Spiritual states

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Episódio 42|9 אפר׳ 2021

Estados Espirituais

O Monte Sinai

09 de Abril de 2021 23:10min

Texto para Legenda

Sanilevich: Olá a todos. Olá Dr. Michael Laitman.

Rav: Olá.

Sanilevich: Continuamos como sempre a nossa conversa sobre estados espirituais e hoje o nosso tópico é um conceito chamado “Monte Sinai”. Monte Sinai que significa de forma literal a Montanha do Ódio. Todos já ouvimos que é uma história bíblica, que conta sete semanas, ou seja, 49 dias depois do êxodo do Egito. Onde todo um povo, uns milhões, aproximaram-se do Monte Sinai. E lá receberam a Torá. Em hebraico: Mahamad Mount Sinai, “O estado do Monte Sinai”. Bem, o que gostaríamos de perguntar hoje, são os Estados Espirituais pelos quais uma pessoa passa desde a saída do Egito, atravessar o Mar Vermelho, e alcançar o Monte Sinai. Qual a razão dessas sete semanas, Dr. Laitman? Qual a importância disso?

Rav: Bem, a partida completa do ego “Egito” é chamada tempo. E sabemos que o número 7 é repetido várias vezes. E no Espiritual o número 7 Representa níveis Em suma, existem 10 níveis, 7 deles são o principal, e 3 adicionais.

Sanilevich: Dr. Qual é o nível no desenvolvimento espiritual?

Rav: São níveis de alcance do Mundo Superior, na espiritualidade. É a revelação do ego de uma pessoa, elevar-se acima dele, e revelar o Criador.

Sanilevich: Logo, Dr., é como dez níveis de ego?

Rav: Sim.

Sanilevich: Dr. Laitman, ao saírem passaram-se 7 semanas. Por que há justamente 7 semanas?

Rav: É porque precisam realizar um certo trabalho espiritual para sair do Egito. De outra forma, como é que saímos do ego? Não é Simplesmente sair e caminhar? É um trabalho espiritual interno, passar por um processo interno no qual a pessoa precisa reconhecer o que esse exílio em que se encontrava, que estava em exilados da sensação do Criador.

Sanilevich: Dr., é um reconhecimento muito importante? Eles já saíram do Egito, e o que eles tem que corrigir, pois saíram do Egito que simboliza o ego?

Rav: Agora precisam entender o que os espera, para onde se devem dirigir. Gradualmente, o que lhes é revelado, é o que significa realmente sair do ego. Não é simplesmente desconectar dele, mas a inversão gradual do ego em doação. Ou seja, todos os desejos que tinham, no qual existiam, através dos quais existiam num estado chamado de Exílio no Egito, é um estado de um ego tremendo, que cresceu numa pessoa, sob a influência da presença do que se denomina Egito, enquanto se encontrava nesta escravidão espiritual. Ele reconhece o quão longe se encontrava da verdadeira percepção da realidade, quão longe está da verdade do Criador, do alcance espiritual. E isto pressiona uma pessoa de tal forma, ao ponto de ela clamar que já não mais quer estar neste estado. E aí, começa uma libertação espiritual do exílio egípcio, da escravidão. Em que a pessoa eleva-se até voltar às costas, um rechaço como por assim dizer, ao seu ego, chamado de atravessar o “Mar Vermelho”. Mas, literalmente significa, o “Mar final”, Iam Suf, da palavra Sof em Hebraico, significa Fim. E ele continua, por forma a alcançar o reconhecimento do que significa mudar a si mesmo. Para isto é preciso passar por 7 semanas. Significa que está disposto a aceitar a condição a metodologia que o vai mudar, mesmo que seja um método complicado, uma realização que não é simples. Mas a pessoa está pronta para isso, e está num processo tão longo, 7 semanas, 7x7=49, e 7 semanas e em cada semana 7 dias. E apenas no dia 50 ele alcança o Monte Sinai. E não é um monte e um deserto, mas, são ilustrações, tipo metáforas do que significa a compreensão interna que a pessoa encontra-se no Monte Sinai. E, este é um grande ego diante da pessoa, pois Sinai, vem da palavra Sina que em hebraico significa ódio. E no topo do Monte Sinai está o Criador, que criou este ego, e o controla, e o desenvolve numa pessoa na medida que seja necessário, para que em definitivo a pessoa compreenda como trabalhar com este ego, e como o pode inverter nas qualidades opostas de um estado novo.

