O Poder do Livro do Zohar
Capítulo 13
2 de Julho de 2010 30:04min
Transcrição:
*Entrevistador:*
Olá, queridos amigos.
Estamos lendo o Livro do Zohar...
...e analisando nele o livro "Eclesiastes", também conhecido como "Kohelet",
...escrito pelo rei Salomão há muito tempo.
E para nos ajudar a compreender, tentar entender,
...sentir a força deste Livro, do Zohar e do Kohelet,
...contamos com o professor Michael Laitman.
Professor, agora vou ler um trecho, e o senhor nos revelará a força oculta desses livros.
"Eles, os pilares sobre os quais o mundo se sustenta, as sete vaidades, são raras pérolas sobre as quais o mundo se apoia."
Ou seja, eles também são pérolas.
"Pois, em outro lugar, são mencionados como um local de destruição do mundo, como está dito: isso é vaidade, duro trabalho e ocupação vã."
Já?
*RAV:*
Sim.
*Entrevistador:*
Certo. Antes tudo estava bem, agora tudo ficou ruim...
*RAV:*
Antes de tudo, precisamos entender que o livro foi realmente escrito pelo rei Salomão, Shlomô.
O próprio nome, Shlomô... sabemos que os nomes têm seu significado.
Shlomô vem da palavra "shalem".
"Shalem" vem da palavra "shalom", que é conhecida em todo o mundo.
"Shalom" significa "shlemut", plenitude, perfeição.
Ou seja, quando digo "shalom" para ti, estou desejando que tudo seja perfeito para ti.
Tudo. É isso que estou te desejando.
Por isso, o nome Salomão, Shlomô, remete à perfeição que ele alcançou como um grande cabalista e sábio.
Bem, que ele foi sábio, isso é algo que todos supostamente sabem.
Rei Salomão e assim por diante... pensam que ele era apenas um homem sábio.
Mas ele não era apenas um homem sábio.
Ele era um grande cabalista.
E a sabedoria que possuía era a luz da sabedoria que recebia do espaço que nos rodeia,
...que está completamente preenchido com luz.
Ou seja, vivemos, na verdade, em um espaço que está repleto de energia, informação, movimento eterno.
Nós captamos desse espaço, com nossos sentidos, apenas pequenos fragmentos, minúsculas partículas de matéria.
Assim nos parece essa energia e essa informação.
Nós a percebemos na forma dessa matéria densa e baixa do nosso mundo.
*Entrevistador:*
Por que as pérolas de repente se transformam...?
Espera, então esse Salomão...
Ocupação vã?
*RAV:*
Esse grande cabalista sentiu toda essa energia, essa informação que existe,
e a expressou neste livro: Kohelet.
Ele próprio também era chamado Kohelet.
Esse era um de seus nomes — ele tinha sete nomes.
E Kohelet era o mais elevado de seus nomes.
Então, o que ele descobriu?
Ele descobriu que estamos no estado mais baixo.
Esses estados podem ser chamados de pedras,
as bases do nosso mundo material, o mais baixo e o mais denso.
E essas pedras são compreendidas como imóveis...
...como inanimadas, das quais nada pode ser feito.
É uma matéria que não pode mudar.
Mas é possível transformar essas pedras em pérolas, como dizes — Margoliyot.
*Entrevistador:*
Sim. Se fosse possível transformar pedras em pérolas...
*RAV:*
Tu raciocinas assim. Mas nós pensamos de outra forma.
Nós consideramos que essas pedras que transformas — das mais imóveis, das mais inertes e mortas —
...em qualidades de doação e amor, ou seja, teus desejos que estão direcionados apenas para ti mesmo,
...que não podem ser movidos, que são primitivos e egoístas,
...quando começas a transformá-los, a convertê-los em doação, amor e conexão com os outros,
...se até esses desejos podes modificar, então eles realmente se tornam pérolas.
Grandes forças opostas, forças positivas.
E então, realmente, o mundo se sustenta sobre elas.
E assim, dos sete enormes pilares inertes e mortos, eles se transformam em colunas de luz, irradiando de ti para fora.
