Estados Espirituais
O caminho de Abraão
11 de Junho de 2021 33:25 min
Texto para Legenda
Sanilevich: Bom Dia!
Rav: Bom Dia!
Sanilevich: Olá a todos! Este é o Dr Michael Laitman! Vamos continuar com o nosso programa, Estados Espirituais, e hoje vamos falar sobre “Abraão” e do seu caminho de vida. Gostaria de falar sobre o Estado espiritual chamado de Abraão. E apesar de sabermos que na Bíblia, no Tanach, por um lado, fala de estados espirituais que ocorreram na Raiz, por outro lado sabemos que, há eventos históricos e diferentes ações que correspondem à Raiz, coisas que aconteceram a diferentes personagens, em diferentes lugares. Porque sabemos que uma Raiz, pelo menos uma vez, precisa manifestar-se no seu Ramo. E gostaria de lhe perguntar, enquanto Cabalista, o que é este estado chamado de Abraão? O que sente uma pessoa que se eleva até este nível?
Rav: Infelizmente não posso dizer-lhe da minha experiência pessoal, porque não alcancei tal nível. Mas, Abraão é um homem, ou melhor, um nível espiritual que uma pessoa pode alcançar, quando obtém do Criador tudo o que advém do Criador para os seres Criados.
Sanilevich: Está escrito que Abraão é Chessed, Misericórdia. O que acontece, Dr Laitman? A pessoa começa a respeitar e amar todo o mundo?
Rav: Do Criador se expande as primeiras três Sefirot, Keter, cHochmá, Biná, que chegam as criaturas. E o nível mais elevado que é dado às criaturas existe na Sefirá de Chessed e Abraão representa a Sefirá de Chessed. Esta é a sua qualidade principal.
Sanilevich: Dr Laitman, o que é esta qualidade? Qual é a atitude da pessoa com esta qualidade para com o mundo, para com as outras pessoas, qual o resultado desta qualidade?
Rav: É Chassadim puro, Misericórdia. Ou seja, que a pessoa é misericordiosa, está incluída em todas as pessoas, sente todas as pessoas, e não quer de forma alguma nada para si mesmo, mas, eleva todas as pessoas acima de si mesmo, como sendo mais importantes que ela. Em suma, a qualidade de Chessed.
Sanilevich: Eu sei que Abraão é a 20ª geração desde Adão que viveu há mais de 5.781 anos, e vinte gerações de sábios. Porque é que na Bíblia estão mencionadas as 20 gerações, qual a razão?
Rav: É a influência do Criador sobre os seres criados, e, portanto, ficou. Inclui Adão, Noé etc. e todos os níveis até Abraão.
Sanilevich: E qual a razão de serem vinte, Dr? Porque não dezoito ou vinte e oito?
Rav: Há diferentes opiniões a respeito desse assunto, de que se abrem em dez Sefirot de Luz Direta e dez Sefirot de Luz Refletida. Há várias opiniões. Para dizer a verdade, não posso dizer nada de pessoal, ou exato sobre este assunto. Penso que, como sempre, cada manifestação espiritual mais elevada, desce pela linha da direita, da esquerda e do meio, entre elas, alcança o nível de Abraão. O que podemos dizer, é que em relação ao Criador, Abraão é o mais elevado ponto, nível, qualidade do ser criado até ao Criador. Não pode ser mais elevado que isso. Uma pessoa não se pode elevar mais alto do que o nível de Abraão, acima desta qualidade. Não falamos da pessoa, mas, de qualidades.
Sanilevich: Se falamos de qualidades, então é a qualidade mais próxima do Criador que uma pessoa descobre dentro de si mesmo, Dr?
Rav: Sim.
Sanilevich: Dr Laitman, sabemos que há muitas histórias diferentes relacionadas com Abraão, e agora, tal como disse, gostaríamos de fazer um filme sobre isso. Abraão viveu aqui, em Israel, mas na altura era chamado de Canaã. E mesmo antes disso, tudo começou na antiga Babilónia. E Babilônia, Bavel em Hebraico, advém do conceito de Itarbevut, a mistura, a interligação de línguas. Mas, está escrito que naquela altura todas as nações falavam a mesma língua, isto é a forma como começa o livro do Gênesis. E é interessante! O que significa, que ninguém liderava acima de ninguém, o que quer isto dizer? Do ponto de vista espiritual claro, porque do ponto de vista histórico compreendemos que antes disso, dezenas de diferentes clãs e tribos lutaram umas contra as outras e dominaram uma as outras.
