A TV Program "The Power of Book Zohar"

A TV Program "The Power of Book Zohar"

Episódio 10|11 de jun de 2010

O Poder do Livro do Zohar

Capítulo 10

11 de Junho de 2010 28:54min

Transcrição:

Texto para Legenda Revisado

*Entrevistador:*

Bom dia.

*RAV:*

Bom dia, queridos amigos.

*Entrevistador:*

Continuamos a leitura do _Livro do Zohar_, e o professor Michael Laitman nos ajuda a compreendê-lo.

Bom dia, professor.

*RAV:*

Bom dia.

*Entrevistador:*

Hoje temos um tema muito importante, algo prático.

Estamos a estudar os Dez Mandamentos.

No _Livro do Zohar_, está escrito que os Dez Mandamentos correspondem aos dez atos da criação.

Eles estão interligados.

*RAV:*

Por isso, hoje tentaremos... Na verdade, pensámos nisso antes das gravações.

*Entrevistador:*

Não nós... o senhor com alguém.

*RAV:*

Eu, talvez com alguém, sim.

Estávamos a pensar, eu e os meus colegas, sobre como fazer com que o nosso programa fosse o mais próximo possível das pessoas.

Que se tornasse, na medida do possível, um guia prático.

Aqui disseste duas frases absolutamente contraditórias.

"O mais próximo das pessoas" não é Kabbalah.

*Entrevistador:*

Não é Kabbalah?

*RAV:*

Não. O que ocupa as pessoas no nosso mundo é comida, sexo, família, dinheiro, honras, fama, conhecimento.

Isso é o que ocupa uma pessoa.

São os nossos desejos básicos.

*Entrevistador:*

Sim, mas ouvi dizer...

*RAV:*

A Kabbalah, de forma alguma, toca ou pretende preencher esses desejos.

Há rumores de que a palavra "Adam" vem de "Dome".

*Entrevistador:*

"Dome", semelhante ao Criador?

*RAV:*

Exatamente.

Por isso disse que é próximo do homem — mas deste tipo de homem.

*Entrevistador:*

Ah, então é diferente.

Estás a referir-te a um homem completamente diferente, de fato.

*RAV:*

Estamos aqui a lidar com o desenvolvimento de um ser assim.

Por exemplo, num corpo como o de cada um de nós, começa a desenvolver-se o que se chama "homem", semelhante ao Criador.

*Entrevistador:*

Como disseste com precisão. Certo, absolutamente.

*RAV:*

Ou seja, esta qualidade, esta imagem interna de semelhança ao Criador, pode desenvolver-se em cada um de nós.

Tanto no homem quanto na mulher.

Em qualquer pessoa no mundo.

E, no final, deve desenvolver-se em cada um de nós no mundo.

Esta é a tarefa da Kabbalah: ajudar a pessoa nesse processo de se tornar semelhante ao Criador.

Na semelhança com o Criador.

*Entrevistador:*

Agora, estamos a estudar os mandamentos.

É sobre isso que o _Zohar_ escreve.

*RAV:*

Nos mandamentos, temos dez critérios principais, pelos quais construiremos o modelo desta imagem interna que será chamada "Adão", traduzido como "Adam Domeh", semelhante ao Criador.

Portanto, esses Dez Mandamentos precisam ser compreendidos.

O que são eles, afinal?

*Entrevistador:*

Não se trata apenas de não roubar na rua ou de não matar num beco...

Ou de não flertar com a esposa do vizinho...

*RAV:*

Mas sim de mudanças internas especiais no ser humano, que o tornam verdadeiramente igual ao Criador.

Isto precisa ser esclarecido.

*Entrevistador:*

Então... o que é um mandamento?

o que é um mandamento?

*RAV:*

Essa é a primeira questão.

Um mandamento é chamado de uma qualidade espiritual egoísta corrigida no ser humano.

Ou seja, devemos descobrir em nós, gradualmente, uma imagem oposta ao Criador — chamada de impura, _klipá_, contrária ao Criador — e transformá-la em semelhante ao Criador.

