A TV Program "The Power of Book Zohar"

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Episódio 16|16 de jul de 2010

O Poder do Livro do Zohar

Capítulo 16

16 de Julho de 2010 29:49min

Transcrição:

Link do Vídeo

*ENTREVISTADOR:*

Boa tarde, caros amigos.

Estamos lendo o Livro do Zohar e, em cada programa, convidamos o professor Michael Laitman para tentar, pelo menos um pouco, compreender o que está escrito aqui — e para que essa leitura nos ajude a viver.

E viver bem, se possível.

Olá, professor.

Como sempre, abrimos o livrinho e, onde ele se abrir para nós, lá começamos a leitura.

O que está escrito aqui para nós?

*RAV:*

Nos livros dos primeiros sábios, diz-se sobre a frase “Que haja o luminar” que isso é a serpente — Akaltón, sinuosa, que sempre se move serpenteando, e que trouxe uma maldição sobre o mundo, pois levou Eva (Chavá) à tentação com a Árvore do Conhecimento.

*ENTREVISTADOR:*

Eu queria entender sobre Adão e Eva... Mas por que ela se move de forma sinuosa?

O que significa “Akaltón”?

*RAV:*

Caso contrário, ela não conseguiria penetrar neles.

Ela precisa penetrar em Adão e Eva — através de Eva em Adão — e assim realizar seu trabalho no mundo, para que o mundo se torne pronto para a correção.

Antes que o homem recebesse a mordida (Akal) da serpente, ele era como um anjo.

Passeava pelo Jardim do Éden... Nada, por assim dizer, havia nele de ruim. Tudo era bom.

Interagia com sua gente, ouvia os sons celestiais, os anjos... E tudo era algo, sabes, tão doce que se tornava enjoativo.

Para elevar o homem verdadeiramente ao nível do Criador, é necessário que ele descubra em si o egoísmo — um egoísmo grande e sério.

O quanto, de fato, ele está envenenado por ele. O quanto ele é oposto ao Criador.

Essa análise é feita pela serpente.

Ela revela no homem esse egoísmo que reside dentro dele, no ser humano, mas que ele não vê, não sente — e, por isso, não pode corrigir-se.

Portanto, toda essa ação com a serpente é necessária no próprio início da criação.

*ENTREVISTADOR:*

Mas o mundo inteiro pensa que Adão naquela época pecou...

De que ele pecou?

O que ele poderia ter feito?

*RAV:*

Ele não podia fazer nada. Era um pedaço... um pedaço, como dizer... animal, que nem sequer poderia se tornar um ser humano.

*ENTREVISTADOR:*

Mas nós lemos, professor, que Deus diz uma coisa:

“Não comas desta árvore do conhecimento do bem e do mal.”

E vem a serpente e diz: “Não, come.”

E depois Deus vem e diz: “Eu te disse, por que fizeste isso? Agora morrerás.”

*RAV:*

“Morrerás” significa que morrerás bem.

Significa que morrerá dentro de ti o teu egoísmo — e alcançarás outro nível.

A serpente é o desejo egoísta necessário, que finalmente começa a despertar no homem.

E então o homem entende, vê que é oposto ao Criador, e tem para onde se mover, o que corrigir em si e para onde ascender.

É como uma serpente — necessária hoje para muitas pessoas no mundo.

*ENTREVISTADOR:*

Eu diria para todos, porque todos sentem que está tudo normal.

Mas o que é viver normalmente?

Nascemos, vivemos, morremos... Tudo está normal, sim...

E apenas passar esses anos com tranquilidade... e pronto.

Ou seja, é necessário empurrar o pêndulo.

Sim, para que servem esses anos ao homem?

Eu não entendo por que ele os valoriza tanto... o que há neles?

*RAV:*

A serpente mostra-lhe que vives em vão, que és um animal, que dentro de ti ainda há um germe de algo... algum mal... algo que não nos deixa viver em paz.

A serpente é, de fato, uma força tão forte, tão poderosa da natureza, que revela em nós esse enorme egoísmo — que começa a nos sacudir, que começa a nos colocar uns contra os outros.

É uma força motriz da natureza.

*ENTREVISTADOR:*

Eu só quero entender por que não escreveram de forma simples...