Rav: Isso foi uma espécie de período. Entre os dois rios, Tigre e Eufrates, onde existiam, não havia contradições. Tudo existia de forma abundante, havia peixe no rio, tanto quanto quisessem, a terra era fértil, cultivavam tudo que queriam, não tinham necessidade de nenhum tipo. Não experienciaram dificuldades ali. Eles não tinham sequer sentimentos de inveja e competição. E tudo estava bem! Foi um período.
Sanilevich: Está escrito que todos eram iguais e que ninguém governava ninguém. O que significa isso, Dr?
Rav: Significa que esta é a forma como eles existiam. Há diferentes períodos em diferentes lugares onde as diferentes tribos, ou pessoas que viviam ali, viviam em paz. Numa situação estável.
Sanilevich: Dr Laitman, eu ouvi-o uma vez dizer que está relacionado com a nível da Raiz do ego?
Rav: Sim. Havia um ego muito pequeno. Ainda estava a desenvolver-se na humanidade nessa altura. Na realidade, quando falamos da antiga Babilônia, falamos dela como o estado inicial da humanidade, onde as pessoas não sentiam este ego dentro delas, o orgulho inveja etc….
Sanilevich: O que é este nível inicial de zero da Raiz, Dr?
Rav: As pessoas lutavam por território como os animais!
Não havia necessidade de fazer nada, porque tudo era abundante. Foi um determinado período no tempo em que tudo existia em abundância. Água, terra, colheitas. Não havia grandes desejos egoístas. Havia pão, peixes e colheitas suficientes.
Sanilevich: E dentro de uma pessoa o que é esta condição, Dr Laitman, ? Onde todas as pessoas são iguais, o que quer dizer, dentro de uma pessoa?
Rav: Que o ego não precisa de mais nada senão comer. É um estado animal, muito inicial. O estágio inicial do homem é um estado animal.
Sanilevich: Então Dr, os desejos ainda não se desenvolveram numa pessoa?
Rav: Possui apenas desejos animais.
Sanilevich: E depois, Dr Laitman, apareceu o Rei Nimrod, do hebraico “Mered”. E começa a controlar a todos. O que quer dizer que aparece dentro do ser humano.
Rav: Há vários vetores do desenvolvimento humano. Nimrod é um governante, um governante muito astuto, e as pessoas ficaram mais agressivas umas com as outras, mais exigentes, mais egoístas. E para além disso, Terach, que era o Pai de Abraão, que na realidade já começou, bem, digamos, a diferenciação de Deuses. Ele fazia esculturas variadas, e disse aos Babilônios que cada uma delas representava diferentes deuses, e que era preciso rezar a eles e acender velas.
Sanilevich: Dentro de uma pessoa, o que significa esse período, esse estado, Dr?
Rav: Forças invisíveis, situações que existem numa pessoa, e que uma pessoa quer entender e conquistar. Tudo isso existe em nós, e temos o desejo que de alguma forma possamos entendê-las, trabalhar com elas.
Sanilevich: Está escrito que Nimrod era forte perante Deus Dr Laitman, o que significa que uma pessoa descobre dentro de si a capacidade de se revoltar contra a paz e quer governar? Uma forte rebelião.
Rav: Significa que quer tirar as pessoas do seu estado primitivo animal e elevá-las mais alto. Ou seja, ativar o ego, a competição e a necessidade de adquirir vários meios. Isto é o que o Rei Nimrod representa.
Sanilevich: Contra quem é que ele se revoltou, Dr?
Rav: Não há ninguém contra o qual se revoltar, senão a natureza em si mesma. Ele não queria pessoas pacíficas, mas competitivas e egoístas para que avancem, e cheguem mais longe, e avancem o seu reino.