O ato de realizar essa mudança, de oposição para semelhança ao Criador, é chamado de cumprimento de um mandamento.

Essas qualidades em nós, contrárias ao Criador, somam 613.

Portanto, devemos realizar 613 correções.

*Entrevistador:*

Mas, por enquanto, no ser humano deste mundo, tu não vês nenhuma qualidade contrária ao Criador.

*RAV:*

Em si, ele simplesmente não tem nada.

Esses 613 dividem-se em 10.

Eles agrupam-se, por assim dizer, em apenas 10 grupos.

*Entrevistador:*

Ah, entendi, entendi.

Agora, o ato da Criação...

Por que o ato da Criação está relacionado com o mandamento?

Embora na Torá...

*RAV:*

Porque o Criador marcou o homem como uma impressão no selo, gravando-se no material em uma forma oposta a Si mesmo.

*Entrevistador:*

Como um selo?

*RAV:*

Aquilo que no selo é convexo...

Isso aconteceu no ato da Criação.

*Entrevistador:*

Sim.

*RAV:*

Torna-se, ao contrário, côncavo.

Assim como fazemos qualquer carimbo.

Da mesma forma, o Criador marcou-Se no material da Criação.

Criou em nós propriedades opostas.

Absolutamente todas as propriedades opostas.

Nele existem 613 propriedades positivas, todas direcionadas para doação, amor, emanação.

E gravou em nós essas mesmas propriedades em uma forma completamente oposta:

Na recepção, na satisfação, no desprezo por todos, no uso de tudo e todos,

no orgulho, na competição, e assim por diante.

Ou seja, primeiro vêm as leis e, depois, a sua realização em forma de atos da Criação.

Ele simplesmente pegou todas as Suas propriedades e as gravou em nós de forma oposta.

Mas, na Torá, primeiro vêm os atos da Criação e, depois — aproximadamente dois mil e quinhentos anos depois — foram pronunciados esses mandamentos.

Os Dez Mandamentos para o povo.

*Entrevistador:*

Ah, claro, naturalmente.

No ser humano, elas surgem apenas posteriormente, após um longo processo de desenvolvimento.

*RAV:*

E não é simples ouvir esses mandamentos, compreender de onde eles realmente vêm.

A pessoa deve mergulhar no egoísmo espiritual, além do mundo físico — chamado Egito.

Foi isso que aconteceu com esse povo, por assim dizer, nessa sua epopeia histórica.

Quando passou pelo Egito, quando mergulhou em todas as suas qualidades egoístas,

viu-as, reconheceu-as e compreendeu que é contrário ao Criador.

Por um lado.

E por outro, percebeu que não pode sair disso por si mesmo.

Que todas essas suas qualidades se apresentam diante dele como o Monte Sinai — a montanha do ódio, contrariedade ao Criador.

E tudo isso devido ao fato de que, entre todas essas qualidades, existe um ponto chamado contato com o Criador — Moisés.

Que pode puxar, como por um fiozinho, permitindo que a pessoa puxe a si mesma dessa oposição ao Criador para a semelhança ao Criador.

*Entrevistador:*

O primeiro mandamento, professor...

Posso perguntar?

*RAV:*

Sim.

*Entrevistador:*

O primeiro mandamento:

"Eu sou o Senhor, teu Deus."

Isso foi dado na entrega da Torá.

E o ato da criação: "Haja luz, e houve luz."

Quem é Deus?

O que é Deus, afinal?

"Eu sou o Senhor, teu Deus."

Como devemos entender isso?

*RAV:*

É simplesmente a força suprema, abrangente.

A força da natureza — inteligente, onipotente, eterna, perfeita.

Aquilo que atribuímos à natureza.

Mas à natureza deste mundo, nós não vemos além.

É aquilo que preenche, permeia tudo, incluindo todo o programa da criação:

o início, o propósito, a realização e o fim.