Que Deus disse o que disse, depois se disfarçou, transformou-se na serpente e disse: “É preciso provar desta árvore do conhecimento do bem e do mal, e tudo ficará bem.”

E depois, novamente, se disfarçou e disse: “Vejam, eu lhes disse, não era preciso comer.”

Bom... e nós, observando de fora, entenderíamos que esse Criador, primeiro na forma de quem fala, diz “não comas”, depois, na forma da serpente, “come”, e depois, novamente na forma de Deus, “por que comeste?”.

Isso nós teríamos entendido.

Por que não está escrito assim?

*RAV:*

Para não te contar tudo.

Por isso não está escrito assim.

A resposta é muito simples.

*ENTREVISTADOR:*

Por quê?

*RAV:*

Por quê...

*ENTREVISTADOR:*

Por quê?

*RAV:*

Sim.

Porque tu deves, por ti mesmo, gradualmente — ao longo do teu desenvolvimento milenar — chegar ao ponto de começar a entender o que isso realmente é.

E mais ainda: tu começarás a entender isso não a partir de histórias contadas por outros, mas porque serás obrigado a mudar.

O homem deve descobrir isso.

Se isso estivesse escrito no livro, tu simplesmente lerias: “Sim, é assim que funciona na natureza.”

E nada para ti... isso não te daria nada.

Mas quando tens que sofrer e revelar isso dentro de ti mesmo — e essa revelação deve vir de dentro de ti, e não de fora, porque alguém te conta — então isso acontece corretamente.

Então, na verdade, essa informação se torna tua.

O conhecimento se torna teu.

Ou seja, tudo o que acontece ao redor, tudo o que está escrito nos livros, são como provocações de diferentes tons, que devem estimular e reunir dentro de ti essa revelação.

Dentro de ti.

Tu mesmo deves revelar essa história dentro de ti.

Somente assim — e de forma alguma ouvi-la de fora.

Está organizado de modo que, mesmo que a ouças de fora, não a compreenderás.

Somente na medida em que começares a mudar internamente.

Descobrir dentro de ti essa serpente, a sua contradição com o propósito da criação, com o Criador...

Aos poucos captar essas diversas propriedades.

E captá-las dentro de ti.

Tanto as propriedades do Criador quanto as da criação — da Serpente, do Homem, de Adam e de Chavá.

E todas essas definições, quando começares a encontrá-las dentro de ti, então essa história se formará em ti.

Não antes disso.

*ENTREVISTADOR:*

Isso é maravilhoso.

É como a música, que consiste em inúmeras notas.

E quando de repente te aprofundas na música, sentes que é simplesmente um todo único, um único pensamento.

Tudo deve nascer de dentro.

E dentro, sim, sente-se internamente, independentemente da quantidade e da estrutura da música.

Continuamos a leitura?

*RAV:*

Por favor.

*ENTREVISTADOR (lendo):*

“No meio do firmamento estende-se um caminho brilhante.

É a serpente do firmamento, chamada pelos astrônomos de Via Láctea.”

*RAV:*

Isso está escrito no Zohar. Muito interessante.

*ENTREVISTADOR (lendo):*

“Todas as pequenas estrelas estão ligadas a ela e se acumulam nela aos milhares.”

*RAV:*

Ou seja, a serpente é composta de estrelas.

*ENTREVISTADOR (lendo):*

“Elas se agrupam e se amontoam nela, como montanhas sobre montanhas, incontáveis,

e estão colocadas sobre os feitos dos habitantes do mundo, que estão ocultos.”

*RAV:*

O aglomerado de estrelas... o que chamamos de galáxias diversas — bilhões de galáxias.

*ENTREVISTADOR:*

E por que a Via Láctea é uma serpente?

*RAV:*

Bem, talvez pela semelhança.

Na verdade, porque as estrelas simbolizam para nós forças celestiais.

Ou seja, não forças celestiais deste mundo, mas forças superiores.

As forças superiores, de certo modo, determinam o nosso caminho espiritual.

*ENTREVISTADOR:*

E assim como as estrelas determinam o nosso caminho terrestre...

Isso é algo alegoricamente bonito.

Ou seja, essa ciência dos astrólogos... como a chamas?

*RAV:*

Bem, claro, sim.

*ENTREVISTADOR:*

Isso é uma ciência?