*Entrevistador:*
Vou continuar a leitura.
*RAV:*
Sim.
*Entrevistador (lendo):*
"Embora essas sete vaidades da santidade definam a existência do mundo, há uma oposição a elas.
Em contraposição a elas, existem sete vaidades das quais derivam todos os julgamentos no mundo."
*RAV:*
Sim. Ou seja, direcionar essas forças...
*Entrevistador:*
Quem são os juízes?
*RAV:*
Não, os julgamentos não são tribunais. Espera um segundo.
Nós temos sete desejos.
Esses sete desejos são inerentes a nós. São imutáveis.
Eles são imutáveis. Agora, podemos usar esses desejos em benefício próprio...
E então eles se transformam em julgamentos dirigidos contra mim. Ou podemos usar esses desejos para doar, para nos conectar com os outros...
E então eles se transformam em bênção.
Pois, ao nos conectarmos dessa forma uns com os outros, com nossos desejos,
...formamos um corpo vivo coletivo, que começa a trocar dentro de si energia, informação, força vital.
E assim torna-se vivo. De pedras inertes, nós nos transformamos, conforme o grau de nossa conexão,
...em matéria vegetal, animal e até humana.
*Entrevistador:*
Vamos continuar.
*RAV:*
Por isso, esses sete pilares podem ser negativos, como ocorre hoje no nosso mundo,
...onde chegamos ao extremo, usando-os apenas para nosso próprio benefício.
Assim, ao destruir tudo ao nosso redor — e até a natureza que nos rodeia — podemos transformar tudo isso em beneficiar.
E tudo depende não de como usamos o que está ao nosso redor, mas de como usamos a nós mesmos. Ou seja, isso não depende das circunstâncias externas...
*Entrevistador:*
Digamos, como um ator. Eu como um ator.
*RAV:*
Ou seja, não depende da natureza ao redor. Depende da minha atitude.
Acima de tudo, isso é o que determina tudo.
Por isso, ele diz: tudo é determinado por "Hevel Havalim".
Ou seja, "vaidade das vaidades" refere-se à minha atitude para com os outros.
Se a direciono de forma errada, ela realmente se transforma em mal e julgamento.
*Entrevistador:*
Sim. Vamos continuar agora.
"São sete, das quais derivam todos os julgamentos do mundo,
espalhando-se para punir as pessoas e corrigi-las,
para que sigam o caminho correto."
Punir as pessoas e corrigir... Que tipo de prisão está implícita aqui?
*RAV:*
Punir as pessoas, não.
Simplesmente a pessoa percebe desilusões, fracassos, doenças e outras dificuldades.
Isso a corrige com a "vara da felicidade", como se diz.
Claro, essa não é a melhor forma de sair de todos os nossos estados tolos.
Mas se não quisermos aprender a ser bons filhos,
então somos castigados para que, de alguma forma, avancemos.
O que fazer? Aprender será inevitável.
*Entrevistador:*
Sim.
O livro começa com... Por favor, um suspiro.
*RAV:*
Não, aprender é algo que realmente queremos.
Queremos muito, só que... não temos outra saída.
Queremos aprender, aprender da forma correta.
*Entrevistador:*
Isso também é verdade.
*RAV:*
Porque mesmo dentro da própria Kabbalah existem muitos desafios.
Ela ainda precisa ser adaptada ao mundo, às pessoas,
traduzida para muitas outras línguas,
torná-la acessível para mulheres, crianças, idosos,
de acordo com o estado emocional da pessoa,
com sua profissão, com suas características.
Ou seja, adaptá-la ao máximo para cada um,
para que todos vejam: "Oh, este livro fala sobre mim!"
Ele fala sobre como posso mudar a mim mesmo, nem que seja um pouco,
e imediatamente tudo ficará melhor.
*Entrevistador:*
Faremos o nosso melhor.
O livro começa com as palavras:
"'O sol nasce e o sol se põe',
porque essa é a vaidade que dá vida ao mundo,
conduzindo o homem à fé suprema no Criador."