Tudo isso junto, em relação a nós, é chamado de Criador.

E tudo isso é apenas em relação a nós.

Não podemos falar sobre o Criador — Deus, a força suprema, onipotente, eterna, perfeita — ou quaisquer outros nomes que possas atribuir a Ele.

Todos esses nomes precisam ser analisados, ou seja, discutidos:

por que eles são assim, e não de outra forma, e por que há tantos.

Então, depois de ignorar todos esses nomes, falamos Dele apenas em relação a nós.

Ou seja, deve haver um receptor.

Alguém que o percebe assim como o conhecemos.

Não nós mesmos, eu e tu aqui sentados, mas grandes almas — cabalistas — que O conheceram e, portanto, falam sobre Ele para nós.

Agora, como consequência disso, ou como o mesmo conceito, o ato da Criação:

"Haja luz, e houve luz."

*Entrevistador:*

Qual é a relação disso com o que foi dito anteriormente: "Eu sou o Senhor, teu Deus"?

*RAV:*

Porque a ação seguinte, a manifestação Dele em relação a nós, no ato da Criação — de cima para baixo — é a manifestação da luz.

Aquilo que estudamos: o mundo da Infinidade.

Quando a luz se manifesta e constrói para si um recipiente.

Esse recipiente é chamado de criação inicial, criação primordial.

Ainda está muito distante da criação final que deve existir.

Porque isso é como uma gota de semente, que pode ou não desenvolver algo,

mas dentro dela praticamente tudo já está contido.

Exceto a força, exceto a matéria.

Ou seja, é preciso preenchê-la com tudo necessário,

mas toda a informação, absolutamente todas as suas qualidades — tudo o que é chamado de "Ele mesmo" — está contido nela.

*Entrevistador:*

O próximo mandamento, o segundo.

Vamos passar rapidamente por todos eles, certo?

*RAV:*

Não.

*Entrevistador:*

Bem, temos que passar por todos.

E depois, o que vem a seguir?

*RAV:*

"Não terás outros deuses diante de Mim."

E isso é equivalente ao que foi dito:

"Haja um firmamento no meio das águas."

Primeiro:

"Não terás outros deuses diante de Mim."

*Entrevistador:*

Eu tenho, por exemplo, uma esposa que é como um deus para mim.

Tenho um diretor que é como um deus para mim no trabalho.

*RAV:*

Ele ouve isso?

*Entrevistador:*

Tenho filhos pequenos... pequenos "deuzinhos" que me rasgam em pedaços.

*RAV:*

Mas não.

Aqui refere-se a não teres nenhum outro guia no mundo que te direcione para o objetivo da tua vida, para o objetivo da criação.

Não terás diante de ti nenhuma outra qualidade senão a qualidade de doação e amor, que é o símbolo do Criador, ao qual te deves devotar e curvar diante disso.

*Entrevistador:*

O que significa devotar-se?

*RAV:*

Significa ver nisso o maior valor, a maior importância.

*Entrevistador:*

Mas a vida é feita de tal forma, tudo funciona assim, que, pelo contrário, tudo me rasga.

*RAV:*

Para onde rasga?

*Entrevistador:*

Rasga-me em milhões de desejos, meus e dos outros.

*RAV:*

Por isso é dito que deves organizar tudo de modo que todos os desejos,

todos os teus movimentos — independentemente de qual direção sigas —

devem, no final, estar conectados ao alcance do Criador.

*Entrevistador:*

E como fazer isso?

*RAV:*

Ele deve ser o teu único objetivo em tudo o que fizeres.

*Entrevistador:*

O que devo fazer para que isso aconteça comigo?

*RAV:*

Desejar que isso seja a prioridade.

E depois ver como podes organizar a tua vida dessa forma.

Mas, no final da vida, deves chegar ao ponto em que o Criador estará diante de ti

como teu próximo, parceiro, amigo, governante e governado.

Ou seja, deves entrar em um contato pleno com Ele — de amor mútuo,

de fusão mútua — de modo que não haja ninguém além Dele.