Sanilevich: É interessante que enquanto a pessoa sai do ego, tem que passar por estes 49 níveis, chamados de Portões da Impureza, não que ele saia limpo, mas é o contrário são os 49 níveis desta impureza que ele revela em si mesmo. E no dia 50, chega ao Monte Sinai. Sinai em hebraico, significa Ódio (Har, da palavra Hirurim) e em hebraico isso significa reflexões do ódio. O que são essas Reflexões do ódio, Dr. Laitman?

Rav: É simplesmente que ao olhar para todo aquele ódio que preenche uma pessoa, em oposto à qualidade de doação, de amor, chamada de Criador, ninguém pode acreditar que seja possível ultrapassar de alguma forma, que seja possível escalar aquela montanha, ultrapassar esse ego tremendo em todas as suas manifestações. E portanto, aqui, na verdade, no sopé do Monte Sinai, significa que não pode fazer nada. Que levanta as suas mãos e o que quer que aconteça não controla o seu ego, não controla a sua natureza, não é seu mestre E, é a natureza do Criador que controla você e que faz o que quer de você.

Sanilevich: Dr. Laitman, O Monte de Sinai é ódio para com o Criador, que é a qualidade de doação, amor,? Ou tudo é o mesmo?

Rav: É tudo o mesmo. Não importa. É como no nosso mundo onde atribuímos essas qualidades às pessoas. É como nós referimos a essas pessoas segundo as qualidades que apresentam diante de nós. Não é sua carne, sua pessoa mas com a qualidade que aquela pessoa manifesta perante nós. E portanto gostamos, não gostamos.

Sanilevich: Aconteceu uma circunstância que mais tarde formou toda uma nação, ou se estivermos a falar de uma pessoa, um acontecimento que formou o desenvolvimento espiritual. E ali estiveram durante um ano. Dr., por que é que permaneceram no sopé do Monte por 1 ano?

Rav: Não é uma questão de anos, ou tempo. É complicado. Não podemos dizer como é que foi precisamente à forma como foi explicado na Torá, de acordo com o que entendemos que está lá escrito.

Sanilevich: É importante saber que este lugar foi encontrado geograficamente?

Rav: Há quem diga que este Monte está no deserto do Sinai e que no seu topo existe uma igreja, mas, não Judia. Porém, na realidade, não há nada sagrado acerca deste Monte, qualquer um pode escalá-la com seu “Rebanho” Não importa. E não significa que é um Monte onde está construído um templo, porque o templo está construído num lugar que é iluminado, porque representa um ego corrigido. E o Monte Sinai é apenas uma manifestação do ego que precisa ser corrigido, e portanto não existe neste “Monte” nada santo ou sagrado, inclusive para o judaísmo não existe nenhuma referência religiosa.

Sanilevich: Dr. Laitman, o que significa que eles estavam no sopé da montanha e Deus falava com eles desde cima nesta montanha?

Rav: Bom isto é algo simbólico, Esta montanha representa o grande ego que existe na humanidade, que a humanidade tem que corrigir. Alegoricamente falando, significa que desde abaixo a pessoa tem que subir para revelar o Criador que está no topo da montanha.

