Conceitos Básicos na Sabedoria da Cabalá
Lishmá
02 de Janeiro de 2024 30:01 min
Oren: Olá e obrigado por se juntarem a nós no nosso programa, “Conceitos Básicos da Sabedoria da Cabalá”, com o Dr. Michael Laitman! Olá, Dr. Laitman!
Dr. Laitman: Olá, Oren!
Oren: Olá, olá! No nosso programa, selecionamos um conceito do tremendo oceano da Sabedoria da Cabalá e tentamos explicá-lo de forma simples para uma pessoa que acabou de começar a interessar-se pela Sabedoria da Cabalá. E o nosso conceito para hoje é “Lishma” (em hebraico) que significa literalmente, “Pelo Benefício da Torá”, ou “Pelo Bem do Criador”. Gostaria de lhe perguntar, aqui e ali, ouvi esta palavra, “Lishmá”, e quando comecei a estudar a Sabedoria da Cabalá, não percebi exatamente o que significava, mas senti que é um estado muito exaltado, que se almeja alcançar através do estudo da Sabedoria da Cabalá. Então eu gostaria de lhe perguntar, que tipo de sensação desperta no senhor quando ouve a expressão “Pelo Bem do Criador” ou “Em Seu” nome” (“Lishmá” em hebraico)?
Dr. Laitman: É difícil descrever isto. “Lishmá” significa que uma pessoa pensa fora de si mesma. Fora de si. Ou seja, suponhamos que você pensa em alguém, apenas nessa pessoa, sem qualquer relação consigo mesmo. E que quer fazer algo de bom por esse alguém por exemplo e, de forma alguma, não pretende receber algo em troca, como consequência disso.
Oren: Não obter nada em benefício próprio?
Dr. Laitman: Sim. Doação pura por parte do homem, a alguém ou a alguma coisa, para benefício deste alguém ou algo. Isto se chama “Pelo Bem do Criador” (“Lishmá” em hebraico).
Oren: O que significa exatamente este estado, se tentarmos defini-lo? O que existe neste estado exaltado chamado “Lishmá” (Pelo Bem do Criador)?
Dr. Laitman: Neste estado existe a desconexão do sentido de identidade de uma pessoa, por um lado e, por outro lado, todos os desejos, todos os pensamentos, todas as qualidades de uma pessoa são direcionados para o benefício de alguém que não é ele mesmo, fora de si mesmo.
Oren: O que significa, fora de si mesmo? Para beneficiar alguém fora de mim mesmo? O que significa isso?
Dr. Laitman: Significa, por exemplo, que uma pessoa sente a outra pessoa e deseja fazer o bem a essa pessoa e, fazer o bem a essa pessoa realmente e sem ter nada em troca para si mesmo.
Oren: Li na Sabedoria da Cabalá que “Lishmá” é também um estado onde as ações de uma pessoa são direcionadas para o benefício do Criador.
Dr. Laitman: Sim, ou para o Criador, ou para não importa quem.
Oren: Ele (o Criador) também faz parte do que está fora de uma pessoa?
Dr. Laitman: Sim, o Criador está fora da pessoa. E se uma pessoa quer dar contentamento ao Criador ou algo parecido, significa que quer fazer algo por Ele, isso é “Lishmá”.
Oren: Esta palavra, vamos nos deter nela um momento. O que significa a expressão “Lishmá”?
Dr. Laitman: “Lishmá” significa “pelo bem da ação em si mesma". A pessoa investe, coloca seu vigor, o seu esforço total e completamente e não pretende receber nada em troca, qualquer tipo de resposta, qualquer tipo de coisa. Mas é apenas para benefício desse objeto, situação ou pessoa para quem a pessoa faz a doação.
Oren: É dito nas fontes que “Lishmá” significa também pelo “Bem da Torá”. O que significa?
Dr. Laitman: Sim, porque a Torá nos direciona a fazer o bem, a dar contentamento a todos. Então, o que acontece, é que para a pessoa alcançar o estado de “Lishmá”, precisa se elevar acima do seu próprio ego, de se desligar do seu sentido de identidade, não pensar em nada através do qual possa obter qualquer tipo de benefício em troca. E, então, o que a pessoa é capaz de fazer em benefício de tudo o que está fora dela mesma, é considerado “Lishmá”.