Sanilevich: Então, Dr Laitman, é uma qualidade positiva, tal como nas nossas crianças que queremos que cresçam, compitam, ganhem prêmios, competências!
Rav: Ele pode competir para não ser egoísta, e não para ser um vitorioso sobre tudo e todos. As competições também podem ser na direção oposta.
Sanilevich: Então, o Nimrod é uma qualidade negativa numa pessoa, Dr?
Rav: Sim, até aos dias de hoje, é uma qualidade negativa na humanidade, sempre em desenvolvimento, em crescimento a grande velocidade.
Sanilevich: Dr Laitman, está escrito que Abraão começou a observar o que acontecia, o crescimento do ego, e eles começaram a construir a Torre de Babel. Sabemos acerca da mistura de língua. Mas, significa realmente, que simplesmente deixaram de se entender. Dois egoístas que falavam uma língua, mas não se entendiam. Mas o que é dentro do ser humano?
Rav: Dois egoístas não conseguem se entender.
Sanilevich: E dentro de uma pessoa, o que significa que deixaram de se compreender, Dr Laitman ?
Rav: As pessoas realmente não se compreendem umas às outras, nem a si mesmas, na medida em que não compreendem os outros. Acontece que uma pessoa vive sem entender o por que, e para que. E em relação a isso, na medida em que se torna uma egoísta, afasta-se da Natureza, ela está em oposição à Natureza, contra a Natureza e isso é o que ela obtém na verdade. Perde em ambos os lados.
Sanilevich: Então, novamente. Quando uma pessoa constrói a Torre de Babel dentro dela mesmo, o que acontece? Qual é este estado Dr?
Rav: Quando ela constrói a torre de Babel, que foi o que Nimrod os mandou fazer, por forma a aumentar o seu ego, isso significa, que o ego precisa alcançar um estado onde prevalece, está em controle de todas as outras qualidades humanas.
Sanilevich: Então, sabemos que a geração de Abraão é conhecida como a geração da separação, dos conflitos. Em hebraico, DorHapalgan. No entanto, sabemos que houve pessoas que seguiram Abraão, centenas de pessoas que foram chamadas de Israel, uma espécie de Nação, e todos os outros foram chamados de Nações do Mundo. Por um lado, ele fundou uma nação que alcançou o conhecimento do Criador, revelou o Criador dentro deles mesmos, adquiriram a qualidade de doação por influência. E todas as outras pessoas, são as restantes, as Nações do Mundo. Dr Laitman, o que significa isso dentro de uma pessoa?
Rav: A divisão entre dois tipos de desejo, ou seja, o desejo de proximidade com os outros, que é a qualidade altruísta e, isto é exatamente como se tornou revelado, e o desejo, pelo contrário, de dominar, pressionar as outras pessoas, que é uma qualidade egoísta. Ou seja, Abraão encontrou realmente a divisão da humanidade em dois grupos. Um grupo pequeno e de egoístas, que querem elevar-se acima de si mesmo, e por isso foram chamados de Judeus, Israel, Israelitas, que queriam alcançar a espiritualidade, e o resto do mundo que não queriam.
Sanilevich: Então, são os desejos egoístas dentro de uma pessoa que já podem ser usados, e os outros, que ainda não estão corrigidos e que a pessoa não pode utilizar. São dois tipos de desejos dentro de uma pessoa. Ok. Nos seus livros, escreve que Abraão foi o primeiro homem a elevar Malchut até Biná, em quarenta anos. Bem, já falamos de Cabalá, queria perguntar, Dr Laitman, o que é esse número quarenta? O que são esses quarenta anos que Abraão levou para alcançar o Criador?
Rav: A qualidade de recepção precede tudo. É o desejo de receber egoísta. Podemos corrigi-lo apenas se o elevarmos até ao nível de Biná. O nível de Biná é chamado de quarenta. Que é como se pudéssemos elevar-nos até ao nível de Biná em quarenta anos, quarenta níveis. Na verdade, isto é tudo muito condicional, simbólico, porque também o podemos contar de forma diferente. Não há nada de especial acerca disso. Mas o número quarenta encontramos em muitos lugares na Torá.