Isso parece algum tipo de paganismo.
"O sol nasce e o sol se põe."
Isso conduz o homem... à geração do sol, aos deuses do sol?
*RAV:*
Sim. Aqui está escrito que isso leva o homem à fé suprema no Criador.
*Entrevistador:*
Sim.
Como devemos interpretar isso?
*RAV:*
Tudo isso deve ser traduzido para a linguagem cabalística.
Com a nossa linguagem comum, não entenderemos nada.
"O sol nasce e o sol se põe."
Isso significa que a luz superior realmente ilumina o homem.
E, com seus nascimentos e ocasos,
com sua influência alternada,
provoca no homem o surgimento de novos desejos.
Porque, quando o sol nasce, começo a desejar algo.
A luz desperta em mim uma certa excitação,
e quando se vai, fico com um desejo vazio.
E esse é o melhor estado.
Quando começo a aspirar àquela luz que tive,
mas não sei como alcançá-la...
É aí que surge para o homem a oportunidade do livre-arbítrio.
A oportunidade de se esforçar para ser semelhante à luz.
A luz não virá mais a mim por si só.
Ela despertou em mim, mostrou-me um estado bom... e desapareceu.
*Entrevistador:*
O que devo fazer?
*RAV:*
Agora não consigo mais viver sem ela.
E então, após um longo caminho de sofrimento,
chego finalmente à conclusão de que, através da Kabbalah,
posso alcançar isso de forma breve e rápida.
Chego à conclusão de que preciso ser como a luz.
Não devo esperar que ela venha e me preencha.
Ela não virá mais.
Ela apenas me mostrou um exemplo de como posso ser:
feliz, preenchido, eterno, perfeito.
Agora, devo alcançar esse estado por mim mesmo.
*Entrevistador:*
Sim, e isso é possível.
*RAV:*
E depende apenas de ti.
Já não precisas esperar pela misericórdia da natureza...
*Entrevistador:*
Do Criador.
*RAV:*
Exato.
E a Kabbalah trata exatamente disso:
de como, depois de receber algo assim, ou sentir o vazio,
posso agora encontrar um caminho para o preenchimento.
Porque esse vazio nos empurra para eventos assustadores.
E esses vazios estão nos levando a situações extremas.
*Entrevistador:*
Vamos continuar a leitura, professor.
*RAV:*
Certo.
*Entrevistador (lendo):*
"Por isso, tudo o que está abaixo desse nível, abaixo do Sol,
não é fé, não provém da santidade.
Por isso está dito: 'Que proveito tem o homem de todo o seu esforço,
realizado sob o Sol?'"
Ou seja, se estou sob o Sol, tudo isso não tem valor.
E se eu, cuidadosamente, num tipo de nave estelar,
passar para o outro lado do Sol?
*RAV:*
Subirás acima do Sol.
Ou seja, não dependerás mais dessa luz,
que apenas preenche os teus desejos egoístas.
*Entrevistador:*
Mas ascenderás...
O que significa essa tua "nave estelar"?
*RAV:*
Significa a qualidade da doação.
Por isso é chamado de "Hevel".
A qualidade da doação.
Ela sai da boca do Partzuf espiritual,
do estado chamado "boca da nossa alma".
Ao sair, ao se voltar para fora da nossa alma,
então tu te elevas acima do Sol.
Ou seja, tu mesmo passas a gerar dentro de ti essa qualidade,
que é chamada de "Luz do Sol".
Ela começa a se formar em ti.
*Entrevistador:*
Então, significa que a nave estelar... tudo certo com ela.
Vamos seguir adiante.
*RAV:*
Não é preciso esperar que de repente apareça
um mágico, como se fosse em uma nave estelar.
*Entrevistador:*
Sim, sim, exatamente.
E esta frase?
"Que proveito tem o homem de todo o seu esforço, realizado sob o Sol?"
*RAV:*
Nenhum proveito.
*Entrevistador:*
Engels nos ensinou, o grande, que "o trabalho criou o homem das estrelas".
