo. Estava frustrado. E não tinha ideia do que fazer. Passaram-se anos, li vários livros, estive em determinados círculos científicos, atividades extra curriculares, mas nada chegou perto de explicar estas coisas. E o que acontece é que, mais tarde, me foi dito, em Israel, que provavelmente, eu precisava me voltar para círculos religiosos, e fui e perguntei, mas não encontrei resposta. E depois disseram-me para perguntar aos Cabalistas, e então encontrei. Encontrei este lugar onde o meu professor espiritual ensinava, o Rabash, e lá encontrei. E quando abri o livro, para mim foi uma grande surpresa. Como podia ser, que tão claramente, assuntos tão importantes que bradam no coração de uma pessoa, que alguém possa escrever sobre isso tão simplesmente. “Que antes das criaturas terem sido criadas, emanadas a realidade era simplesmente preenchida pela luz”.. etc, etc. Quando li estas palavras, realmente… eu não sabia como olhar para aquilo. Porque já tinha quase 30 anos, e fiquei empolgado. E lembro-me até hoje, e já tenho 75. Passei por muitas coisas a este respeito, podemos dizer em toda a minha vida, mas nunca li nada semelhante a isto em toda a minha vida. Apanhou-me realmente, de forma emocional, de forma interna. Onde está toda a minha vida, todas as minhas frustrações, os meus gritos internos, do coração, que não sei qual o significado da vida, não sei porque vivo, e passa mais um dia, e mais outro, e estamos falando de um menino, um adolescente, um rapaz que tem tudo, mas não tem o principal que é o significado da vida. E quando cheguei à Sabedoria da Cabalá, encontrei a vida. Isto significa que encontrei a vida. E depois, descobri que para encontrar a vida podemos mesmo demorar toda a vida. Pode levar todos os anos de uma pessoa, até encontrar o caminho, o contato com o Criador, a revelação do Criador aos seres criados. E no entanto ele sabe que existe, ele sabe que está lá, e esta vida o puxa. Foi assim que descobri. Foi algo muito importante. E então quando encontrei isso não pude aguentar. Escrevi livros para iniciantes, para os puxar para a “Sabedoria”, comecei a falar sobre isso em diferentes círculos e lugares, onde quer que as pessoas estivessem ouvindo, e foi assim que alcancei um estado em que milhares de pessoas passaram, e assim continuo até hoje, e provavelmente vai ser assim até ao fim da minha vida.
Oren: Por que é que começamos a chorar quando o Ponto no Coração desperta?
Rav: Porque nos toca também. Porque toca na carência mais interna de uma pessoa. Que por um lado está feliz que haja algo assim na vida, e que não somos como os animais, que não tem nada mais do que sustentar o seu corpo a cada momento das suas vidas, mas também queremos alcançar um propósito, um tipo de estrela que brilha para nós. Onde este mundo possui uma razão superior, que é o Criador que criou o mundo, e que este mundo tem um propósito, que é revelar o Criador, que criou o mundo de uma forma especial para que nos seja possível revelá-lo, e por isso somos felizes que tudo isto exista, para nós, para as pessoas, e o propósito da criação é para nos incorporarmos, unirmos, sairmos do nosso ego e descobrir esta força superior chamada de “O Criador”, o nosso Criador, e assim também trazer-Lhe contentamento.
Oren: O dr. poderia explicar o nome “O Ponto no Coração” em si mesmo? O que significa?
Rav: Um ponto, é mesmo um ponto, é como se começássemos a escrever de um ponto, em que fazemos contato entre a caneta e o papel. É assim que começamos, e a partir daí tudo o que queremos escrever e alcançar, mas começa com um ponto, e de um ponto. Não tem largura, ou profundidade, é apenas o início. É o que é. E o nosso coração é o desejo, um desejo muito grande, que inclui toda a realidade. Tudo o que alcançamos, que entendemos, descobrimos, tudo existe no nosso coração. Não é um conceito físico, em que o coração é um músculo que alimenta o nosso corpo com sangue, e sim que através do coração e do Ponto no Coração começamos a reconhecer toda a realidade. O coração, na Sabedoria da Cabalá, significa os desejos de uma pessoa, todos os desejos de uma pessoa, do zero até 100% dos seus desejos. E não importa quão forte, ou quão bom ou mau, está tudo no coração. E nestes desejos está o ponto no coração. O Ponto no Coração está relacionado com algo muito, muito exaltado, chamado “O Criador”, que criou o coração através do qual o homem sente toda a realidade. Mas através do ponto no coração pode a pessoa alcançar uma sensação, alcançar uma conexão com o seu Criador. Portanto, o que é importante para nós, é descobrir o ponto no coração, e através dele, descobrir todo o coração que o Criador criou, e através dele compreender e alcançar, porque o Criador o criou e porque razão. E no caminho, alcançamos o Criador, ficamos familiarizados com Ele, porque fez o que fez, e o que poderemos fazer em troca.