*RAV:*

Bem, algo pode ser conhecido, sim.

*ENTREVISTADOR:*

Ah, algo pode ser conhecido?

*RAV:*

Bem, claro.

Com certeza.

*ENTREVISTADOR:*

Ao nível da vida, ao nível da matéria?

*RAV:*

Claro, sim.

Com certeza, com certeza.

Videntes, adivinhos... todos podem te contar isso.

Mas a questão é que eles só podem te contar dentro dos limites do nosso mundo.

Acima do nosso mundo, eles não podem te dizer nada.

*ENTREVISTADOR:*

Então, o que eles podem te contar?

*RAV:*

Além disso, eles te contarão praticamente apenas o que está destinado a acontecer.

E não aquilo que tu podes mudar e corrigir por ti mesmo.

Porque, nisso, tu te encontras, de fato, na liberdade de escolha.

*ENTREVISTADOR:*

Se eu atrair para mim forças, digamos... superiores?

*RAV:*

Claro.

*ENTREVISTADOR:*

Ou seja, posso até mudar a história da minha vida?

*RAV:*

Absolutamente.

Absolutamente.

*ENTREVISTADOR:*

Eu pensava antes que a cena não mudava, mas sim a atitude em relação a ela.

*RAV:*

A tua percepção muda, e isso muda a cena.

Se estás sob a mira de armas automáticas, ou se bandidos te atacam...

Isso é uma cena ou não?

*ENTREVISTADOR:*

Sim.

*RAV:*

Ou estás sentado tranquilamente no campo, bebendo café, desfrutando do canto dos pássaros...

A cena é diferente ou não?

*ENTREVISTADOR:*

Diferente, claro.

*RAV:*

Pois é, é isso.

Isso depende da tua escolha.

*ENTREVISTADOR:*

De como eu mudo internamente...

*RAV:*

Claro. O teatro exterior depende disso, com certeza.

O ambiente externo.

*ENTREVISTADOR:*

Isso é muito impressionante.

*RAV:*

Com certeza.

O teu estado interno e externo são preparados conforme as tuas escolhas.

Ou pelo bom caminho, ou pelo mau — depende do que escolhes.

Ou és empurrado com uma vara em direção à felicidade, ou te esforças por alcançá-la.

*ENTREVISTADOR:*

Vamos continuar a leitura.

*ENTREVISTADOR (lendo):*

“Semelhante a isso, quantas conexões de luz... Tantas conexões de luz...

As klipot saíram para o mundo a partir dessa primeira serpente superior, que seduziu Adão.

E todas elas estão ligadas às ações do mundo, que se encontra oculto.”

*RAV:*

A questão é que...

A Via Láctea... não se chama assim por acaso, Via Láctea.

É um caminho que nos foi determinado do alto, pelo nosso destino.

Pela predestinação superior.

Ou seja, se te moves sem te incluir, sem colocar os teus próprios esforços, então te moves, por assim dizer, pelo caminho da Via Láctea.

Do início ao fim, pelo caminho dessa serpente.

E ela sempre te pressionará bastante e, de qualquer forma, te conduzirá ao objetivo.

Porque ela é o anjo do Criador, a Sua força de gestão.

Se assumes isso sobre ti, então estás acima desse caminho da Via Láctea, acima das estrelas.

Então, elevas-te a um nível completamente diferente.

E és tu mesmo quem determina de que maneira deves seguir.

*RAV:*

Então, todos os céus nada podem te revelar.

Eles te revelam o mapa da tua vida se não participas dela, se estás submetido.

Mas se desejas elevar-te acima dessas forças, então és tu mesmo quem escreve o teu nível.

Nos céus.

*ENTREVISTADOR:*

Dizem que está escrito que antes a serpente... tinha pernas.

Ou seja, era algo semelhante, parecido com brontossauros, vários dinossauros.

Isso significa que ela... como dizer...

Esse nosso egoísmo tinha a possibilidade de existir independentemente.

E depois que o homem o absorveu, esse egoísmo...

Ou seja, antes era como se fosse uma qualidade separada em nós.

E depois que foi absorvida e misturada com as nossas outras qualidades, perdeu esses membros.

E agora já existe dentro de todos os nossos pensamentos, forças, ações, decisões.

Por isso, ele já não existe mais independentemente, essa serpente.

