O MUNDO - O MAL
O Mundo - 08 de Fevereiro de 2022 29:31 min
TRANSCRIÇÃO:
Norma: Olá e bem vindos a um novo programa O Mundo. Mais uma vez conversamos com o Dr. Michael Laitman a quem damos as mais cordiais boas vindas. Dr. Laitman, muito obrigada por estar aqui conosco.
Rav: Obrigado! Toda a minha alegria é estar com vocês! Comecemos!
Norma: Hoje queremos conversar sobre o mal. Parece que é uma definição que depende de cada cada pessoa. Por exemplo: O que é mal para mim, não é necessariamente o mal para o outro. E assim, vamos começar com a primeira pergunta tratando de entender o que é esse Mal de acordo com a sabedoria da Cabalá?
Rav: De acordo com a Sabedoria da Cabalá, o mal é toda a nossa natureza egoísta que existe dentro do homem. Não dentro dos níveis vegetativo, animal e inanimado somente dentro do nível humano, apenas nas pessoas. Toda a natureza humana, desde manhã até a noite, é mal, porque tudo que venha a fazer está dirigida através de seu ego.
Norma: Então Dr. Laitman, então… isso quer dizer que o que há de mal no homem é somente nosso ego?
Rav: Sim, somente o ego é o nosso mal. Em todo o restante das coisas não há mal. Então, temos que ver o que está dentro de nós, e desenvolvê-lo para o bem. Senão não haverá o bem.
Norma: Como descobrimos que somos maus?
Rav: Somente devemos pensar, devemos estudar, devemos escutar o que os outros têm a nos dizer, até que a pessoa comece a descobrir por si próprio quem é, e que não possui nada que seja bom em si, mas que ele é perverso de manhã até à noite, totalmente perverso.
Norma: Dr. Laitman, então como se define a origem do mal?
Rav: Essa é a nossa natureza. É a nossa fundação. É o ponto central do homem, O mal. Ele desfruta o direito do outro, aprecia o sofrimento dos outros. Que os outros tenham o mal. E ele faz isso de propósito. E não somos como os níveis inanimados, vegetativo e animal, em que o mal pode acontecer ao outro, mas não com a intenção de fazer mal. Mas tomam da vida, aquilo que eles precisam para sobreviver, para existir. Digamos, se eles venham a comer um ao outro, não é pela intenção de fazer mal um ao outro, senão que para a sua sobrevivência, para comer. Mas as pessoas, realizam assim com a intenção de mal de um para o outro.
Norma: Devemos assim, Dr. Laitman eliminar esse mal no ser humano, para sermos como as outras partes da natureza como o Sr. estar nos explicar?
Rav: Sim. Apenas no homem há esse mal, essa má inclinação, e ele tem que sair dela.
Norma: Como?
Rav: Como?
Norma: Sim, como?
Rav: Isto é toda a Sabedoria da Cabalá. Este é o todo o nosso método. Isto é o que precisamos fazer para trabalhar em nós mesmos, porque assim, na verdade nos transformamos em Adam (humano). Porque se somos assim, desta forma, somos piores do que animais, somos piores que todos e não há criatura pior que o homem. E quando trabalhamos, nos esforçamos em nos mesmos para sermos melhores e queremos transformar o mal em bem, então elevarmos de um nível ao outro como de um profundo poço para uma montanha elevada. E assim nos tornamos como o Criador, totalmente bons.
Norma: Bem, antes de nos aprofundarmos a isso, Sócrates atribuía o mal a ignorância humana, quando disse: “ que só há um bem, o conhecimento, e só há um mal, a ignorância.” O que o senhor pensa acerca desta citação?
Rav: Isso não é suficiente. Todos estes filósofos, eles queriam alcançar a verdade, a sabedoria, mas eles não a descobriram. A natureza do homem é algo que está disposto a utilizar em toda a sua mente, emoção, tudo o que possa para adquirir para seu próprio benefício. E tudo isso em detrimento dos outros, para o mal dos outros. Esta é a sua verdadeira inclinação e isto é o que chamamos de mal.
Norma: Qual é então, o conhecimento que precisamos adquirir para não vir desenvolver o mal?