Oren: Por quê este ponto acorda no coração de algumas pessoas e em outras não?
Rav: Não há uma resposta clara para isto, porque para isso precisamos ver toda a variedade de almas ou seja, de corações, com o Ponto no Coração, e apenas aí podemos compreender o caminho de cada um, porque alguns se aproximam dele, e outros não, e ao mesmo tempo, porque tantas mudanças na humanidade e nas pessoas, e nos grupos de pessoas. É possível explicar tudo, mas ainda assim está relacionado com a Providência, com a governança superior, como o Criador aproxima todas as partes do desejo geral de receber, todas as partes estilhaçadas que estão opostas e longe dEle, como Ele as corrige, e as aproxima mais e mais da correção e conexão.
Oren: Suponhamos que a pessoa desenvolve esse ponto, no alcance máximo.
Rav: Sim…
Oren: O que ela sente? Como se sente quando está no ponto máximo do seu desenvolvimento?
Rav: O ponto no coração está todo o tempo ligado ao Criador, e a pessoa precisa o revelar, e revelar também a ligação ao Criador de tal forma que se torne um tubo e desta maneira estará ligado ao Criador através deste tubo. Para mais tarde descobrir que há mais do que um tubo, há 3, e através disso, ele pode mutuamente estar conectado ao Criador, num diálogo com Ele, sentir o Criador, e ligar-se a Ele, o que o torna parte do Criador, e por isso é que este ponto é tão importante, e tudo o mais para além do ponto no coração são desejos corrompidos, mas o principal é que o homem pode corrigi-los, um por um, e desta forma expandir esta conexão ao Criador de um ponto no coração para um coração completo e inteiro. E é assim que avança até a um nível em que fica muito próximo, até ao ponto em que fica semelhante ao Criador, e pode tornar-se um Adam, que em hebraico significa “homem” e que também significa ser semelhante ao Criador.
Oren: Então através desse ponto posso tornar-me semelhante ao Criador?
Rav: Claro, este é o nosso propósito, e é algo que todos precisamos alcançar.
Oren: Como seremos quando ficarmos semelhantes ao Criador?
Rav: Para começar, com preparação especial, somos feitos o oposto do Criador. O Criador criou o homem semelhante a Ele, de propósito, e depois quebrou todas as formas semelhantes a Ele, para que nós pudessemos alcançar todas essas formas através da sua forma oposta. E a partir destas duas formas que são o oposto do Criador, que nos aproximamos dele e que nos tornamos como Ele, destas duas formas compreendemos toda a essência da Força Superior. E é por isso que se chama “Criador”, Boré, em hebraico, “Vem e vê”. Que gradualmente, através do oposto, nos tornamos como Ele.
Oren: O que significa ser como o Criador emocionalmente?
Rav: Ser bom e benevolente para os outros como o Criador é.
Oren: Compreendo que a Cabalá afirma que as pessoas que são o nosso ambiente, são muito importantes para o desenvolvimento no Ponto do Coração. Por quê?
Rav: É um, e o mesmo. Na medida em que corrigimos o nosso coração, em que o nosso coração é o centro de todos os desejos, pensamentos, aspirações. Se o corrigirmos na sua totalidade para a direção do amor aos outros, então sentiremos que somos semelhantes ao Criador, e nesta ação seremos chamados de “Homem”, aquele que é semelhante ao Superior.
Oren: Infelizmente o nosso tempo está quase acabando. Fiquei muito comovido por tudo o que o senhor disse hoje. Poderia nos dar uma espécie de resumo? O que é o Ponto no Coração?
Rav: O Ponto no Coração é um ponto que não tem medida, em largura, comprimento, profundidade, altura, em nenhuma direção. É apenas um ponto de conexão com o Criador. E se queremos permanecer neste ponto, e apenas aí, mas para estar conectado com o Criador, então gradualmente, começamos a sentir nessa abordagem que não temos nada, senão esse ponto de conexão, e então, através deste ponto, começamos a descobrir toda a essência do Criador. Gradualmente começamos a descobrir que estamos num oceano das atitudes do Criador para conosco. Emocionalmente, existem diversas ações que apenas em relação conosco Ele existe, faz e tudo fará. E tudo vem até nós, apenas através deste ponto, que não tem medida, mas apenas um ponto como na ponta de uma agulha. Se isso é como queremos alcançar conexão com o Criador, e nada mais, então através dessa agulha, desse buraco da agulha, alcançamos um estado em que grandes fontes de abundância, percepção e entendimento com o Criador se abrem para nós, e também nos tornamos como uma nascente abundante.
Oren: Muito obrigada(o) Dr. Laitman.
Rav: Desejo que todos sejam bem sucedidos, e se incorporem no oceano de amor infinito.
Oren: Amém. Muito obrigada(o) por ter estado conosco, até a próxima, desejo a todos o melhor.
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