Oren: Quando se fala sobre isso, sinto que há aí algo muito puro, limpo, realmente puro.
Dr. Laitman: Sim. Que está desligado da própria pessoa. A ação em si mesma é obviamente realizada pelo homem, pela pessoa física ou espiritualmente, com força física, força espiritual, força mental, mas, na verdade, não tem nada em troca para quem a realiza.
Oren: E por que isso é importante?
Dr. Laitman: Por que então, a pessoa se eleva acima da sua natureza egoísta? Porque todas as nossas ações, tudo o que fazemos, fazemos apenas porque é bom para nós, visando trazer a nós mesmos algum tipo de benefício no momento atual ou no futuro. Mas, para ser “Lishmá”, considera-se que a pessoa se desliga de quaisquer resultados. A pessoa pensa apenas em beneficiar esse objeto, situação, pessoa ou o Criador, fazendo pelo benefício deles.
Oren: Que ações podemos fazer no estado de “Pelo Bem do Criador” (“Lishmá” em hebraico)?
Dr. Laitman: Qualquer coisa. Tudo. Qualquer coisa que façamos pode ser benéfica para as pessoas ou para o Criador.
Oren: Vamos falar um pouco sobre o Criador. O que é importante de fato, que a pessoa faça por Ele? Ou o que é que a pessoa pode fazer por Ele?
Dr. Laitman: Por Ele, se pode fazer tudo o que se espera d’Ele. Ações de doação para benefício d’Ele ou para benefício de outras pessoas.
Oren: O que podemos entender por “Doação”?
Dr. Laitman: Doar significa dar. Doação é quando faço concessões, quando dou algo nessa direção.
Oren: Então, o que é que Ele espera que eu faça?
Dr. Laitman: Ele espera que a pessoa execute ações que não são da sua natureza, não do “Desejo de Receber”, que é a nossa natureza. Como disse o Criador “Eu criei a tendência ao mal e criei o tempero da Torá", para que, através da luz da “Torá”, uma pessoa possa alcançar ações de doação.
Oren: Então, para ver se entendi. O Criador criou a pessoa com uma natureza egoísta, onde, em cada ação, a pessoa pensa que de alguma forma vai obter algo como resultado disso, que isso vai beneficiá-la de alguma forma. Isso também é algo que pode-se chamar de “tendência para o mal”?
Dr. Laitman: Sim.
Oren: Por que isso é mau?
Dr. Laitman: Porque uma pessoa pensa em si própria o tempo todo.
Oren: Isso é mau?
Dr. Laitman: É a natureza da pessoa.
Oren: Por quê?
Dr. Laitman: Porque o propósito da criação é nos tornarmos como o Criador e, então, pensaremos apenas no benefício dos outros.
Oren: Nisto, uma pessoa se torna como o Criador?
Dr. Laitman: Sim.
Oren: Então, quando dizemos “fazer uma ação em “Lishmá”, pelo benefício da ação em si mesma, de uma forma pura fora da pessoa”, é para que a pessoa se torne como o Criador?
Dr. Laitman: Sim.
Oren: É assim que é o Criador? Ele está em “Lishmá”?
Dr. Laitman: Sim.
Oren: Ele é puro?
Dr. Laitman: Sim. Ele não tem a natureza do “Desejo de Receber”, mas apenas do “Desejo de Doar” e, por isso, todas as suas ações são apenas para doar aos seus seres criados.
Oren: As fontes falam sobre realizar ou cumprir a “Torá” e as “Mitsvot”, “Lishmá”. O que significa isso?
Dr. Laitman: Significa que a pessoa precisa realizar todas as suas ações em benefício de outros.
Oren: Qualquer ação nossa na nossa vida pode ser “Pelo Bem do Criador”?
Dr. Laitman: Sim?
Oren: Dê-nos um exemplo. Uma ação por favor.