Sanilevich: O que é interessante é que no estado chamado de Monte Sinai a pessoa alcança um estado em que dentro dele existem Moisés, e Aaron, e os Cohen, e o Povo Misturado, Erev Rav, e os egípcios de onde fugiram. Consegue imaginar tudo isto? E todos eles têm que se unir, porque esta é a condição para receber a Torá, a instrução. Tal como está escrito, ou bem que todos se encontram em Mútua Responsabilidade ou vai ser isto, ou vocês se conectam, ou isto vai ser o lugar do Vosso funeral. Como é que estes desejos se conectam todos dentro de uma pessoa, Dr.?

Rav: Acontece num instante, e depois vamos ver que na realidade ninguém é obrigado a nada.

Sanilevich: Isso aconteceu uma vez, é como um símbolo?

Rav: Para que se possa se manifestar no mundo material. O que significa que todo estado espiritual tem que tocar pelo menos uma vez algo terrenal.

Sanilevich: Mais tarde vamos falar da recepção da Torá, talvez num outro programa. Mas, Dr. Laitman, o que significa isso espiritualmente falando? Recebemos algum tipo de instrução? Uma explicação de como trabalhar com este ego?

Rav: A recepção da Torá significa que a pessoa recebe uma diretriz. Que uma força é revelada nela, que a ajuda a elevar-se acima do seu ego. É isso.

Sanilevich: E a condição para receber estas instruções? Porque a Torá vem do hebraico da raiz da palavra Orah, que em hebraico significa ensinar esta diretriz. ou seja obedecer uma lei ?

Rav: Se quer receber a Torá, ou seja, se quer começar a aprender a Torá dentro de si, não há outro lugar para a aprender, mas, para si mesmo. Gradualmente, de um pequeno ego, transforma-se num grande egoísta, e de um pequeno altruísta, transforma-se num grande altruísta. Para aceitar este método de correção é apenas possível se aceitar, se estiver disposto a mudar a si mesmo, a tornar-se uma pessoa espiritual, que significa que aplica a lei do amor e doação a todos.

Sanilevich: Dr. Laitman, o que é a lei do Arvut, ou Garantia Mútua, em que somos responsáveis uns pelos outros?

Rav: Acontece que mesmo no nível mais baixo, queremos obter a qualidade espiritual de amor e doação, ou seja, implementar esta qualidade dentro de nós mesmos, ou seja, onde há um grupo de pessoas que tentam entre eles criar a qualidade de amor e ajuda mútua. Do fundo dos seus corações, ser um por todos e todos por um.

Sanilevich: Ou seja, todos são responsáveis uns pelos outros. E se acontecer unicamente numa pessoa, no desejo de uma pessoa, Dr. Laitman?

Rav: Sim, vemos que isso pode acontecer numa pessoa, mas uma pessoa sozinha não pode fazer isso. Precisa sentir-se como parte da sociedade. Tudo isto se concretiza dentro da sociedade.

Sanilevich: E há também uma condição chamada de “faremos e ouviremos”. O que significa esta sentença Dr. Laitman?

Rav: Significa que enquanto tentamos implementar esta qualidade de amor e doação dentro de nós, vamos concretizar esta qualidade de amor e doação entre nós. E na medida em que concretizamos esta qualidade dentro de nós, e entre nós, apenas aí, podemos reconhecer esta qualidade e o que nos oferece, o que nos revela e o que muda em nós.

Sanilevich: Dr. Laitman, o que é isso que muda em nós?

Rav: Que para poder escutar temos que realizar em prática a qualidade de amor e doação de todas as formas possíveis.

Sanilevich: E o que vai escutar depois de o fazer, Dr. Laitman?

Rav: Começa a reconhecer o que a qualidade de doação e amor realmente significa. O que é uma qualidade espiritual.

Sanilevich: Então, escutar já é sentir,ok. Logo, o que significa fazer um pacto com o Criador? Que quando uma pessoa ouve, já é um pacto com o Criador? De que pacto estamos a falar, Dr.?