Mas que construção é essa?

Adão, Eva, a Serpente.

Por que não podiam simplesmente pegar... o Criador e todo o mundo...

E tudo isso existe dentro de um único ser humano.

Absolutamente tudo.

Ontem vi na televisão uma pintura feita por um humorista.

Adão e Eva ao lado da árvore.

A serpente cobre os olhos de Adão com a sua cauda.

Depois move seu corpo.

E possui Eva.

E atrai Adão para ela.

Bem, isso tudo, claro...

As pessoas imaginam o que quiserem sobre isso.

*RAV:*

Mas nós não devemos imaginar nada, pois tudo isso fala sobre qualidades do ser humano.

*ENTREVISTADOR:*

E por que através de Eva?

*RAV:*

Eva é o nosso desejo de receber, a parte do nosso ser.

*ENTREVISTADOR:*

Ela é mais fraca, é isso?

Por que não foi diretamente a ele?

*RAV:*

Adão é o desejo, ainda assim, de doar, de sair de si mesmo.

Eva é o desejo mais egoísta no homem.

É o desejo de receber, adquirir, preencher-se.

E, portanto, o egoísmo não tem contato direto com Adão.

Adão, por assim dizer, se projeta para fora do homem.

Mas Eva não.

Esse é o nosso atributo de preencher-se, receber, adquirir.

E por isso o egoísmo se instala nela.

*ENTREVISTADOR:*

Certo, vamos continuar a leitura.

*ENTREVISTADOR (lendo):*

“Todos os atos do perverso Balaão estavam do lado da impureza.”

*ENTREVISTADOR (interrompendo):*

Não, eu queria... vamos concluir este assunto.

Agora ficou claro para nós.

Primeiro, no homem, revela-se inicialmente a característica de Adão.

Ou seja, ele é uma pessoa normal, nada o afeta, tudo está bem, tranquilo.

Ele, de certo modo, não prejudica ninguém.

Depois, revela-se a característica mais egoísta, Eva.

Quando ela se revela, depois disso manifesta-se...

*RAV:*

A característica da Serpente desperta dentro do homem.

Após isso, Adão e Eva, com a ajuda da Serpente, tornam-se... envergonhados.

Eles desenvolvem um sentimento de vergonha.

Ou seja, sentem o seu egoísmo.

E precisam se vestir.

Ou seja, adquirir certas propriedades, certas ações de doação para se ocultar.

Já percebem suas propriedades internas.

Quando a pessoa vê dentro de si tanto o egoísmo quanto as qualidades de doação, e avalia uma contra a outra, ela já se sente corrompida.

E começa a esconder isso dentro de si, como que sob uma vestimenta.

*ENTREVISTADOR:*

A Árvore da Vida está ali no centro.

A Árvore da Vida...

*RAV:*

A Árvore da Vida é aquela força e aquele objetivo ao qual devemos chegar.

Ou seja, era necessário... nós precisávamos provar dela.

Essa Árvore da Vida, na verdade, só pode ser alcançada por meio da Serpente.

Primeiro, havia a Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal, e depois, em seguida...

Aqui provaram, pecaram.

*ENTREVISTADOR:*

Eu já nem sei o que isso significa.

As pessoas acham que sabem o que isso significa.

E depois dizem ainda que, paralelamente, há a Árvore da Vida.

Existe o Jardim do Éden, onde podes... e há árvores ali.

E podes andar e comer tudo o que quiseres.

Ou seja, há uma parte do nosso mundo onde existes normalmente.

*RAV:*

E há essa qualidade egoísta que, se desperta dentro de ti, já não consegues mais existir tranquilamente neste mundo.

E és obrigado a começar a ascender dele para o mundo superior.

Essa qualidade egoísta que desperta dentro de ti não pode simplesmente despertar por si só.

Ela desperta como resultado do trabalho da Serpente sobre ti.

Ela te força a provar desse fruto, do conhecimento do bem e do mal.

Então, começas a sentir que precisas elevar-te acima da tua vida — da tua vida animal.

Porque o Jardim do Éden é um lugar para os animais, para os anjinhos.

E o objetivo da criação é elevar-te acima disso.

Por isso, precisas dessa Serpente.

Precisas de um enorme desejo egoísta, que te dará a oportunidade, que te sacudirá e te dará a possibilidade de ascender.