Ele ocupará para ti todo o mundo, incluindo tua esposa, filhos e diretor.

*Entrevistador:*

Isso é ótimo, mas é preciso sentir isso, chegar a isso.

*RAV:*

Claro.

Isso leva uma vida inteira.

*Entrevistador:*

O que fazer?

*RAV:*

Realizar esse mandamento.

*Entrevistador:*

Estamos apenas a nomeá-los.

Mas realizá-los é algo individual para cada um.

*RAV:*

Em princípio, ele é realizado em grupo, com o estudo da Kabbalah,

quando a pessoa gradualmente começa a entender como...

Na verdade, toda a ciência da Kabbalah é para a realização desse mandamento.

E assim, esse mandamento corresponde a um ato da Criação correspondente a ele.

É equivalente ao que foi dito: "Haja um firmamento no meio das águas."

Ou seja, haverá uma separação clara — nesse caso — entre aqueles que te afastam do Criador e aqueles que te ajudam.

E deves determinar claramente quem ajuda e quem não,

e até mesmo transformar os teus inimigos nesse movimento em direção a Ele em aliados.

Ou seja, esse firmamento deve tornar-se uma fronteira pela qual tu constantemente traduzirás tudo o que tens neste mundo — tudo o que está em ti, tudo o que está ao teu redor — para Ele, e relacionarás tudo a Ele.

*Entrevistador:*

Então, o firmamento não será mais necessário?

*RAV:*

Não.

Ele desce ao nível da nossa terra, e tudo se torna um único céu.

*Entrevistador:*

Magnífico.

Sabes bem que se refere ao _Tzimtzum Bet_ e à influência de _Malchut_ sobre _Bina, como elas se conectam entre si.

*RAV:*

Claro.

Não é este céu azul.

*Entrevistador:*

Bem, vamos deixar isso de lado por enquanto.

O próximo mandamento:

"Não pronuncies o nome do Senhor teu Deus em vão."

E no ato da Criação, é dito:

"Ajuntem-se as águas debaixo do céu num só lugar."

*RAV:*

Ou seja, deve haver uma direção completa e absoluta somente para este objetivo.

Não associar de forma alguma o Criador com quaisquer outros feitos, ações ou algo similar.

Ao contrário, todas as ações, feitos, pensamentos, qualidades, intenções — tudo — deve ser direcionado a Ele.

Não importa quais sejam.

Mas "em vão" significa não fragmentá-Lo em partes para a tua vida.

Ao contrário, direciona tudo exclusivamente a Ele e ao nível Dele.

Então, através do teu trabalho neste mundo, verás o quanto este mundo foi criado para ti.

Para te elevar até Ele.

*Entrevistador:*

Porque, em princípio, a frase parece por si só como superstição.

*RAV:*

Não.

"Não pronuncies o nome do Criador em vão" significa não o utilizares para coisas triviais.

Ao contrário, direciona todas as tuas pequenas coisas na vida a Ele.

*Entrevistador:*

Ou seja, se agora eu dissesse em vão, agora mesmo dissesse:

"Deus me livre", isso não causaria nenhum efeito?

*RAV:*

Qual a diferença no que tu vais dizer?

O importante é que a pessoa alinhe todas as suas ações, todos os seus pensamentos, sentimentos, anseios, programas, planos — tudo — com aquilo que é realizado por um único e que deve ser alcançado.

*Entrevistador:*

E aquele nome de quatro letras do Criador, que não pode ser pronunciado...

Por que não pode?

*RAV:*

"Não pode", na Kabbalah, significa "não é possível".

Não há um "não pode".

*Entrevistador:*

Existe a vocalização?

*RAV:*

Tudo é permitido.

*Entrevistador:*

E a vocalização existe?

*RAV:*

Não.

*Entrevistador:*

E o que irás pronunciar?

*RAV:*

Não pronunciarei o que... Não irás pronunciar.

*Entrevistador:*

Yud He, Vav He?