Rav: Um pacto significa que depois disso, já temos algumas condições mútuas que falam acerca do que nos comprometemos a fazer pelo Criador, e o que estamos a pedir ao Criador para fazer por nós, por forma a sermos capazes de concretizar as nossas qualidades de amor, doação e conexão entre nós e Ele.

Sanilevich: É possível dizer que uma pessoa realiza certos atos de conexão no grupo, após os quais…Bem, primeiro acontece sem que haja qualquer sensação, mas quando a pessoa obtém a capacidade de doação, começa a agir em Lishmá, em benefício da Torá e entra num estado de equivalência de forma com o Criador que já é um pacto num determinado nível.

Rav: Sim, no princípio age sem sentir, sem sabor, de olhos fechados, sem compromisso, e alcança um nível onde trabalhar em servir o Criador transforma-se no propósito da sua existência.

Sanilevich: Ou seja, não importa o que você sente?

Rav: Não, não importa o que sente, ou que espere que algo saia disso. Isso não existe. Não há tempo, lugar, não há nada. O que queremos implementar é somente máxima doação de nós para o Criador, através das pessoas.

Sanilevich: Dr. Laitman, e quando uma pessoa realiza estas ações sem sabor, sem obter nada de volta, o seu ego não recebe recompensa. Essa pessoa começa a ter dúvidas, chamadas de Hirurim da palavra Har, Montanha que significa (reflexões), neste estado começa a pensar se há vantagens nisso, e começa a odiar este estado, essa qualidade do Criador. E isso é chamado de Monte Sinai, a montanha do ódio?

Rav: Sim. Todas as contradições das suas qualidades egoístas começam a ser reveladas, e praticamente não permitem a uma pessoa avançar na direção de doação, de conexão, e a pessoa começa a odiar essas qualidades, a sua natureza egoísta, e começa a lutar consigo própria.

Sanilevich: Então, é um estado terrível, em que a pessoa trabalha durante anos contra a sua natureza e não tem nenhuma recompensa de volta!

Rav: A sua recompensa é que pode lutar contra a sua natureza!

Sanilevich: Última pergunta, Dr. Laitman, qual a diferença entre a nação antes e depois de receber a Torá no Monte Sinai?

Rav: Antes de receber a Torá a nação é considerada simplesmente um conjunto de pessoas.

Sanilevich: Mas já eram chamados de Israel, Dr. Laitman?

Rav: Não. Chamavam-se Israel de acordo com a sua aspiração inata. Aquilo pelo qual ansiavam. Mas o que significa na realidade? Eles não sabiam, não compreendiam, e portanto, não podemos dizer nada aqui sobre o seu estado espiritual. Era mínimo. Eles sentiam relativamente numa escravidão egoísta, entraram no Egito, e se esforçaram para sair de lá. Agora, que se aproximaram do Monte Sinai, em algo substancial e apresenta-se a necessidade de receber a Torá, ou seja, a Luz Superior, a Força Superior de amor e doação, de aceitar esta qualidade e começar a agir com a sua ajuda, por forma a corrigir-se. Agora, foi-lhes revelado o propósito da vida e a Torá vai trabalhar gradualmente a qualidade do homem, e todas as suas 620 qualidades para as modificar de qualidades egoístas de satisfação para si próprio para qualidades de doação, por forma a doar e preencher outros.

Sanilevich: Então, Abraão reuniu à sua volta pessoas que ansiavam por esta qualidade de doação, e portanto eram chamados de Israel, Yashar-Kel (direto ao Criador). Depois disso, as pessoas começaram a questionar-se, o seu ego, e portanto significa que entraram no Egito, e por ação deste ego recebem a instrução chamada de Torá, e isso só acontece com a ajuda do ego. Antes não havia nenhuma correção. É essa a diferença, Dr. Laitman?

Rav: Sim.

Sanilevich: Muito obrigado. Hoje falamos sobre o Monte Sinai. A montanha das contemplações, mas também do ódio. Obrigada a todos.