*RAV:*
O homem, sim.
Mas este não é o tipo de trabalho de que Engels falava.
*Entrevistador:*
Que tipo de trabalho?
*RAV:*
Ou seja, o trabalho físico.
Mas aqui estamos falando de trabalho quando nos assemelhamos ao Criador,
quando nos tornamos semelhantes àquela Luz do Sol, que gera em nós o vazio. Quando desejamos que essa Luz nos preencha,
mas de tal forma que sejamos sua fonte.
*Entrevistador:*
Como fazer para que a pessoa compreenda do que se trata esse trabalho?
Estamos falando de algum tipo de trabalho...
*RAV:*
Ela entende o que significa trabalhar todos os dias.
Na verdade, esse trabalho é muito simples.
Tudo se resume a um único princípio:
"Ama ao próximo como a ti mesmo."
Parece algo banal, já desgastado e até repulsivo.
Algo que já foi testado, repetido inúmeras vezes e que já não atrai ninguém.
Mas, na verdade, isso acontece porque, com nossas qualidades egoístas,
com nossa própria compreensão limitada, tentamos alcançar isso sozinhos.
Tentamos alcançar isso por conta própria.
Mas, na realidade, deve ser feito exatamente conforme a instrução.
Se conseguirmos isso,
nos tornaremos verdadeiramente eternos e absolutamente magníficos.
*Entrevistador:*
Mas, afinal, sobre o que estamos falando?
*RAV:*
"Ama ao próximo como a ti mesmo"
significa que nos conectamos todos juntos,
como pequenas partículas, como pequenos elementos da criação,
formando um único mosaico, uma única imagem.
Unindo-nos todos em um único sistema.
E então começamos a interagir, como células dentro de um corpo.
E, nesse momento, tornamo-nos um organismo vivo.
Antes disso, somos um organismo morto,
pois, na situação atual, estamos separados uns dos outros.
Imagina cortar partes do corpo, dividi-lo em pequenos fragmentos...
O que resta? Ele se torna inerte, sem vida.
É preciso reuni-lo novamente.
E, na medida em que tentamos juntar essas partes,
o Criador insufla nelas a luz da vida.
*Entrevistador:*
Ou seja, de certa forma, já estamos conectados, mas não sentimos isso, correto?
*RAV:*
Sim, e é exatamente isso.
Falamos apenas sobre aquilo que conseguimos sentir.
Portanto, precisamos nos voltar uns para os outros.
Para uma conexão mútua e universal.
Dessa forma, restauraremos nosso corpo comum, nossa alma coletiva.
*Entrevistador:*
Como se direcionar?
*RAV:*
Apenas, por um lado,
impulsionado pelo mal,
pelo vazio, pela decepção com esta existência,
pelo medo do que virá amanhã,
pela frustração de que mundo estamos deixando para nossos filhos...
E, por outro lado...
Dessa mesma sensação de vazio,
começa a surgir no homem uma busca, um anseio.
Algo... alguma coisa deve existir.
Ele começa a sentir que algo o atrai para algum lugar.
Há um certo vetor,
algo que não funciona mais como antes, e ele procura por algo novo.
Isso é o que está acontecendo agora. Antes não era assim.
Antes não era assim.
Isso está acontecendo agora, exatamente nesta geração.
Ao mesmo tempo que há um vazio,
uma depressão coletiva e assim por diante,
também surge uma busca,
um anseio por algo.
A pessoa começa a perceber que as coisas não são bem assim.
Que há algo em algum lugar que a está esperando.
E, portanto, seu estado atual também é algo específico,
algo ajustado para ela,
para que possa sair dele e seguir adiante.
Por isso, nossa geração é uma geração... de transição.
*Entrevistador:*
Muito bem, continuemos a leitura.
Surgiu algo... surgiu uma perspectiva.
*RAV:*
Sim, exatamente.
Não, eu apenas me lembrei daquele ensinamento de Baal HaSulam,
de que no final veremos que tudo isso era um jogo,
como um mecanismo predefinido.