*RAV:*

Bem, o que há para pronunciar?

Tudo isso é bobagem.

Não é permitido pronunciar porque isso não tem realização na linguagem.

Ou seja, realiza-se apenas dentro do desejo espiritual.

Existem outros nomes:

Elohim, Adonai, Shaddai, e assim por diante.

Há uma dezena de nomes.

Mas o nome Yud He Vav He significa o nome do Criador em geral.

Isso não significa que o chamo assim, que esse é o Seu nome.

Eu o chamo assim a partir das minhas qualidades.

Porque dentro de mim, minha alma é composta de quatro partes.

*Entrevistador:*

Yud He Vav He... quatro partes?

*RAV:*

Sim.

E nessas quatro partes, quando recebo a luz, resulta em uma combinação de desejos e luz juntos.

Isso é o que se chama em mim de sensação do Criador.

Ou Seu nome.

Eu o chamo de acordo com minha sensação.

E, portanto... é assim que o chamamos.

Não há nada de assustador ou especial nesse nome,

nada tão elevado que deves temê-lo.

Ao contrário, deves alcançá-lo.

Deves entrar nele para que isso seja teu,

como está dito: "Que meu nome esteja sobre vós."

*Entrevistador:*

Continuemos.

*RAV:*

Agora, em conformidade com este mandamento, ocorreu tal ato de Criação:

"Que as águas debaixo dos céus se juntem num só lugar."

*Entrevistador:*

Sim, ou seja, debaixo dos céus?

*RAV:*

Os céus representam a qualidade de Biná, de onde desce toda a luz superior.

E por esses fluxos — no total, 32 fluxos — a luz desce lentamente,

e gradualmente desce para uma alma única que devemos construir juntos.

*Entrevistador:*

E “em vão”? Por que isso? Qual a relação?

*RAV:*

Refere-se ao mandamento de não pronunciar o nome em vão.

Assim como reunimos tudo...

*Entrevistador:*

Como já mencionamos, reunimos tudo...

*RAV:*

Estamos agora a concentrar-nos e...

Segue-me.

*Entrevistador:*

Sim, estou a seguir.

*RAV:*

Assim, reunimos todas as nossas ideias, pensamentos, sentimentos em um único foco e direcionamo-los a Ele.

E aqui é mencionado que não nós direcionamos,

mas Ele direciona todos os Seus fluxos a nós — a Malchut.

Malchut é o lugar espiritual onde se reúnem todas as almas que desejam entrar em contato com o Criador.

Esse é o lugar de encontro, o ponto de conexão com o Criador.

Assim, movemo-nos em direção a esse ponto,

e os fluxos de água — de Luz — também se dirigem a ele.

Água, neste contexto, refere-se à luz superior, à luz de Chasadim — a luz da misericórdia.

E lá nos encontramos juntos.

*Entrevistador:*

Obrigado.

*RAV:*

Na verdade, todos esses mandamentos que lês de duas fontes se repetem dessa forma,

escritos de maneira dual, e falam uma vez sobre o movimento de baixo para cima — das almas para esse lugar de encontro com o Criador —

e também do Criador para esse mesmo ponto de encontro com as almas.

Ou seja, como devemos chegar ao nosso lugar comum de encontro?

*Entrevistador:*

Obrigado.

O próximo mandamento.

"Lembra-te do dia do sábado, para santificá-lo."

E é dito no ato da Criação:

"Produza a terra relva e erva."

Que erva é essa?

*RAV:*

Relva.

O dia de sábado não se refere a um dia da semana...

Não, o dia de sábado significa... Shabat é o que se refere.

Shabat significa _Lishbot_, parar.

Significa descansar, cessar o trabalho.

Não é como uma greve, mas sim uma cessação clara e definitiva de qualquer atividade.

E atividade aqui significa o trabalho de correção da alma.

Quando a correção completa da alma é alcançada, esse estado é chamado de Shabat.