Tu precisas provar desse fruto do conhecimento do bem e do mal.

Entre o conhecimento do bem e do mal, tu te desenvolverás, absorvendo tanto o bem quanto o mal.

E te tornarás um verdadeiro ser humano, semelhante ao Criador.

Isso, grosseiramente falando, é como positivo e negativo.

Não há aqui algo essencialmente mau, antigo...

Apenas existe uma certa oposição entre as coisas.

Por isso, tudo isso é necessário.

Sem a mordida da Serpente, sem esse egoísmo dentro de nós, que de repente despertaria e começaria a se manifestar, nós não nos esforçaríamos para avançar.

*RAV:*

Permaneceríamos apenas como animais no nosso mundo, e nunca poderíamos nos elevar acima dele.

Não teríamos nem desejo, nem possibilidades.

Por isso está dito: “No momento em que provardes desse fruto, conhecereis, e sereis como o Criador, conhecendo o bem e o mal.”

Elevareis ao Seu nível.

Por isso, a Serpente executa seu trabalho com precisão, fiel ao Criador em tudo.

Enquanto o ser humano, ao provar desse fruto, adquirindo esse imenso egoísmo e compreendendo um pouco o sistema, por meio da Serpente seus olhos se abriram...

Como está escrito, os olhos de Adão e Eva se abriram.

Eles viram que estavam nus, que não tinham nada, praticamente, em comparação com esse objetivo elevado.

*ENTREVISTADOR:*

Por conta do surgimento desse ego, que veio da Serpente?

*RAV:*

Sim. Contra esse ego, eles enxergaram e descobriram um objetivo grandioso e distante — mas magnífico.

E por isso agora precisavam se vestir, ou seja, adquirir novas qualidades: qualidades de doação, de amor ao próximo, sair de si mesmos e assim por diante.

Isso é chamado de vestimenta sobre si, sobre o egoísmo.

Ou seja, o egoísmo permanece dentro, e tu o corriges.

E, com essas vestimentas, o transformas em semelhança ao Criador.

E assim te elevas.

Dessa forma, realmente alcanças aquilo que foi predito pela Serpente:

“E então sereis como o Criador, conhecendo plenamente o bem e o mal.”

*ENTREVISTADOR:*

Maravilhoso.

Com a ajuda da Serpente, eles revelaram aquele grande objetivo para o qual se dirigiram.

Somente com a sua ajuda.

Por isso, é preciso valorizar essa qualidade.

Nada na Bíblia é tão simples.

*RAV:*

Aqui há um personagem que aparece no Zohar, mas também está na Bíblia, na Torá e no Zohar.

*ENTREVISTADOR:*

Posso?

*RAV:*

Ele utilizou a força da Serpente.

Seu nome é Balaão.

*ENTREVISTADOR:*

Sim, ele não é um personagem simples.

*RAV:*

“Todos os atos do perverso Balaão...”

Ele fazia o mesmo.

Ou seja, todos eles são consequências da Serpente, daquela mesma Serpente.

Balaão, Balaque, Faraó, Amã — todos pertencem ao mesmo grupo.

A Serpente é a propriedade comum deles, e todos são manifestações parciais dela.

Aqui está escrito algo muito interessante, como ele simplesmente se aprofundava, caía nessa força e a utilizava.

Está escrito sobre ele aqui:

“Nos primórdios de seus atos, ele pegava a Serpente entre as Serpentes, amarrava-a diante de si, rachava-lhe a cabeça, extraía sua língua, pegava ervas específicas, queimava-as e fazia delas um incenso.”

*ENTREVISTADOR:*

Parece algo da Índia, ou do Oriente.

“Depois, pegava a cabeça da Serpente, dividia-a em quatro partes e fazia dela um incenso.”

Algo como um ritual orgânico...

*RAV:*

Isso não é orgânico.

Ele usava seu egoísmo ao máximo.

Ou seja, Balaão é essa nossa característica que nos arrasta para um nível de egoísmo tão extremo que, neste mundo, nem sequer podemos imaginar o que isso significa.

Somente ao subir nos degraus espirituais começamos a perceber isso.

Na verdade, tudo o que está escrito aqui fala sobre pessoas que já ascendem espiritualmente.