Claro, é um grande jogo da natureza — ou do Criador — conosco.
E que no final todos irão rir.
*Entrevistador:*
Sempre a mesma coisa, sim.
*RAV:*
E, no fim, todos nós riremos do que aconteceu.
Assim como rimos de nós mesmos quando éramos crianças pequenas,
crescendo, nos confundindo,
brincando, caindo,
montando coisas, desmontando, sem saber o que era o quê, achando tudo estranho.
Mas foi exatamente através dessa confusão,
ao longo de muitos anos de desenvolvimento,
que finalmente nos tornamos adultos.
E nunca sabemos realmente o que estamos fazendo.
Olha para uma criança pequena... ela sabe?
Ela vai e faz tudo, e tenta...
Estamos, na verdade, em um estado de... o que sabemos, afinal?
Não sabemos o que estamos fazendo.
O desenvolvimento é algo incompreensível.
E precisa ser incompreensível.
Isso é o mais interessante.
Porque nossa lógica egoísta terrena é, na verdade, contra isso.
Mas o desenvolvimento deve ser incerto.
Como posso entender antecipadamente o meu próximo estado,
se ele é mais avançado do que o atual?
Preciso, com o tempo — seja em um dia, um minuto ou um ano —
estar num nível superior, mais desenvolvido.
Ser mais forte e mais avançado do que sou agora.
Como posso compreendê-lo agora,
se ainda não atingi esse nível de desenvolvimento?
*Entrevistador:*
Eu não posso.
Então, como posso alcançá-lo?
Com minha razão, então, não posso.
Então, como posso?
*RAV:*
Exatamente através desse movimento aparentemente caótico.
É justamente por meio dele... Isso é incrível.
A nós parece caótico,
porque com nossa mente ainda não conseguimos perceber
que nele há uma ordem magnífica,
uma harmonia superior, a harmonia de um nível mais elevado.
Mas eu ainda não compreendo esse nível superior.
E, para mim, ele parece, claro, um verdadeiro caos.
Olhamos para as crianças, e parece um caos total.
*Entrevistador:*
Exatamente.
*RAV:*
Olha só o que elas fazem,
repetem a mesma coisa, sempre a mesma coisa.
Observei meu neto ontem,
ele passou meia hora recolhendo pinhas.
Andava, recolhia, depois as espalhava,
depois voltava a recolher, e depois espalhava novamente.
Pinhas debaixo da árvore.
Um verdadeiro Eclesiastes.
Recolhe as pinhas e depois as espalha.
Uma vez bastava, não?
Mas sua natureza o impulsiona constantemente
e o empurra sempre para essas ações aparentemente sem sentido...
Mas neste mundo, acreditamos que entendemos o que estamos fazendo.
Porque não estamos nos desenvolvendo.
Nos tornamos adultos,
e ao nos tornarmos adultos, nos tornamos como animais.
Apenas parecemos um pouco com humanos
quando ainda estamos em desenvolvimento,
quando estamos crescendo,
atingindo uma fase de transição, por volta dos 15, 16, 20 anos...
e depois acabou.
Depois que já não tomo mais exemplo dos outros,
daqueles que são mais elevados que eu,
depois que já não estou mais explorando este mundo,
começo a usá-lo egoisticamente.
*Entrevistador:*
Isso é impressionante, simplesmente incrível.
*RAV:*
Por isso, nossa ascensão espiritual baseia-se nesse mesmo caos,
tal como acontece com as crianças pequenas.
É necessário que a humanidade perceba agora
que tudo o que acontece é completamente incompreensível.
Um caos necessário.
*Entrevistador:*
Um caos necessário, sim.
*RAV:*
Primeiro, precisam entender que tudo é um caos.
Porque ainda pensam que estão indo para algum lugar.
Mas, no fim, percebem que tudo é um caos.
Se tentam resistir a isso e querem encaixar esse caos
dentro de seus conceitos, suas teorias racionais, supostamente,
dentro de uma visão dialética do desenvolvimento da natureza e de si mesmos,
então, obviamente, não terão sucesso.
