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O MUNDO - O PENSAMENTO A MAIOR FORÇA DA NATUREZA

O Mundo - 24 de Janeiro de 2022 28:15 min

TRANSCRIÇÃO:

Norma: Shalom, bem vindo todos ao nosso programa O mundo. Desta vez, temos como de costume o Dr. Michael Laitman com quem conversaremos sobre um interessante tema. Dr Laitman obrigada por nos dar essa oportunidade em formular perguntas. Obrigada por estar conosco!

Rav: Eu também te agradeço a oportunidade de estar a frente do seu grande público. Por favor, senhora!

Norma: A Sabedoria da Cabala nos diz que nosso pensamento é a maior força existente na Natureza e esse é o nosso tema de hoje; o pensamento. O que é o pensamento de acordo com a Sabedoria da Cabala?

Rav: De acordo com a Sabedoria da Cabala, o pensamento é resultado do desejo, o desejo é mais interior. Então, antes nasce o desejo e depois a fim de realizar o desejo, vem o pensamento e depois do pensamento a pessoa começa a sentir de que modo ela pode realizar o pensamento, por em prática. E assim acontece. Portanto, antes de tudo o desejo, depois o pensamento, depois a execução. Claro que em cada um e na ligação entre eles há várias conexões e assuntos, mas no fim das contas assim funciona. O principal é o desejo. O desejo constrói o pensamento.

Norma: E o quê constrói o desejo?

Rav: Ohhh, já é uma pergunta séria! De onde vem o desejo? O desejo posso dizer que vem do gene espiritual, inanimado, vegetal e animal, mas a pessoa que quer se elevar acima dos níveis inanimado, vegetal e animal que se encontram nela, então ela recebe já um desejo desde cima, de uma forma especial, e então, através disso ela alcança o nível de falante, que é acima de nossa Natureza.

Norma: Como se ativa esse desejo?

Rav:Qual?

Norma: Como se ativa?

Rav: Que desejo? Que desejo ativamos?

Norma: Esse desejo que vem de cima, como se faz para ativá-lo? Porque sabemos que o primeiro antes de chegar ao pensamento, é o desejo?

Rav: Somente através do desejo de amar as pessoas. Somente através do fato de querermos nos aproximar um do outro com amor, então podemos ativar em nós novos desejos. E, na medida que tenhamos a predisposição para amar, nessa medida vamos começar a sentir que chega até nós pensamentos sobre o amor, conexão e cooperação.

Norma: Se mudássemos  nossos pensamentos, poderíamos então, mudar a realidade?

Rav: Sim, tudo no pensamento ficará claro, está escrito, e por isso, tudo é no pensamento. Na verdade, nós, em nosso desenvolvimento, precisamos alcançar uma situação em que tudo é feito através do pensamento. Também agora sentimos isso, antes trabalhávamos com grandes trabalhos, com instrumentos grandes, pesados, com a metalurgia, com todas as energias do ferro e, hoje em dia, trabalhamos com coisas que inclusive é difícil de vê-los, mas através deles podemos ativar como a bomba atômica, o que há nela, uma grama de material e veja o que acontece!? Quer dizer, nós passamos mais da matéria ao pensamento.

Norma: De que modo ocorre esse processo em que podemos modificar a realidade através do pensamento? De que maneira isso é possível?

Rav: O processo é porque mudamos, e nos fazemos mais sofisticados, mais egoístas, mais delicados, e no nosso ego em usar um ao outro, ao próximo, e, através disso construímos todo o tipo de ligações entre nós, mais e mais egoístas, mais e mais complexas. E, então, dentro de nossas buscas, dentro de nossas construções de novas relações, alcançamos tais estados que aqui se tornam muito complexas, e essa complexidade nos obriga a alcançar novas relações, e que não podemos participar e usar algo como existia antes, senão que deve nos importar muito, estar mais próximos um do outro.

Norma: Quando o senhor fala que esse é um processo complexo, que poder tem o pensamento?