Rav: Precisamos ir segundo o conselho dos Cabalistas e entrar em conexão entre nós, até percebermos até que ponto não queremos estar junto uns dos outros e o quanto precisamos de estar próximos uns dos outros numa rede firmemente apertada de conexão, até que o nosso mal possa ser revelado cada vez mais e mais numa tentativa de o tornar mais claro, para que o possamos o tirar de nós, erradicá-lo de nós mesmos e convertê-lo em bem. Isto é o método de utilizar a Sabedoria da Cabalá, isto é o que a Sabedoria da Cabalá nos ensina. Portanto, Sócrates e os outros, todos os Sábios ao longo das gerações que vieram, tentaram fazer algo para o homem e assim criaram muitos métodos e tudo mais, eles conseguiram construir a estrutura da sociedade humana e não conseguiram nada. As coisas ainda ficaram piores, e não há nada que o método que é somente um: que é conectarmos entre nós e com o estudo da Sabedoria da Cabalá, e assim atraímos a Luz que Reforma, que se chama Força Espiritual, a Força Superior que inverte o mal em bem que é chamada de remédio - Segula.
Norma: E falando dos propósitos dos pensadores, há uma outra citação é a do francês Jean Jacques Rousseau que diz: “que homem é bom por natureza é a sociedade que o corrompe. Bom!!” O homem é bom, ou mau por natureza, Dr. Laitman?
Rav: O homem é mau ele é mal por natureza e não tem nada de bom acerca dele que consigamos ver aos nossos olhos. E o bom que ele faz aos outros é devido à sua intenção de fazer o bem a si mesmo. Portanto, assim não temos a intenção de fazer bem ao outro, a não ser de fazer bem a nós mesmos.
Norma: Como na sociedade o ambiente pode influenciar ambos os lados? Como pode o entorno envolver uma pessoa e torná-la má ou o contrário? Como pode uma pessoa má transformar-se em boa com a ajuda do ambiente?
Rav: Isso….Você está a fazer perguntas difíceis, rsrs. Inverter o mal em bem é algo que não podemos fazer. Apenas entender que nos convém, que nos convém ser como o propósito da criação. É o propósito de toda a natureza e ela nos pressiona, para que transformemos o mal em bem, e que compreendamos que devemos ser bons para com todos e que não temos opção. E também que não queiramos que seja diferente, mas queiramos que seja bom para todos. Então, precisamos realizar diferentes atos diferentes ações de conexão entre nós, para que possamos descobrir todos os tipos de forma entre nós e assim que seja revelado o mal e através disso não atrair a força contra da natureza a qual nos corrige e nos transformarmos. Ou seja, transformar o mal em bem é algo que podemos fazer estudando sistematicamente acerca de quem somos, como nos transformamos e como nos corrigimos.
Norma: Quando esse mal se converter em bem, com a ajuda do ambiente, a pergunta é: O que acontece com a raiz má dessa pessoa? Vai sempre permanecer de uma forma oculta? Ou, é eliminada?
Rav: A raiz do mal não é eliminada, somente que a convertemos em bem. É como virar uma roupa do avesso. Assim desta forma corrigimos o mal. Portanto, quanto mais uma pessoa está dirigida em sua vida, quanto mais ele conseguir transformar o mal em bem e assim avançar mais e mais, o mal vai sendo revelado nele, para que ele o possa transformá-lo em bem. E por isso, parece a pessoa que não está a se corrigir, não se aproxima de ninguém que ela não corrige a si mesmo, e assim ela só vê o negativo e que só faz o negativo a si mesmo, Mas não, ele está a aproximar-se do bem. Ele está a corrigir-se, mas o bom é revelado na sua forma negativa e a pessoa faz a correção.
Norma: Qual é o processo Dr. Laitman dessa correção quando ela vê o mal em si mesmo?
Rav: Para que desta forma a pessoa possa se corrigir mais e mais, e assim alcançar níveis mais elevados. São dos níveis negativos que nos dão essa possibilidade.
Norma: Na Guemará, no tratado de Kidushin 32 está escrito: “ Eu criei a inclinação do mal e criei a Torá como condimento.”O que é que significa que a Torá é a especiaria?
Rav: Isso significa que a Torá transforma uma pessoa, porque a inclinação do mal foi criada. Ele criou a inclinação ao Mal, esse é o fundamento da criação. Portanto, no início da criação, o criador diz: “Eu criei a má inclinação.” E depois o homem, que existe nesta inclinação para o mal, começa a realizar diferentes ações para transformar essa má inclinação em bem. E não há inclinação ao bem, senão aquele desejo que vem da inclinação ao mal.
Norma: Dr. Laitman todas as pessoas nascem com essa inclinação ao mal?. Não há exceções? Parece-nos que algumas pessoas nasceram justas?
Rav: Diz-se que não há um justo sobre a terra que se tenha tornado justo sem não ter pecado. É por isso que todos nos nascemos como malvados, egoístas, perversos, e assim pouco a pouco de forma gradual, vamos avançando para ser melhor de geração em geração até que todos nós alcancemos um estado onde todas as nossas ações sejam para o benefício do próximo, o que é chamado de ser bom.