Dr. Laitman: Isso importa? Tudo o que a pessoa fizer, antes disso, precisa se preparar, com a ideia de que o está fazendo para o benefício de outra pessoa. Ou nem interessa. Podia ser uma árvore, por um animal. Na verdade é necessário fazer qualquer coisa em benefício da natureza, em benefício do Criador que em Gematria é igual ao valor numérico da palavra Natureza (“Tevah” em hebraico) e a pessoa pode fazer tudo em benefício d’Ele.
Oren: Então, qual é a importância? Para quem estamos direcionando o benefício da nossa ação?
Dr. Laitman: É que através disso a pessoa se desliga da natureza humana que está embutida, entalhada na pessoa desde o nascimento e passa para o outro lado, para a natureza do Criador.
Oren: É algo importante para o nosso desenvolvimento pessoal ou é para que o Criador fique feliz, fique satisfeito conosco?
Dr. Laitman: Eventualmente, sim. Fazemos apenas porque é…fazemos apenas porque é a Lei Divina.
Oren: O que significa a Lei?
Dr. Laitman: Que precisamos nos tornar como Ele, ser como Ele, ou seja, nos relacionar com toda a criação em forma de doação, “Lishmá”.
Oren: O Criador é tão grandioso, porque Ele se preocupa com a motivação com a qual a pessoa age em cada momento da sua vida?
Dr. Laitman: Ele quer que toda a natureza, precisamente do homem, que Ele criou, seja como Ele, Criador. E por isso é chamado de “Adão” que vem da palavra hebraica “Domeh”, que significa semelhante.
Oren: Por que isso é tão importante para Ele?
Dr. Laitman: Porque é o nível mais elevado criado pelo Criador, na natureza, que é o homem e, que ele será como o Criador.
Oren: Quer dizer, com isto definimos a direção do nosso desenvolvimento como ser criado?
Dr. Laitman: Sim.
Oren: Ou seja, a pessoa no seu melhor é quando está em “Lishmá”?
Dr. Laitman: Sim. Foi para isso que nascemos.
Oren: O que quer dizer isso?
Dr. Laitman: Nasceu, nascemos para ser como o Criador.
Oren: Isso é maravilhoso! Eu percebi outra coisa. Eu entendi que é importante em “Lishmá”, não só fazer algo para o benefício dos outros, para o benefício da “Natureza”, o Criador, mas também é importante que as ações sejam puras, limpas de benefício próprio. Por quê?
Dr. Laitman: Porque não é que esteja fazendo algo para seu próprio benefício, que conceda o bem a todos porque obtém algo com isso, mas está simplesmente a lhes fazer o bem sem que isso tenha algum retorno para si.
Oren: Não é possível fazer as duas coisas? Ou seja, a pessoa fazer o bem aos outros e também se beneficiar disso?
Dr. Laitman: O benefício é que vai se sentir bem como resultado de fazer o bem aos outros.
Oren: Qual é a precisão exatamente disso?
Dr. Laitman: Isto é na verdade toda a questão. Que a pessoa deseje realizar ações sem nada em troca para si, que isso não tenha retorno para a própria pessoa. Caso contrário, não é chamado “em forma de doação”.
Oren: O que significa “em forma de doação”?
Dr. Laitman: Para doar significado de que precisa de pensar nos outros, na pessoa a quem atribui a sua ação.
Oren: Não consigo pensar neles e em mim?
Dr. Laitman: Não.
Oren: Por quê?
Dr. Laitman: Porque isso significa que quer aproveitar e se beneficiar da ação.
Oren: Portanto, não há aqui nenhuma situação de ganho, da qual o outro goste e eu goste.
Dr. Laitman: Não.
Oren: Por quê?
Dr. Laitman: Porque precisa ser sem nada em troca para si.
Oren: Ok, então alguém que está em “Lishma”, agindo apenas para o benefício dos outros, então sofre o tempo todo?
Dr. Laitman: Não, ele não sofre. Só que não pensa no seu próprio benefício, mas apenas no benefício dos outros.
Oren: Não é o oposto da natureza humana, que é pensar em si próprio?
Dr. Laitman: Claro que é exatamente o oposto, mas temos a capacidade de nos elevarmos acima da nossa natureza e pensarmos nos outros.