Rav: O pensamento é a maior energia, como já mencionei no começo da entrevista, que no começo trabalhamos com martelos, facas e uma porção de máquinas, depois avançamos a ferramentas mais delicados, mecânica sensível. Hoje nos encontramos em situações em que atuamos com partículas químicas e reativos químicos e eletrodos pequeninos, que são tais que entram numa caixa pequena, digamos um computador e que no passado era preciso um prédio para entrar tudo isso. Nós nos tornamos mais elaborados, mais delicados, mais complexos, mas junto com isso mais egoístas. E nisso chegamos no final a um beco sem saída! Num beco sem saída não porque o que construímos são aparelhos ruins, e sim tudo o que construímos é para o nosso mal. Então, precisamos mudar a natureza do relacionamento entre nós. Não os computadores em si e todo o tipo de ferramentas, mas nas relações entre nós é preciso mudar, em um nível mais elevado, não no nível da matéria, senão no nível espiritual. Precisamos mudar. Então, todo o nosso desenvolvimento em tecnologia será para o nosso bem, senão, Não!

Norma: Então, como podemos nos mesmos controlar os pensamentos?

Rav: Claro que podemos dominar! Não há nisso nenhum problema. O pensamento vem do desejo, e eu preciso mudar meus desejos para o bem de todos, então meus pensamentos serão bons. Não é algo simples, mas pelo menos, temos que saber se não mudamos nossos desejos, então chegaremos ao fim. Porque ao final de contas mataremos uns aos outros, vamos querer sempre construir máquinas, que nos ajudam a dominar o próximo, e no final das contas matar, cada um vai querer matar o outro. Portanto a decisão deve ser de que agora procuramos através que tecnologia, ou máquinas, ou mecanismos, de qual estudo de educação podemos alcançar uma situação na qual modificamos a pessoa de mal do proximo ao bem do próximo. Esse é o principal problema da humanidade. Se nos modificarmos vamos estar bem, senão, no final mataremos um ao outro.

Norma: Como o senhor definiria um pensamento construtivo?

Rav: O pensamento construtivo e nisso que nos conectamos juntos e alcançamos ser um homem em um corpo e em um só coração. Esse é o pensamento construtivo, e se decidirmos que assim queremos fazer, precisamos procurar através de qual meio podemos alcançar uma situação na qual sentiremos todos nós como um. E existe a Sabedoria que fala sobre isso Sabedoria da Cabala, e ela nos explica como poderemos nos unir, e realmente sentir a existência num só coração.

Norma: Ok, esses são pensamentos construtivos, e se assim é, o que é o pensamento destrutivo? Que parece ser o pensamento comum hoje em dia no mundo?

Rav: Pensamento destrutivo é que queremos aproveitar um do outro. Então, o problema está no uso da pessoa: no que pode aproveitar do próximo. Ou, ao contrário, digamos que corrija este estado e queira aproveitar de si mesmo para o bem do próximo, ou olhar para o próximo a fim de usá-lo para o seu bem, ou olhar para si mesmo para aproveitar para o bem do próximo. É isso que devemos decidir, o que queremos, ou um ou, o outro, não há a metade. E quando decidirmos que não teremos opção porque em verdade vamos morrer, em lugar de viver de uma forma plena, eterna, recíproca, se decidirmos, então faremos essa correção.

Norma: Qual a relação entre pensamento e sentimento?

Rav: O pensamento é na mente, e o sentimento é no coração.

Norma: Como ambos se integram?

Rav: A integração antes de tudo é o desejo que está no coração, e depois esse desejo ativa o coração, e não o contrário. Nunca a pessoa vai pensar em algo que não queira.

Norma: Precisamente sobre isso queremos falar, através uma citação de Rav Yehuda Rabash Ashlag de um artigo de Baal HaSulam, artigo 153 do Shamati, chamado “o pensamento é o resultado do desejo”, e Baal Hasulam nos diz o seguinte: vou me permitir ler a citação que diz: “O pensamento é o resultado do desejo, uma pessoa reflete no que deseja, e não pensa no que não deseja, por exemplo; uma pessoa jamais pensa….

Rav: O que anela.