Norma: Como podemos implementar este conhecimento do condimento da Torá, e possamos de forma prática inverter o mal em bem?
Rav: Nós simplesmente existimos na nossa natureza e nos descobrimos mais e mais o ego e sentimos até o quanto o nosso ego, com o direito que nos obriga a sermos maus, e com isso nos causa todo o tipo de situações que nos força a realizar egoisticamente e que nos trazem diferentes estados desagradáveis, levam a situações críticas, e que nos levam a pensar sobre isso e isto nos obriga reconhecer que o nosso ego é mal. E a partir disso começar a fugir dele e alcançar o oposto, ao desejo de doar, ao desejo pelo bem.
Norma: Exatamente acerca disso que o senhor menciona, queremos perguntar: há pessoas que nos escrevem e dizem que sentem que são más, e que esse mal as afetam nas suas relações interpessoais e querem mudar este aspecto neles. Eles estão a sofrer e não sabem o que fazer com isto. O que eles precisam fazer? Dr. Laitman? O que pode a Sabedoria da Cabalá pode oferecer-lhes para conseguirem?
Rav:A Sabedoria da Cabalá oferece-lhes precisamente um método seguro, real, prático e confiável que os pode tirar do mal, qualquer que seja o mal, e toda e qualquer pessoa, não importa quem, e fazer dessa pessoa o oposto: uma pessoa má, numa pessoa boa. E isto é apenas possível através de que as pessoas se aproximem umas das outras, se conectem entre si, construindo uma sociedade com bem estar. E que nesta sociedade se comportem de acordo com um método chamado (Arvut em Hebraico), garantia mútua, cuidado reciprocamente no qual ajudam uns aos outros a saírem do mal.
Norma: Bom, Dr. Laitman, por outro lado, há aqueles que se sentem sempre justos e que são os demais os maus: os avós são ruins, o patrão é mau, a esposa é má, seus pais são maus, os políticos etc. Portanto, como pode uma pessoa realmente estar consciente de sua própria natureza e avaliar a si mesmo de maneira correta? Parece que é isso que é o maior problema do mundo hoje em dia: a falta de consciência e ver que é egoísta e assim querer corrigir a si mesmo e não querer mudar o outro achando que nele está o problema?
Rav: Sim, sim, estou feliz de escutar isso de você. E que pode fazer isso o nosso caminho. Sim. E que todos nós precisamos reconhecer o mal, cada um dentro de si, onde este mal se encontra, e depois, tratar de reconhecer o mal e desenvolvê-lo ao bem. E através do bem vamos alcançar a boa condição na medida em que o mal se desenvolve em nós, e se torna revelado. Assim, apesar do mal, realizamos ações de conexão, e dessas ações alcançamos a Luz Superior, a força do bem, a força do Amor, A Luz do outorgamento e conexão e assim estamos a nos incluir, elevar por sobre todo o mal que existe. Então esse mal se transformará em bem de uma forma gradual, como em níveis que escalamos.
Norma: Baal HaSulam, em Shamati 86, acerca da inclinação ao mal diz o seguinte: “aos justos parece uma montanha muito elevada e para os ímpios um fio de cabelo”. Quem são os justos e quem são os ímpios, Dr. Laitman?
Rav: A pessoa que quer ser boa se chama justa sobre um propósito, que quer desenvolver e atingir. E uma pessoa que quer levar a cabo seus desejos egoístas é chamado Mal. Porque, ele está por desenvolver seu desejo para satisfazer o desejo egoísta e para isso, necessariamente terá que chegar ao outro, atingi-lo.
Norma: O que determina que uma pessoa seja justo ou perverso?Dr. Laitman?
Rav: Somente a própria pessoa pode decidir. Todos nós nascemos malvados, e todos nós devemos nos elevar acima dessa maldade e chegar a ser justos, não há opção.
Norma: Na Torá, no livro de Bereshit (Gênesis) nos fala da árvore do conhecimento do bem e do mal, e fala-se do pecado da árvore do conhecimento, e muitas pessoas relacionam isso ao mal. Porque é o pecado da árvore do conhecimento atribuído ao mal?
Rav: Porque queremos receber tudo o que existe na criação apenas para nosso próprio bem de uma forma egoísta. Mas, se tentarmos passar para o lado oposto, ou seja, receber todo o bem da criação que existe para meu próprio deleite, senão para difundir, distribuir a todos, então transforma-se na árvore do bem. É por isso que é chamada de a árvore do conhecimento do bem e do mal.