Vemos isso no G8, no G20,
onde se reúnem essas "chamadas" grandes mentes.
Nesse nível, podem até entender alguma coisa.
Mas quando tentamos avançar para o próximo nível de desenvolvimento,
eles apenas dão de ombros e se dispersam,
tal como chegaram, sem resultados concretos.
Espero que, no fim das contas, isso os leve a ouvir.
E então compreenderão
que há um ensinamento ao lado deles,
que simplesmente explica tudo.
Isso é algo muito, muito positivo.
*Entrevistador:*
Vamos continuar.
"Disse Salomão..."
"Vi tudo nos dias da minha vaidade."
*RAV:*
Ou seja, foi nessa vaidade que a visão lhe foi revelada.
Foi justamente através desse tipo de desenvolvimento.
*Entrevistador:*
O maior dos sábios.
*RAV:*
Mas com o tempo, acostumamo-nos a isso.
À medida que se desenvolve, ele percebe que está em uma inquietação interior turbulenta.
*Entrevistador:*
Isso se encaixa perfeitamente.
Acabamos de falar sobre o fato de que toda essa vaidade é um emaranhado caótico.
*RAV:*
E, no entanto, é dessa vaidade que o desenvolvimento ocorre.
Ela se esclarece e revela uma visão.
*Entrevistador:*
Incrível. Continuemos.
*RAV:*
Não foi à toa que ele foi um grande sábio.
Não foi à toa.
*Entrevistador (lendo):*
"Pois essas sete vaidades se revestem nas sete sefirot da voz.
E ambas se revestem nas sete sefirot da fala.
Ou seja, na Nukva, chamada de 'mundo'.
E nela está o lugar da revelação de todas essas vaidades,
que se tornaram sete luzes da visão.
Que se transformaram nas sete luzes da visão.
E, através delas, o mundo se preenche de vida."
*RAV:*
É exatamente por meio dessas expressões,
essas expressões interiores do homem que emanam de sua alma,
e não apenas pelas palavras,
mas pelo poder da doação,
que o mundo se preenche e se constrói.
E tudo isso vem da Nukva.
Ou seja, do desejo interior,
do desejo mais essencial.
Agora há mais um ponto que deve nos ajudar
a construir uma relação com os livros de Salomão.
Está escrito no Zohar:
"Salomão escreveu três livros, correspondendo às três linhas.
Cântico dos Cânticos — esclarecimento da linha direita.
Kohelet — esclarecimento da linha esquerda."
*Entrevistador:*
Já falamos sobre isso.
*RAV:*
"Mishlei, ou Provérbios — esclarecimento da linha média."
*Entrevistador:*
Aqui há um detalhe curioso.
*RAV:*
Qual?
*Entrevistador:*
Sabemos que a linha do meio surge após o esclarecimento das linhas esquerda e direita.
Cronologicamente, o livro da linha média, Provérbios, foi escrito...
Kohelet, a linha esquerda, foi escrito por último.
Mas deveria ter sido escrito... no início de todos.
*RAV:*
Não sei. De qualquer forma,
a linha média, Provérbios, deveria ter sido o último.
Mas foi escrito no meio.
*Entrevistador:*
Por que assim?
*RAV:*
Sinceramente, não sei o que te responder sobre isso.
Tenho muitas respostas,
mas essas linhas surgem na pessoa...
...e são compreendidas nela em sua total combinação.
Se falamos sobre isso,
essas três linhas vêm de cima: esquerda, direita e média.
Se elas vêm de cima,
então elas chegam com a linha mais elevada sendo a média — Keter —
da qual emanam Chochmá e Biná.
Chochmá e Biná.
E Keter está no topo, a linha média.
Chochmá e Biná abaixo dele.
Depois, desce para Daat,
e segue descendo até Chesed e Gevurá.
Keter de Chochmá e de Biná.
E de Daat também desce até Chesed e Gevurá.
E então se une em Tiferet.
Ou seja, aqui ocorre uma interseção dessas três linhas,
de cima para baixo e de baixo para cima, de forma mútua,
de modo que não se pode dizer qual veio antes ou depois.