Oren: Ouvi uma palestra em que o senhor disse que “o maior propósito da criação é fazer o bem a todos os seres criados. Que é assim que o Criador nos vê, que Ele quer nos beneficiar a todos, para que todos nós passemos bem e desfrutemos da vida”. Então, se é esse o propósito, por que precisamos nos desligar do prazer que sentimos no caminho para “Lishmá”? Não é o oposto do que o Criador quer?
Dr. Laitman: Não. Porque nesse caso estará pensando em si mesmo e, aqui, precisa pensar apenas nos outros.
Oren: Então, como o Criador nos dará prazer se não…
Dr. Laitman: Quando se atinge um estado em que a única coisa que se quer é fazer o bem aos outros. Então a pessoa sente-se como o Criador e começa a sentir-se semelhante a Ele e depois até começa a receber algum tipo de realização chamada a “Luz Superior” que o preenche. E assim, a pessoa é como o Criador.
Oren: O que é esta “Luz”?
Dr. Laitman: Uma sensação interior.
Oren: Então, quando dizemos na Sabedoria da Cabalá que o Criador quer deleitar os Seus seres criados, é por que Ele quer nos dar essa “Luz”?
Dr. Laitman: Sim.
Oren: Não podemos receber a “Luz” de outra forma?
Dr. Laitman: A não ser que se torne como o Criador. Assim como o Criador doa a todos, na medida em que a pessoa doa a todos, sentirá o que o Criador sente.
Oren: É como um tipo de prazer diferente daquele com que estamos familiarizados?
Dr. Laitman: Sim.
Oren: Então, o grande tesouro que o Criador preparou para mim, por assim dizer, é algo do qual não conseguimos nos aproximar, a não ser depois de nos desligarmos de qualquer consideração para nós mesmos?
Dr. Laitman: Bem, relativamente está no caminho certo. Quando se desliga dos diferentes prazeres para si mesmo, começa a sentir prazer em dar, ou prazeres como o Criador desfruta dos Seus seres criados, que Ele os realiza, que Ele lhes dá.
Oren: É uma qualidade diferente de prazer?
Dr. Laitman: É sim.
Oren: Como é?
Dr. Laitman: É uma natureza diferente que o ser criado recebe. Recebe a força da doação como o Criador e, através disso, se ajusta ao Criador, elevando-se a esses desejos, pensamentos, ações, sensações, como o Criador que doa às pessoas.
Oren: Pode ser divertido?
Dr. Laitman: Pois, usando a sua expressão, é a maior diversão que existe na Natureza.
Oren: Está escrito que quem alcança “Lishmá” merece muitas coisas boas. A vida vale a pena para ele. Os segredos da Torá lhe são revelados. Ele é como uma fonte sempre fluindo, uma fonte eterna. O que são todas estas coisas lindas?
Dr. Laitman: A pessoa alcança os mesmos sentimentos que o Criador tem quando doa aos Seus seres criados, às pessoas, ao homem. E isso satisfaz a pessoa verdadeiramente e fica num estado de alegria, felicidade, deleite.
Oren: O que é que isto dá à pessoa emocionalmente?
Dr. Laitman: Sentir que está conectado com toda a Natureza, com toda a criação. A pessoa sente isso. Se une a isso. E é assim que ela se sente ao aproximar-se do Criador.
Oren: E Intelectualmente, o que é que isso dá á uma pessoa?
Dr. Laitman: Começa a compreender todas as ações que o Criador realiza na criação, gradualmente. E é isso que o realiza completamente.
Oren: Como isso muda o dia a dia da pessoa? Como isso melhora o seu dia a dia?
Dr. Laitman: Começa a compreender que estas ações “Pelo Bem do Criador” (“Lishmá” em hebraico) são exatamente o motivo pelo qual nasceu.
Oren: Foi para isto que a pessoa nasceu? Isso é poderoso! Ele começa a sentir isso. Ok. E isso provoca uma mudança no seu dia a dia. Vai trabalhar de manhã e volta à noite. Como isso melhora tudo o que ele faz?
