In this episode of The World, Kabbalist Dr. Michael Laitman and Norma Livne discuss sin according to the wisdom of Kabbalah.

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Episódio 214|17 нояб. 2022 г.

O MUNDO - O PECADO DE ACORDO COM A SABEDORIA DA CABALÁ

O Mundo - 17 de Novembro de 2022 28:38min

TRANSCRIÇÃO:

Norma: Olá obrigada por estar conosco no programa O Mundo. Como sempre temos conosco o Dr. Michael Laitman com quem conversaremos sobre outro interessante tema. Olá Dr. Laitman, muito obrigada por estar conosco.

Rav: Obrigado. Muito feliz por estar aqui. Por favor.

Norma: Vamos começar com uma breve introdução com o tema de hoje que é sobre o pecado. O pecado é considerado "um ato maligno". Por extensão, tudo aquilo que se desvia do que é correto e justo, ou que carece do que é devido, chama-se pecado. Em hebraico a palavra comum para "pecado" (chet), חטא que também significa "errar" no sentido de não atingir uma meta, caminho ou objetivo. A pergunta é: O que é "pecado" na sabedoria da Cabalá?

Rav: A lei geral que existe na criação, é trazer todos os seres criados para a conexão entre eles, na medida que sintam que se encontram num sistema único, interconectado, e que é impossível separá-los. Este é o objectivo para a existência dos seres criados. E toda a ação que impede o alcance deste objetivo é um pecado. Tudo o que impede a conexão.

Norma: No geral entendemos o pecado como uma transgressão, ou seja, não cumprir o desejo do Criador por exemplo, não cumprir com os 10 mandamentos. Qual é a diferença entre esta visão e a explicação da Cabalá?

Rav: Não existe diferença, apenas está explicado de maneira diferente. Precisamos nos conectar, nos aproximar e tornarmo-nos um homem em um só coração. Uma vez mais voltar-nos à estrutura de Adam HaRishon, que significa literalmente o Primeiro Homem. Como um homem. E se, de alguma forma resistirmos a isso, isso é considerado pecado.

Norma: Então todos estes mandamentos foram entregues para facilitar a correção das relações entre nós? Por forma a alcançarmos a conexão?

Rav: Sim, por forma a alcançar a conexão entre nós.

Norma: Mas normalmente, ninguém o ensina dessa forma…

Rav: Esse é o problema. Não é ensinado dessa forma e não sabemos o que é esperado de nós, e portanto estamos no escuro.

Norma: Para que algo seja considerado pecado, basta agir ou apenas pensar?

Rav: Mesmo um pensamento, porque um pensamento é também uma ação.

Norma: Parece-me que já respondeu, mas se puder elaborar mais um pouco. Qual é a condição para que seja considerado um pecado?

Rav: Que agimos contrariamente à conexão. Porque o objetivo da criação do mundo que foi criado e quebrado, e a nós, cabe com os nossos esforços, precisamos de o trazer de volta a uma estrutura integral e completa.

Norma: Popularmente acredita-se que somos punidos por pecados. De acordo com a Sabedoria da Cabalá, as pessoas que cometem pecados são punidas?

Rav: Claro. O castigo é o pecado em si mesmo, o que fazem. Que não queiram a conexão. Isto causa o estado que se encontram em pecado, que não estão conectados.

Norma: Qual seria este castigo então?

Rav: Que estão separados. Que estão separados e por essa razão, distanciados da Força Superior, do Criador e como resultado disso, sofrem.

Norma: O que se passa quando uma pessoa não está consciente que comete um pecado? Ainda assim recebe um castigo?

Rav: De acordo com o seu nível. Como uma criança, de acordo com o seu nível. Se é uma criança pequena, então ele não sente realmente que está a cometer um pecado. Como vemos crianças pequenas que partem, quebram, estragam qualquer coisa, e então temos que perdoar, conosco é igual. Conforme crescemos, de acordo com isso, as nossas ações são avaliadas de forma mais séria.

Norma: Como se mede a magnitude de um pecado, baseado em quê?

Rav: Na medida em que magoamos a nossa conexão. Na medida em que impedimos toda a criação de se mover para a correção.

Norma: E o castigo é proporcional ao tamanho do pecado?

Rav: Sim. Não posso dar-lhe uma fórmula, porque não é fácil de explicar, mas sim, é proporcional.

Norma: Como os pecados que cometo nesta vida afetam minha alma?