Porque... vou tentar explicar.
Não é possível definir uma linha sem a outra.
Nem a direita sem a esquerda, nem a esquerda sem a direita,
e nem a central sem as outras duas.
Ou seja, todas as três linhas estão incluídas uma na outra.
Isso é mencionado diversas vezes no Zohar.
Por isso, há três linhas na direita, três na esquerda e três na média.
E, além disso, a linha média vem primeiro,
depois a direita e a esquerda em um mesmo nível,
depois novamente a média,
e novamente a direita e a esquerda na mesma posição.
Elas não apenas se cruzam no nível das três linhas em cada uma,
mas também nas próprias linhas e nos níveis.
Portanto, falar sobre o que vem antes ou depois
dentro da infinitude, da eternidade,
dentro da perfeição do Criador — isso não se aplica.
*Entrevistador:*
Sim.
*RAV:*
E, por isso, na luz direta, isso parecerá de uma forma,
mas na luz refletida, parecerá completamente oposto.
Se for revelado através da linha direita, a esquerda parecerá diferente.
E se for através da linha esquerda, a direita parecerá diferente.
Ou seja, tudo depende do observador, no final.
Porque, quando estás diante da perfeição e da harmonia absoluta...
É através das tuas próprias qualidades
que, a cada instante, verás algo diferente.
E sempre te encontrarás entre oposições e contradições.
Mas o estado constante, eterno, perfeito,
quando chega, vem como uma síntese.
E nele já não há direita, nem esquerda,
nem linha média, nem uma ordem definida.
Por isso, quando o cabalista se eleva,
ele já não tem essa exigência rígida dentro de si,
de que primeiro deve vir a linha direita, depois a esquerda. Pois, conforme se transforma,
ele passa a se incluir em diferentes perspectivas.
Por isso, a questão não é "por que isso acontece de cima para baixo?".
Essa é uma pergunta que vem de baixo.
Os estudiosos, por exemplo, poderiam perguntar isso,
caso comecem a ler o Livro do Zohar.
Claro, eles se confundiriam muito com suas concepções terrenas — mas isso é bom.
Porque mesmo se confundindo ao ler o Zohar — e isso quero dizer aos ouvintes —
leiam-no, independentemente de como o compreendam. Isso já desperta em vocês uma atração pela luz superior, por esse programa, por esse campo de informação no qual estamos inseridos.
*Entrevistador:*
Vamos continuar.
"Está escrito: 'Vaidade, um esforço inútil,
mas o trabalho do Criador eleva a luz acima do sol',
quando atrai a luz por meio da elevação de baixo para cima,
do sol para acima, e não do sol para baixo.
E então, isso se transforma em vaidade da santidade."
*RAV:*
Ou seja, em vez de receber, tu escolhes doar.
Essa luz que entra em ti, que desejas atrair para dentro,
não é uma luz boa — é uma luz direta.
Mas se avanças na direção da doação,
então surge em ti essa luz refletida,
e é ela que te permite ver tudo ao teu redor.
Ao irradiar luz a partir de ti mesmo,
tornando-te semelhante à luz,
começas a ver tudo ao redor.
Tornas-te, de certa forma, uma fonte, um projetor.
E é nessa luz que enxergas.
*Entrevistador:*
Ouvi dizer que há uma luz que sai do olho...
*RAV:*
Bem, isso pode ser sentido quando alguém te observa.
Tu percebes, mas por quê?
Dizem que é a luz do olho.
Mas, na verdade, não é a luz do olho.
É o pensamento.
São os nossos pensamentos que se conectam.
O olho, por si só, não tem nada de especial.
É um mecanismo simples, muito primitivo.
O que há nele?
Mas tudo isso, claro, acontece internamente.
São os desejos, pensamentos e intenções que se expressam,
por exemplo, através dos nossos órgãos externos.
E esses, sim, são muito perceptíveis.
*Entrevistador:*
Professor, muito obrigado.
Foi excelente. Obrigado.
________________________________________________