Sanilevich: Dr Laitman, também temos o número três. Que Abraão começou a contemplar o sentido da vida com a idade de três anos. O que significa o número três? Não é uma idade, obviamente!
Rav: Obviamente que não é uma idade. Digamos que é uma idade espiritual que aparece na pessoa a possibilidade de receber e de doar, as duas formas para criar a linha do meio.
Sanilevich: Então, Dr Laitman, três representa a linha mediana?
Rav: Sim, a forma da linha mediana.
Sanilevich: Muito bem, depois de alcançar a idade de quarenta, quando alcançou a qualidade de Misericórdia, começou a disseminar este método a todos os outros, e como está escrito por Maimonides, centenas de pessoas seguiram-no. E ele teve que fugir de Nimrod, e chegaram à terra de Canaã, através do Norte de Israel, para algum lugar chamado de Rosh Hanikra, e o resto de sua viagem foi dentro do território que se chamava Canaã, porque naquela época, não se chamava terra de Israel. O que é esse nome Canaã, Dr?
Rav: Essa é a parte mais a norte da terra, é o norte de Israel, e lá, ele encontra outras pessoas, e também, lhes mostra o seu método.
Sanilevich: Ou seja, Canaã advém da palavra hebraica Kenia, que significa, se submeter. Kenia da palavra hebraica Laknia, subordinar-se. O que significa isso dentro de uma pessoa? Canaã, Canaã, em hebraico vem da palavra submissão, que se rende a outra força.
Rav: No geral é a qualidade de Abraão, que constantemente se submete ao Criador. Se a pessoa alcançar um tal estado no seu desenvolvimento, Terra, Eretz, da palavra Ratzon, desejo é alcançar tal desejo onde pode mais e mais submeter-se ao Criador, isso significa que alcançou a terra de Canaã.
Sanilevich: E também, é sabido que Abraão vem da antiga Babilônia para Canaã, depois volta para o Egito, depois para Canaã novamente e depois para Beersheba, Sodoma, Gomorra. Dr Laitman, todos estes movimentos dentro de uma pessoa são apenas uma mudança de estados internos?
Rav: Claro, isso é exatamente o que acontece dentro de uma pessoa, isso é que é importante.
Sanilevich: E como resultado, também há movimentos físicos, etc.
Rav: O significado, ou de que se fala realmente, são os movimentos internos.
Sanilevich: E diz que Abraão ensinou toda a gente, foi de lugar para lugar, não longe daqui. Havia a sua tenda onde costumava sentar-se. E está escrito que se sentava na tenda e explicava a todos, na medida em que poderiam entendê-lo, de acordo com quem o ouvia. E, como está escrito, ele desenvolveu este princípio. O que é?
Rav: O princípio do Deus único. Que a Força Superior da Doação é que governa o mundo e esta é exatamente a qualidade à qual temos que nos submeter e temos que cultivar esta qualidade dentro de nós.
Sanilevich: Está escrito que Abraão foi forçado a deixar a Babilônia para Canaã, fugiu de Nimrod e depois está escrito que houve fome aqui e teve que ir até ao Egito. O que é que isso significa?
Rav: Que ele não podia preencher-se na qualidade de doação e que não conseguia adquirir as qualidades do Criador, alcançar equivalência de forma com o Criador apenas através da qualidade de doação. E, portanto, teve que abrir o seu desejo, as qualidades egoístas, para que numa certa combinação, entre as qualidades egoístas e altruístas, a qualidade de recepção e a qualidade de doação, fosse capaz, de corretamente, se igualar ao Criador.
Sanilevich: Está escrito que setenta pessoas foram até ao Egito, mesmo que nós saibamos que foram centenas de milhares.
Rav: Primeiro de tudo, nos dias de Abraão havia realmente poucas pessoas. A Torá sempre fala, não acerca da quantidade de cabeças, mas da intensidade destas almas. E portanto, não há necessidade de pensar que estas almas possuem…
Sanilevich: Dr Laitman, o número setenta é sempre mencionado. Qual a razão?
Rav: É um número completo, porque a nossa alma consiste de setenta pedaços, e se estes setenta pedaços se juntarem, e direcionarem todos os seus desejos e ânsias para Keter, o pico do nível da sua conexão, é um trabalho completo. Uma alma única e completa, em conexão com o Criador e na conexão entre estas qualidades.