Dr. Laitman: O que ele está fazendo. Tudo o que ele está fazendo em cada momento. Num determinado momento.
Oren: É nisso que ele pensa?
Dr. Laitman: Sim. Que em todas as suas ações, pensamentos, desejos, tudo o que passa por ele, ele quer tornar-se como o Criador.
Oren: Até agora falamos sobre o conceito de “Lishmá”. Ouvi uma palestra na qual o senhor falou sobre “Lo Lishmá”. Vamos usar o exemplo de uma pessoa que não sabe sobre todas estas coisas, que o grande propósito da vida é para que ela alcance o estado de doação como o Criador, etc. Por definição, na Sabedoria da Cabalá, os princípios de uma pessoa que nasce e se desenvolve como qualquer outra pessoa neste mundo é “Lo Lishmá” e não “Lishmá”?
Dr. Laitman: Os princípios de uma pessoa que nasce e se desenvolve como qualquer outro neste mundo é “Lo Lishmá”, e não “Lishmá”, nasce apenas para seu próprio benefício.
Oren: Então, “Lo Lishmá”, e não “Lishmá”, significa “para o seu próprio benefício”, e “Lishmá” significa “para o benefício dos outros”. Li que no processo de desenvolvimento do homem existe um tipo de estado intermédiário no qual a pessoa deseja realmente estar em “Lishmá”, mas ainda não chegou lá.
Dr. Laitman: Certo.
Oren: Qual é esse estado?
Dr. Laitman: Intermédiário significa que gradualmente a pessoa adquire oportunidades de realizar ações não para o seu próprio benefício, mas para o benefício dos outros, para o benefício do Criador e é assim que ela avança.
Oren: Se olhar para alguém, posso saber se essa pessoa está em “Lo Lishmá” ou em “Lishmá”?
Dr. Laitman: Não.
Oren: Pelas suas ações, pelo seu comportamento, pelo seu…
Dr. Laitman: Não, não.
Oren: Por quê?
Dr. Laitman: Porque estas são as suas intenções internas, principalmente as intenções internas.
Oren: Está escrito que de “Lo Lishmá” a pessoa alcança “Lishmá”. O que significa?
Dr. Laitman: Significa que se uma pessoa quiser mudar para “Lishmá”, terá a oportunidade na vida em que poderá gradualmente começar a pensar em como fazer o bem aos outros e chegar a um estado de “Lishmá”, “Pelo Bem do Criador”.
Oren: O que precisamos fazer para alcançar “Lishmá”?
Dr. Laitman: É disto que fala toda a Sabedoria da Cabalá. Que uma pessoa precisa estar em conexão com outras pessoas que têm o mesmo objetivo e que se sustentam e se apoiam umas às outras, que se aproximam umas das outras e do estado de “Lishmá”. E é bom que se juntem a uma “Dezena”.
Oren: O que é uma “Dezena”?
Dr. Laitman: Dez pessoas, que como a pessoa, desejam alcançar “Lishmá” e que vão realizar ações sobre as quais os “Cabalistas” escrevem. E o meu professor, o Rabash, escreveu muitos artigos sobre isto nos “Escritos Sociais”, que existem nos escritos do Rabash. E depois uma pessoa que lê estes artigos, gradualmente fica impressionada com eles e deseja concretizá-los em “Lishmá”.
Oren: Estes artigos falam sobre o que significa estar em “Lishmá”.
Dr. Laitman: Sim.
Oren: Precisamos pedir ao Criador que nos ajude a estar em “Lishmá”?
Dr. Laitman: Sim.
Oren: De que depende se Ele vai nos ajudar ou não?
Dr. Laitman: O seu pedido.
Oren: A força do meu pedido?
Dr. Laitman: A força do pedido, da sociedade em que se encontra.
Oren: O que dará à pessoa a força para mudar de “Lo Lishmá”, que é a nossa natureza de pensar sobre nós mesmos, para passar para um pensamento que está fora de nós? O que dá essa força?
Dr. Laitman: O fato de estarmos com os amigos que também desejam atingir o mesmo objetivo e nos ajudamos uns aos outros e podermos nos elevar gradualmente, através dos exercícios que os Cabalistas nos explicam. E é assim que gradualmente alcançamos o estado de “Lishmá” (“Pelo Bem do Criador”).