Norma: Sim é isso! Assim é como o senhor nos explica. Então, Adicionando…e se diz: “...uma pessoa reflete no que deseja, e não pensa no que não deseja, por exemplo; uma pessoa jamais pensa no dia de sua morte, ao contrário sempre refletirá na sua eternidade, e isto é o que deseja, resulta que sempre ela tende a pensar no que se adapta a sua vontade, como funciona este processo?

Rav: O processo é muito simples, que dos mesmos desejos que se descobrem dentro de nós, desde do interior do coração como é chamado, sentimos esses desejos e procuramos como realizá-los. E todo o nosso corpo se encontra para realizar de forma correta, boa, máxima e efetiva o que nos imaginamos imaginamos através de que vamos estar bem e desta forma os pensamentos vem antes e o prazer desses desejos vem depois dos pensamentos.

Norma: Desse modo que estamos construídos?

Rav: Sim, cada um.

Norma: Isso é parte do desejo de receber, nós recebemos unicamente o que pensamos e o que vai nos dar prazer. E evitamos o que não vai nos dar prazer?

Rav: Sim, sim.

Norma: Neste mesmo artigo menciona que o pensamento cumpre uma função particular: ele intensifica, aumenta o desejo, e o desejo se instala no seu lugar, não tem o poder de expandir-se e realizar sua ação, sendo assim por meio do pensamento e a contemplação sobre de algum assunto provoca que o desejo peça ao pensamento que lhe forneça algum conselho ou artimanhas para que o desejo se concretize. Desse modo o desejo cresce, se expande e leva a cabo sua obra. Como o pensamento influencia sobre o desejo? Como o intensifica?De acordo com essa citação?

Rav: O pensamento pode aumentar o desejo, ele pode modificá-lo um pouco, há aqui uma força no pensamento para realizar essas coisas. Mas no final das contas, o desejo é que inicia a ação, é o que liga o pensamento. E depois o pensamento através de que a pessoa vai e lida e vai examinar, esclarecer, perguntar, estudar através de tudo com que ela lida junto com o pensamento e o desejo, pode ser que o desejo já recebe disso todos os tipos de mudanças e às vezes pode ser que esteja longe do desejo primordial que despertou a pessoa.

Norma: Nós temos consciência ou não de nosso pensamento? Porque parece que a pessoa age de forma automática sem sentar para pensar ou observar ou distinção de seu pensamento ou da qualidade de seu pensamento?

Rav: Geralmente queremos executar imediatamente o que temos de desejo, e o pensamento é o resultado do desejo, e nos diz como podemos executar, realizar o desejo. Mas, pode ser de outro modo, que nós aprendemos se vale a pena ou não usar esses desejos, ninguém é mais sábio do que aquele que tem experiência. E de dentro disso começamos aprender mais sobre essas coisas adicionais. Digamos vamos dizer; a profissão que me ocupo se chama a Sabedoria da Cabala, quer dizer Sabedoria de como realizar nossos desejos. E aprendemos, estudamos de que forma podemos realizá-los. Aprendemos que para realizá-los devemos fazê-lo na intenção a fim de influenciar o bem ao próximo,então dessa forma eu me realizo da melhor maneira. Isso não prejudica a ninguém, pelo contrário, desperto o bem a todos. Então, aqui aprendemos com esta ciência chamada de a Sabedoria da Cabala, aprendemos corretamente de como o pensamento e o desejo.

Norma: Nesse contexto, como desenvolver o pensamento positivo em direção ao próximo?

Rav: Também através do pensamento. Eu preciso investigar o pensamento, e ver se de verdade me corresponde relacionar-me bem, ou mal, com o meu próximo? O que é toda a criação? Como está esta? O que ganhamos? E toda a Natureza como é construída? Qual o desejo da Natureza? O desejo Superior pois Elohim é o mesmo que gematria Natureza. Como quero me comportar se eu quero me identificar com toda a Natureza? Então sinto que vale a pena realizar a lei geral da Natureza, que com isso me vejo como realizador da a lei geral de toda a realidade, e nisso verei e sentirei toda a realidade. E através dessa realização tão especial eu alcançarei uma situação em que toda a Natureza me é clara e lógica, segura e aberta na minha frente, então não que receba a todo instante algum pensamento, desejo diferentes que me controlam conscientemente ou não e sim posso alcançar uma situação em que eu controlo a Natureza, em que eu tiro da Natureza pensamentos e desejos que vale a pena realizá-los. Quer dizer que minha mente pode se elevar a um tal nível, que me encontro acima da Natureza, realmente ao nível de Elohim (Deus)