Rav: Exatamente isso. Os pecados que cometemos, vão por cima da alma, e a alma fica ainda mais partida do que antes. Pelo contrário, se causamos ações que vão na direção da nossa conexão, então através disso causamos a nossa correção, e a correção do mundo.

Norma: Qual é então o propósito do pecado no nosso caminho espiritual?

Rav: É para mostrar a uma pessoa a medida na qual ele está desconectado dos outros, e como resultado disso, desligado do Criador, da Força Superior.

Norma: Como se pode então usar o pecado como uma forma de avançar no caminho espiritual, e não falhar?

Rav: Está escrito que não há justo na terra que não faça o bem e não tenha pecado. Ou seja, pecar, estar num estado egoísta é obrigatório antes de conseguirmos digerir corretamente a situação e alcançar a conexão. Todo o nosso trabalho é caminhar em ambos os pés, esquerdo e direito, esquerdo e direito e sentir o quanto estamos distantes uns dos outros e o quanto precisamos trazer a conexão entre todos.

Norma: Penso que a citação que mencionou é de Baal HaSulam,Shamati 169 Sobre os justos completos: "Sobre os justos completos, isto é, que não pecaram, está escrito o seguinte: "Bem, não há uma única pessoa justa na terra que faça o bem sem pecar." Por que não pode haver um homem justo que não peque?

Rav: Como se corrigiria então? Tem que ser partido, tem que ser perverso e depois alcançar o nível de justo. Todos nós, para começar, desde que Adam HaRishon se partiu, somos todos perversos.

Norma: Recebemos uma pergunta sobre este ponto. Os que estudam a Sabedoria da Cabalá, precisam pecar também?

Rav: Claro, todos nós. Isso é chamado o pecado de Adam HaRishon, que todos nós derivamos do pecado.

Norma: Qual é então a relação dos Cabalistas com o pecado?

Rav: Que precisam de se corrigir, é isso. O que foi, o que aconteceu, aconteceu. Como éramos antes, o que revelamos, e descobrimos, isso não é levado em conta. O que importa é, na medida em que nos é dada a oportunidade de nos corrigirmos, se alcançamos a correção.

Norma: O Dr. disse algo acerca do pecado original e temos uma pergunta sobre isso. O primeiro pecado, ou o pecado original, está relacionado com Adão e Eva? O que é esse pecado inicial?

Rav: O pecado primordial é que recebemos de repente um fardo, em que o desejo de receber para si mesmo foi revelado, e a partir daí, cada um pensa apenas sobre si mesmo, não consegue pensar nos outros de forma alguma, e isso foi o que aconteceu, a cada pessoa. E o nosso trabalho é elevar-nos acima deste nível egoísta e começar a corrigir-nos para o benefício dos outros.

Norma: Por que se atribui a eles o primeiro pecado?

Rav: São os primeiros desejos que foram revelados desta forma, que passaram por tal corrupção por forma a que pudéssemos entender quem somos em relação com o Criador, e o que precisamos fazer em relação a Ele, para chegar mais perto dEle e então podemos entender o que temos que fazer.

Norma: Rabash escreve no artigo número 10 de 1984: “temos que saber que todas as almas descendem da alma de Adam HaRishon, (o primeiro homem) porque como resultado do pecado da Árvore do Conhecimento, sua alma foi dividida em 600.000 almas.” Há alguma ligação entre o pecado da árvore do conhecimento e o pecado original?

Rav: É o mesmo, é o mesmo.

Norma: Uma pergunta que é recorrente das pessoas que nos seguem, e assistem aos seus programas, Por que existem 600.000 almas, nem mais nem menos?

Rav: Porque resultam do nível de Biná abaixo, que são 6 níveis, Chesed, Gevurá, Tiferet, Netzá, Hod e Yesod, e estes níveis passaram por uma quebra, e o que acontece é que estes níveis em vez de 6 temos 600.000.

Norma: O pecado original foi transmitido de geração em geração?

Rav: Nós arrastamos o pecado conosco. Encontramo-nos num desejo egoísta, onde cada um somente pensa em si mesmo, sem levar em conta as outras pessoas e desta forma aproximamos da compreensão de quem somos na realidade, e assim podemos alcançar a nossa correção.

Norma: Se um pecado foi cometido em uma geração, as gerações futuras terão que pagar por isso?

Rav: Precisamos corrigir tudo pelo qual já passamos, e tudo o resto pelo qual teremos que passar e corrigir.

Norma: A pergunta é se acontece em todas as gerações, ou se passa de geração em geração.

Rav: Acontece em todas as gerações e passa de geração em geração até que todas as gerações se corrijam.