Oren: Precisamos abdicar de alguma coisa na nossa vida cotidiana para alcançar “Lishmá”?
Dr. Laitman: Na verdade não. Mas obviamente, uma vez que se envolve em “Lishmá”, isso exige muito do seu esforço, da sua atenção e, depois, é como se isso se tornasse a coisa mais importante para você.
Oren: Qualquer um pode alcançar “Lishmá”?
Dr. Laitman: Sim.
Oren: Neste processo, há alguma hipótese de o meu sentido de identidade ser apagado?
Dr. Laitman: Não. Pelo contrário. O seu sentido de identidade vai elevar-se ao nível do Criador.
Oren: Por quê?
Dr. Laitman: Porque quer ser como Ele.
Oren: É realista que serei como o Criador?
Dr. Laitman: Tente.
Oren: Parece ótimo.
Dr. Laitman: E é. Mas ninguém no seu exterior saberá alguma vez onde se encontra.
Oren: Mas vai acontecer?
Dr. Laitman: Vai.
Oren: E qual será a minha indicação? Um sinal.
Dr. Laitman: Que vai conhecer o Criador
Oren: Sim , o que significa conhecê-Lo?
Dr. Laitman: Que vai conhecer as Suas ações, como se aproximar d’Ele.
Oren: Vamos realmente sentir o Criador?
Dr. Laitman: Sim.
Oren: Onde? Onde O vamos sentir?
Dr. Laitman: Nos vasos que vai receber.
Oren: O que significa “vasos”?
Dr. Laitman: Sensações em forma de doação, que vai começar a sentir em si mesmo. Nelas vai começar a sentir que começa a identificar o Criador.
Oren: Suponhamos que cada vez mais pessoas no mundo vão ouvir falar de “Lishmá”, que é o culminar do desenvolvimento. Como isso mudará o mundo?
Dr. Laitman: O mundo vai mudar. Vai mudar. Talvez revele inteiramente o Criador, vai revelá-Lo.
Oren: O que fará nas relações entre as pessoas, as lutas, as guerras, as disputas, o mal sem fim?
Dr. Laitman: Então, será mesmo o oposto de tudo.
Oren: Oposto do quê?
Dr. Laitman: Do que o que você acabou de se referir agora.
Oren: As pessoas vão andar por aí o tempo todo com este tipo de cálculo interno, como se andassem nas nuvens?
Dr. Laitman: Não, não. Claro que serão mais sérios do que agora e estarão mais interessados nos seus desejos e intenções do que estão agora, mas serão principalmente para o benefício dos outros.
Oren: Adoraria falar sobre isso durante horas, mas o nosso tempo está quase acabando. Nos ensinou hoje muitas coisas sobre o conceito de “Lishmá” (“Pelo Benefício do Criador”). Qual é a definição mais simples do que é “Lishmá”?
Dr. Laitman: “Lishmá” significa que uma pessoa tenta amar a outra pessoa.
Oren: O que o senhor deseja para nós, enquanto pessoas que recém iniciaram estudar a Sabedoria da Cabalá em relação ao conceito de “Lishmá”?
Dr. Laitman: Para começar a estudar a Sabedoria da Cabalá de acordo com os escritos do Rabash, numa sociedade, uma pequena sociedade de 10 pessoas, de preferência, onde você e todos os seus amigos desejam juntar-se uns aos outros para alcançar este estado de “Lishmá”.
Oren: E o que deseja que me aconteça?
Dr. Laitman: Que alcance “Lishmá”. Não tenho mais nada a dizer. E, então, vai começar a sentir em todos os seus pensamentos, sensações, vai começar a sentir que está no mundo do Criador, que o Criador o preenche.
Oren: Amém! Assim espero. Muito obrigado, Dr. Laitman! Obrigado aos que estiveram conosco, “Conceitos Básicos na Sabedoria da Cabalá”, episódio “Lishmá” - “Pelo Bem do Criador”! Tudo de melhor a todos!
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