E lá eles começam a sentir esses problemas.

*ENTREVISTADOR:*

Oh, professor, então vou lhe ler mais um trecho:

“Ele traçava um círculo ao seu redor, pronunciava palavras e realizava outras ações até atrair para si os espíritos da impureza, que o informavam sobre o que precisava, sobre o que lhe era necessário.

E realizava atos de acordo com suas palavras.”

Resumindo, sua tarefa — e a história disso — as pessoas podem ler.

Sua tarefa é exatamente a mesma que a da Serpente.

*RAV:*

Todos esses personagens negativos da Bíblia existem apenas para continuar esse mesmo trabalho.

Ou seja, aproximar-se da pessoa no momento certo e picá-la com seu egoísmo.

A pessoa começa a cair nesse egoísmo.

Essa queda então a sacode.

Ela começa a enxergar, desse estado, um objetivo distante e se direciona a ele.

Ou seja, ela precisa desse impacto.

*ENTREVISTADOR:*

Aqui, encontrei o que queria ler — a chamada consciência do mal.

*RAV:*

Sim, veja tudo o que ele faz a seguir:

“Portanto, para atrair o espírito da impureza para si, o perverso Balaão, a partir da Serpente superior, profanava-se todas as noites em união com a jumenta.

Para atrair para si o espírito da impureza.”

A jumenta significa _chomer_, da palavra “matéria” em hebraico.

Portanto, ele se incluía na própria base da matéria do mundo — o egoísmo.

Cada vez mais penetrando nessa matéria.

E por isso a pessoa não tem para onde fugir.

Ela via constantemente que, por mais que tentasse escapar de seu egoísmo e de alguma forma se elevar acima dele, sentir o mundo superior, perceber a criação como um todo — não conseguia.

Ela constantemente descobria que era egoísta, ou seja, estava limitada em seu egoísmo, presa nele até os níveis mais baixos, as menores características animais.

*ENTREVISTADOR:*

Mas Balaão... ele existiu na história?

Houve tal pessoa?

*RAV:*

É bem possível que sim.

Porque cada propriedade espiritual deve se manifestar também na matéria.

Ou seja, tudo o que está escrito, na prática, tudo aconteceu.

*ENTREVISTADOR:*

Mas por quê?

O que isso significa?

Ele foi conscientemente para essa armadilha egoísta?

*RAV:*

Veja, todos os perversos do mundo cumpriram uma tarefa específica.

*ENTREVISTADOR:*

Mas aqueles perversos que existem agora... eles não sabem disso?

*RAV:*

Eles não sabem. Não importa.

E aqueles também não sabiam.

*ENTREVISTADOR:*

Mas ele... ele conscientemente seguiu esse caminho?

Ele dividia a cabeça da Serpente, atraía forças do mal da Serpente, fazia tudo isso, pelo menos como está escrito aqui?

*RAV:*

Não.

Não.

Ele existiu no nosso mundo, mas não sabia disso.

Assim como o Faraó também não sabia que representava todo o egoísmo do mundo.

Ele cumpria sua função porque era o Faraó, achava que era um bom papel — e nada mais do que isso.

*ENTREVISTADOR:*

Ou seja, ele achava que esse comportamento era normal?

*RAV:*

Quando o Criador disse a Moisés: “Vamos até o Faraó, porque endureci o seu coração”, o Faraó não sentia que seu coração havia sido endurecido pelo Criador.

Ele apenas cumpria o seu papel.

Ou seja, ele nem deveria saber disso.

Porque todos esses personagens negativos não estão conectados ao Criador — são opostos a Ele.

E por isso lhes falta a consciência da missão que estão a cumprir.

Realizam-na automaticamente.

Agora, uma pessoa que está no mundo espiritual e revela dentro de si essa força chamada Balaão, Serpente...

E então ocorrem todas essas metamorfoses absolutamente inacreditáveis.

Ele sente, sabe e compreende que dentro dele se revelaram qualidades negativas.

E ele conhece os seus nomes.

“Isto aqui em mim agora é Balaão, isto é Faraó, isto é Balaque, isto é Amã...”

Ele sente exatamente qual propriedade está a se manifestar nele no momento.

*ENTREVISTADOR:*

E como é isso?

Essa pessoa está bem?