Sanilevich: Lot estava sempre próximo de Abraão. O que é esta qualidade sempre próxima de Abraão?
Rav: Compreenda que as qualidades espirituais sempre consistem de partes negativas e positivas. Tal como é impossível determinar algo, alcançar algo, ser direcionado para qualquer coisa, se não tivermos as qualidades opostas. Portanto, Lot é a qualidade oposta de Abraão e, através disso, ajuda Abraão a revelar-se, a expressar-se. Graças a Lot, Abraão torna-se revelado. Realiza-se.
Sanilevich: Mas então, Dr, a certa altura, precisam se separar de uma forma ou de outra!
Rav: Obviamente. Porque depois, tal como está escrito, se você for para a direita, eu vou para a esquerda, e, portanto, separem-se.
Sanilevich: Qual é o objetivo, Dr Laitman? Obviamente é uma alegoria, e caminham com a manada. O que significa que uma pessoa dentro dela é um pastor?
Rav: Estes são desejos animais, no nível animal, próximos dos desejos espirituais que representam um animal, como uma ovelha por exemplo.
Sanilevich: Dr Laitman, o que significa pastorear um rebanho de ovelhas dentro de mim mesmo?
Rav: Que você quer desenvolver, dentro de si mesmo, desejos que eventualmente serão desejos de amor, doação etc.
Sanilevich: Há muitas histórias relacionadas com Abraão e não podemos falar delas todas e muito menos de forma cronológica, mas, uma das histórias é muito interessante. É Sodoma e Gomorra. O Criador tenta destruir estas cidades e Abraão… o Criador quer destruir estas cidades e Abraão protege-as. Qual é o problema destas relações chamadas de Sodoma “O que é meu é meu e o que seu e seu”? Qual é o problema com este tipo de comportamento, Dr Laitman,?
Rav: Estas relações são completamente egoístas, “o que é meu é meu e o que é seu é seu”. Não é um crime, não é a qualidade de egoísmo na sua manifestação mais explícita, mas com relações de “o que é meu é meu e o que é seu é seu”, não podemos corrigir nada. E, portanto, esta qualidade é considerada o completo oposto do Criador, da qual é necessário livrarmo-nos.
Sanilevich: Para o ego é o estado mais confortável!
Rav: Para o ego não é confortável, porque não está a tirar nada de ninguém, apenas a dizer que o que é seu é seu e o que meu é meu.
Sanilevich: Sim, Dr, eu não toco em você, você não toca em mim, não há guerras nem conflitos.
Rav: Mas melhor ainda se pudermos tirar o que é do outro!
Sanilevich: Mas, Dr Laitman, isso é um problema! Se eu for forte, mais tarde, volto a tirar isso de você e depois…
Rav: Claro! Mais precisamente, porque permanecer no estado é um completo beco sem saída. Eu não tiro de você, você não tira de mim, o que é meu é meu. Não há correção nisso, e, portanto, esta qualidade é insuficiente no que diz respeito a alcançar o objetivo.
Sanilevich: Então, esta qualidade numa pessoa é oposta ao propósito em si mesmo, ao objetivo da Criação, e essa é a razão pela qual o Criador destruiu estas cidades? O que é interessante é que estas cidades estavam em algum lugar na região do Mar Morto, filmamos lá. E o que temos lá, é o pilar de sal, que é a mulher de Lot, quando fugiam enquanto as cidades eram destruídas, ela voltou-se para trás, ou seja, o que significa isso, Dr Laitman,?
Rav: Ela não queria deixar a sua vida egoísta anterior, e portanto, transformou-se num pilar de sal, que se manifesta em consistência e persistência dentro dos seus desejos que não podem ser corrigidos, porque são deste tipo, como o pilar de sal que não pode mover de seu lugar.
Sanilevich: O mar morto está a quatrocentos metros abaixo do nível do mar. Quatrocentos, possui um significado na Sabedoria da Cabalá, Dr?
Rav: Provavelmente!
Sanilevich: Dr Laitman, quatrocentos é tipo um número completo?