Norma: Pessoalmente, quando cometemos pecados, as repercussões são transmitidas aos nossos descendentes (familiares)?

Rav: Não, cada pessoa é responsável por si mesmo.

Norma: Nos escritos de Baal HaSulam em Shamati 84: escreve: "E Ele expulsou o homem do Jardim do Éden" como diz , "E o Senhor o expulsou do Jardim do Éden", para corrigir o pecado do Conhecimento da Árvore da Vida. E depois disso você poderá entrar no Jardim do Éden.” O que é o Jardim do Éden?

Rav: O Jardim do Éden é o nível de doação, o nível de amor, o nível de Biná. Malchut é chamado de Jardim, e quando ascende a esse nível é chamado de Éden.

Norma: E a expulsão do Jardim do Éden pelo Criador, é um castigo?

Rav: Claro que é. Ele estava neste vaso, a alma estava num nível de doação, e desceu para um nível de recepção.

Norma: Como se corrige então o pecado da árvore do conhecimento?

Rav: Nós corrigimos o pecado, todas as gerações que vem depois, corrigem o pecado de Adam HaRishon. Que Adam HaRishon é o sistema geral que inclui tudo. Este sistema quebrou e o que é revelado é o ódio e separação entre todas as partes. E nós, ao contrário, temos que nos conectar, e corrigir-nos.

Norma: E faz-se unicamente por meio do estudo da Sabedoria da Cabalá?

Rav: Sim, a Sabedoria da Cabalá esse é o método de correção das almas.

Norma: Como nos aconselha então a trabalhar com os pecados por forma a alcançar a correção da humanidade?

Rav: Penso que o correto seria vir estudar conosco. Onde a pessoa não apenas recebe uma explicação, mas também recebe direção sobre como avançar em cada estado, e como evoluir de corrupção para correção.

Norma: No dia a dia, que ações relacionadas com o pecado podem ser uma condição para a correção?

Rav: Apenas precisamos de nos conectar entre nós, aproximar os nossos corações, de tal forma que não vamos sentir que estamos separados de alguma forma. E através disso efetuar a correção do sistema de Adam HaRishon que volta a ser um único.

Norma: Qual é o limite que não pudemos ultrapassar, por que os criminosos podiam aproveitar-se desta situação?

Rav: Como? Como pode ser que um criminoso, ou seja, alguém que odeie os outros, possa fazer algo bom? Ele precisa de se inverter de perverso para justo, e então vai desejar conectar tudo num único sistema.

Norma: A justificação que poderia dar é que primeiro o pecado tem que ser revelado, para depois ser corrigido.

Rav: Não. O Criador deu a capacidade de pecar apenas para que pudéssemos corrigir o pecado. E portanto não há justificação da parte do perverso em dizer, que foi assim que foi criado, é um perverso, um pecador, e portanto pode continuar a pecar. O Criador criou o vaso, por forma a que o pudéssemos corrigir.

Norma: Como podemos então sumarizar este tema, para que tenhamos uma ideia de como podemos usar o pecado para o nosso avanço espiritual?

Rav: Precisamos entrar numa sociedade que queira unir o sistema em um homem em um só coração, que tenha a mesma forma de Adam HaRishon, em que estamos conectados, e corrigirmos a nossa conexão, e então podemos alcançar a sensação do que é o Sistema Divino, e o que é a conexão, e a força Superior chamada de Criador, que nos preenche.

Norma: Quando o Dr. fala surge-me a pergunta de como medir. Como cada um de nós pode avaliar, porque como falamos no início, o pecado passa por meio da ação e pensamento, então como pode cada um de nós dirigir os pensamentos e ações na direção da conexão e ter a certeza que não estamos a pecar, ou a impedir a correção?

Rav: Isso apenas é possível se encontrar-nos num ambiente correto e vermos o que os outros fazem, e como eles também damos um exemplo aos outros, e assim corrigir-nos. Podemos alcançar uma sociedade em que todos estamos conectados e as nossas relações interpessoais corrigidas.

Norma: Então, pode alcançar-se apenas na forma de passos concretos, e não por meio de teorias, mas com a ajuda da sociedade, na prática?

Rav: Sim, apenas conectando na prática uns com os outros, podemos alcançar o estado em que nos sentimos conectados.

Norma: Muito obrigada pelo seu tempo e pelas explicações, Dr. Laitman. Infelizmente ficamos sem tempo, chegamos ao fim do programa. Muito obrigada.

Rav: Muito obrigado, e tudo do melhor para todos.