Ou seja, ao longo de toda a nossa longa história, bilhões de anos de existência do mundo,

avançamos para, no final, começar a corrigir a nossa alma.

E é somente agora que a nossa primeira geração realmente começa a fazer isso.

Por isso, a Kabbalah está sendo revelada a todos.

Por isso surge a desconexão, e a globalização do mundo se manifesta, e assim por diante.

Tudo isso apenas para levar o ser humano à desilusão com tudo,

à necessidade de revelar sua alma e começar a desenvolvê-la.

*Entrevistador:*

Mas ouvi dizer que há um oitavo, nono e décimo dia...

*RAV:*

Bem, isso é depois.

Não compliques.

Estás a confundir as pessoas desnecessariamente.

*Entrevistador:*

Só estou curioso sobre as perspectivas.

*RAV:*

Perspectivas?

Está bem, está bem.

O principal, sabes... é chegar até sábado.

A propósito, estamos agora, diga-se de passagem, na véspera do Shabat.

Ou seja, desde a primeira manifestação do Criador,

na criação de Adão, que viveu há 5770 anos atrás,

até o final, a conclusão de todo o programa — de 6 mil anos —

restam apenas 230 anos.

*Entrevistador:*

Mas pode ser alcançado antes...

*RAV:*

Agora resta.

Sim.

Mas pode-se alcançar antes esse estado chamado de Shabat.

Nesse estado, todo o mundo ascenderá a um novo nível.

Elevamo-nos à sensação de eternidade, ao estado de infinito e perfeição.

Todos nós.

Toda a humanidade.

E podemos alcançar essa transição — que agora é um momento crítico de mudança — de uma maneira muito suave e bela.

Se divulgarmos o que a ciência da Kabbalah nos permite fazer,

como realizar isso de forma fácil, simples e harmoniosa para todos nós.

Caso contrário, a transição será inevitavelmente alcançada.

O sexto dia — ou seja, o estado de eternidade, perfeição e ascensão das almas —

será obrigatoriamente atingido apenas por meio de eventos muito intensos e, eu diria, dramáticos.

Incluindo guerras mundiais e assim por diante.

Portanto, lembra-te do dia de sábado.

Isso significa lembrar que estamos em um estado temporário

e que devemos alcançar um estado eterno e perfeito.

Durante nossa vida.

Nesta vida, devemos realizar todas essas correções.

Portanto, lembrar significa realizar.

Não apenas lembrar no sentido de guardar na memória ou pendurar um lembrete qualquer.

Não.

Deves, a cada instante, realizar essa ideia e avançar em direção a ela.

Naturalmente, contra isso, ou seja:

"A terra dará seus frutos."

*Entrevistador:*

Sim, crescerá...

Não sei exatamente como traduzir...

*RAV:*

Lindamente... mas isso não importa.

Está escrito: "Relva e erva."

*Entrevistador:*

Sim, relva e erva.

Então, o que significa isso?

*RAV:*

Ou seja, é exatamente nesse momento,

quando a pessoa começa a refletir sobre o que precisa fazer para alcançar sua correção,

que surge, dessa pessoa — dessa, essencialmente, criatura animal de duas pernas — uma vida.

A existência de uma forma de matéria proteica, como disseram nossos mestres.

*Entrevistador:*

Sobre os pais, sim.

*RAV:*

Sim, sim, sim.

Marx e Engels.

Bem, disseram algo muito certo, por sinal.

Sobre o nosso corpo animal, foi dito algo absolutamente correto.

O mandamento que diz "Lembra-te do dia de sábado" também fala,

de outro ponto de vista, sobre a terra produzir relva e erva.

Isso significa que da terra — de _Adama_ —

" _Adama_ " vem da palavra " _Domem_ " — inanimado, completamente morto, pó.

E, por outro lado, " _Adama_ " refere-se a Adão,

do qual emerge o ser humano.

Adão, semelhante ao Criador.

Ou seja, aqui, quando pensas no dia de sábado,

no que deves alcançar,

no objetivo de toda essa tua epopeia e existência neste mundo,

começas a crescer.