Rav: Sim, a profundidade completa de Malchut.
Sanilevich: A profundidade completa do egoísmo que mais tarde será corrigida de alguma forma.
Rav: Sim.
Sanilevich: E depois, Dr Laitman?
Rav: Possivelmente, será preenchida por dentro com água limpa. Água pura.
Sanilevich: Num dos nossos programas anteriores o Dr disse que, apesar de ser deserto, podia realmente florir.
Rav: Terá tudo lá, peixe e tudo o mais. Tudo incluindo tudo. Se juntar a essa qualidade a qualidade de doação, então, entre as duas qualidades terá, não sei…, terá tudo ali!
Sanilevich: De forma externa? Ou seja, se corrigirmos esta qualidade dentro de nós mesmos, na parte externa teremos tudo?!... Bem, vamos estudar isso mais tarde. E Abraão caminha no deserto. Dr Laitman, o que é um deserto dentro de uma pessoa?
Rav: Nada com que se alimentar. Nada para preencher a sua qualidade de conexão com os outros, de doação, de amor. Nenhuma forma de se concretizar. Essa é a qualidade do deserto.
Sanilevich: Não pode preencher o seu ego, ou o seu desejo de doar, Dr?
Rav: Depende do tipo de deserto!
Sanilevich: Mas, Dr Laitman, quando falamos de um deserto, falamos de um certo vazio dentro de uma pessoa, independentemente de ser para nos preencher de forma egoísta, ou para preencher o Criador?
Rav: Na verdade, sim.
Sanilevich: Também quando caminhavam no deserto, Abraão estava o tempo todo à procura de poços. Por que é isso tão importante para ele, Dr Laitman?
Rav: Uma fonte de água. E água é a Luz de Chassadim, a qualidade de doação, a qualidade de amor. Sem água, nada pode crescer. E portanto, tudo se resume a isso, tudo se passa na água, a qualidade de doação.
Sanilevich: Vão até à cidade de Beersheba, e esta é fonte de sabedoria. De que sabedoria falamos, Dr?
Rav: Precisamente quando encontram água no deserto, é a fonte de sabedoria. Porque o deserto mostra o quanto uma pessoa anseia por encontrá-la. E quando encontra a água, há uma explosão de sabedoria e uma erupção de boas intenções.
Sanilevich: De que sabedoria estamos a falar, Dr Laitman?
Rav: Acerca de como nos tornarmos como o Criador.
Sanilevich: Isto é Sabedoria, Dr? Como nos tornarmos como o Criador?
Rav: Sim!
Sanilevich: Muitos termos diferentes, muitos termos novos. Abraão viveu muito tempo, e muitas histórias estão relacionadas com ele.
Rav: O que podemos fazer? Ele é a verdadeira fundação do nosso mundo. Sem ele não sei como é que o mundo poderia existir. Precisamente, graças a Abraão, apareceram as diferentes qualidades religiosas, as ações internas e os relacionamentos. O verdadeiro início. Ele era um grande filósofo, um grande sábio.
Sanilevich: Ele dividiu o mundo em duas partes. Um é Israel, aqueles que desejam o Criador, e o outro são as Nações do Mundo.
Rav: Sim.
Sanilevich: Dr Laitman, como é que seria possível mostrar tudo isto? Penso que é possível mostrar lugares históricos relacionados com a forma como Abraão se movimentou de forma física. Mas, por outro lado, é uma explicação das qualidades internas de uma pessoa?
Rav: Não importa. Eu penso que se mostrar o que a Torá fala, então, seria bom de forma física, e ao mesmo tempo, ser uma explicação meticulosa, vívida do que significa, a que se refere.
Sanilevich: Então, Dr, eu permaneço no deserto, mas, posso abrir esse deserto dentro do homem?
Rav: Não é que haja muito para ver, mas sim!
Sanilevich: E explico o que é o deserto dentro de uma pessoa, onde ele adquire a qualidade de Sabedoria para alcançar o Criador.
Rav: Sim!
Sanilevich: Muito obrigado, Dr Laitman! Até à próxima!Da proxima vez veremos o filme feito. Muito obrigado a todos!