Norma: E no Livro do Zohar, Ki Tetsê, ponto 13 diz: “um que seja justo e que sente que tem mal, significa que ele advém da árvore do conhecimento do bem e do mal, como o mal está com ele, assim todos os justos pecam neste mal, porque está dentro deles. Um perverso que haja bem, é aquele em que a sua tendência para o mal se sobrepôs à sua tendência ao bem. Pode explicar-nos isto por favor?
Rav: Sim! Todos nós nascemos e desenvolvemos a partir de um estado que somos egoístas. E não temos escolha. Assim é que somos nós. Esta foi a forma como o Criador nos criou. Tal como está escrito, Ele diz: “eu criei a inclinação ao mal. E onde está a inclinação para o mal? dentro do homem, dentro de cada um de nós. Isto por um lado. Por outro lado, ele diz: eu tenho um presente. E chama-se Torá. A fonte da Luz Superior. A fonte da força da doação. E se a pessoa quiser, ele pode receber esta luz sobre si, e esta iluminação gradualmente irá transformá-lo em bom. Então, o que acontece é que do mal se transforme em bem, através dos atos do homem que quer corrigir-se corrigir seu mal e ser assim boa. Assim sendo, essa pessoa é chamada de justo por esse motivo estar escrito que todos nascem na terra como malvados e depois, sob a influência da Luz Superior, a Luz da Torá se transforma em justo, ou, ao contrário. Está escrito, não há ninguém na terra que seja bom, ou que faça o bem, que não tenha pecado, ou seja, primeiro comete erros e pecado, depois corrijo-me e transforma-me em justo e este é o caminho que precisamos fazer passo a passo e descobrirmos o que somos, a nossa natureza egoísta é nos revelada e precisamos atrair a Luz que Reforma, a chamada Luz Reformante, a Força Superior, que pode transformar nosso mal em bem, o nosso ego em doação e amor.
Norma: Baal HaSulam, na introdução ao Livro do Zohar, ponto 1, diz na pergunta número três: "Quando nos examinamos a nós mesmos, descobrimos que somos tão corrompidos e tão baixos até o ponto que não existe o mais repulsivo que a nos mesmos. E quando examinamos o operador que nos fez, somos compelidos a estar no grau mais elevado, pois não há ninguém tão louvável como Ele. Por isso, é necessário que de um Criador perfeito, surgi somente coisas perfeitas. Logo, através desta citação surge a pergunta: Porque é que o Criador, perfeito, cria um ser imperfeito?
Rav: De propósito, de propósito para nos ensinar o que é a Criação, porque criação, em hebraico, significa “Bar” (fora do nível do Criador) para que assim sejamos opostos em possessões diferente isso por um lado, e por outro lado, para que possamos compreender e sentir que somos opostos e que agora aproximarmos dEle e sinto que me conecto sinto completude com Ele, acontece o encontro da conexão o complemento. Não pode haver amor, se não houver ódio antes. Não pode haver nada bom e agradável se não houver nada que era o oposto antes disso. Somos todos criados desta forma para sentirmos toda a realidade.
Norma: Então o Criador criou os seres criados desta forma imperfeita e incompleta, para que eles sejam capazes de conscientemente fazer esta mudança?
Rav: Sim, sim, isso é uma coisa e o seu oposto. Para que eles vão em direção a Ele, façam a inversão da condição, e assim O revelam na intensidade máxima e sejam capazes de agarrar-se a Ele, e sentí-Lo e abarcar toda esta profundidade a que podem chegar.
Norma: Lindo!!!! Um pensamento final do então Dr. Laitman para que levamos ao final esse Programa?
Rav: Não precisamos de ter medo dos estados que atravessamos. Não precisamos temer os estados opostos de perversidade que passamos. Somente precisamos saber que todo esse mal que é nos revelado, vai permitir-nos a conexão com o Criador e precisamente como resultado de todas essas qualidades opostas que se revelam não devemos falar mal e não vamos julgar o Criador acerca do porquê que ele Criou todo este mal, mas sim agradecer porque criou o mal como agradecemos o bem. Isto é do que precisamos, porque todo o bem que se revela é devido a todo o mal que apareceu. Assim, êxito!
Norma: Muito obrigada Dr. Laitman, assim vemos que o mal tem um propósito, que é nos levar ao bem.
Rav: É uma necessidade Superior e por isso o Criador diz: “Eu criei a inclinação ao mal.” Boa sorte a todos.
Norma: Muito, Obrigada!
Rav: Muito obrigado você!