*RAV:*

O que significa estar bem?

Que Deus nos conceda isso.

São degraus elevados pelos quais a pessoa avança, como se caminhasse sobre duas pernas — a esquerda e a direita.

E é assim que subimos.

A pessoa só sobe quando o egoísmo se revela dentro dela, ela o corrige e se eleva acima dele.

O egoísmo se revela novamente, e ela se eleva acima dele mais uma vez.

Ele se eleva ainda mais, e assim continua.

*ENTREVISTADOR:*

Aqui surge uma questão interessante.

Parece que é possível que uma pessoa, um cabalista, que se eleva cada vez mais e mais alto, revela coisas que — por mais que estejamos distorcidos neste mundo, no mundo material, no mundo moderno — ele revela algo ainda maior.

Até mesmo coisas que talvez nem saibamos sobre esse lado egoísta, sobre a Serpente, sobre Balaão.

*RAV:*

Mas nós... nós não temos qualquer relação com essa Serpente, se estivermos apenas no nível do nosso mundo.

*ENTREVISTADOR:*

Que Serpente?

Se formos falar com as pessoas, elas nem percebem que são egoístas.

Ou então, são apenas brincadeiras cotidianas, convencionais, sabes?

Um pouco de egoísmo aqui e ali.

Roubar alguém, matar, enganar...

*RAV:*

Isso não é o egoísmo do qual falamos no mundo espiritual.

Lá, o egoísmo é de uma ordem completamente diferente.

Nós nem conseguimos imaginar o que ele pode ser.

Achamos que o egoísmo é apenas entre nós, nas nossas relações terrenas.

Mas não é isso.

O verdadeiro egoísmo é contra o Criador.

O verdadeiro egoísmo é quando eu quero, de fato, escravizar o Criador, usá-lo para mim.

Sabes, como na história do pescador e do peixe: “vais servir-me conforme a minha vontade.”

É assim.

Mas o Peixe não concordou.

E o Criador... Ele brinca conosco.

Através dessa Serpente, de um lado, e diretamente d’Ele, do outro.

E, no final, ficamos a roçar-nos entre essas forças.

*ENTREVISTADOR:*

Ele concorda em ser escravizado?

O Criador?

*RAV:*

Ele permite que joguemos assim, como um adulto brinca com uma criança.

Brinca com a criança, e a criança tenta usá-lo.

Mas Ele faz isso para que a criança adquira d’Ele uma qualidade, adquira forças d’Ele.

E depois volta novamente às forças egoístas.

E assim absorve tanto de um lado como do outro — e cresce.

Essa é a vida de um cabalista, que revela dentro de si uma vida intensa de forças completamente desconhecidas.

E a segunda metade... a parte divina.

E ele existe entre essas duas realidades.

*ENTREVISTADOR:*

O que é isso, afinal?

*RAV:*

É um grande espetáculo teatral pelo qual se deve passar.

Essencialmente, é para isso que vivemos.

E isso faz de ti um ser humano.

Porque te tornas alguém que inclui não apenas o nosso mundo, mas duas grandes forças espirituais:

A Luz e a que se opõe a ela.

E ao combiná-las corretamente dentro de ti, adquires a imagem do Criador.

É isso que precisamos.

Por isso, “Adão” — em tradução, significa “semelhante ao Criador”.

Esse é o estado que devemos alcançar.

Por isso, a Serpente nos ajuda, Balaão nos ajuda.

E todas essas qualidades negativas e tudo o que passamos neste mundo — tudo isso nos ajuda.

Só precisamos saber como trabalhar corretamente com elas.

Se, ao estudar a Kabbalah, tivermos oportunidades adicionais, então, nessa medida, ainda mais qualidades negativas se revelarão em nós.

Na verdade, conheceremos quem são a Serpente, Balaão, o Faraó e todas essas características que se revelarão em nós — e nós nos elevaremos acima delas e nos tornaremos espirituais.

E a leitura do Livro do Zohar nos dá forças para nos relacionarmos com tudo isso, para estarmos conscientes e compreendermos o que está a acontecer conosco.

Para que possamos crescer, elevar-nos e revelar o mundo divino.

*ENTREVISTADOR:*

Muito obrigado, professor.

Boa sorte a todos.

Tudo de bom para vós, queridos amigos.

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