Norma: Na Cabala, ligado ao que o senhor diz, há um termo chamado pensamento da criação, e nos chama atenção, como assim? Como é que a criação tem um pensamento?

Rav: Toda a criação não só tem pensamento, senão que toda a criação é somente pensamento, fora do pensamento não há nada e nós nos incluímos nesse pensamento, e somos partes desse pensamento. Não há nenhuma entidade, ou existência, como dizê-lo? Nenhuma identificação fora o fato de que nos encontramos no pensamento dentro do pensamento da criação. Quando contemplamos o Universo, todas as estrelas, que se encontram no Céu, contemplamos tudo que existe diante de nós, é no total todo esse pensamento. Não há nada mais fora do pensamento. Esse pensamento organiza, realiza, tudo ordena, e nós nos encontramos nesse pensamento. Nós somos como pequenos impulsos que passam por todo esse sistema chamado o Boreh (Criador) e nós executamos os seus comandos, Ele quer através disso que cheguemos de um estado a outro e ensinar-nos a que estados, a que ações nos convém vale a pena nos identificar, e assim alcançamos a correção. E nós mesmos queremos transformar todo esse sistema que funcione desde nosso desejo, desde nossa própria participação, e a isso desejamos alcançar. Que faça de si mesmo não somente uma parte manejada, mas que por si mesmo realize atos, então, ele é chamado de Adam (Ben Adam) pessoa que age em equivalência ao Criador. E a energia geral desse pensamento.

Norma: Mas o indivíduo não se encontra só, ele faz parte do ambiente em volta, qual o poder do pensamento coletivo em contraste ao pensamento individual?

Rav: Para o indivíduo é muito difícil corrigir a si mesmo, e ser ativo e útil, independente, responsável, sobre algo que queira realizar, e na verdade é que nenhum de nós se equivoca, porque de onde não estamos de acordo, não queremos estar de acordo com aquilo que devemos fazer, então o poder Superior age em nosso lugar. E não percebemos suas ações, e a nós mesmos que se encontra em conexão com Ele. Ele desaparece, e não O sentimos e não temos a sensação que agimos dentro de um sistema unificado. Mas, se descobrirmos o desejo de estar em conexão mútua, e desejarmos chegar a nível de Boreh (Criador) e cooperar com Ele e nesse sistema geral, então começamos a sentir nossa participação no sistema que é chamado de Boreh (Criador) e desse modo descobrimos toda a realidade. Então, somos chamados segundo a participação nisso de Bnei Adam.

Norma: No caso dos Cabalistas que possuem um alcance espiritual maior , o que passa pela sua cabeça com frequência? Que pensamentos?

Rav: Como revelar a todos esse sistema imenso e tremendo e atraí-los um pouco a participar disso.

Norma: E para finalizar, para alcançar esse objetivo, o que recomendaria a quem assiste o programa, o que devemos pensar, em que devemos nos concentrar, que tipo de pensamento devemos ter?

Rav: Somente no pensamento sobre a conexão, sobre isso fala a Sabedoria da Cabala, e lentamente, pouco a pouco se aprofundar sobre como devemos realizar nossos pensamentos, de cada um de nós, de modo correto até que alcancemos a consciência de que todos nós nos conectamos, em um pensamento em um coração, em um desejo, e assim alcançaremos a revelação de todo esse sistema perfeito e imenso para todos. Então, que tenham sucesso!

Norma: Então, o senhor nos deixa uma tarefa no que pensar!? Obrigada Dr Laitman, por suas impressões que tem sido um tema muito, muito interessante!

Rav: Nos encontraremos, Shalom!