E é então que em ti surge um broto.

Ou seja, um broto espiritual que cresce gradualmente dentro de ti

e eventualmente se transforma numa árvore inteira.

O ser humano é chamado de árvore, semelhante ao Criador.

Ou seja, a planta simboliza algo que está em mudança,

independentemente de se tornar um animal ou um ser humano.

É algo que se desenvolve em relação ao nível anterior, inanimado.

*Entrevistador:*

O próximo mandamento é este.

O número 5.

*RAV:*

Sim, o quinto:

"Honra teu pai e tua mãe."

E no ato da Criação é dito:

"Haja luminares no firmamento dos céus."

Esses luminares são teu pai — o sol — e tua mãe — a lua.

Bem, isso é absolutamente claro para aqueles que estudam Kabbalah.

_Abba_ e _Ima_, o pai e a mãe superiores,

são esses luminares — o sol e a lua —

que influenciam a terra, o ser humano,

e que fazem a terra girar, permitindo que ela desenvolva

e gere o mundo vegetal, animal e humano.

No final, esses dois grandes luminares —

um, a luz de _Chasadim_;

o outro, a luz de _Chochmá_...

Como nosso pai e nossa mãe,

verdadeiramente nos desenvolvem a um nível em que,

por meio da luz de _Chasadim_ — a luz da lua —

absorvemos toda a luz do sol — a luz de _Chochmá_.

*Entrevistador:*

Então... não respeitar a mãe e o pai carnais?

*RAV:*

Os carnais são uma questão tua.

Deves apenas respeitá-los dentro dos limites terrenos.

*Entrevistador:*

Por que, então, isso soa como algum tipo de ética?

Vemos no mundo animal que, muito rapidamente,

os filhotes se separam dos pais — em poucos meses,

ou talvez seis meses, um ano, dois — e acabou.

Isso não existe mais.

Por que isso existe no ser humano?

*RAV:*

Porque ele é egoísta.

*Entrevistador:*

O que ele tem?

O que ele respeita?

*RAV:*

Sim, claro.

Os pais para os filhos, e os filhos para os pais.

É puramente egoísta, claro.

Os pais não se afastam dos filhos,

e os filhos dependem e exploram os pais.

E assim surge essa conexão.

Parece-nos talvez que é uma característica boa, bondosa.

Mas é uma característica muito egoísta de ambos os lados.

*Entrevistador:*

E o que dizer, então, sobre "haja luminares"?

*RAV:*

Já foi explicado que o teu pai é o sol

e tua mãe é a lua — esses são os verdadeiros pais.

Eles são os verdadeiros pai e mãe,

de onde a luz desce, das esferas superiores.

E é por meio deles que nos tornamos humanos.

Ou seja, ascendemos e, no final,

governamos tanto a lua quanto o sol.

Com essas duas fontes de vida da nossa alma,

aprendemos a governá-las.

E, no final, ascendemos ao nível delas.

Absorvemos toda a sua força, toda a sua luz.

E atingimos o nível delas —

ascendemos ao nível de _Chochmá_ e _Biná_,

interagindo completamente entre elas.

Absorvemos completamente as qualidades

do nosso pai e mãe espirituais,

ascendendo assim ao nível em que nos tornamos

iguais ao Criador pela primeira vez.

Ao absorver todas as qualidades de _Chochmá_ e _Biná_,

tornamo-nos iguais a _Keter_.

Ou seja, o mais elevado.

Esse estágio do Criador.

*Entrevistador:*

Muito obrigado.

Continuaremos nossa conversa sobre os mandamentos.

Creio que o pouco que entendemos hoje —

e talvez até sentimos —

nos ajudará a viver,

a continuar vivendo nossa vida com mais propósito.

Com maiores resultados.

Com maior benefício ao finalizá-la.

Sem partir de mãos vazias.

Levando algo conosco.

Até logo.

YouTube

https://youtu.be/iZ4cJZSM3V0